"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17



quinta-feira, 18 de maio de 2017

* Necromancia Antiga - I Samuel 28


A tentativa de se comunicar com os mortos, era conhecida em todo o antigo Oriente Médio. A Mesopotâmia oferece alguns exemplos desse comportamento, sendo o mais famoso o conto sumério Gilgamés, Enkidu e o submundo, em que Nergal convoca o espírito de Enkidu para se erguer de um buraco no solo, a fim de que ele fale com Gilgamés. Outros exemplos mesopotâmios mostram necromantes (homens e mulheres) usando caveiras para recolher os espíritos enquanto estes vão sendo questionados. No Egito, era comum a prática de escrever cartas aos mortos, provavelmente com os mesmos propósitos da necromancia. 

Em 1 Samuel 28.13, quando a necromante vê Samuel, declara que está vendo um "ser" ou "deuses" (Heb. Elohim). Esse emprego do termo elohim para designar um fantasma é único na Bíblia e tem despertado numerosos questionamentos históricos e teológicos. Haveria aqui uma indicação de que os mortos eram deificados no antigo Israel e podiam ser procurados para se obter oráculos? Outras culturas ao redor de Israel tinham cerimônias em honra dos mortos na forma de culto. Na Mesopotâmia, as cerimônias eram chamadas "ritual kispu". As cidades de Mari e Ugarite, também faziam ofertas de alimentos e libações aos mortos. As leis contra tais atividades na Bíblia (Dt 26.14) indicam que práticas similares eram bem conhecidas, embora proibidas, em Israel. A disposição de Saul para infringir o próprio decreto e se lançar na prática heterodoxa da consulta aos mortos demonstra o desespero e a degradação para os quais sua infidelidade o levou. 

Os filisteus invadiram a terra e se acamparam no monte Gilboa. Um dos governantes filisteus expressara o desejo de que Davi e seus homens fossem à batalha lado a lado com ele. Os demais governantes, porém, não confiavam em Davi. Por isso, Davi teve que voltar para trás, até Ziclague, para guardar, com seus 600 homens, a fronteira sul contra os amalequitas. 

Nesse ínterim, Saul estava dominado pelo medo, decepção e insegurança e tentou conseguir, por meio de uma médium de En-Dor, uma entrevista com o espírito de Samuel. Ele consultou ao Senhor, mas o Senhor não respondeu. Saul ficou desesperado. Colocou um disfarce e furtivamente dirigiu-se a En-Dor, onde vivia uma médium. mas o próprio Saul havia expulsado todos os médiuns para fora da região central do país. As leis do AT atacam a prática da consulta aos mortos (necromancia; Lv 19.31 - Dt 18.9-14), e Saul havia promovido o cumprimento dessas leis. Foi sinal do seu desespero o fato de que agora foi consultar uma médium e, para fazê-lo, ele teve de ir bem para o norte, até En-Dor, uma jornada até o outro lado do acampamento filisteu. 

Saul pediu que a mulher chamasse Samuel dos mortos para ele. A passagem chama a figura de Samuel e ele teria falado com a autoridade de Samuel. Não está claro se a mulher havia falado com espíritos de mortos antes, mas é provável que tenha se tratado de um espírito maligno. "Samuel" anunciou o julgamento final - Saul morreria no dia seguinte, na batalha contra os filisteus. Mas apesar da clara advertência e mesmo estando alarmado, Saul continuou com os planos para a batalha - planos estes que lhe custariam a vida. Nesse meio tempo, os príncipes filisteus resolveram que não confiavam em Davi e não permitiram que ele se juntasse aos outros na batalha contra Saul (Cap 29). Eles lembraram-se das palavras da canção hebraica - "Saul feriu os seus milhares, porém Davi os seus  dez milhares" - e de que aqueles números referiam-se a filisteus! Apesar dos protestos de Davi e suas declarações de lealdade, Aquis o dispensou. 

