"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17



terça-feira, 4 de outubro de 2016

* Vultos da História Presbiteriana no Cemitério dos Protestantes de São Paulo / Alderi Souza de Matos

Aqui está um dos cemitérios mais bem cuidados e bonitos do Brasil, o Cemitério dos Protestantes, fundado em 1858, de grande valor "sentimental e histórico", para os presbiterianos do Brasil e nós reformados como bem foi dito pelo o meu autor predileto de livros Alderi de Souza, sendo o mais antigo de São Paulo, assim acredito, li sobre esse cemitério em uma revista aonde falava sobre sua data. Aqui estão enterrados os mais nobres pastores e missionários da era de 1800 e seus parentescos, um lugar que está em minha lista de passeios e visitas. Leio todo o artigo. 


Vultos da História Presbiteriana no Cemitério dos Protestantes de São Paulo

Alderi Souza de Matos

Quem visita o Cemitério dos Protestantes, localizado na Rua Sergipe, nº 177, bairro do Higienópolis, em São Paulo, logo percebe estar num cemitério diferente. Apesar de ser um cemitério antigo, fundado em 1858, o local é aprazível e bem cuidado. As calçadas são limpas, a maior parte dos túmulos tem boa conservação, muitas plantas e flores são vistas por toda parte. Existem diversas árvores, algumas das quais têm bebedouros para os passarinhos, especialmente os colibris. Durante quase todo o dia, ouve-se a algazarra alegre de centenas de periquitos, que ali se sentem à vontade no meio da imensa metrópole. Grande parte das sepulturas ostenta nomes estrangeiros; lembram pessoas que vieram de outras partes do mundo e fizeram do Brasil a sua pátria. Muitas lápides refletem as convicções evangélicas dos falecidos, sua fé em Deus, a certeza da salvação em Cristo, a esperança da ressurreição.




Para os presbiterianos brasileiros, o Cemitério dos Protestantes tem grande valor sentimental e histórico. Nenhuma outra necrópole abriga os restos mortais de tantos personagens ilustres da nossa história. Para citarmos alguns exemplos, logo à entrada, no lado esquerdo da calçada principal, podemos ver o nome do Rev. Modesto Perestrello Barros de Carvalhosa; um pouco adiante, encontramos as lápides de Eduardo Carlos Pereira e Zacarias de Miranda; próximos ao muro esquerdo estão Vicente Temudo Lessa e Filipe Landes; na extremidade direita, deparamo-nos com os nomes de Emanuel Vanorden e Manoel Antônio de Menezes. Todavia, a seção central ao fundo do terreno é um lugar especialmente significativo. Ali, numa pequena área de cerca de 20 m², estão os túmulos de Ashbel Green Simonton, sua irmã Elizabeth Simonton, José Manoel da Conceição, Francis J. C. Schneider, Horace Manley Lane, William Alfred Waddell, Franklin Floyd Graham, Benjamin Harris Hunnicutt e diversos membros da família do Rev. John Benjamin Kolb. É oportuno conhecermos um pouco da história desses e de outros vultos notáveis.





Como já foi apontado em outro artigo sobre essa matéria, os presbiterianos sepultados no Cemitério dos Protestantes podem ser classificados em três categorias: (a) missionários estrangeiros e pastores nacionais; (b) familiares dos missionários e pastores; (c) oficiais e membros das igrejas de São Paulo.


1. Missionários e pastores: vejamos alguns dos nomes mais relevantes dessa categoria, por ordem cronológica de falecimento:

Ashbel Green Simonton (1833-1867) – missionário fundador da Igreja Presbiteriana do Brasil; chegou ao Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1859 e dois anos e meio mais tarde fundou a Igreja Presbiteriana daquela cidade; foi uma das primeiras pessoas a serem sepultadas no Cemitério dos Protestantes.

