"Ao contrário de muitos, não negociamos a Palavra de Deus visando a algum lucro; antes, em Cristo falamos diante de Deus com sinceridade, como homens enviados por Deus".
2 Coríntios 2.17


terça-feira, 23 de maio de 2017

* O Fator Melquisedeque / Resenha - Livro de Don Richardson

O Fator Melquisedeque 

O livro O fator Melquisedeque: o testemunho de Deus nas culturas através do mundo (Mundo Cristão, 1995, tradução de Nedy Siqueira), de autoria de Don Richardson e publicado originalmente com o título Inglês Eternit in their hearts (1981) é uma obra de caráter cristão-missiológico que se tem projetado como sempre atual, amiúde lida e relida por muitos leitores do seguimento cristão.

Na obra em pauta, Don Richardson objetiva mostrar que a revelação de Deus à humanidade acontece em dois níveis, que ele vai chamar de Fator Abraão e Fator Melquisedeque, sendo o primeiro fator uma referência às implicações missionárias das revelações especiais de Deus nas Escrituras Sagradas, tendo como veículo principal a nação de Israel, cujo progenitor é Abraão; enquanto que o segundo fator diz respeito à revelação geral-original de Deus a todos os povos, de todas as culturas, muitos dos quais, em sua forma primitiva de viver, ainda deixam transparecer alguns resquícios alojados em suas consciências acerca do projeto de Deus para o mundo, e cujo referencial maior é o cananeu Melquisedeque, o qual, apesar de fazer parte de um povo alheio à aliança de Deus com Abraão, demonstrou um conhecimento considerável a respeito da mesma, quando se encontrou com este.

O livro se estrutura em duas partes: 

1) O mundo preparado para o evangelho – o fator Melquisedeque e 
2) O evangelho preparado para o mundo – o fator Abraão. Através destes dois títulos, se distribuem sete capítulos sucintos. 

Nos quatro primeiros capítulos (parte 1), Richardson desenvolve a ideia que ele denominou de Fator Melquisedeque, primeiramente trazendo ao conhecimento do leitor fatos interessantes ocorridos entre povos primitivos, que denunciam um conhecimento, ainda que remoto, do verdadeiro Deus entre eles. Assim sendo, no primeiro capítulo, denominado Povos do Deus remoto, são apresentados seis povos, alguns muito primitivos, como os cananeus, os santal, o povo gedeo da Etiópia e os mbaka da República Centro-Africana; outros relativamente civilizados, como os atenienses, chineses, coreanos e incas. 

A cada um desses povos, o autor refere um acontecimento que aponta para a revelação original de Deus, a qual foi perdendo a tonalidade nas consciências com o passar do tempo, mas que não se perdeu de todo. Por exemplo, Richardson refere-se aos atenienses e ao seu altar ao Deus desconhecido, atribuindo a origem deste conceito a um certo Epimênides, cuja orientação sobre um deus desconhecido teria salvado a cidade de Atenas de uma grande peste. Tendo os atenienses já oferecido ofertas a todos os seus deuses e não tendo cessado a mortandade, Epimênides orientado que precisavam oferecer sacrifícios a um deus cujo nome era desconhecido, orientação que, seguida a risca, pôs fim à peste.

As outras narrativas, atinentes aos outros povos, também se mostram bem convincentes, as quais o leitor poderá ver no próprio livro.

No capitulo dois – Povos do livro perdido – o autor fala de uma crença muito comum entre alguns povos da região da Birmânia e adjacências. Segundo aqueles povos, os seus antepassados serviam a um único Deus – cada um cita um nome, de acordo com o idioma falado, não obstante os significados serem bem parecidos – o qual lhes deu um livro que continha as leis da divindade, mas de alguma maneira, o livro se perdeu – cada um cita um motivo –, trazendo maldição sobre eles. Segundo este sistema de crenças, há uma promessa antiga, propalada pelos profetas – há também profetas entre eles – segundo a qual, um dia aparecerá um homem branco trazendo de volta o livro que os libertará da servidão e lhes mostrará o caminho da felicidade.

Vale salientar que, embora alguns destes povos ofereçam sacrifícios a outras divindades – deuses maus, segundo eles –, a fim de apaziguar sua ira, reconhecem que há somente um Deus, criador de todas as coisas, sendo que a visão que estes povos têm da divindade é bem parecida com a cosmovisão judaico-cristã, como é o caso dos Karen da Birmânia, cuja composição de hinos anunciam e exaltam um único Deus verdadeiro, que eles chamam de Y’wa. Para os kachin, povo do norte da Birmânia, Karai Kassang é o glorioso que cria e tudo sabe. Crença bem semelhante permeia a vida religiosa dos Lahu e os Wa, povos da adjacência da Birmânia, bem como dos Mizo da índia.

