terça-feira, 23 de maio de 2017

Acervo da Teologia

* Esgotamento Espiritual / Resenha / Livro de Malcolm Smith


ESGOTAMENTO ESPIRITUAL

Concluí a leitura minuciosa do livro de Malcolm Smith, do qual me levou à algumas compreensões durante esses meses do momento delicado em que estava sendo testado (vivendo), e isso se deu por 14 anos ininterrupto de dedicação e fidelidade ao Reino de Deus na igreja em que servi. 

 Foram anos de muitas conquistas, crescimento em todos os aspectos, mas também não faltou as dificuldades, perseguições, acusações, cansaços, resultando em uma grande queima espiritual e esgotamento total, esgotamento esse vivido também pelos profetas da Bíblia Sagrada, estando todos nós sujeitos a essa queima espiritual, depressão entre outras.

 No meu caso, como vejo muitos afirmando por aí, não teve nada de demônios e macumbas atuando na minha vida, mas de fato por pessoas malígnas e desocupadas mesmo. Infelizmente hoje escuto muitos líderes e pastores com suas teologias errôneas, afirmando ser a depressão, desanimo, cansaço e tristezas, sentimentos ou comportamentos não vindos da parte de Deus, sendo uma ação do Diabo, e que cristãos de verdade não passam por isso, quanta ignorância e cegueira espiritual.

 Não vou expor aqui a minha opinião a respeito desses camaradas porque não convém. Mas diante de tudo, quero dizer que, aos longos meses de esgotamento espiritual, pessoal e financeira, adquiri muitas e muitas experiências e milagres marcantes em minha vida e uma aproximação maior de Deus e dependência total dEle nesse tempo de escuridão, choros, tribulações, desesperos, solidão e angústias. E também quero ressaltar a ajuda de algumas pessoas que confiaram em nós, que ouviram a voz de Deus para nos socorrer, estando ao nosso lado, minha amada esposa maravilhosa, uma grande companheira, pessoas que amo muito e para sempre, um laço eterno entre nós, e também por pastores e escritores como um canal de Deus nos momentos mais cruciais da minha vida, assim como foi essa obra maravilhosa. 

 Estou a cada dia caminhando para essa restauração total no qual preciso ainda. Mas a misericórdia e a graça de Deus vem me sustentando até chegar aonde Ele desejar.

 Muitas experiências adquiri nesse tempo e amadurecimento. E também durante toda a minha caminhada cristã, e posso te ajudar de alguma forma se caso esteja sofrendo o mesmo e sem compreensão do que esteja vivendo, passando. Abaixo estarei disponibilizando o meu E-mail e também uma exposição da vida de Asafe juntamente com um resumo dos pontos essenciais do livro de Malcolm Smith, para você chegar a conclusão de que não está só nesse mundo, e que não está sendo obra da ação demoníaca ou porque pecou. Mas, simplesmente um momento temporário na sua vida de adaptação e crescimento, e um momento precisando de ajuda de profissionais no qual também recorri alguns meses atrás, e não tem nada de errado e pecaminoso em relação à isso, e também de uma dependência por parte total de sua pessoa a Deus e de sua confissão também a Ele.

Fica nítido que Asafe obteve suas experiências, assim como Elias e Ezequiel, um pouco diferente das nossas, das minhas, mas homens imperfeitos de Deus que se queimaram espiritualmente. Que Deus abençoe a vida de todos.

Michael Rossane




Trechos do livro Esgotamento Espiritual

  “A solução para o problema da queima espiritual é reagir a Deus com novo frescor, redescobrir novo relacionamento com ele”. 

  “Um dos maiores problemas da pessoa esgotada espiritualmente é a falta de perdão. Em geral, essa incapacidade de perdoar degenera em ressentimento e amargura de raízes profundas”.
Viver mediante regras e ritos não é ser cristão; é ser religioso. O Cristianismo não é uma religião que dependa de fórmulas para obter o favor divino, mas é, antes, um relacionamento dinâmico com Deus mediante Jesus Cristo.

  O cristão esgotado espiritualmente deve reagir com renovado frescor ao amor, à misericórdia e à graça de Deus, e viver cheio de paz e de alegria.

 “Alguns ministérios”, diz Malcolm, “foram convocados para colher o trigo numa obra evangelística. Eu fui chamado para pegar esse trigo e transformá-lo em pão que alimente o mundo”. 

  Muitos pastores acham muito difícil estudar a Bíblia. Em consequência, enfrentam dificuldade imensa no preparo de um sermão dominical que contenha alimento espiritual. Estão constantemente procurando, apanhando  qualquer coisa com que alimentar suas ovelhas. Chega o Domingo - lá vêm eles com seus sermões. Será que não estão carregando nos braços montes e montes de colocíntidas?

 Porém, os circunstantes não notarão que aquilo que está sendo dito vai envenenar os ouvintes. Por que deveriam notar? Confiam em seu pastor e muito corretamente presumem que ele vai aplicar a si mesmo aquilo que está ensinando.

  Quando as pessoas estão exaustas e espiritualmente doentes, é preciso que primeiramente lhes pesquisemos a dieta espiritual. Em geral a morte principia no prato onde comem, no alimento que usualmente é preparado por um pastor ou evangelista sincero que come, ele próprio, dessa comida envenenada. No fim estarão todos queimados espiritualmente, juntos. 

