"Ao contrário de muitos, não negociamos a Palavra de Deus visando a algum lucro; antes, em Cristo falamos diante de Deus com sinceridade, como homens enviados por Deus".
2 Coríntios 2.17


terça-feira, 23 de maio de 2017

* História da Evangelização do Brasil dos Jesuítas aos Neopentecostais / Resumo / Elben M. Lenz



HISTÓRIA DA EVANGELIZAÇÃO DO BRASIL
DOS JESUÍTAS AOS NEOPENTECOSTAIS


O autor Elben M. Lenz Cesár, nos diz : A História da evangelização do Brasil não é adaptação de uma dissertação acadêmica. Quer dizer não é um trabalho científico. Estamos focalizando mais os instrumentos humanos dos quais Deus se serviu de uma maneira e outra do que as instituições que eles fundaram ou trouxeram para o Brasil ao correr dos 500 anos de história, a partir da ocupação portuguesa. Nem todos pensavam e agiam do mesmo modo, quase nunca trabalharam lado a lado, não foram unânimes na exegese bíblica, cometeram erros de estratégia missionária.

Todavia, ninguém pode negar que esses missionários e missionárias, europeus e americanos do norte, amavam a Deus acima de tudo, deram-lhe suas vidas e trouxeram para cá o evangelho de Jesus, promovendo e ampliando o reino de Deus.A História da evangelização do Brasil persegue dois notáveis desafios missionários, o primeiro é católico, o outro é protestante. Os missionários católicos esforçaram para batizar o maior número possível de indígenas, negros e crianças brasileiras, os missionários protestantes esforçaram-se para anunciar o sacrifício vicário de Jesus ao maior número possível de brasileiros.

Bispo abençoa a armada de Pedro Álvares Cabral, religiosidade é o que não faltava aos portugueses na época da “descoberta” do Brasil. O próprio capitão-mor da armada de dez naus e três caravelas, que transportava para Índia cerca de 1.350 homens, era cavaleiro da Ordem de Cristo. Ao depararem a costa brasileira, chamaram de Monte Pascoal a pequena elevação isolada (536 metros) que avistaram dos navios, situada a 50 quilômetros do mar, no litoral da Bahia. No quarto dia depois da “descoberta”, no domingo 26 de abril, Dom Henrique Soares de Coimbra celebrou a primeira missa em território brasileiro.

Cabral participou da cerimônia carregando a consigo a bandeira de Cristo. A religiosidade portuguesa da época incluía uma consciência missionária generalizada e bem arraigada. O rei Dom João III, filho de Dom Manuel I, lá pelo ano de 1549, confessou a Tomé de Sousa, primeiro governador do Brasil, que a principal coisa que o moveu a povoar as terras descobertas era “para que a gente delas se convertesse à nossa santa fé católica”. A aliança estreita e indissolúvel entre a cruz e a coroa, o trono e o altar, a fé e o império, era uma das principais comuns aos monarcas ibéricos, ministros e missionários em geral.

Embora tenha algum valor, a religiosidade precisa da companhia de frutos verdadeiros. Basta lembrar Israel em determinadas ocasiões, quando expressão litúrgica era mais visível do que a obediência aos mandamentos. Dom Emanuel I engaveta o desafio missionário de Pero Vaz de Caminha O primeiro desafio missionário em favor do Brasil tem a idade do país: 500 anos, trata-se de Pero Vaz de Caminha, nomeado escrivão da feitoria de Calicute, na Índia , em 1499. Depois de descrever a exuberância da terra com entusiasmo, o ex-vereador do Porto declara: “O melhor fruto que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente.

O entusiasmo de Caminha pela evangelização dos indígenas assenta-se, em parte, numa impressão demasiadamente otimista e simplista que teve dos nativos por ocasião da segunda missa campal: os índios ajudaram a carregar a cruz para o local designado e imitaram os portugueses durante o ofício religioso, ajoelhando-se, pondo-se em pé, levantando as mãos para o alto e olhando atentamente para o celebrante. Para o escrivão de Calicute, o peixe já estava quase na rede. Faltava apenas o clérigo para os batizar! Menos de dois meses depois, a carta de Pero Vaz de Caminha chegou a Portugal levada pela nau de Gaspar de Lemos o apelo missionário nela contido não causou impacto em Dom Emanuel I , o documento foi parar nos arquivos da Torre do Tombo, em Lisboa, permaneceu desconhecido por quase 300 anos.

Se a carta de Caminha tivesse sido publicada, certamente não seria necessário esperar 49 anos pela chegada da primeira leva de missionários estáveis, aqueles que vieram com Tomé de Sousa, o primeiro governador do Brasil, em março de 1549. Enquanto os indígenas do Brasil esperavam o clérigo solicitado em caráter de urgência na carta de Pero Vaz de Caminha, a Europa mudou muitíssimo, principalmente no que diz respeito à religião. No período de 50 anos, de 1500 a 1549, sete papas passaram pelo Vaticano. Em média, cada um deles reinou sete anos.