Richardson quer mostrar a evidência de um monoteísmo nativo nas crenças destes povos, bem como alguns paralelos entre essas crenças e algumas doutrinas das Escrituras, por exemplo, o conceito de um Deus único, Criador do Universo, a noção de desobediência original contra a Divindade, a promessa de um Salvador enviado para trazer a verdade e iluminar aqueles que estão em trevas espirituais.

Na sequência nos são apresentados alguns povos de costumes muito exóticos, cujas tradições serviam de empecilho à propagação do evangelho; também nos são apresentadas algumas estratégias usadas por missionários para remover os empecilhos, inspiradas na percepção de uma correlação entre aqueles costumes exóticos e alguns pontos doutrinários das Escrituras. Um exemplo é o caso dos Sawi da Nova Guiné, os quais, além de canibais, praticam a “caça cabeça”, um costume que consiste em selecionar pessoas da própria comunidade e, num ato de traição, cortar as suas cabeças para estacá-las em suas plantações, a fim de atrair fecundidade como favores dos deuses. 

Outrossim: eles tinham uma admiração especial pelos traidores, pessoas que eram incumbidas de iludir suas vítimas com uma falsa amizade, literalmente engordando-as para, por fim, matarem-nas. Sendo os traidores decantados nesta cultura, quando a mensagem do evangelho anunciou um Jesus traído por um Judas, este ganhou um lugar de honra e aquele ganhou um lugar de desprezo. 

Segundo esta mesma tradição, somente um ato poderia livrar uma família ou pessoa de qualquer traição deste tipo: quando um pai sawi oferecia seu filho para outro grupo como uma “criança da paz”, tanto as diferenças antigas eram canceladas, como eram prevenidas futuras ocasiões de perfídias. Neste caso, como uma forma de remover o empecilho à propagação do evangelho, o autor, ele mesmo no campo missionário, apresenta Jesus como a última criança da paz, fazendo um paralelo entre este costume sawi e o ato de Deus ter oferecido seu Filho como meio de desfazer a inimizade entre Ele e a humanidade perdida.

O que Richardson parece querer mostrar com este exemplo e com outros afins, é que, mesmo em povos com costumes tão selvagens, parece haver resquícios de uma revelação geral de Deus que se externam em similitudes apreendidas entre alguns de seus atos e a revelação especial de Deus na Bíblia Sagrada.

No capítulo que encera a primeira parte do livro em apreço, o autor trata de teorias estranhas (sic), ou mais precisamente, eruditos com teorias estranhas, que se levantaram na esteira da Teoria da Evolução de Charles Darwin, para explicar, de forma científica, a origem da religião, bem como a evolução, entre os povos, do politeísmo para o monoteísmo, ganhando destaque a teoria do inglês Eduard B. Tylor. Tylor defendia que a ideia de alma humana, desenvolvida pelos primitivos, poderia ter sido o embrião natural do pensamento do qual se desenvolveram todos os demais conceitos religiosos, e que, portanto, as religiões devem ter nascido da compreensão de gente primitiva que atribuía não só aos humanos, mas também a outras entidades, a existência de uma alma. 

Para Tylor, a evolução que se deu do politeísmo para o monoteísmo inspirou-se no fenômeno de certas sociedades humanas: a estratificação das classes, que foi pouco-a-pouco elevando a aristocracia como governo das massas, até que um único aristocrata assumiu o governo soberano, o que teria inspirado mentes religiosas fecundas a, paralelamente, elevar um membro do panteão de deuses locais acima das outras divindades, culminando no monoteísmo. Por se chocar frontalmente com as ideias defendidas por Richardson em O Fator Melquisedeque, mormente a ideia de um fenômeno universal de um monoteísmo nativo, é que o autor aborda a teoria de Tylor, mostrando, com sólida argumentação, que ela já foi refutada pela ciência e apontando quais foram suas consequências deletérias no decorrer da história.