Sob a orientação de Deus, Davi perseguiu os amalequitas, derrotou-os e salvou os prisioneiros. Quanto aos espólios, Davi os enviou para os anciãos de Judá, um gesto que certamente aumentou sua popularidade entre o povo de sua própria tribo. É possível que, no exato instante em que Davi estava derrotando os amalequitas em Judá, Saul estava perdendo a batalha contra os filisteus no Monte Gilboa. Três dos filhos de Saul, incluindo Jônatas, morreram na batalha e os arqueiros filisteus feriram Saul. Temendo que os seus inimigos o capturassem e torturassem, ele caiu sobre sua própria espada e morreu. Os filisteus encontraram o corpo de Saul e seus filhos prenderam os cadáveres ao portão de Bete-Seã. E assim, a vida do primeiro rei de Israel chegou a um fim trágico. 

Biografia de Saul (Heb. "pedido") 


Saul, filho de Quis é o primeiro rei de Israel, é uma das figuras mais enigmáticas da Bíblia. Sua história, registrada em 1 Samuel 9 a 31, fez com que alguns estudiosos levantassem questões sobre a justiça e a bondade de Deus e do seu porta-voz, o profeta Samuel. Além disso, muitos eruditos expressaram dúvidas quanto à coerência lógica e literária das narrativas em que a carreira é descrita. Tudo isso criou um desânimo geral para se descobrir a verdade sobre Saul, pois as narrativas, que não foram contadas coerentemente, dificilmente oferecerão uma autêntica base. Estudos recentes, contudo, ajudam a resolver algumas dessas questões teológicas, literárias e históricas, conforme veremos a seguir. 

Saul, cujo nome soa como "aquele pedido", é mencionado pela primeira vez em 1 Samuel 9. 1,2, embora alguns comentaristas afirmem que detectaram sua presença velada bem antes disso. Desde que o verbo hebraico "pedir por" aparece repetidamente na história de Samuel (1 Sm 1), alguns eruditos supõem que a narrativa do nascimento deste profeta na verdade é uma reconstituição de um registro original da vida de Saul. Uma hipótese mais provável, entretanto, é que o escritor bíblico talvez tenha enfatizado a raiz "pedir por" na narrativa do nascimento de Samuel simplesmente para prefigurar o papel significativo que mais tarde Saul desempenharia no livro e talvez para antecipar o fato de que Samuel, aquele que foi "pedido a Deus" por Ana, uma mulher íntegra (1 Sm 2.20, 27,28), estaria diretamente envolvido na ascensão e queda de Saul, o que foi"pedido" pelos líderes da nação pecadora de Israel (1 Sm 8.4-9; 10.17-19). 

De qualquer maneira, a apresentação explícita de Saul encontra-se em 1 Samuel 9.1,2, onde é descrito como um belo exemplar de varão, alto e bonito. Embora frequentemente se suponha que nesse momento de sua vida ele era apenas um jovem tímido, a descrição de que "desde os ombros para cima sobressaía em altura a todo o povo" torna isso muito improvável. Também é bom notar que, apesar de ser positiva, essa primeira descrição de Saul focaliza exclusivamente as qualidades exteriores, em contraste, por exemplo, com a apresentação de Davi (1 Sm 16,18), que acrescenta às suas qualidades externas (boa aparência) o fato de que era "valente, sisudo em palavras" e, mais importante, que , "o Senhor era com ele". 

Coerentemente com as omissões em sua apresentação, logo fica claro que Saul, embora tivesse uma aparência física excelente, era carente das qualidades espirituais necessárias para ser um rei bem-sucedido em Israel. O primeiro indicador de sua falta de qualificação foi seu repetido fracasso em obedecer à palavra do Senhor transmitida por Samuel. Frequentemente é observado que a função profética tornou-se mais específica com a instituição da monarquia em Israel. Quer dizer, de forma distinta da situação no livro de Juízes, quando Gideão, por exemplo, recebeu as instruções divinas e as cumpriu (Jz 6 a 8), com a monarquia houve uma divisão de responsabilidades, sendo as instruções muitas vezes transmitidas ao rei por um profeta, o governante, então, em obediência ao profeta, cumpria a instrução. Sob tal arranjo, é claro, era extremamente importante que o rei obedecesse ao homem de Deus, para que o governo divino (isto é, a teocracia) fosse mantido. Isso, entretanto, conforme a Bíblia mostra, Saul fracassou em fazer. 