Com raras exceções, esses papas não honraram o nome de Deus nem o cargo que ocupavam. A começar com papa da “descoberta” do Brasil, Alexandre VI, que se relacionou com uma senhora da nobreza romana. Foi nesse ambiente de profunda decadência doutrinária e moral que surgiram, quase simultaneamente, alguns movimentos espontâneos de reforma religiosa em vários países da Europa. Na verdade, esses esforços de reforma da igreja começaram bem antes da expedição de Cabral, com João Wycliffe, na Inglaterra e João Huss, na Tchecoslováquia.

Trata-se da Reforma da Protestante, levada a cabo por homens como Martinho Lutero, Úlrico Zuínglio, Filipe Melâncton, João Calvino e João Knox. Para atender a demanda da reforma interna e, principalmente para fazer frente à Reforma Protestante, a Igreja Católica Romana provocou a sua própria reforma, conhecida pelo o nome de Contra-Reforma, também chamada de Reforma Católica ou Renascimento Católico. Os três grandes instrumentos da Contra-Reforma foram a Sociedade de Jesus (1540), inquisição Romana (1542) e o Concílio de Trento (a partir de 1545).

Os seis primeiros missionários a virem para o Brasil, em março de 1549, eram da Companhia de Jesus, fundada nove anos antes. A essa altura, já se fazia necessária a distinção entre missionários católicos romanos e missionários protestantes, pois seis anos depois (1555) chegariam ao Rio Janeiro os primeiros missionários reformados. Com a “descoberta” do Brasil, o clero europeu mais sintonizado com a ordem de evangelização mundial, dada por Jesus, foi obrigado a reconhecer que havia muito mais gente para ouvir o anúncio do evangelho do que eles pensavam.

Os indígenas não tinham deuses certos nem ídolos, mas eram religiosos, nada sabiam da unicidade de Deus, nem de sua santidade, soberania, amor e graça. Nunca ouviram falar sobre Jesus, sua concepção sobrenatural, seus ensinos seus milagres, sua morte e ressurreição, sua ascensão e volta. Eram, para todos os efeitos, povos não alcançados pelas boas novas da salvação em Cristo Jesus. O que mais chamou atenção dos portugueses foi a nudez dos indígenas. A nudez foi interpretada como ausência de pecado e aquela terra, como “um Éden não violado”.

Filho da nobreza basca e consagrado pelos pais ao ministério cristão, Inácio de Loyola só se converteu em 1521, aos 30 anos, depois de ler a vida de Jesus e dos santos, e enquanto se convalescia de ferimentos sofridos numa batalha. Em seguida, passou onze meses em oração e jejuns, aos 52 anos, publicou os seus Exercícios espirituais. Embora Loyola ressaltasse mais a qualidade do que a quantidade a Companhia de Jesus cresceu rapidamente. Eram contemporâneos de Loyola e a ele subordinados os seis jesuítas que desembarcaram na Bahia no dia 29 de março de 1549, os chefes dos jesuítas era Manoel da Nóbrega.

Muitos outros jesuítas vieram para o Brasil depois da primeira leva. Os mais notáveis são: José de Anchieta (1534-1597), Antônio Vieira (1608-1697), e Pedro Dias (1622-1700), Anchieta é “o apostolo do Brasil”, Vieira o notável pregador, e Pedro Dias, “o São Pedro Cláver do Brasil”. Ao chegar ao Brasil, na segunda metade do século XVII, o missionário europeu encontrava muitos desafios pela frente: Muito chão. A extensão territorial do novo campo missionário era enorme. Muitas migrações. As gentes para evangelizar provinham de três grandes migrações: da Ásia , da Europa, da África. Muitas etnias.

Haviam uma diversidade enorme de etnias indígenas. Muita distância. Os indígenas se encontravam totalmente dispersos, ocupando o litoral de norte a sul e o interior do país, de leste a oeste. Muitas línguas. A comunicação era um problema quase intransponíveis por causa da diversidade de línguas. Muita tentação. A dificuldade natural de conviver com respeito e castidade com a nudez das índias era uma situação absolutamente nova para os europeus. Muitos perigos. Em 1556, o navio em que viajava Pero Fernandes Sardinha, o primeiro bispo do Brasil, que também fora colega de Calvino na Universidade de Paris, naufragou no litoral de Alagoas.