Na segunda parte de seu livro, Richardson aborda o que ele mesmo chama de revelação especial, a qual fora dada por Deus a Abraão, a partir do capítulo 12 de Gênesis, o que é conhecido pelos estudiosos da Bíblia como “aliança abrâmica”. Após recapitular alguns aspectos da revelação geral, a qual abrange doutrinas importantes da Bíblia, como por exemplo: o fato da existência de Deus, a criação, a rebelião e queda do homem, a necessidade de um sacrifício para aplacar a Divindade, o grande Dilúvio – fatos dos quais os mais diversos povos tinham ciência – , o autor propõe que a aliança abrâmica se levanta como uma ilha em meio ao mar da revelação geral.

Richardson se reporta para o capítulo 12 de Gênesis, a fim de classificar as promessas feitas a Abrão em duas categorias: as promessas da linha de cima (De ti farei uma grande nação e te abençoarei, e engrandecerei o teu nome. Sê tu uma bênção; abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem), e as promessas da linha de baixo (Em ti serão benditas todas as famílias da terra). A compreensão que se deriva dessa classificação feita por Richardson é que o plano de Deus era abençoar Abraão e os seus descentes (promessas da linha de cima) para, por meio dele, abençoar todos os povos da terra (promessas da linha de baixo).

Como exemplo prático do propósito de Deus de abençoar os gentios por meio da nação eleita, são apresentados ao leitor vários casos, no antigo Testamento, em que os filhos de Abraão foram uma bênção para os povos não-judeus, como os casos de: José, que foi um canal de bênçãos para os egípcios; os espias de Josué em Jericó, que foram uma bênção para Raabe e sua família; Noemi, que foi uma bênção para duas mulheres moabitas; o profeta Elias, que foi uma bênção para uma viúva de Sarepta; o profeta Eliseu, que foi uma bênção para Naamã; o rei Salomão, que foi uma bênção para a rainha de Sabá; Daniel e seus três amigos, que foram uma bênção para os babilônios. Estes fatos e outros, exarados no Antigo Testamento (são mais de 300) evidenciam que Deus estava trabalhando para fazer cumprir as suas promessas de abençoar os gentios desde tempos remotos.

Na sequência, são apresentadas abundantes referências no Novo Testamento que mostram Deus ainda apegado ao seu antigo compromisso de abençoar os gentios por meio de Abraão, principalmente nas cartas paulinas e na epístola aos hebreus.

No capítulo 6, Richardson apresenta o cumprimento da promessa com o título Um Messias Para Todos. Ele começa fazendo um paralelo entre Isaque e Jesus, bem como entre o monte Moriá, local onde teria acontecido o sacrifício de Isaque, e o Calvário, local onde Jesus foi sacrificado. Com isso, Richardson objetiva salientar que toda a vida de Jesus, sua morte e ressurreição estavam intimamente ligadas à promessa secular de Deus, no sentido de repartir as bênçãos de Abraão entre todos os povos da terra. Esta afirmativa se encontra apoiada em abundantes referências citadas pelo autor do livro em apreço, muitas das quais mostram Jesus estendendo as bênçãos de Abraão a vários gentios que se aproximaram dele pedindo ajuda, como por exemplo, o centurião de Cafarnaum (Mt 8.5-13) e a mulher cananeia (Mt 15.21-28).

Portanto, todas as ações de Jesus em direção a pessoas que não faziam parte da comunidade de Israel – a mulher e o leproso samaritanos (Lc 17.11-19; Jo 4.5-28), por exemplo – denunciavam o seu compromisso com a promessa de Deus a Abraão, de que abençoaria os gentios, missão que, após encerrar o seu ministério terreno, outorgou aos seus discípulos e que convencionou-se chamar de Grande Comissão (ver Mt 28.18-20).

Por fim, no último capítulo, o autor relata o plano de Deus de alcançar todos os povos evidenciado no livro de Atos, e expresso na grande comissão delegada por Jesus aos seus discípulos, quando ordenou a estes que não se ausentassem de Jerusalém até que recebessem poder para evangelizar o mundo (ver At 1.8).

Segundo Richardson, o plano de Deus de abençoar os gentios estava evidente no fato de a efusão do Espírito Santo acontecer no dia de Pentecostes, quando judeus do mundo inteiro, que falavam não só o idioma hebraico e/ou aramaico, mas também vários idiomas gentios, estavam reunidos em Jerusalém. E se a intenção de Deus fosse só abençoar os judeus, não haveria a necessidade de o Espírito Santo conceder aos discípulos que falassem milagrosamente dezenas de línguas que se fizessem entender de todos, apenas o hebraico seria o suficiente. Este fato estaria mostrando que o poder do Espírito não objetivava primordialmente operar milagres, mas levar o evangelho a todos os povos.