José Manoel da Conceição (1822-1873) – ex-sacerdote que ingressou na Igreja Presbiteriana e tornou-se o primeiro pastor evangélico brasileiro; a data da sua ordenação, 17 de dezembro de 1865, é o dia do pastor presbiteriano; suas viagens evangelísticas foram a sementeira de muitas igrejas.

Elizabeth W. Simonton (1822-1879) – irmã de Ashbel G. Simonton e esposa do Rev. Alexander L. Blackford; foi a primeira missionária presbiteriana a vir para o Brasil, em 1860; contribuiu para a conversão de José Manoel da Conceição.

Francis J. C. Schneider (1832-1910) – natural da Alemanha, veio para o Brasil a fim de trabalhar entre os imigrantes alemães; foi o pioneiro presbiteriano no interior de São Paulo e na Bahia; organizou a Igreja de Salvador.

Horace Manley Lane (1837-1912) – médico e educador, foi o fundador e o primeiro presidente do Mackenzie College; cooperou com a reforma da educação no Estado de São Paulo; incentivou a obra missionária no Vale do Ribeira.

Emanuel Vanorden (1839-1917) – judeu holandês; como proprietário de uma livraria e editora, muito fez pela literatura evangélica; fundou a primeira igreja presbiteriana no Rio Grande do Sul, na cidade de Rio Grande.  

Modesto Perestrello Barros de Carvalhosa (1846-1917) – natural da Ilha da Madeira, foi um dos primeiros membros da Igreja Presbiteriana de São Paulo e um dos quatro alunos do “seminário primitivo”, no Rio de Janeiro; trabalhou por muitos anos na Escola Americana e no Mackenzie; pastoreou as igrejas de Campos, Curitiba e Unida de São Paulo (primeiro pastor).

Eduardo Carlos Pereira (1855-1923) – pastoreou a Igreja Presbiteriana de São Paulo por 35 anos; idealizou a Sociedade Brasileira de Tratados Evangélicos, o Plano de Missões Nacionais, o Instituto Teológico e o periódico O Estandarte; fundou a Igreja Presbiteriana Independente; foi renomado gramático.

José Zacarias de Miranda (1851-1926) – foi pastor em Brotas, São Paulo, São João da Boa Vista, Campinas e especialmente em Sorocaba; era conhecedor da música e tornou célebre o coral da Igreja de Sorocaba.

William Alfred Waddell (1862-1939) – pastor e engenheiro, chegou ao Brasil em 1890; dirigiu a construção do primeiro edifício do Mackenzie; criou instituições missionárias em Ponte Nova, no interior da Bahia; foi o terceiro presidente do Mackenzie; fundou o Instituto José Manoel da Conceição, em Jandira, São Paulo.

Roberto Frederico Lenington (1871-1939) – nasceu no Brasil, filho do Rev. Robert Lenington; foi missionário no Paraná e em Santa Catarina; organizou as igrejas de São Francisco do Sul e Florianópolis; lecionou no Instituto José Manoel da Conceição e no Seminário de Campinas.

Vicente Temudo Lessa (1874-1939) – natural de Pernambuco; exerceu o seu ministério em várias cidades paulistas e em São Luiz do Maranhão; um dos fundadores da Igreja Presbiteriana Independente; professor do Instituto José Manoel da Conceição; primeiro historiador do presbiterianismo brasileiro.

Manoel Antônio de Menezes (1848-1941) – português da Ilha da Madeira e antigo membro da Igreja do Rev. Kalley, no Rio de Janeiro; estudou em Londres e foi pastor em Lisboa; no Brasil, pastoreou igrejas no Rio Grande do Sul, Vale do Paraíba e sul de Minas; apreciado compositor de hinos.

Bento Dias Ferraz de Arruda (1865-1944) – pastor, advogado e professor; trabalhou em Dois Córregos, Caldas, Campinas, Rio de Janeiro e São Paulo; um dos fundadores da Igreja Presbiteriana Independente; fundador da Igreja Presbiteriana Conservadora.