Muito desconforto. Embora ensolarado e exuberante, o campo missionário não oferecia nenhum conforto, por causa do calor, das doenças tropicais, dos animais selvagens e dos insetos. Muito pecado. Os brancos que haviam fixado residência e os que passavam certo período de tempo aqui eram, com raras exceções, pessoas de baixo padrão moral. Muita injustiça. O sentimento de superioridade étnica do europeu aliado ao seu poder econômico e militar causou inomináveis barbáries, especialmente no Brasil colônia. Índios eram perseguidos escravizados e exterminados.

Muitas desvantagens. Os primeiros brasileiros eram todos mamelucos, filhos de pai branco e mãe índia. E como as crianças eram criadas pela mãe, meninos e meninas de sangue mestiço eram educados na cultura e crenças nativas, não na fé cristã. Para enfrentar tão grande e diversificado desafio da janela Brasileira, seria de bom alvitre o envio de missionários escolhidos. Todavia, nem todos os missionários e clérigos que vieram para o campo missionário brasileiro eram de “provada virtude”. No dia 9 de fevereiro, o homem forte da França Antártica mandou estrangular e lançar ao mar os quatros signatários de uma confissão de fé reformada.

Jean de Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon e André La Fon. André La Fon na última hora foi poupado. Os outros três tornaram-se os primeiros mártires evangélicos do continente. Em 1538, onze anos da chegada dos primeiros jesuítas, o Brasil já era um dos maiores e mais difíceis campos missionários do mundo. Isso porque, além das várias centenas de etnias indígenas encontradas no país, naquele ano começaram a chegar levas e mais levas de africanos na qualidade de escravos. Uma vez aqui, os escravos eram automaticamente batizados e recebiam nomes portugueses, acompanhados do nome da nação de origem. O número de escravos e o número de missionários católicos cresceram na mesma época.

José de Anchieta é de fato um dos maiores nomes da evangelização do Brasil. Nascido na ilha de Tenerife, a maior das Canárias, Anchieta veio para cá como noviço em 1553, aos 19 anos, depois de ter iniciado seus estudos na Universidade de Coimbra. Meio parente de Inácio de Loyola, o fundador da ordem dos jesuítas. Anchieta tinha 12 anos quando Lutero morreu e 30 quando aconteceu o mesmo a Calvino. O jesuíta escreveu a Gramática da língua mais usada na costa do Brasil e o catecismo bilíngüe (tupi e português). Escrito para doutrinar os colonos portugueses e os indígenas, principalmente as crianças, o Diálogo da fé tem 616 perguntas e respostas. Das 616 perguntas, 168 ( mais de 25%) invocam os acontecimentos da sexta-feira santa, desde a saída de Jesus do cenáculo até o sepultamento.

Nas sete primeiras, Anchieta deixa claro que Jesus morreu por sua própria vontade para tomar possível o perdão de Deus. Depois fala sobre a agonia do Getsêmani e dos encontros de Jesus com Anás, Caifás, Pilatos e Herodes. Contra a traição e o suicídio de Judas até o lugar da Caveira e sua crucificação, não se esquecendo da conversão de um dos ladrões e dos fenômenos ocorridos ali. Não menciona o rompimento do véu do templo. Todavia, causa uma desagradabilíssima surpresa a omissão de Anchieta quanto à ressurreição de Jesus. É claro que Anchieta cria na ressurreição gloriosa de Jesus, mas de fato, não a mencionou em parte alguma de seu catecismo.

José de Anchieta morreu no dia 9 junho de 1597, aos 63 anos numa pequena colina na cidade hoje denominada Anchieta no Espírito Santo. No dia 20 de setembro de 1634 um brasileirinho foi batizado em uma igreja protestante de Recife. A criança chamava-se Domingos Fernandes Filho e os pais, Bárbara Cardosa e Domingos Fernandes Calabar. Ao redor da pia batismal encontravam-se o oficiante, os pais, o alto conselheiro, almirante e uma senhora da alta sociedade. Parecia um encontro internacional, pois entre eles havia holandeses, alemães, poloneses, portugueses e brasileiros.

Esse Calabar era membro da Igreja Cristã Reformada, muito estimado pelos estrangeiros na orla litorânea que ia a Pernambuco ao Rio Grande do Norte e muito odiado pelos luso-brasileiros que vivam mais no interior. Tão odiado que, em julho de 1635, dez meses depois do batismo do filho, Calabar foi apanhado, estrangulado pelas forças de Matias de Albuquerque. Como explicar essa estranha presença protestante no Nordeste brasileiro 130 anos depois da descoberta do Brasil e 63 anos depois da expulsão dos franceses do Rio de Janeiro?