Os discípulos de Jesus, todavia, parece não terem entendido o significado da grande comissão e se mostraram relutantes em atender à ordem de Jesus Cristo para levar o evangelho aos gentios, até que Deus tomou providências drásticas para que sua promessa a Abraão, feita sob autojuramento, fosse cumprida. Três fatos importantes evidenciaram a ação de Deus: 1) a grande perseguição que se abateu sobre a igreja de Jerusalém (At 8.1); 2) a conversão de Saulo (At 9.1ss); 3) a destruição de Jerusalém por Tito no ano 70 A.D. Acrescenta-se ainda o fato de Deus ter ordenado a Pedro que fosse a casa de Cornélio, um gentio, a fim de que este recebesse as bênçãos do evangelho (At 10.9-23). 

Richardson mostra com detalhes como esses acontecimentos foram decisivos para a expansão do Reino de Deus entre os gentios. O livro se encerra com o autor desafiando os leitores a atentarem para a linha de baixo das promessas feitas por Deus a Abraão, a fim de que façam frutificar a promessa de 4.000 anos feita ao pai da fé.

O livro O Fator Melquisedeque é encantador pelo estilo cativante e pelas eloquentes ideias desenvolvidas por Don Richardson sobre as revelações de Deus para a humanidade. As histórias narradas prendem a atenção do leitor e o enriquecem muito em relação às diversas culturas dos povos, culturas impregnadas do elemento religioso. É um verdadeiro tratado missiológico e, portanto, de leitura indispensável para quem aspira à obra missionária ou mesmo quem já está engajada nela de alguma forma.

Já li outros livros que tratam do assunto das revelações de Deus aos povos, bem como dos costumes e culturas de povos antigos, tanto de caráter secular, como de caráter cristão, mas desconheço um autor que tenha abordado o assunto com tanta propriedade e profundidade. A leitura de o Fator Melquisedeque possibilita ao leitor uma visão geral e precisa do plano de Deus para a salvação de todos os homens e como ele trabalhou para executar o seu plano no decorrer da história, através de pessoas que ele escolheu. Mostra também um resquício do conhecimento de Deus na mente dos pagãos, um rascunho do seu plano de salvação, o qual Ele revelou também aos gentios, materializado nos costumes e práticas religiosos destes.

Lembro-me que tinha uma professora de Psicanálise que citava Freud para dizer que todas as pessoas carregam dentro de si um sentimento de culpa, culpa derivada da ideia de que estão rebeladas contra alguém. “Nós somos rebelados”, ela dizia. Um dia lhe perguntei qual seria o meio de curar esta sensação de culpa, ao que ela respondeu: “Na Psicanálise, não tem salvador. Então será preciso muitos anos de divã”. 

Comentei com ela que achava muito interessante que a Bíblia também falasse de um sentimento de culpa universal, e que este sentimento de culpa, segundo a Bíblia, também se origina da ideia de rebelião, mas, diferente da Psicanálise, a Bíblia apresenta um Salvador que apaga as culpas. Richardson mostra em seu livro exatamente o que a minha professora dizia nas aulas de Psicanálise: existe nos corações das pessoas, mesmo daquelas mais primitivas e isoladas, a ideia de que agrediram alguém de ordem transcendental e por isso são culpadas, e precisam desesperadamente reparar seu erro, o que as leva a buscarem os mais diversos caminhos. Richardson chama este fenômeno de revelação geral (ou fator Melquisedeque), entendendo que foi Deus quem incutiu estas impressões nos corações humanos.

A revelação geral configurou-se em um terreno propício para o que Richardson chama de revelação especial (o fator Abraão), o que tentei passar para minha professora. Deus providenciou um Salvador para todos os povos, por meio de um homem que ele escolheu, a quem se revelou, fez promessas, e jurou por Si mesmo que as cumpriria. É disto que Don Richardson trata neste livro brilhante. Por isso eu recomendo a leitura.


Reconhecido por seu trabalho antropológico e linguístico, Don Richardson foi missionário em Irian Jaya, parte indonésia e ocidental da Ilha de Nova Guiné, em uma das regiões mais desconhecidas e misteriosas do planeta, habitada por tribos papuas que ainda vivem da maneira mais primitiva. É famoso conferencista e autor de vários best-sellers na área de missões, entre eles Fator Melquisedeque, Senhores da Terra e o Totem da Paz.



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