Embora as ocasiões mais conhecidas da desobediência de Saul estejam em 1 Samuel 13 e 15, a primeira encontra-se em 1 Samuel 10. Quando Saul foi ungido por Samuel, três sinais foram dados como confirmação. De acordo com o texto, quando o último se cumprisse, Saul deveria "fazer o que a sua mão achasse para fazer" (de acordo com as palavras de Samuel em 1 Sm 10.7), depois do que (de acordo com a instrução adicional de Samuel em 1 Sm 10.8) deveria ir a Gilgal e aguardar novas ordens sobre a batalha contra os filisteus, que sua primeira ação certamente provocaria. Se Saul tivesse obedecido, teria demonstrado sua disposição para se submeter a uma "estrutura de autoridade teocrática" e confirmaria assim sua qualificação para ser rei. Também teria estado um passo mais próximo do trono, se seguisse o padrão dos três sinais: designação (por meio da unção), demonstração (por meio de um ato de heroísmo, isto é, "fazer o que sua mão achasse para fazer", 1 Sm 10.7) e finalmente a confirmação pelo povo e o profeta. Infelizmente, ao que parece Saul se desviou da responsabilidade de 1 Samuel 10.7 e, assim, precipitou o processo de sua ascensão. Embora sua vitória sobre os amonitas (1 Sm 11) fosse suficiente para satisfazer o povo e ocasionar a "renovação" de seu reinado (1 Sm 11.14), pelo tom do discurso de Samuel (1 Sm 12), é evidente que, pelo menos em sua mente, Saul ainda precisava passar por mais um teste. 

Em 1 Samuel 13, Jônatas, e não Saul, fez o que o rei deveria ter feito, ao atacar a guarnição dos filisteus. Aparentemente, ao reconhecer que a tarefa de 1 Samuel 10.7 fora realizada, ainda que por Jônatas, Saul desceu imediatamente a Gilgal, de acordo com 1 Samuel 10.8, para esperar a chegada de Samuel. Como o profeta demorou muito, em sua ausência Saul tomou a iniciativa de oferecer os sacrifícios em preparação para a batalha, ao julgar que a situação militar não permitiria mais demora. Mas terminou de oficiar o holocausto, Samuel chegou. Depois de  ouvir as justificativas de Saul, o profeta anunciou que o rei agira insensatamente, por isso seu reinado não duraria muito. Às vezes os comentaristas justificam ou pelo menos atenuam as ações de Saul e criticam a reação de Samuel como severa demais. Entretanto, à luz do significado da tarefa dada a Saul em 1 Samuel 10.7,8 como um teste para sua qualificação, tais interpretações são equivocadas. 

Na ocasião da primeira rejeição de Saul e também na segunda (1 Sm 15), suas ações específicas de desobediência eram apenas sintomas da incapacidade fundamental para se submeter aos requisitos necessários para um reinado teocrático. Resumindo, eram sintomas da falta de verdadeira fé em Deus (1 Cr 10.13). 

Depois de sua rejeição definitiva em 1 Samuel 15, Saul já não era mais o rei legítimo aos olhos de Deus (embora ainda permanecesse no trono por alguns anos) e o Senhor voltou sua atenção para outro personagem, ou seja, Davi. 1 Samuel 16 a 31 narra a desintegração emocional e psicológica de Saul, agravada pelo seu medo do filho de Jessé ( 1 Sm 18.29), pois pressentia que aquele era o escolhido de Deus para substituí-lo como rei (1 Sm 18.8;20.31). Depois de falhar em diversas tentativas de ceifar a vida de Davi, Saul finalmente tirou a sua própria. O novo rei em todo o tempo foi dirigido para o trono de forma providencial, às vezes indiretamente. 

Embora não seja possível entrar em mais detalhes num artigo como este, pode-se observar que as narrativas sobre Saul, quando interpretadas dentro das linhas sugeridas anteriormente, fazem um bom sentido literal e teológico; isso, por sua vez, abre a porta para uma avaliação mais positiva de sua veracidade histórica. 

Fonte de Estudos 

. Comentário Bíblico Vida Nova 
. Manual Bíblico de Halley 
. Descobrindo o Antigo Testamento 
. Bíblia de Estudo Arqueológica 
. Quem é quem na Bíblia Sagrada - Paul Gardner 
. Pesquisa e Edição - Michael Rossane 





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