Embora tenha desenvolvido um trabalho missionário principalmente entre os indígenas, a Igreja Reformada Holandesa se estabeleceu no Nordeste brasileiro não como resultado do anúncio do evangelho. Ela foi transplantada para cá por ocasião da ocupação holandesa, em 1630, e desapareceu em seguida à expulsão dos invasores, em 1654. Durou menos de um quarto de século. A ocupação do Nordeste brasileiro fazia parte de uma guerra contra a Espanha, uma guerra chamada então de guerra religiosa, guerra justa e guerra mundial. Mundial porque era contra o poderoso Felipe IV. “o rei do planeta” e porque envolvia tropas holandesas, francesas, inglesas, alemãs, polonesas e outras.

No período áureo do Brasil holandês, tanto para os holandeses como para os luso-brasileiros, durou oito anos e está compreendido entre janeiro de 1637 e maio de 1644. Coincide com o governo do Conde João Maurício de Nassau-Siegen, membro e freqüentador assíduo da Igreja Reformada. Quando Nassau se retirou, até os portugueses pediram a sua permanência. Em junho de 1645, um ano depois da retirada de Nassau, mais de 200 soldados holandeses e índios potiguares mataram o padre André de Soveral e outros setenta fiéis durante a missa dominical realizada na capela Nossa Senhora das Candeias, município de Canguaretama, no Rio Grande do Norte. No Brasil holandês, dava-se muita importância à fé e à conduta dos fieis.

Era o reflexo da Reforma Protestante de 100 anos atrás e um movimento mais recente conhecido como puritanismo holandês. A Bíblia era a norma credenti et agendi, isto é norma de fé e comportamento. Era preciso tratar os escravos com mais humanidade, era preciso cuidar das viúvas e dos órfãos, era preciso proteger o meio ambiente. Era preciso observar os domingo, era preciso conhecer de perto os dez mandamentos da lei de Deus, era preciso consolar os doentes, era preciso dar alguma liberdade de culto aos não-protestantes, era preciso controlar a taxa de juros, era preciso ter momentos de lazer (pois “trabalhar demais era roubar a si mesmo”).

Era preciso aproximar-se da Mesa de Senhor prévia e devidamente preparado etc. Com algumas exceções, a presença da Igreja Católica Romana nos três primeiros séculos da história do Brasil foi um desastre. Porque dominava sozinha o panorama religioso, a igreja não era forçada a enxergar e a corrigir os erros. Nos aspecto quantitativo, ela não tinha nada a perder porque ainda não havia outras opções religiosas dentro do cristianismo. O primeiro grande erro cometido pela igreja em Portugal foi demora em enviar missionários para evangelizar os 1,5 milhão de indígenas que haviam no Brasil na época da ocupação portuguesa e padres para pastorear os brancos que vieram para cá.

É verdade que diversos religiosos franciscanos estiveram aqui por algum tempo da chegada definitiva da primeira missão jesuítas, em 1549. Foram 50 anos jogados fora, por causa da preocupação de Roma com a Reforma Protestante na Europa e por causa dos interesses de Portugal nas Índias. A situação do clero no início do século XVI era dramática. O problema vinha dos dois últimos séculos. Foi uma das causas da Reforma Protestante e da Contra-Reforma Católica. Não havia vocação, não havia preparo e não havia moral. O sacerdócio era um meio de vida.

Não podendo se casar por causa da lei do celibato obrigatório, o sacerdote simplesmente se ajuntava com uma escrava. Às vezes não havia falta de padres – o que faltava era a santidade do ministro. Há uma grande diferença entre os batismos realizados por João Batista na circunvizinhança do rio Jordão e os batismos realizados pelos missionários católicos no Brasil colônia. O precursor de Jesus dificultava o batismo, exigindo arrependimento e mudança de comportamento (Lc 3.1-14). O missionário europeu aplicava o batismo com muita facilidade, não necessariamente porque o candidato se tornara cristão, mas para que ele se tornasse cristão.

O número de indígenas batizados logo no início é muito grande. No período de oito anos, entre 1558 e 1566, os jesuítas teriam batizado entre 12 e 15 mil índios. Havia uma distorção do significado do batismo, o que se vê nesta carta de Anchieta: “Os que em toda esta província foram este ano, pelo trabalho dos nossos, arrancados à impiedade e purificados pelo batismo chegam a 2 mil (tal é a bondade de Deus).” O que purifica o pecador de seus pecados é o sangue de Jesus Cristo, isto é o seu sacrifício expiatório (1 Pe 1.17-21; 1 Jo 1.7), e não o batismo em si.

Por incrível que pareça, não havia nem imprensa, nem universidade no Brasil nos três primeiros séculos de sua história, o que significa dizer que não havia livros. A Bíblia era propriedade dos padres e de mais alguns poucos privilegiados. A censura proibia a posse e a circulação de livros religiosos sem a aprovação de autoridades eclesiástica. A igreja não conseguiu manter separadas as crenças ameríndias e africanas de um lado e a fé cristã de outro. Elas se uniram e geraram um cristianismo diferente do cristianismo original. Por causa da ausência de missionários, por causa má qualidade moral e espiritual da maior parte dos padres.

