terça-feira, 4 de julho de 2017

Portal Teologia & Missões

Outra Postura a Respeito da Adoração Contemporânea - Jairo Namnún


Na semana passada, tive a oportunidade de ler o artigo de Jairo Namnún, Uma defesa da adoração contemporânea. Aproveito a ocasião para agradecer ao Jairo por compartilhar essas reflexões sobre a adoração. Independentemente das classificações que se podem fazer— e das que eu faço aqui ­— tanto o conteúdo como o tom desse artigo apontam para uma perspectiva enriquecedora e para um bom debate.

De imediato, direi que a respeito da questão do artigo (e de tudo o que há por trás dele) eu me recuso a ser rotulado; não sou defensor da “adoração tradicional” nem contra a “adoração contemporânea”. 

Na realidade, eu concordo com boa parte do que Jairo escreveu em seu artigo. Contudo, me parece necessário fazer algumas distinções e levantar algumas questões a respeito do tema. Iniciarei pelos pontos nos quais eu concordo com Jairo e em seguida farei um resumo a respeito das áreas nas quais creio que todos nós temos que continuar trabalhando.

Sim!
Sim, é um assunto de importância terciária. Deve ser levado em consideração, evidentemente, mas não se deve atribuir-lhe uma importância maior do que a necessária ou permitir que ele cause divisão entre o povo de Deus.

Sim, todos temos que lutar a fim de vencer toda ideia preconcebida que possamos ter. Para mim também foi difícil superar alguns preconceitos contra a “adoração contemporânea”.
Sim, a “adoração contemporânea” enriqueceu a adoração de milhares de igrejas e de milhões de pessoas.

Sim, é importante (e bíblico) que a letra da canção seja moderna e compreensível para as pessoas e é verdade que há hinos e canções que contém letras difíceis de entender.

Sim, devemos buscar a excelência em tudo o que fazemos nas igrejas. O Senhor merece o melhor, incluindo na música.

Sim, é oportuno que todos os crentes possam desenvolver e fazer uso dos seus dons, incluindo os musicais.

Sim, trata-se de um culto e não de um concerto musical.
Porém…

O Que é Adoração?

Em seu artigo, Jairo usa a frase “adoração contemporânea” principalmente para referir-se a algo muito específico: a um estilo musical determinado, conhecido como “contemporâneo”. Esse hábito tornou-se comum nas últimas décadas, mas acarreta um sério perigo potencial: o erro de reduzir nas mentes das pessoas o significado da adoração. Sim, cantar ao Senhor é adoração, mas somente uma parte dela. 

A meu ver, tudo que é feito quando o povo de Deus se reúne é, ou deveria ser, adoração: a pregação e o ouvir a Palavra de Deus; as orações, as ordenanças do batismo e da Ceia do Senhor; ofertas; etc. A vida inteira de todo crente deveria ser uma oferta de adoração ao Senhor. Mas, embora todos nós concordemos com isso na teoria, na prática, não é verdade que há muitos crentes que associam a palavra “adoração” apenas com a parte cantada do culto?

O problema é que a má utilização de uma palavra pode levar a interpretações e práticas erradas. Precisamos resgatar o pleno significado bíblico daquilo que é a adoração. Não deixamos de adorar quando não estamos cantando ou quando saímos do templo!

O Que é um Hino?

Jairo utiliza bastante a palavra “hinos” para resumir a “adoração tradicional”, mas não a define. 

Porém, o que é um hino? Em geral, Jairo usa a palavra “hino” para fazer referência um tipo de cântico cristão em particular, normalmente muito antigo, às vezes com letras difíceis de entender para as pessoas de hoje, melhor acompanhado por poucos instrumentos, apenas por um só ou por nenhum, e que tende a desmotivar a criação de novas composições. Se for esse o caso, eu voto que abandonemos os hinos já! Mas tem sido assim?