   Os problemas da igreja, hoje, não são primordialmente falta de oração, de estudo bíblico, de fé ou de dedicação. O problema é mais profundo do que estas coisas. alguma coisa nos tornou tão fracos que não queremos orar nem ler a Bíblia... eliminou-se de nós todo o entusiasmo pelas coisas de Deus.

  Que é que está fazendo com que o exercício da fé se transforme numa verdadeira batalha, quando sabemos que, na verdade, ali está o portal do descanso eterno de Deus? Por que é que nosso culto entusiástico veio a tornar-se tão frio a tal ponto que ficamos cansados de cultuar? Por que é que tantos crentes acabaram cansando-se de estudar a Bíblia? Por que é que nossas grandes palavras de vitória falham quando mais precisamos delas?

Os crentes estão queimando-se e caindo de exaustão porque o alimento espiritual que estão ingerindo é venenoso. Há morte na panela! Estamos vivendo em dias de fome espiritual; e o alimento não se encontra prontamente disponível onde esperaríamos que estivesse. Os famintos espirituais têm de sair e providenciar provisões, quaisquer mantimentos, onde quer que os encontrem.

 Enquanto a pessoa estiver vivendo segundo as verdades que nos foram trazidas por Cristo, não pode queimar-se espiritualmente! Aquele que cai exausto, só cai porque acreditou numa distorção das Boas Novas (que não é, portanto, evangelho!), ou porque se esqueceu do cerne do evangelho em que creu, numa ocasião, e se deixou extraviar.

Se é esse o caso, podemos afirmar que a melhor coisa que tal pessoa pode fazer é tombar exausta à beira da estrada da vida. Se aquilo em que ela está crendo não é o evangelho da verdade, quanto mais cedo determinar que suas crenças não é o evangelho da verdade, quanto mais cedo determinar que suas crenças são incapazes de fornecer-lhe vida espiritual e saúde, melhor será. 

 Quando estudamos o ministério de Jesus, é significativo ver que ele não apenas ensinou a verdade, mas também atacou o erro... e fê-lo em todas as oportunidades. Lucas 4.18,19.

  A religião leva a pessoa a unir-se fortemente a um voto de guardar as regras que governam a conduta, os ritos e fórmulas pelos quais pode aproximar-se de Deus. Isto exige o constante exercício de sua vontade, e a completa obediência aos preceitos. A finalidade principal de tudo isto é Deus ser agradado e a pessoa ser aceita por ele.

 A religião começou no jardim do Éden, quando o homem caiu. A primeira reação do homem em sua condição decaída foi fugir da presença de Deus e esconder-se atrás de algumas árvores. Desde esse dia o homem sem Cristo sente medo de Deus. E expressa esse medo mediante o ateísmo, que é a esperança de que Deus não está mais lá, ou nunca esteve; e o materialismo, através do qual o homem se esconde nas coisas materiais desta vida, na esperança de que Deus vá embora ou jamais se interesse por ele!

  "Vendo ele as multidões, tinha grande compaixão delas, porque andavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor". Mateus 9.36.

 A palavra "cansado" significa: "exausto, ter trabalhado até que não resta força alguma". Hoje, no contexto em que Jesus estava falando, poderíamos traduzir o texto assim: "queimados espiritualmente, esgotados de toda força espiritual, exaustos na tentativa de agradar a Deus". Aquelas pessoas estavam sobrecarregadas, esmagadas pelo peso de todas as Leis e preceitos que a religião jogara em cima delas. 

  Queimar-se espiritualmente é alternativa que só pode ocorrer quando há má compreensão fundamental do cerne do evangelho, ou quando a pessoa falha em aplicá-lo em sua vida e ministério. Um crente espiritualmente exausto está exibindo sintomas de um problema muito mais grave.
 "O amor-ágape não traça círculos, não exclui ninguém". Mt 5.44,45.
 E em Lucas 6.35:

 "A religião mais pura e a única verdadeira neste mundo, a que nasceu no monte Sinai, mediante Moisés, dizia: ... amarás o teu próximo como a ti mesmo... Lv 19:18.  Jesus não fez assim: ele amou o próximo mais do que a si mesmo".

A HISTÓRIA DE OSEIAS / UM EXEMPLO DE AMOR

 Este tipo de amor não pode, realmente, ser expresso em palavras, em linguagem humana; por isso Deus, no Antigo Testamento, usou um de seus profetas, Oseias, para demonstrar através dele o amor Ágape. Em sua função de representante de Deus, o nome de Oseias tornou-se bem conhecido em todos os lares de Israel. Ele e sua família eram vigiados por todos.

  Deus convocou Oseias para que este se casasse com Gomer, mulher que tinham a infidelidade no coração. Casaram-se, e não demorou muito para a infidelidade de Gômer tornar-se manifesta. Ela era vista com diferentes homens nas festas da sociedade samaritana, e a nação inteira de Israel começou a acompanhar o desenrolar daquela novela que acontecia diante de seus olhos.

 Por fim, ela abandonou Oseias e tornou-se prostituta. Aos olhos das pessoas decentes, ela era depravada e fazia o marido de tolo. Todas as ações dessa mulher deixavam bem claro que ela desprezava Oseias e desejava embaraçá-lo diante do vigilante povo de Israel.

  Em seguida, os muitos amantes cansaram-se de Gômer. Ela se viu obrigada a vender o próprio corpo nas ruas, escravizada por um alcoviteiro. Finalmente, este a colocou num palanque onde se vendiam escravos - ela deveria ser vendida pela oferta mais alta.