Por causa do conúbio da evangelização com a colonização, por causa do triunfalismo dos batismos em massa, por causa da inexistência e escassez de Bíblias e literatura religiosa. Logo no início do século XIX, mais precisamente em 1805, 300 anos depois da descoberta do Brasil, um navio de bandeira inglesa que estava de viagem para a Índia pela mesma rota de Cabral. Um dos passageiros, de 24 anos, chamava-se Henry Martyn, ia para Índia na qualidade de missionário, onde em menos de sete anos, traduziria o Novo Testamento e o livro comum de oração para o hindustani.

Martyn ficou surpreso com a quantidade de cruzes em Salvador e registrou em seu apreciadíssimo diário. Até então a evangelização do Brasil estava nas mãos dos missionários e dos padres católicos romanos. O registro de Martyn é uma crítica velada ao cristianismo existente no Brasil e, ao mesmo tempo, um veemente desafio missionário. Ele fala, que mas a cruz sem a doutrina da cruz apenas cristianiza, não evangeliza. Daí o dramático apelo missionário: “Quando será aqui levantada a doutrina da cruz?” Henry Martyn morreu em 1812, antes de saber que o século XIX seria o grande século missionário protestante.

Assim como o século XVI havia sido o grande século missionário católico romano. Por que as missões evangélicas demoraram tanto a vir para o Brasil? Uma das razões era ausência total de visão missionária por parte das igrejas protestantes da Europa e da América do Norte nos séculos anteriores com exceções dos morávios e dos holandeses radicados no Extremo Oriente. Pensava-se que a América Latina, já cristianizada pelos espanhóis e portugueses, não deveria fazer parte do campo missionário protestante.

Na verdade, os olhos dos protestante só foram desvendados para enxergar o clamor dos campos missionários no século XIX, com 300 anos de atraso em relação aos católicos romanos. Nascido no ano de 1628, em Torre de Tavares, nas proximidades de Viseu, em Portugal João Ferreira de Almeida emigrou para os países baixo, dotado de grande capacidade na área de lingüística, Almeida tinha 16 anos quando traduziu o Novo Testamento para o português. Depois, a Bíblia começou a ser enviada para Portugal e para o Brasil. A introdução das Sagradas Escrituras no Brasil começou discretamente em 1814.

Naqueles primórdios exemplares de Novos Testamentos e Bíblias completas eram distribuídas a bordo de navios que deixavam Lisboa e portos ingleses com destino ao Brasil. Era um trabalho inteligente e de bons resultados. A partir de 1818, a distribuição de Bíblias na América Latina passou a ser feita por meio de agentes das duas sociedades bíblicas existentes, a Britânia e a Americana. O primeiro deles foi o pastor batista escocês James Thomson (1781-1854). Foi ele quem introduziu a Palavra de Deus em quase todos os países da América Latina.

Em 1820, solicitou a remessa de 100 Bíblias e 200 Novos Testamentos para distribuição no Brasil. O missionário metodista americano Daniel Parish Kidder (1815-1891) foi o primeiro correspondente da Sociedade Bíblica Americana a se fixar no Brasil. Com idade de 22 anos, já casado, ele percorreu o país de norte a sul. Kidder era destemido e criativo. Em uma de suas viagens a São Paulo, propôs à Assembléia Legislativa da Imperial Província de São Paulo o uso da Bíblia nas escolas primárias de toda a província e se comprometeu a doar doze exemplares para cada escola, caso a proposta fosse aprovada.

Ele fazia tudo para tornar a Bíblia conhecida. Entre a chegada dos primeiros exemplares da Bíblia (1814) e a chegada do primeiro missionário protestante, cujo ministério não foi interrompido (1855), há um espaço de 41 anos. Isso significa que as Escrituras Sagradas precedem a implantação das primeiras igrejas evangélicas brasileiras. A Bíblia de João Ferreira de Almeida, depois de várias e sucessivas revisões, ainda é a Bíblia preferida pelos evangélicos portugueses e brasileiros. Foi preciso esperar a independência do Brasil, em setembro de 1822, para o país deixar de ser cem por cento católico.

Mas a constituição de 25 de março de 1824 dizia: “A religião católica apostólica romana continuará a ser a religião do Império. Todas as outras religiões serão permitidas com seu culto doméstico ou particular, em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior de templo.” Portanto nada de torre, nada de sino e nada de cruz, peças que faziam parte das igrejas protestantes da Europa. Em caso de desobediência, os infratores seriam multados e dispersos. Além de não ter nenhuma consciência nem prática missionária quase todos os primeiros pastores deixaram muito a desejar, tanto no púlpito como na vida particular, porque eram totalmente despreparados e contra-indicados para o oficio.