Algumas reflexões a este respeito: 

(1) Não esqueçamos que a Bíblia fala sobre “hinos” (Ef 5.19Col 3.16), como um dos tipos de “cânticos” que devemos utilizar na igreja; 

(2) Seguindo essa mesma linha, tanto bíblica como historicamente falando, as diferenças entre “salmos”, “hinos” e “cânticos espirituais” não são diferenças de época (isto é, de data de composição), mas sim de conteúdo, de estruturas e de formas; 

(3) Ao longo do século 20 e começo do 21 continuou havendo grandes compositores de “hinos”, mas de hinos contemporâneos do século 20 e do século 21 — para dar quatro exemplos do mundo de língua inglesa, Timothy Dudley-Smith, Vernon Higham, Christopher Idlee Stuart Townend — sim, eu não hesitaria em chamar de “hinos” muitas das composições de Townend: “Em Cristo só”, etc; e: 

(4) Deve ser evidente que qualquer tipo de canção cristã – seja chamada de “hino”, “canção” ou o que quer que seja – pode ser acompanhado de qualquer tipo ou número de instrumentos. Eu mesmo toco violão já faz 30 anos acompanhando todo tipo de canções cristãs, às vezes sozinho (por necessidade), por vezes como um de poucos ou de muitos músicos –, isso dependerá das circunstâncias de cada igreja, etc.

O que a Bíblia ensina?

Eu tenho a convicção de que necessitamos de uma robusta teologia bíblica da música na igreja — talvez já exista, mas certamente ainda há um caminho a ser percorrido. Tenho mais perguntas do que respostas, mas acredito que são perguntas para as quais temos de encontrar respostas: 

(1) Na linha da teologia bíblica e da ideia de uma revelação progressiva, há alguma diferença entre o canto congregacional antes e depois de Cristo, entre a adoração judaica e a adoração cristã?; 

(2) Por acaso não indicou o Senhor Jesus Cristo algo a respeito disso em sua conversa com a mulher samaritana?; 

(3) Por que há tão poucas referências ao canto congregacional no livro de Atos?; 

(4) Por que nas quatro listas de dons espirituais no Novo Testamento (Rm 121 Co 12Ef 4; e: 1 Pe 4) não há nenhuma menção aos dons musicais, algo que seria quase impensável hoje? Com essas (e outras) perguntas, não pretendo questionar, e tampouco criticar, “a adoração contemporânea”, mas acredito que é preciso ser o mais objetivo possível, e não procurar um apoio bíblico para justificar o que já estamos fazendo, ou para justificar as mudanças que gostaríamos de ver ou simplesmente para justificar o nosso gosto quanto aos estilos musicais na igreja.

Conclusão

Um dos lemas da reforma protestante do século 16 é: “Ecclesia reformata semper reformanda”: “Igreja reformada sempre necessitando de reforma” (tradução livre minha). Parece-me um grande lema; reconhece a imperfeição da Igreja militante — isto é, a igreja aqui e agora — e orienta a humildade no lugar do orgulho, autossuficiência e conformismo. Tanto a “adoração tradicional” como a “adoração contemporânea”, na minha opinião, fazem parte do contínuo processo de reforma — neste caso, a reforma da adoração do povo de Deus. 

Devemos ser gratos ao Senhor pelas contribuições tanto do passado quanto do presente dessa reforma tão necessária; dar graças pelas evoluções que aconteceram. Mas ainda não estamos na glória! Neste processo, às vezes tão emocionante, outras vezes frustrante, de reforma, de purificação, de santificação coletiva, ainda nos resta um longo caminho a ser percorrido. Que o Senhor nos conceda muita humildade, muito discernimento e muito da sua graça!

Por: Andres Birch. Copyright © 2015 The Gospel Coalition Original: Otra postura en cuanto a “la adoración contemporánea”
Tradução: Débora Oliveira. Revisão: Jemima S. L. Santos. © 2017 Cante as Escrituras. Original: Outra postura a respeito da “adoração contemporânea”


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