  Oseias sentiu-se profundamente ferido... em sua solidão, as lágrimas corriam livremente, lágrimas provenientes da grande vergonha de um escândalo público. Agora sua esposa está à venda numa barraca de escravos; Deus lhe ordena que vá comprá-la e que a reconsidere como sua esposa: "Ame a mulher que o envergonhou e o desprezou, procure o maior bem dessa mulher, leve-a para casa, proteja-a e tome conta dela".

 Enquanto Oseias abria caminho pelas ruas de má fama de Samaria até chegar ao mercado de escravos, cada passo do profeta demarcava na mente do povo de Israel a natureza do amor de Deus para conosco.

 Eros rejeita aos que o ferem, como também ao feio; Ágape abraça seus inimigos e procura seu mais elevado bem. Diz Eros:

  "Eu te amo, porque preciso de ti!" Diz Ágape: "Preciso de ti porque eu te amo!"

  O amor incessante de Oseias por sua esposa tornou-se a mensagem de Deus para Israel, um retrato composto de sombras de seu amor à humanidade. Foi este mesmo amor que fez com que Jesus chorasse publicamente, sobre Jerusalém (Lucas 19:41-44), não porque o povo iria insultá-lo, envergonhá-lo e crucificá-lo, mas porque, procedendo assim, o povo estaria prejudicando-se eternamente. Ele chorou por causa do sofrimento de seus inimigos.

 Deus ama as piores pessoas, aquelas carregadas de problemas, que já não têm mais esperança. Deus não condena as pessoas pelos seus pecados, acusando-os sem piedade; em vez disso, ele abraça essas pessoas que ainda cheiram a porcos, ele as perdoa e as beija.

 A RELIGIÃO

 Visto que religião é modificação do comportamento, ela subtrai da vida da pessoa muitas coisas que esta antes vinha fazendo, e acrescenta muitas outras que nunca antes fizeram parte de seu modo de viver. A ênfase da religião é no exterior: nas roupas que a pessoa não pude usar; nos lugares que precisam ser evitados; nos livros, revistas, e filmes proibidos; nos alimentos e bebidas que não podem ser tocados.

 A religião também acrescenta um novo comportamento: frequência assídua à igreja ou às reuniões religiosas, separação de momentos especiais para a leitura da Bíblia e oração; obras sociais entre os pobres. Há mudanças nas amizades: só se incluem os amigos que adotam o mesmo estilo de vida religiosa e que, juntos, estão engajados em todas as atividades sociais aceitáveis segundo o código daquele tipo particular de religião.

 A pessoa poderá tornar-se ainda mais devotada a Deus se se tornar presbítero, membro do coro, líder da mocidade, ministro do evangelho ou mesmo missionário!

 É óbvio que o sistema doutrinário dos fariseus, o qual procura a aceitação de Deus mediante a modificação do comportamento, reduz o Cristianismo a uma fórmula, em vez de mostrá-lo como realmente é: um relacionamento dinâmico com Deus, trazido por Cristo.

Mas a coisa é ainda pior, porque viver segundo regras e códigos produz o inverso dos objetivos de Jesus. Deus é Ágape, e Jesus afirmou que seus discípulos seriam conhecidos por uma vida marcada pelo amor divino. É trágico que a religião só consiga produzir orgulho no coração da pessoa, e desprezo por todos quantos não acatam os preceitos específicos da seita.

 A religião  mira-se no espelho de seus mandamentos e, em seguida, espreita os que não pertencem  ao mesmo círculo de presunçosos, e orgulha-se: ... ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros... (Lucas 18:11). Descreve, em seguida, seu modo de vida superior!

  Ao longo da história, o Espírito de Deus tem-se manifestado continuamente entre os homens, e aberto seus olhos para que vejam o grandioso e incondicional  amor revelado por Deus em Jesus Cristo.

  Quando o homem recebe a dádiva do Ágape, há alegria, há festa. Entretanto , dali a pouco os guias farisaicos aparecem, à semelhança de erva daninha em canteiro de flores, a fim de minimizar a vida espontânea do Espírito, reduzindo-a a um código rígido. O relacionamento com Deus transforma-se assim numa fórmula morta para reger a vida.

  Já não se conhece mais o crente pelo fato de Cristo ser a fonte de sua vida; ele é conhecido, em vez disso, pelas peculiaridades dos preceitos pelos quais vive. Testemunhar deixou de ser um compartilhamento do próprio Jesus na vida do crente, e transformou-se num convite para ele viver sob o jugo de uma forma particular de religião.

 Quanto mais religiosa se torna a pessoa, mais longe fica de Deus. Quanto maior a dedicação religiosa, maior a sensação de vazio. A observância de todos os preceitos não satisfaz a fome interior; e assim, uma dedicação segue-se a outras dedicações, enquanto a pessoa vai nutrindo a esperança de que aquela será a última oferenda capaz de agradar a Deus, e trazer satisfação ao seu coração.

 A religião muda o comportamento, mas não muda o coração, a fonte dos desejos humanos. Ao acatar todos os preceitos, o crente evita o que lhe é proibido... mas seu coração ainda deseja regalar-se. Na verdade, o coração almeja ainda mais fazer aquelas coisas, agora que elas se tornaram proibidas. A pessoa sincera se entristece com sua incapacidade para obedecer, mas sempre se esforça para retornar às dedicações e promessas a Deus.

  FALSOS PASTORES

  Milhares de crentes queimados espiritualmente, cheios de confusão, deixaram a igreja porque um pastor sincero os alimentou, servindo-lhes da panela farisaica do legalismo.