Os registros históricos são chocantes. A situação começou a mudar entre os protestantes com a chegada do pastor Hermann Borchad, que veio para o Brasil em 1864, quarenta anos depois da primeira leva de colonos. No final século XIX, o Brasil tinha 18 milhões de habitantes, sabe em torno de 350 mil protestantes. Eles eram filhos da emigração, e não do cuidadoso trabalho missionário. Eram anglo-americanos os missionários protestantes que vieram para o Brasil na última metade do século XIX. Alguns deles eram missionários biocupacionais, isto é, missionários e educadores, missionários e médicos, missionários e agrônomos, missionários e escritores.

Fundaram igrejas, escolas, seminários, institutos bíblicos, universidades, clínicas, hospitais, jornais e editoras. Colocaram a Bíblia na mão do povo. Trabalharam em favor da liberdade religiosa no país. Obrigaram a Igreja Católica Romana a reconhecer e a respeitar a diversidade religiosa. Apresentaram a salvação pela graça mediante a fé. Ao mesmo tempo pregaram que a fé sem obras é morta. É verdade que os missionários cometeram erros, exageraram em algumas coisas e omitiram outras. Alguns trouxeram junto com o evangelho o espírito sectarista e denominacionalista, que perdura até hoje.

Falaram pouco sobre justiça social e muito sobre conduta sexual. Enfatizaram vida futura em detrimento da vida presente. Nos últimos 32 anos do século XIX, a junta de Missões Estrangeiras da Igreja do Sul nomeou e enviou 65 missionários para o Brasil. Na verdade não se tem feito justiça com o médico escocês Robert Reid Kalley o missionário que estabeleceu no Brasil. Kalley é responsável por um fato muito curioso: ele trouxe para o Brasil algumas de suas para ajudá-lo em seu ministério, especialmente no trabalho de colportagem (vendas de Bíblias).

Isso significa que o Brasil não foi evangelizado apenas por anglo-saxões, mas também por portugueses. Em 1859, no dia 12 de agosto, desembarcou no Rio de Janeiro o primeiro missionário presbiteriano. Era jovem de 26 anos, solteiro e recém-formado no famoso seminário de Princeton e recém-ordenado ao ministério. O que mudou por completo e para sempre o rumo de sua vida foi um avivamento espiritual ocorrido nas igrejas metodista, luterana e presbiteriana de Harrisburg, na Pensilvânia, onde morava, no primeiro semestre de 1855. Simonton se ofereceu para vir para o novo campo e foi aceito.

Em 1863 já casado, o ministério de Simonton no Brasil durou apenas sete anos. Neste curto período de tempo, o jovem missionário fundou a primeira igreja (hoje a Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro). Os primeiros evangélicos a tentar alguma coisa aqui foram os metodistas. A primeira medida tomada pela Conferência Geral da Igreja Metodista americana foi enviar o pastor Fountain Elliot Pitts para sondar o novo campo missionário. Essa viagem de exploração durou quase um ano, do terceiro trimestre de 1835 ao segundo trimestre no seguinte, e inclui, além do Brasil, o Uruguai e a Argentina.

Os metodistas enviaram ao Brasil os dois primeiros missionários: R. Justus Spauding, em 1836, e Daniel Parish Kidder, em 1837. Os dois vieram com as respectivas esposas e permaneceram pouco tempo no país. Com a morte da jovem esposa em 1840 e com um filho para criar, Kidder foi o primeiro a voltar, depois de realizar um notável derrame de Bíblias em quase todas as províncias do Brasil. Spauding regressou no final de 1841, deixando no Rio de Janeiro uma congregação de quarenta membros, todos estrangeiros, mais tarde transformada na Union Church, uma igreja para estrangeiros de diversas denominações, existente até hoje.

Por causa de problemas internos, quase todos relacionados com a escravatura, a Igreja Metodista Episcopal dos Estados Unidos sofreu uma ruptura em 1844 e suspendeu por 25 anos o seu trabalho no Brasil. Os mesmos problemas provocaram divisões também nas igrejas presbiterianas, em 1837, e batistas, em 1845.O recomeço só se deu em 1867, quando os congregacionais (desde 1855) e os presbiterianos (desde 1859) já estavam definitivamente instalados no país.