Franklin Floyd Graham (1880-1948) – desbravador presbiteriano em Goiás e norte do Mato Grosso.

Eduardo Pereira de Magalhães (1908-1959) – neto do Rev. Eduardo Carlos Pereira; líder da mocidade evangélica brasileira.

Benjamin H. Hunnicutt (1886-1962) – agrônomo e missionário; organizou a Escola Agrícola de Lavras, ligada ao Instituto Gammon; quinto presidente do Mackenzie.

Filipe Landes (1883-1966) – filho do pioneiro George Landes; implantou o presbiterianismo nas regiões norte e sul do Mato Grosso; foi professor do Seminário de Campinas.

Boanerges Ribeiro (1919-2003) – fundador da Casa Editora Presbiteriana e do Seminário Rev. José Manoel da Conceição; presidente do Instituto Mackenzie, presidente do Supremo Concílio da IPB (1966-1978), autor de livros sobre a história do presbiterianismo no Brasil.


2. Familiares de missionários e pastores: nessa categoria fazemos os seguintes destaques:

Mary Elizabeth Lenington Waddell (1866-1893) – filha do Rev. Robert Lenington; professora da Escola Americana; primeira esposa do Rev. Dr. William Alfred Waddell.

Louise Pereira (1858-1923) – nascida em Genebra, Suíça; professora da Escola Americana; esposa do Rev. Eduardo Carlos Pereira.

Keziah Brevard Kolb (1857-1940) – filha do Dr. James McFadden Gaston, médico e presbítero que residiu em Campinas; esposa do Rev. John Benjamin Kolb.

Laura Chamberlain Waddell (1869-1943) – filha do Rev. George W. Chamberlain; segunda esposa do Rev. William A. Waddell.

Kenneth Chamberlain Waddell (1898-1959) – médico e engenheiro, filho de William e Laura Waddell; foi missionário na Bahia.

Ida Eloise Kolb (1890-1959) – filha do Rev. John Benjamin Kolb; lecionou na Escola Americana de Curitiba; foi diretora da Escola Americana de São Paulo e do Internato Feminino do Mackenzie.


3. Membros das igrejas de São Paulo: merecem destaque, dentre outros, os seguintes nomes:

Remígio de Cerqueira Leite (1858-1904) – sobrinho do Rev. Antonio Pedro de Cerqueira Leite; professor da Escola Americana; diácono e presbítero da Igreja Presbiteriana de São Paulo; devotado simpatizante do Rev. Eduardo Carlos Pereira.

Isidro Bueno de Camargo (1845-1911) – presbítero da Igreja Presbiteriana de São Paulo.

Joaquim Alves Corrêa (1863-1933) – presbítero da Igreja Presbiteriana de São Paulo; um dos fundadores de O Estandarte.

Eliézer dos Santos Saraiva (1879-1944) – engenheiro civil; filho do ex-sacerdote Francisco Rodrigues dos Santos Saraiva; superintendente da Escola Dominical da Igreja Unida de São Paulo; secretário geral da União Sul-Americana do Esforço Cristão.

Rubens Escobar Pires (1906-1978) – médico; diácono da 1ª Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo; dirigiu por quarenta anos a Policlínica Bom Samaritano, da Associação Evangélica Beneficente.

Flamínio Fávero (1895-1982) – médico; professor de medicina legal na Universidade de São Paulo e na Faculdade de Direito do Mackenzie; membro da 1ª Igreja Presbiteriana Independente; escritor e conferencista evangélico; genro do Rev. Bento Ferraz.

Carmen Escobar Pires (1897-1984) – cirurgiã-obstetra e professora de medicina; prestou serviços médicos à Associação Evangélica Beneficente por mais de trinta anos; presidente da Associação Paulista de Medicina e do Colégio de Cirurgiões do Brasil; diaconisa da 1ª Igreja Presbiteriana Independente.

Revisado: Michael Rossane 



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— João Crisóstomo