   Nos dias bíblicos o pastor significava muito mais do que hoje. Ele se entregava a seu rebanho; era totalmente responsável pela proteção e sustento das ovelhas. Sempre que o termo pastor era usado simbolicamente, descrevia líderes; tanto podia referir-se ao rei quanto aos líderes espirituais da nação. Todos esses eram vistos como responsáveis pelo cuidado, alimentação e orientação das pessoas em suas áreas específicas.

   Entretanto, a imagem do pastor desenvolveu-se na realidade entre os profetas. Muitos deles sentiram o pesado fardo de enfatizar que o povo da aliança de Deus havia sido desviado por falsos pastores.

  Que é que os pastores ensinaram ao povo que causou sua dispersão, e os deixou à mercê de todos os inimigos que procuravam sua morte? O profeta Zacarias referiu-se a isso:

   ... Porque os ídolos têm falado vaidade, e os adivinhos têm visto mentira, e contam sonhos falsos; com vaidade consolam, por isso seguem o seu caminho como ovelhas; estão aflitos, porque não há pastor. Zacarias 10:2

   ... Porque, eis que suscitarei um pastor na terra, que não cuidará das que estão perecendo, não buscará a pequena, e não curará a ferida, nem apascentará a sã; mas comerá a carne da gorda, e lhe despedaçará as unhas. Zacarias 11:16

   Ezequiel falou disso mais claramente que qualquer outro profeta :

  "As fracas não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. 34:5 Assim se espalharam, por não haver pastor, e tornaram-se pasto para todas as feras do campo, porquanto se espalharam. 34:6 As minhas ovelhas andaram desgarradas por todos os montes, e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andaram espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem perguntasse por elas, nem quem as buscasse. 34:7 Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do SENHOR: 34:8 Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que, porquanto as minhas ovelhas foram entregues à rapina, e as minhas ovelhas vieram a servir de pasto a todas as feras do campo, por falta de pastor, e os meus pastores não procuraram as minhas ovelhas; e os pastores apascentaram a si mesmos, e não apascentaram as minhas ovelhas...". (Ezequiel 34:4-8)

   Quando Deus viu seu rebanho hostilizado  e perseguido pelos pastores, cuja principal missão é garantir a saúde das ovelhas, dando-lhes proteção e orientação, disse o Senhor que ele próprio viria e pastorearia seu rebanho:

   Porque assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu, eu mesmo, procurarei pelas minhas ovelhas, e as buscarei. 34:12 Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e livrá-las-ei de todos os lugares por onde andam espalhadas, no dia nublado e de escuridão. 34:13 E tirá-las-ei dos povos, e as congregarei dos países, e as trarei à sua própria terra, e as apascentarei nos montes de Israel, junto aos rios, e em todas as habitações da terra. 34:14 Em bons pastos as apascentarei, e nos altos montes de Israel será o seu aprisco; ali se deitarão num bom redil, e pastarão em pastos gordos nos montes de Israel. 34:15 Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas, e eu as farei repousar, diz o Senhor DEUS. 34:16 A perdida buscarei, e a desgarrada tornarei a trazer, e a quebrada ligarei, e a enferma fortalecerei; mas a gorda e a forte destruirei; apascentá-las-ei com juízo. (Ezequiel 34:11-16)

   Como pastor divino da aliança, Jesus falou  que tinha vindo com o propósito  de ajuntar seu rebanho, curá-lo e dar-lhe repouso e segurança. Usou a linguagem de Ezequiel a fim de descrever sua missão. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. Lc 19:10.

  Jesus viu o povo como as ovelhas feridas de que os profetas haviam falado:... E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas. (Mc 6.34). E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor (Mt 9.36). 

  Duas palavras neste texto descrevem as condições das ovelhas. A palavra traduzida por "aflitas" é usada na língua grega para descrever pessoas que foram atacadas e roubadas, perdendo seus bens. Elas jazem agora amedrontadas, confusas, fracas demais para caminhar e sair da margem da estrada aonde foram atiradas e abandonadas. "Exaustas" - a segunda palavra - também tem sido usada para descrever pessoas que caíram e não têm condições de erguer-se.

  Se alguém olhasse para a multidão, veria um grupo de camponeses decentes, respeitáveis, da Galileia, que iam ao culto todos os Sábados, e enviavam seus filhos à escola em que o principal livro-texto eram os cinco primeiros livros da Bíblia. A maior parte das famílias lia e memorizava grandes porções das Escrituras, e ordenava suas vidas numa tentativa de obedecer aos preceitos escriturísticos. 

  Jesus as via com os olhos de Pastor da aliança. Ele descreve essas pessoas respeitáveis como ovelhas perdidas, aflitas, de quem tinham roubado a verdade, ovelhas perseguidas, dispostas a desistir. Seus líderes espirituais distorceram a verdade da Palavra de Deus a tal ponto, que esta se lhes tornara fonte de morte e exaustão espiritual.

 Em João 10, Jesus descreveu os falsos pastores como ladrões, assaltantes e assassinos. Na melhor das hipóteses, eram servos contratados que só trabalhavam mediante salário, empregados que não demonstravam qualquer interesse pelo bem estar do rebanho. Na pior das hipóteses, eram semelhantes a ladrões que assaltavam o rebanho, para roubar-lhes tudo quanto o Pai lhes havia concedido graciosamente, em seu amor. 