Por mais de 300 anos, desde a chegada dos jesuítas, em 1549 até o início da imigração dos americanos do sul dos Estados Unidos, em 1866, o batismo cristão que se aplicava no Brasil era sempre por aspersão, tanto no meio católico como no meio protestante. Com a organização de uma igreja batista na colônia americana de Santa Bárbara, nas proximidades de Campinas, São Paulo, em setembro de 1871, o batismo por imersão começou a ser aplicado aos fiéis dessa denominação.

Em 1883, Zachary Clay Taylor, menos de dois anos depois de ter vindo para o Brasil na qualidade de missionário pioneiro, publicou na Bahia o livro A bíblia sobre o batismo. “Eu vim ao Brasil para proclamar a lei de Deus e não legislar sobre ela”. Em 1908, esse mesmo missionário foi a Portugal e rebatizou quinze membros da Igreja Batista do Porto,cujo batismo anterior considerou irregular.

Os batistas foram a quarta denominação evangélica a implantar igrejas no Brasil. Ex-alunos do Seminário Teológico de Virginia vêm para o Brasil. Filho, irmão e pai de ministros episcopais, Kinsolving, como Helen, ficou órfão de mãe com poucos dias de vida.

Passou quarenta anos no Brasil e foi o primeiro bispo episcopal em território brasileiro. Poucas missões cresceram tão depressa em sua fase inaugural como a missão episcopal. Em oito anos de trabalho, a jovem igreja já tinha 301 eclesianos e quatro pastores brasileiros, tudo concentrado até então no Rio Grande do Sul. O seminário foi aberto em junho de 1903, já com oito alunos e quatro professores. Uma das razões pelas quais o Seminário de Virgínia tornou-se um celeiro de missionários foi a atuação de uma curiosa organização chamada Aliança Missionária de Seminários, cujo objetivo era criar e desenvolver consciência missionária entre os estudantes de teologia das diferentes denominações evangélicas dos Estados Unidos.

Alguém deveria ter escrito no epitáfio de Kinsolving: “Ele deu 40 anos ao campo missionário”. Ex-padre troca o púlpito pela evangelização pessoal, chamava-se José Manuel da Conceição em 23 de outubro, o salão voltou a se encher. Desta vez todo mundo queria assistir à profissão de fé e ao batismo do ex-padre. Os acontecimentos do dia 23 de outubro de 1864 (profissão de fé de Conceição) e do dia 24 (dedicação da Imprensa Evangélica) foram tão significativos, que é difícil dizer qual dos dois é mais importante.

Graças ao ministério de Conceição, o evangelho se espalhou por várias dezenas de cidades das províncias de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro e, em Brotas, São Paulo, organizou-se a maior igreja evangélica do país por alguns anos. Graças ao ministério da Imprensa Evangélica, o evangelho se espalhou no meio das autoridades civis e religiosas. Ele era um evangelista itinerante. Conceição “só se dedicava a anunciar a mensagem nuclear da reforma, a salvação pela fé em Jesus Cristo, e isso de sítio em sítio, de casa em casa, de cidade em cidade, viajando incansavelmente, quase sempre a pé e até exaustão.

Morreu com a idade de 51 anos. Operário italiano organiza em São Paulo a mais fechada igreja evangélica brasileira. A igreja fundada por Francescon é tremendamente sectária, às vezes se considera a única igreja certa, não tem o menor relacionamento com qualquer outra igreja, nem mesmo com as igrejas pentecostais. Não publica jornais, revistas de estudos bíblicos nem livros. Não se serve do rádio nem da televisão. Não se reúne em lugares públicos. A evangelização é feita por meio do evangelismo pessoal e por meio dos cultos, geralmente longos.


Os que salvam e se batizam foram ganhos porque eram predestinados e chamados por Deus para a salvação. Não ministros ordenados nem burocracia eclesiástica. O pregador é suscitado na hora da pregação, por revelação de Deus. Os anciões não são assalariados e dirigem aparte espiritual da congregação. A Ceia do Senhor é celebrada anualmente. Não há rol de membros, mas registra-se o número de batismos. A princípio, era tudo em italiano, mais tarde em italiano e português e, agora, só em português. Missionários suecos fundam a maior denominação evangélica brasileira.

A primeira igreja pentecostal foi organizada em 18 de junho de 1911, seis meses depois da chegada dos dois suecos ao Pará, com o nome de Missão da Fé Apostólica, o mesmo nome dado por William Seymour à igreja da rua Azusa, em Chicago, cinco anos antes. O nome Assembléia de Deus foi adotado seis anos e meio depois, em janeiro de 1918. Nenhuma denominação evangélica experimentou um crescimento tão rápido e tão grande como as Assembléias de Deus. Na primeira metade do século XX, Assembléia de Deus e a Congregação Cristã foram as únicas igrejas pentecostais de grande porte no Brasil.

