segunda-feira, 17 de julho de 2017

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Pastoreio de Ovelhas no Mundo Antigo - Ezequiel 34 - Michael Rossane


Ezequiel 34

Será se de fato hoje o pastoreio está de certa forma descaracterizado dos ensinamentos das Escrituras Sagrada? Suas atitudes, motivações, desejos e responsabilidade, sendo que, de certa forma sim, hà algumas diferenças entre o pastoreio ensinado e vivido pelos pastores do AT e do pastoreio de Jesus no NT.

  O pastoreio de ovelhas era muito difundido no mundo antigo, desde os tempos mais remotos, praticado desde a Mesopotâmia até o mundo romano. As ovelhas proporcionavam carne, lã, leite e queijo. Os pastores, às vezes, praticavam a transumância (movimento sazonal de rebanhos entre as pastagens das terras baixas e a das montanhas) e viviam como nômades, mas não era comum. 

Os pastores levavam suas ovelhas para pastar e beber água, protegiam-nas dos animais selvagens, mantinham um registro cuidadoso de seu número e davam atenção especial às que precisavam de cuidados, como as fêmeas prestes a dar à luz. À noite, o pastor ficava com as ovelhas, às vezes reunindo-as numa simples área cercada ou mesmo em cavernas. Numa família de pastores, os meninos e as meninas ajudavam a cuidar do rebanho (Gn 29.6; Davi, 1 Sm 16.11). A vida do pastor era difícil, obrigando-o a ficar longas horas ao ar livre.

 No entanto, o pastoreio de ovelhas era muitas vezes idealizado, como na poesia pastoril da Grécia e de Roma (e.g., as dez écoglas, de Virgílio – poemas em que uma ovelha conversa com a outra). Os pastores aparentemente passavam boa parte do tempo vago criando música e poesia, enquanto observavam as ovelhas pastarem. O escudo de Aquiles traz a imagem de dois pastores tocando instrumentos de sopro, e a carreira de Davi como salmista de Israel começou entre as ovelhas e com outros pastores. 

No mundo antigo, o pastor era uma metáfora padrão para os governantes. Os legisladores mesopotâmios Lipit-Istar, de Isin, e Hamurabi, da Babilônia, foram chamados “pastores”, e o cetro do faraó talvez imitasse a forma do cajado de um pastor. Na mitologia babilônia, dizia-se que Marduque era o pastor dos deuses, enquanto no AT Deus é o Pastor de Israel (Sl 80.1) e dos crentes fiéis (Sl 23). Ao mesmo tempo, Deus esperava que os reis de Israel agissem como pastores de seu povo (2 Sm 5.2) e condenava os que abusavam dessa autoridade (Ez 34). Jesus, em cumprimento dos versículos de 11 a 16, proclamou-se “o bom pastor” (Jo 10.1-18).

  Ezequiel 34. 1-31: Os pastores de Israel são denunciados

    A imagem do povo de Deus como um rebanho de ovelhas ocorre inúmeras vezes em toda a Bíblia, isto é fato. Neste oráculo, os então pastores, isto é, os governantes de Israel, são repreendidos por se preocuparem apenas com seus próprios interesses e pela falta de cuidado para com o seu rebanho. Além disso, algumas ovelhas engordaram à custa de outras, isto é, algumas pessoas adquiriram poder e fortuna por meio da opressão dos mais pobres e fracos. Ezequiel adverte que a justiça será restaurada.

  A advertência se torna uma promessa para o futuro (21-24). O Senhor não apenas salvará suas ovelhas, mas também nomeará Davi com seu pastor, e estabelecerá com elas uma aliança de paz. Como em outros oráculos, o nome é simbólico. A referência a Davi não significa que o antigo rei Davi será literalmente ressuscitado e entronizado como rei. Sua força se encontra no fato de que o próximo governante terá os atributos exemplares de Davi – alguém em quem o Senhor se compraz e que triunfou sobre os inimigos de Israel. Uma referência a Davi também pode ser encontrada em 37.24-26, em que o seu governo é descrito como eterno. A mesma passagem também se refere à eterna aliança de paz que o Senhor estabelecerá com o seu povo, um tema quase idêntico ao de 34.25-30.

   As duas passagens não apontam somente para o futuro imediato de Israel, mas também para um futuro de longo prazo. Deus estabelecerá a paz com o seu povo, e apontará um pastor para dirigi-los.

  O oráculo traz uma promessa de esperança. Mesmo que o povo de Deus seja espalhado e oprimido, um dia terá justiça. Os leitores do NT testemunharão esse dia com a volta de Jesus Cristo, uma promessa selada com a sua primeira vinda, morte e ressurreição.

   1-31 Ezequiel deve proclamar aos pastores de Israel: “Ai de vós pastores de Israel. Não cuidastes do rebanho. Ele se espalhou pelas terras. Vós vos preocupastes somente convosco mesmos (2,5-8). Eis que me levanto contra os pastores. Eles serão responsabilizados pelo rebanho, porei fim ao seu pastoreio. Eles já não se alimentarão de meu rebanho (10). Eu buscarei e ajuntarei minhas ovelhas. Eu as ajuntarei de todas as nações e as trarei para uma terra de boa pastagem, a terra de Israel. Eu mesmo cuidarei delas e serei para elas um bom pastor (11-15). Eis que julgarei entre ovelhas e ovelhas. Algumas engordaram à custa de outras. O rebanho já não servirá de rapina (17-22). Apontarei meu servo Davi como seu único pastor. Eu serei o seu Deus e Davi o seu príncipe (23,24). Eu celebrarei com elas uma aliança de paz. Elas habitarão em uma terra fértil e segura. Elas serão resgatadas da escravidão. Saberão, porém, que eu, o seu Deus, estou com elas, e que elas são o meu povo” (25-31).

 Notas. 13 “Tirá-las-ei [...] e as congregarei”: a promessa da restauração recebe ênfase especial nos cap. 34-48. Entretanto, isso também acontece em oráculos anteriores: 11.17; 16.60; 20.34,42; 28.25.

  25 “Aliança de paz”: a nova aliança prometida (Jr 31.31-34). 

Michael Rossane 


Fonte de Pesquisas: Bíblia de Estudo Arqueológica; 
Comentário Bíblico Vida Nova.

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