  Eram assassinos que traziam a morte espiritual com suas palavras. "O ladrão só vem para roubar, matar e destruir... o mercenário... não tem cuidado com as ovelhas" (João 10:10,13).

   Muitos tem sugerido que o ladrão é o diabo, mas o contexto não permite tal interpretação. O ladrão, nesta passagem, é a pessoa que está ensinando às ovelhas uma doutrina que destrói sua vida espiritual. No contexto de João 10, tratava-se dos fariseus.

  Jesus nada tinha em comum com a religião, da mesma forma que um pastor nada tem em comum com o caçador desonesto. Ele não veio para dar-nos forças para cumprirmos os dez mandamentos, e tampouco deu-nos Cristo uma versão atualizada do decálogo no sermão do monte.

  Jesus opôs-se a todo e qualquer sistema que ensinava que a pessoa precisa antes mudar seu comportamento a fim de  tornar-se aceitável diante de Deus. Ele não veio fundar nova religião. A igreja pela qual ele morreu e ressuscitou a fim de trazê-la à existência, de modo nenhum é uma religião.

   Ei-lo descrevendo a si próprio e à sua religião:

   "...eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância. Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas". (João 10.10,11)
  Viver a vida cristã não é viver mediante as próprias forças e recursos, mas mediante o Cristo infinito que vive dentro de quantos crêem nele. Toda a força humana chegará ao fim, mais cedo ou mais tarde, deixando cada um de nós transformando em cinzas. Mas o poder de Cristo não tem fim!

   VIVER A VIDA DE CRISTO

   Jesus diz que o crente não possui existência independente, que de vez em quando precisa receber ajuda especial, uma injeção de ânimo espiritual, a fim de prosseguir na vida cristã. Não se pode pensar num ramo como vivendo à parte da seiva vital que flui nele, como não se pode pensar num crente senão como expressão de Jesus Cristo.

  Semelhantemente, Jesus só pode ser conhecido hoje através dos crentes - ramos de videira. A vida de Cristo precisa de um canal pelo qual possa fluir para o mundo.

  A fé não pode nascer em nós com base naquilo que Deus realizou em prol de outra pessoa. Ele deve proferir sua Palavra em nosso coração, o que deixará, não um fato verdadeiro em nossa mente, mas um conhecimento absoluto em nosso coração.

  UM CASO CLÁSSICO DE ESGOTAMENTO ESPIRITUAL

  Milhares de crentes se esgotam diariamente porque esperavam coisas da parte de Deus que o Evangelho não promete.

  Asafe era homem de Deus, nos dias do rei Davi. Era autor de vários salmos, e pioneiro, sob a orientação de Davi, na condução de Israel num culto alegre no monte Sião.

   Asafe havia nascido na tribo sacerdotal de Levi, o que significava que estava destinado a ministrar na presença de Deus durante toda sua vida. Na época do seu nascimento, o interesse nacional pelas coisas espirituais estava num ponto baixíssimo devido à apostasia de Saul, que reinava em Israel.

   Quando Davi tornou-se rei, conduziu o povo a um reavivamento espiritual, levando a arca da aliança de volta a Jerusalém. Ela tinha sido colocada dentro dos muros de Sião; na tenda que a abrigava, erguia-se um louvor desinibido, um culto espontâneo a Deus.

 Sem dúvida, Asafe era homem dotado de grandes dons espirituais, e de grande potencial, ungido pelo Espírito a fim de conduzir o povo no louvor. Com o passar dos anos, ele haveria de escrever alguns salmos, e, muitos anos após sua morte, seria lembrado pelo título profético de "vidente" (2 Cr 29.30). Contudo, naqueles primeiros dias, logo após ser guindado da obscuridade, Asafe estava numa posição perigosa. Recebera a magnífica honra de ter seu nome ligado ao de Davi como o salmista de Israel.  Por razão de sua posição, o moço gozava de reputação que excedia sua experiência.

 Asafe, companheiro de Davi, homem que conduzia a nação no louvor, no ápice de sua vida espiritual esgotou-se espiritualmente . Exauriu-se. Ocupadíssimo todos os dias na organização do culto a Deus, as bases de Asafe começaram a desmoronar.

   É significativo que o Espírito Santo registre o testemunho que ele deu no Salmo 73, descrevendo como falhou e se recuperou. Asafe é prova de que ninguém está isento de queimar-se espiritualmente... e ele também é a esperança de que podemos mover-nos, saindo da exaustão espiritual para a verdadeira alegria da fé.

  Devido o fato de ele ter documentado cuidadosamente as causas que o conduziram a seus dias de crise na fé, o salmo é preciosa chave para a compreensão do esgotamento espiritual. Asafe também nos diz o que foi que o trouxe de volta - e deu-lhe o rico ministério pelo qual o conhecemos.

  Ele relacionou o início de seus problemas com o dia em que começou a observar os ricos vizinhos incrédulos, cuja vida era opulenta. Eram prósperos materialmente, e pareciam não ter qualquer preocupação neste mundo. Asafe fora criado sob a lei de Moisés, e embora, sob a influência de Davi, tivesse sido tocado pela graça de Deus e se movido na dimensão do Espírito, ele ainda se cingia aos velhos princípios da Lei. Acreditava que sua fé, sua dedicação a Deus e suas obras o tornaram merecedor das bênçãos materiais do Senhor. A aliança seria uma fórmula de prosperidade para uma vida tranquila.