Foram necessários pouco mais de 40 anos pra surgirem, quase ao mesmo tempo, mais três grandes grupos pentecostais no país: a Igreja do Evangelho Quadrangular (1951), a Igreja Pentecostal O Brasil para Cristo(1955) e a Igreja Pentecostal Deus é Amor (1961). A Igreja do Evangelho Quadrangular (International Church of The Four-Square Gospel) foi fundada em Los Angeles, nos Estados Unidos, na década de 20, por uma jovem senhora canadense de trinta e poucos anos.

Um dos convertidos, o ex-ator de filmes de faroeste Harold Willians, onze anos depois, no dia em que se comemorava o 60 aniversário da Proclamação da Republica (15 de novembro de 1951), instalou a Igreja do Evangelho Quadrangular aqui. Pedreiro pernambucano funda em São Paulo a mais aberta igreja pentecostal brasileira, Fundou em São Paulo, em 1955, a Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil para Cristo, aos 26 anos, na certeza de que Deus o chamava para uma grande obra de avivamento. Na década de 60, a igreja chegou a alcançar 2 milhões de adeptos.

O Brasil para Cristo cresceu mais como movimento do que como denominação. Jovem de 26 anos converte-se em São Paulo e funda a igreja pentecostal mais rígida do Brasil. Novembro de 1961, aos 25 anos, depois de uma noite de oração entendeu que Deus o chamava para “uma grande obra”, mas não sabia em que igreja, em que denominação. A revelação veio em seguida: a igreja chama-se Deus é Amor. Chamado pomposamente de “o maior pregador de curas divinas da época”. É a mais legalista e exigentes de todas as igrejas pentecostais.

Em 1991, a Deus é Amor 5.458 igrejas, 15.755 obreiros e missionários em dezessete países. Nascida nos Estados Unidos em 1967, a Renovação Carismática Católica chega ao Brasil três anos depois. Despertar religioso, nos moldes pentecostais, está diretamente ligado à Universal do Espírito Santo de Duquesne, em Pittsburg, administrada pela ordem missionária Padres do Espírito Santo. Em 1971, havia um padre de 34 anos que trabalhava com jovens e lecionava na Faculdade de Ciências e Letras de Lorena, no Vale do Paraíba em São Paulo. Ele abraçou de corpo e alma a Renovação Carismática.

Em 1978, sete anos depois, esse padre, Jonas Abib, fundou a Comunidade Canção Nova.


## CONCLUSÃO ##


É uma morte para a fé cristã e para o caminhar da igreja quando a história da sua formação é ignorada. Não considerar o que os pais da igreja fizeram para toda a construção da teologia cristã é um ato de violação contra as principais doutrinas. Podemos presenciar nos dias de hoje, que os teólogos liberais vivem de tradição.Ora,os seus discursos estão respaldados por aqueles que os antecederam. Abrem mão de uma tradição para adaptarem-se a outra.

Com todo respeito aos irmãos pentecostais , mas as principais doutrinas teológicas são por eles desconhecidas. É a supervalorização do iluminismo. Este iluminismo é a ideia de que o Espírito Santo fará toda a obra do conhecimento. Não precisam ler, pesquisar e estudar. Porém, isso se torna um contra-senso. Deus não pode ignorar aquilo que ele mesmo implantou no homem – intelecto. Quando se estuda a história do povo de Deus, a leitura que é feita é sobre a ação de Deus. Ele age e valoriza a história da humanidade. Não é alheio ao que se passa com o povo.


A riqueza do estudo nos traz a compreensão de que a igreja não está circunscrita a este tempo. Este é o problema de muitas igrejas que surgem. Alguns se intitulam a igreja do momento. Outros pastores se sentem os homens de Deus que irão realizar feitos notórios. São mais de dois mil anos de história. A igreja não nasceu hoje. A formação pastoral não é de agora. Os pastores de hoje não produziram nada em comparação aos do passado. Para ser relevante é preciso considerar os alicerces que já existem.


Eu entendo que; A dificuldade que os cristãos têm em relação às crises da fé, da igreja e de contextos sociais reside justamente em não compreender o que houve no passado. De suma importância é a leitura desse livro, para o contexto do surgimento cristão no Brasil e da evangelização



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💪 Nós aprendemos com Jesus que a verdadeira masculinidade não é simplesmente manter nossos narizes limpos e nossa casa em ordem. A verdadeira masculinidade significa enxergar além de nós mesmos para amar nosso próximo – e nosso próximo é qualquer um que encontramos em necessidade. O homem de verdade livremente doa seu tempo, recursos, atenção, energia e apoio emocional para aqueles que precisam, sem se preocupar em como eles podem retribuir. Seja você casado ou solteiro, se você não está servindo ao seu próximo abnegadamente e sacrificialmente, você não está exercendo completamente a masculinidade bíblica.

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