quinta-feira, 1 de junho de 2017

Acervo da Teologia

* Breve História da Interpretação da Bíblia - Bibliologia


Breve História da Interpretação da Bíblia

Desde o início da igreja desenvolveram-se duas heranças: 

(1) uma que sustenta que o significado das Escrituras se encontra apenas em seu sentido primário, histórico e (2) outra que entende que o significado definitivo das Escrituras está em seu sentido pleno ou completo. Dessa distinção desenvolveram-se alguns modelos e combinações de modelos para a interpretação da Bíblia na igreja primitiva. 

A Igreja Primitiva 

Os pais apostólicos no século II acompanharam o pensamento dos apóstolos. Para provar a unidade das Escrituras e sua mensagem, estudiosos como Ireneu (c. 140-202 d.C.) e Tertuliano (c. 155-225 d.C.) desenvolveram estruturas teológicas. Essas estruturas serviram como diretrizes de fé na igreja. 

Mantendo a ênfase cristológica do primeiro século, a regra de fé esboçava as crenças teológicas que encontravam seu centro no Senhor encarnado. A interpretação bíblica alcançou novos níveis com o surgimento da escola de Alexandria no século III, com o desenvolvimento da interpretação alegórica. 

Quando a igreja entrou no século V, desenvolveu-se uma abordagem eclética e multifacetada de interpretação, que às vezes destacava o literal e histórico, e às vezes, o alegórico, mas sempre o teológico. Agostinho (354-430 d.C.) e Jerônimo (c. 341-420 d.C.) definiram os rumos desse período. 

A Idade Média e a Reforma 


Da época de Agostinho, a igreja, seguindo a lide¬rança de João Cassiano (que morreu em cerca de 433), abraçou a teoria do sentido quádruplo das Escrituras: 

1) O sentido literal era o que podia nutrir as virtudes da fé, esperança e amor. 
2) O sentido alegórico referia-se à igreja e à sua fé, àquilo em que ela devia crer. 
3) O sentido tropológico ou moral referia-se aos indivíduos e ao que eles deviam fazer, correspondendo ao amor. 
4) O sentido anagógico indicava a expectativa da igreja, correspondendo à esperança.

Martinho Lutero (1483-1546), o grande reformador, começou empregando o método alegórico, mas depois afirmou tê-lo abandonado. Foi Erasmo (1466-1536), mais que Lutero, quem redescobriu a primazia do sentido literal. João Calvino (1509-1564), o intérprete mais coerente da Reforma, desenvolveu a ênfase no método histórico-gramatical como base para o desenvolvimento da mensagem espiritual a partir da Bíblia. 

A Era Atual 

A era atual testemunhou o surgimento e o desenvolvimento de várias abordagens críticas das Escrituras.

A “Nova Hermenêutica” desenvolveu-se da abordagem existencial. Eles consideravam a interpretação como a criação de um “evento lingüístico” em que a linguagem autêntica da Bíblia confronta leitores contemporâneos, desafiando-os à decisão e à fé.

Além da hermenêutica existencial, entre os interesses recentes estão as abordagens linguística  literária, estruturalista e sociológica. Essas abordagens tendem a destacar o contexto histórico de um texto e a vida em seu ambiente original. 

A hermenêutica canônica deve estar atenta para não reduzir as ênfases distintas dentro do cânon em favor de harmonizações superficiais. 

HISTÓRIA DAS VERSÕES DA BÍBLIA EM INGLÊS 

Todas as traduções em inglês foram motivadas por necessidades práticas. 

As versões anglo-saxônicas 

As primeiras Bíblias em inglês não eram inglesas de maneira alguma, e a rigor nem eram traduções. As verdadeiras traduções anglo-saxônicas começaram com a versão de Salmos feita por Aldhelm em cerca de 700 d.C. 

Na Idade Média 

A Bíblia em inglês fez poucos avanços durante os primeiros anos dos normandos, após 1066. O reformador John Wycliffe, destacando a função das Escrituras, teve a visão de traduzir toda a Bíblia para uso mais amplo. 

Na Reforma 

Tyndale. A Bíblia de Wycliffe foi um passo importante, mas uma oposição feroz, o trabalho pesado, o alto custo de produção e as rápidas mudanças linguísticas reduziram seu impacto. William Tyndale foi o pioneiro, o incentivador e buscou patrocínio oficial publicar a edição aperfeiçoada de 1534. 

The Great Bible (A Grande Bíblia). 