  Tal perspectiva é sempre perigosa, porque iguala a espiritualidade com as posses e livramento das oposições, nesta vida. Era o fermento dos fariseus antecipando-se, e dizendo: "Visto que eu fiz isto e aquilo, Deus deveria conceder-me bênçãos materiais". É o mesmo espírito que vemos no irmão mais velho da parábola do filho pródigo: "É claro que eu deveria ser recompensado por todo o trabalho que fiz para o senhor!

 O problema aqui não é se Deus abençoa seu povo com coisas materiais. Ele abençoa. Contudo, as coisas materiais são o pós-escrito da aliança que nos trouxe a um relacionamento dinâmico com Deus.  Esse relacionamento significa que o crente assume atitude completamente diferente da do incrédulo no que tange a posses e riquezas. O incrédulo junta riquezas e amontoa posses como segurança contra o futuro, a fim de adquirir poder sobre os outros e manter a áurea de importância que o ouro lhe confere.

  Ms o cristão sabe que Deus se tornou para ele a segurança que o dinheiro jamais compra, que Deus lhe conferiu nova auto-imagem em Cristo... auto-imagem de plena honra e glória a que o espírito humano mais aspira. Mais do que isso, quando estamos ligados a Deus, que é amor, conhecemos a alegria de dar, da mesma forma que recebemos, de tal modo que nossa vida se torna rio caudaloso que segue dando, recebendo e dando de novo.

  Para Asafe, a questão mais importante era a posse de bens materiais e a vida livre de dificuldades. O pós-escrito se tinha transformado na própria carta! Os resultados do relacionamento da aliança obscureceram o próprio relacionamento. Foi quando Asafe começou a contemplar os vizinhos nababescos, a observar-lhes a vida impiedosa e a compará-la com a sua própria dedicação e serviço a Deus. "Certamente eu mereço ser abençoado com uma vida sem problemas, com bastante riqueza e grande abundância de bens. Por que é que eles têm mais do que eu?

  Ele gastou horas pensando nestes termos, observando como esses vizinhos viviam, suas atitudes para com Deus e sua maléfica influência sobre as pessoas ao redor. Quando, finalmente, começou a expressar seus sentimentos, estava cheio de inveja; a visão daqueles perversos era suficiente para deixá-lo mortificado. Asafe fez uma descrição deles, cheia de minúcias e ódio:

  Por isso a soberba os cerca como um colar; vestem-se de violência como de adorno. 73:7 Os olhos deles estão inchados de gordura; eles têm mais do que o coração podia desejar. 73:8 São corrompidos e tratam maliciosamente de opressão; falam arrogantemente. 73:9 Põem as suas bocas contra os céus, e as suas línguas andam pela terra. 73:10 Por isso o povo dele volta aqui, e águas de copo cheio se lhes espremem. 73:11 E eles dizem: Como o sabe Deus? Há conhecimento no Altíssimo? 73:12 Eis que estes são ímpios, e prosperam no mundo; aumentam em riquezas. (Sl 73.6-12)

Ao meditar sobre os malvados, e na crescente convicção de que Deus o tratara injustamente, Asafe começou a exagerar a vida agradável do incrédulo. Ao acreditar na mentira, fez com que suas queixas ressoassem como se fossem corretas a seus próprios ouvidos.

  "Pois eu tive inveja dos soberbos, ao ver a prosperidade dos ímpios. Não há apertos na sua morte; o seu corpo é forte e sadio. São livres das tribulações dos mortais... São assim os ímpios; sempre em segurança, e as suas riquezas aumentam". (Salmo 72.2-5,12).
Fazendo declarações genéricas, universais, a respeito da vida descuidada dos perversos. "Para eles não há preocupações... não partilham das canseiras dos mortais... nem são afligidos" - Asafe evita enfrentar a tolice da mentira que decidiu acatar.

 Sua experiência prática ficou aquém daquilo que ele podia crer, e que o evangelho teria prometido. Todos os dias, no monte Sião, ele conduzira o povo no cântico de que Deus era grande e bondoso, o Senhor sobre toda a terra.

 Considerando todas aquelas coisas que ele entendia serem os fatos reais, Asafe achou que a injustiça e a parcialidade reinavam... que Deus abdicara seu trono. Descreve-se a si mesmo, dizendo: ... quando o meu coração se azedou, e senti picadas nos meus rins, estava embrutecido e nada sabia (Salmo 73:21-22).

  As palavras “se azedou” descrevem um estado raivoso de espírito, um ressentimento contra Deus por ele deixar que as coisas sejam como são. Este sentimento se faz acompanhar de amnésia, a pessoa se esquece de todas as bênçãos que Deus lhe derramou no passado. A amargura é destilada em palavras raivosas, em má vontade para com as pessoas em geral.

 Asafe começou a demonstrar os sintomas clássicos do crente queimado espiritualmente. Seu ódio contra Deus – ele tem certeza agora de que Deus o abandonou e falhou em suas responsabilidades com relação à aliança – expressa-se em observações cínicas:
   “Na verdade que em vão purifiquei o meu coração; em vão lavei as minhas mãos na inocência. O dia todo sou afligido; sou castigado cada manhã”. Salmo 73.13-14).
  Com amargura, ele revê sua dedicação a Deus, sua caminhada na fé; pergunta se houve vantagem nisso. Ponderou em tudo quanto fizera... conduzira uma nação no louvor, escrevera salmos que haveriam de ser entoados durante gerações... a recompensa que teve foi viver dias cheios de problemas.

