terça-feira, 4 de julho de 2017

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Uma Abordagem Sobre o Louvor nas Igrejas Evangélicas - Pr. Cícero Duarte de Sales


Liturgia hoje: Uma Abordagem Sobre o Louvor nas Igrejas Evangélicas

Pr. Cícero Duarte de Sales
Comodoro, MT

A música sempre exerceu forte influência no comportamento do ser humano desde a Antiguidade até os dias atuais. A essência da música, de conformidade com Aristóteles, é a mais moral de todas as artes porque afeta diretamente o caráter.

Para Platão, ela é um meio para formação do caráter e de demonstração das frustrações das realizações humanas porque há um forte vínculo entre a música ouvida e a estrutura interior de uma pessoa. 

O apóstolo Paulo afirma: “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos, e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vossos corações”, Cl 3: 16. Vamos pensar um pouco sobre essa questão.

A atualidade da liturgia brasileira

Liturgia é o conjunto dos elementos e práticas do culto religioso instituídos por uma igreja, segundo o dicionário Houaiss. Então, é tudo aquilo que acontece dentro do templo desde o instante em que o culto é iniciado até o momento em que ele é finalizado. No Brasil, são feitos cultos litúrgicos tradicionais e os avivados. Ambos refletem a realidade do caráter e do mundo interior da pessoa que participa e a linha de liderança espiritual da igreja.

Os cultos avivados, pelo que se observa, são os mais populares e, por consequente, os mais praticados atualmente. Eles atraem mais às pessoas novas ou aqueles que julgam ter um espírito mais jovem. Esse estilo envolve, além do cântico, a participação física através de palmas, balanço do corpo e também do alto volume dos instrumentos musicais.

Os cultos tradicionais têm como participantes as pessoas que se acostumaram com a herança cultural religiosa passada pelas gerações anteriores. Há forte tendência de evitar qualquer mudança simplesmente pelo fato de terem sido feitos sempre daquele jeito. Nesse caso, o legado é considerado muitíssimo importante a ponto de evitar qualquer tipo de mudanças. Entretanto, essa forma de liturgia estática e padronizada não está sendo bem aceita pela atual geração de cristãos e, gradativamente, vai sendo substituída por uma mais avivada, que contém uma linguagem mais atual, mensagens mais contextualizadas e estilos musicais mais aceitos.

A influência humana na liturgia

As liturgias avivadas e as tradicionais têm o mesmo objetivo que é o de adorar a Deus “em espírito e em verdade”. Porém a influência do homem é muito grande em ambos os casos. Por isso, muitas vezes, parece que os homens estão controlando o mover do Espírito de Deus. É como se estivessem dizendo ao Senhor como Ele deve agir no meio de seu povo ou decidindo, junto ao povo, qual forma de louvor agrada ou não ao Senhor. Isso é um reflexo do interior humano, por certo medo de que o culto não aconteça da forma como gostariam que fosse ou como planejaram.

Assim, no Brasil, vive-se hoje um processo de adaptação entre o antigo e o novo e isso, às vezes, tem causado dissabores entre cristãos. A forma de adoração nem sempre tem sido a causadora direta de divisões denominacionais, como ocorridas no passado ou na atualidade da igreja brasileira, mas algum mal-estar pode ser sentido. Por isso é necessário estar alerta para as novas idéias e formas de culto que vêm surgindo e penetrando sorrateiramente na Igreja. É preciso questionar e verificar até que ponto existe a influência humana ou até que ponto existe a divina.

Nosso estilo de culto precisa, é verdade, ser sempre contextualizado à realidade sociocultural da comunidade, porém sem ferir os princípios básicos da fé cristã. Não devemos confundir os métodos de Deus com os métodos humanos. Em ambos os estilos de liturgia é fundamental separar o joio do trigo e oferecer o melhor que temos para o Senhor Todo-poderoso.

Tendências pós-modernas na liturgia

Os sentimentos e, muitas vezes, as práticas de vida das pessoas são determinadas por aquilo que elas ouvem. Aristóteles já dizia: “... as emoções de toda espécie são produzidas pela melodia e pelo ritmo: através da música, por conseguinte, o homem acostuma a experimentar as emoções certas: tem a música, portanto, o poder de formar o caráter, e os vários tipos de músicas, baseados nos vários modos, distinguem-se pelos efeitos sobre o caráter – um, por exemplo, operando na direção da melancolia, outro na da efeminação, um incentivando a renúncia, outro o domínio de si, um terceiro, o entusiasmo, e assim por diante, através da série”.

Há dois métodos de cultuar a Deus que estão chamando a atenção: o “louvorzão” e a “cristoteca”. São estilos mais modernos, porém têm suas falhas, pois neles a Palavra de Deus quase não tem ênfase nem lugar.

No louvorzão o que vale é louvar, é dançar, é ser espontâneo nos momentos de manifestar seus sentimentos positivos para com o Senhor. A forma como isso acontece não tem muita importância. A Bíblia orienta fazer tudo com “ordem e decência”, 1 Co 14: 40. É obvio que isso não implica em ficar engessado dentro da igreja.

A cristoteca é algo mais recente e seus defensores afirmam que é um espaço que tem como objetivo atrair os jovens que se desviaram do Evangelho por causa dos lugares que frequentavam como a discoteca, onde se toca a música satânica, rolam drogas e prostituição. Seus defensores insistem em afirmar que é uma noite de muita oração através da música e da dança.

Considerações finais 

Aceitando as práticas recentes de louvor, a igreja de Cristo se torna liberal e sem raízes alicerçadas dentro da Bíblia. Nelas o que se vê é muito movimento e pouca essência, muito ruído e pouca mensagem. Por isso, a Igreja precisa estar atenta quanto ao seu estilo de culto. A liturgia praticada e a qualidade dos cânticos definem a linha espiritual da Igreja.

O equilíbrio, nestes tempos, é fundamental. Felizmente há muito louvor novo, porém equilibrado, edificante. O estilo de culto pode ser moderno, porém, contendo os mesmos valores que sempre foram prezados no passado, desde o Antigo Testamento, o Novo Testamento, na idade média, no período da reforma e, daí, até os dias de hoje. A igreja vigilante e bíblica precisa pôr-se em guarda quanto ao seu louvor.


Publicado no Jornal Aleluia de Março de 2007

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