Coverdale, protegido pelo arcebispo Cranmer, fez então uma tradução rápida de toda a Bíblia a partir de fontes secundárias (1535); para tanto obteve autorização real.
As Bíblias de Genebra, do Bispo e de Rheims. 

Um Antigo Testamento revisado completou a Bíblia de Genebra em 1560. A versão incluía os apócrifos, mas negava especificamente sua autoridade canônica. 

Authorized Version (AV, KJV). 

John Reynolds produziu uma versão da Bíblia revisada. Essa versão passou a ser chamada King James Version (KJV, Versão do Rei Tiago) ou Authorized Version (AV, Versão Autorizada). 

No Período Moderno 

No período pós-Reforma. Trabalhos complementares na Bíblia em inglês tomaram três rumos diferentes: paráfrase, pesquisa acadêmica e modernização estilística. As paráfrases na realidade tentam interpretar o texto de maneira popular para o leitor. 

No século XIX. No século XIX, estudos bíblicos avançados e a utilização cada vez maior logo geraram uma demanda de revisões que refletissem as conclusões acadêmicas e o desenvolvimento linguístico. 

A revisão americana obteve mais sucesso. Essa versão não só divergiu da RV em detalhes, como alcançou maior qualidade literária que conquistou o apreço de muitos leitores. 

No século XX 


O século XIX concentrou-se principalmente no campo acadêmico, e o XX mostrou interesse especial na modernização. 

O final do século XX gerou novas tentativas de versões populares. 
Nenhuma versão é perfeita, e é preciso realizar novos trabalhos quando surgem novos dados e a língua muda. A Bíblia não é um livro comum. É a Palavra escrita de Deus e carrega o testemunho autorizado da Palavra encarnada. 

HISTÓRIA DAS VERSÕES DA BÍBLIA EM PORTUGUÊS 

O início das traduções da Bíblia para o português remonta à Idade Média. O rei D. Diniz (1279-1325) é considerado o precursor dessa tão nobre tarefa. 

Foi o protestante português João Ferreira de Almeida, nascido em 1628, próximo a Lisboa, quem marcou a história como o primeiro tradutor a trabalhar a partir das línguas originais. 

No início do século XX, em 1917, foi publicada no Brasil uma tradução bastante literal e erudita que teve a colaboração de Rui Barbosa. Ficou conhecida como a Tradução Brasileira e não é mais publicada atual¬mente. 

No cenário evangélico, merece destaque a Bíblia na Linguagem de Hoje (BLH, Sociedade Bíblica do Brasil — 1988), feita intencionalmente em linguagem popular, sob uma filosofia de tradução mais flexível, mas baseada em exegese erudita e respeitada. 

Mais recentemente foi lançada a Nova Versão Inter¬nacional (NVI), publicada em março de 2001 (Novo Testamento em 1994); trata-se de versão fiel ao sentido do original e em linguagem contemporânea. 

AS DIFERENÇAS NOS MANUSCRITOS DA BÍBLIA 

Antes da invenção da imprensa por volta de 1450, todos os livros eram escritos e copiados à mão. Uma obra escrita à mão é chamada manuscrito. As diferenças entre as cópias dos livros do Antigo ou do Novo Testamento são chamadas leituras variantes.

Não é de admirar que haja diferenças nos manuscritos antigos. O processo laborioso de cópia à mão levava inevitavelmente a erros acidentais. Além dos erros acidentais, parece que alguns escribas desviavam-se deliberadamente do texto que estavam copiando, com a intenção de corrigir erros anteriores.

A quantidade de variações nos manuscritos hebraicos do Antigo Testamento é relativamente pequena. A maior parte dos manuscritos, porém, é medieval — afastada dos originais em mais de mil anos. Exceções notáveis são os manuscritos de trechos relativamente pequenos do Antigo Testamento encontrados em Qumran e escritos por volta do início da era cristã, ou seja, alguns dos Manuscritos do Mar Morto.

Por causa do grande número de leituras variantes nos manuscritos bíblicos antigos, não é “simples” traduzir do hebraico ou grego para alguma língua moderna. Além de manuscritos hebraicos e gregos, os estudiosos também empregam as versões antigas (traduções) na tentativa de restaurar o texto original.

Um tipo de texto é um grupo de manuscritos, versões e citações antigos em grego que têm muito em comum. Em geral, o tipo considerado mais confiável é o alexandrino. Outro tipo reconhecido pela maioria dos estudiosos, mas nem todos, é o ocidental. Seus membros não têm tanto em comum entre si como os do tipo alexandrino e bizantino, mas remontam a meados do século II.


Manual Bíblico Vida Nova - Excelente Leitura
Portal Teologia & Missões 


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