 A memória do homem se filtrava através da autopiedade, de modo que só se lembrava das más coisas, das partes negativas de sua vida. Usou o termo “afligido”, que nas Escrituras é empregado para descrever a ação de Deus. Diz ele: “Tu olhas para os que se riem à tua face, tu os deixas prosperar; quanto a mim, que sou filho da aliança, tu me bates todos os dias”!

Suas perguntas, misturadas com amargura e ciúmes, iam e vinham em sua mente, e sempre voltavam ao seu problema com Deus.

 Ele era membro do povo da aliança! “Julguei que tu podias tratar melhor um dos teus filhos da aliança. Como é que Deus pode permanecer verdadeiro à sua própria palavra, à luz de tudo quanto estou vendo? Por que é que eu não tenho as riquezas todas que desejo? Por que é que eles podem tê-las? Sou crente, eu deveria viver sem dores e mágoas. Deus não manteve sua aliança comigo”.

 Ele descreveu sua experiência nesse ponto com estas palavras: ... os meus pés quase se desviaram; pouco faltou para que se desviassem os meus passos (Salmo 73.2). Desde que começou a acreditar nas distorções da verdade, sentiu que os pés escorregavam, como se estivesse caminhando sobre gelo. Estava perto do desastre.

 Tendo aparentemente um motivo honroso, Asafe viu-se fugindo dos amigos. Disse ele: “Se eu tivesse dito: Falarei assim; teria traído a geração de teus filhos” (Salmo 73.15). 

Na verdade, ele estava dizendo o seguinte: “Creio que vou desistir de tudo quanto tenho crido, mas não quero influenciar outras pessoas, e levá-las a partilhar de minhas dúvidas. Em face de minha posição, exerço enorme influência sempre que o povo se reúne para cultuar a Deus... por isso, vou guardar meus sentimentos para mim mesmo, e me demitirei tão discretamente quanto me for possível”. 

 Asafe se julgava hipócrita se permanecesse diante do povo regendo o cântico de louvor. Louvor de que ele não partilhava. Quando alguém o saudava, ele respondia da maneira usual: "Louvado seja Deus". Por Dentro, porém, ele dizia: "Que adianta prosseguir?" Assim que seu trabalho como regente dos corais e das orquestras terminava, ela escapulia pela porta dos fundos, não querendo falar com ninguém.

 Conquanto fosse excelente ideia não falar com crentes imaturos, Asafe poderia ter discutido a questão com Hemã e Etã, seus colegas de ministério, e certamente teria recebido conselhos e oração. Todavia, um sintoma clássico da queima espiritual é a pessoa fugir dos outros, e querer ficar a sós.

  Asafe afundou-se em areias movediças de tal maneira que  não conseguiu meditar em particular, ou escapulir do lodaçal. Quando tentei compreender isto, fiquei sobremodo perturbado (Salmo 73.16). As palavras no original dão a ideia de que "a tentativa de compreender o que estava acontecendo era esforço grande demais para mim". À semelhança de alguém que estivesse se congelando, perdido, tudo o que ele desejava fazer se resumia em se deitar e abandonar-se a um sono sem fim. 

   Ao resumir o que acontecera, Asafe disse que seu coração e sua carne haviam falhado. Queimara-se espiritualmente. Agora, desalentado e exausto, nada sobrara; não tinha nada com que contar. 

  Mas finalmente ele teve o discernimento de que sua atitude negativa representava muito mais do que um mau dia. Ele se descreveu como estando "afligido" - fez uso de uma palavra que, com frequência, é utilizada no hebraico para descrever a pessoa picada por serpente. Reconheceu que se expusera de modo a ser picado pelo pai da mentira. 

  Em seguida, Asafe relembrou-se como saiu da terrível cova que o sugava para baixo. Tinha chegado ao ponto em que nem se incomodava de tentar fugir, e permaneceu no buraco até que  entrei no santuário de Deus... (Salmo 73.17). 

  Ao mencionar "entrei no santuário", Asafe não se referia à estrutura física. Rogar ao crente espiritualmente esgotado que vá à igreja não vai ajudá-lo muito... ele acha que foi a igreja que lhe sugou a vida! Asafe estivera dentro da estrutura física do santuário todos os dias de sua vida, e nos últimos meses aquele havia sido o lugar onde sofrera os mais terríveis frustrações... e onde se sentira um grande hipócrita. 

  O santuário no Antigo Testamento era o lugar que Deus escolhera para tornar conhecida a sua presença. A expressão Monte Sião, a colina de Jerusalém em que a arca de Deus se instalara, veio a ser sinônimo do conceito de Deus morando entre os homens. 

  Quando Asafe entrava naquele lugar (como o fez todos os dias de sua vida, no desempenho de suas obrigações sacerdotais), tornava-se consciente da Pessoa que morava no santuário. Ele não se aproximava de um edifício, mas da Pessoa que dava importância ao edifício. Vinha diretamente à resposta, em vez de buscar um livro de fórmulas e respostas.

    A presença de Deus dava-lhe compreensão e perspectiva da vida que ele jamais tivera antes. Se a houvesse tido, não se teria queimado. 

  Primariamente, não foram as emoções que receberam ajuda; foi sua mente, sua compreensão do que se passava. A pessoa espiritualmente exaurida precisa mais do que o cântico de alguns hinos inspirativos de louvor; estes simplesmente a farão sentir-se bem no momento. A pessoa precisa é de uma perspectiva completamente nova de como encarar a vida. Quando isto ocorre, a fé retorna.

  Asafe não veio a aprender algo realmente novo, ele compreendeu  a palavra de que já dispunha, agora tornada viva e aplicada pelo Espírito. Abandonou a posição de procurar fórmulas, respostas e chaves para tornar-se tão bem-sucedido e feliz quanto os perversos, e entrou num relacionamento com o Pai, que constituiu o cerne da fé.

 Foi nesse momento que Asafe olhou para trás e descreveu-se a si mesmo da maneira que já analisamos. Suas palavras expressam arrependimento e mudança de pensamento a respeito das conclusões a que chegara, cheias de amargura e autopiedade. Lembrou-se de que agira mais como animal irracional  do que como filho de Deus. Estava embrutecido, e nada sabia; era como um animal perante ti ( Salmo 73.22). Qualquer animal reage de acordo com os fatos apreendidos pelos seus sentidos. 

 Asafe estava na realidade reagindo diante da vida, em vez de agir nela à luz de tudo quanto sabia a respeito de Deus. Ao ponderar bem sobre onde estivera e em que havia começado a crer, ele caiu em si e percebeu  de repente: Todavia, estou de contínuo contigo; tu me seguras pela minha mão direita (Salmos 73.23). Asafe percebeu que, apesar de ter perambulado como errante, Deus nunca o abandonara, mas continuava a amá-lo... Ele o sustentara em todo o trajeto. Entretanto, Deus não nos abandona quando, exaustos de tanto tentar explicar a vida segundo nossa própria sabedoria limitada, desfalecemos. 

 Deus nunca pega caronas! Ele não nos abandona quando saímos da estrada principal, apanhamos um atalho e nos atolamos estupidamente na lama. O compromisso de Deus é de jamais nos abandonar. O pai continuara a amar seu filho pródigo enquanto este andava pelo país distante, ilustrando um amor que não depende do desempenho da pessoa amada.

  É espantos o que muitas pessoas acreditem que Deus nos ama incondicionalmente enquanto somos pecadores, e contudo, a partir do momento em que passamos a fazer parte da família dele, seu amor fique condicionado ao nosso desempenho. Podemos aceitar o fato de que ele ama as pessoas indignas até que estas venham a Cristo; porém, a partir daí precisamos merecer as bênçãos, ser dignos de recebê-las. 

  Asafe descobriu em seu encontro com Deus no santuário que a verdadeira prosperidade inicia-se com um relacionamento  com Deus. As coisas que ele invejara e cobiçara em seus vizinhos logo desapareceriam nesta vida e, com toda certeza, na vindoura. Entretanto, a alegria que Deus nos concede não pode desaparecer porque flui dele, e não das coisas.

   Olhando para o futuro, Asafe percebeu que haveria de chegar muitas ocasiões em que ele enfrentaria outra vez problemas que poderiam exauri-lo... mas agora ele possuía a resposta. Seu relacionamento com Deus e seu conhecimento sobre como viver em comunhão com ele o levariam em triunfo por quaisquer circunstâncias que o futuro desconhecido lhe trouxesse.  
  Quem tenho eu no céu senão a ti? e na terra não há quem eu deseje além de ti; A minha carne e o meu coração desfalecem; mas Deus é a fortaleza do meu coração, e a minha porção para sempre. (Samos 73.25,26). 

O verdadeiro problema de Asafe estava em suas expectativas de Deus. Há coisas que o Senhor nunca prometeu, e que jamais fará. Se estivermos esperando que ele faça coisas que não prometeu , mais cedo ou mais tarde estaremos esgotados espiritualmente. Asafe procurava a felicidade. Deus não dá a seus filhos a felicidade no sentido de circunstâncias perfeitas. Na verdade, ele nos livra tanto da felicidade quanto da infelicidade!

  Os acontecimentos da vida às vezes não são como o crente gostaria que fossem; às vezes as pessoas o ferem, e o diabo o ataca com suas piores armas; contudo, em tudo isso, o crente se regozija. 

  A fé não fica contemplando os eventos da vida. Ela enxerga mais longe, e constata que Deus é bom, e que cada minúcia da vida está cooperando de modo triunfal para a execução do plano perfeito e sábio de Deus - não importando as aparências. (Habacuque 3.17,18). 

 Após Habacuque haver clamado em alegria sua fé no Senhor mesmo diante do desastre que se aproximava, percebeu em seguida sua comunhão com Deus. Agora Deus poderia realizar seus propósitos através de Habacuque, e derrotar o inimigo. O profeta encerrou sua afirmação de fé em Deus com estas palavras: "O Senhor é a minha força; torna os meus pés como os das corças, e me faz andar sobre os lugares altos" (Habacuque 3.19). A Bíblia Amplificada traduz assim esta passagem: "O Senhor Deus é a minha fortaleza, minha bravura pessoal, meu exército invencível..."

  O profeta podia enfrentar agora todos os problemas com ousadia vinda de Deus. O Senhor venceria em seu lugar. A fé podia, agora, falar com autoridade, resistir ao diabo e ser a manifestação da vida ressurreta de Jesus entre os homens. 

  É o regozijo do louvor que prepara o caminho para a vontade de Deus cumprir-se por nosso intermédio. A fé que oferece louvor a Deus compreende com exatidão o que é necessário ser dito e feito para que a vontade de Deus seja cumprida em qualquer situação. 

  "Jamais a fé esmorece ante a aproximação das pedras da vida. É quando elas estão caindo que a fé mostra o que tem de melhor". 

 "A fé não nega a presença do problema, mas calmamente coloca o assunto nas mãos de Deus".  


   Fim...  


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