"Ao contrário de muitos, não negociamos a Palavra de Deus visando a algum lucro; antes, em Cristo falamos diante de Deus com sinceridade, como homens enviados por Deus".
2 Coríntios 2.17


terça-feira, 4 de outubro de 2016

* Francis Asbury / Biografia & Obras


Bispo Sante Uberto Barbieri

"Quero fé, valor, paciência, mansidão e amor. Quando outros sofrem tanto por seus interesses materiais, certamente posso sofrer um pouco para a glória de Deus e o bem-estar das almas."
Francis Asbury

Corria o ano de 1771. A Conferência Anual das Sociedades Metodistas da Grã-Bretanha realizou-se na cidade de Bristol, que depois de Londres era o centro mais importante e tradicional do metodismo na Inglaterra. Durante as sessões, João Wesley dirigiu a seguinte pergunta aos assistentes: "Nossos irmãos na América estão clamando por ajuda; quem está disposto a ir para ajudá-los?" A este desafio para servir como missionários na América, cinco responderam, mas apenas dois foram enviados: Francis Asbury e Ricardo Wright. No dia 4 de setembro de 1771 os dois embarcaram para o novo destino e chegaram a Filadélfia no dia 27 de outubro.

Desde a Conferência Anual de 1767, que se reunira em Londres, e na qual foi admitido à experiência, até 1771, Asbury esteve exercendo a itinerância na Inglaterra. Esse período seria o único dedicado a sua terra natal. Porque da América não voltaria mais. Já em 1769 a Conferência enviara Ricardo Boardman e José Pilmoor como os dois primeiros obreiros da Inglaterra na América. Em 1773 foram enviados Jorge Shadford e Tomás Rankin (que será a partir de então, por nomeação de João Wesley, o Superintendente Geral da Sociedades Metodistas da América) e em 1774 mais dois: Martin Rodda e Jaime Dempster.

Quando o movimento de Independência chegou ao fim em 1776, os missionários da Grã-Bretanha que ainda estavam na América voltaram à terra natal, com a exceção de Francis Asbury que se recusou abandonar os irmãos metodistas. Como os americanos suspeitassem de suas intenções de permanecer no país, teve de ocultar-se por quase um ano, vivendo e pregando como podia, fiel a sua tarefa e instando com os irmãos pregadores americanos a que seguissem adiante na sua vocação, sem exorbitar de suas funções, pois, como já dissemos, se opunha a que uma pessoa sem ordenação celebrasse o sacramento da Santa Ceia. Desta maneira se constituiu em figura notável e principal do movimento metodista no novo país. Nenhuma outra figura aparece como ele, nos Estados Unidos, com sinais mais evidentes de apostolicidade. Parece quase figura legendária, dessas que deixam a impressão de estar em toda parte ao mesmo tempo e que deixam atrás de si marcas luminosas que o tempo não pode apagar nem a memória dos homens olvidar.

Suas origens humildes não poderiam antecipar-lhe a trajetória e o papel preponderante que teria não só no seio do movimento religioso a que pertencia, mas também na própria vida de uma jovem nação. Nasceu de pais de poucos haveres, sem ser realmente pobres, no dia 20 de agosto de 1745, na localidade de Staffordshire, distante quatro milhas de Birmingham, na Inglaterra. Seus pais também tiveram uma filha que morreu na infância, restando-lhes Francis como filho único. Devido a isso quiseram dar-lhe educação esmerada. Puseram-no sob cuidados de um professor, mas suas maneiras de ensinar eram tão brutais e antipedagógicas, que o menino em vez de sentir amor aos estudos, teve aversão por eles, e sua educação formal não foi além do terceiro grau.

Tinha treze anos quando tratou de exercitar-se nalgum mister de ordem comercial. Desde mui criança esteve submetido a uma disciplina rígida no lar, e ao mesmo tempo a uma atmosfera verdadeiramente religiosa. Sua mãe ficou muito afetada com a morte da filha e se entregava a longos espaços de isolamento, dedicando-se a leituras devocionais e à oração. Asbury registra o seguinte em seu Diário a respeito do lar:

"Aprendi de meus pais umas certas palavras formais como oração, e recordo-me muito bem de que minha mãe insistia muito com meu pai para que tivesse leituras devocionais familiares. A prática de cantar salmos era costume mui comum entre eles. Muitas vezes me ridicularizavam e me chamavam o cura (vigário de aldeia ou povoação) metodista porque minha mãe convidava para nossa casa qualquer pessoa que tivesse aparência de ser muito religiosa." (1)


Naturalmente que uma atmosfera como essa não podia senão desenvolver uma tendência favorável à religião. Quando tinha quatorze anos, apareceu em sua casa um homem piedoso, a quem sua mãe convidara e que se interessou pelo jovem. Conversou com ele acerca de assuntos religiosos e exercitou-o na oração. Isto fez que se aplicasse mais seriamente à religião e começou a ler livros que despertassem nele a procura de uma vida piedosa mais profunda. Diz em suas memórias:

"Tornei-me muito sério - lendo muito os sermões de Whitefield e Cennick (este também metodista) - e todo bom livro que eu pudesse encontrar. E não passou muito tempo antes que eu começasse a investigar junto a minha mãe quem eram os metodistas, onde estavam e que faziam. Ela me deu informação favorável e levou-me a uma pessoa que podia conduzir-me a Wednesbury para ouvi-los. Imediatamente achei que essa não era como a Igreja - era melhor. A gente era tão devota que homens e mulheres se ajoelhavam e diziam "Amém". E eis que eles estavam cantando hinos - que doces eram! - e, coisa estranha, o pregador não tinha nenhum livro de oração e, sem embargo, orava maravilhosamente! O mais extraordinário, todavia, foi que o homem tomou seu texto e não usou nenhum livro de notas, isto é em verdade extraordinário! - pensei eu. É certamente, uma maneira estranha, mas a melhor maneira. Falou a respeito da confiança, certeza, etc... " (2)

Antes de passar adiante, registraremos aqui a influência que teve em seu sentir religioso o pensamento de Whitefield. No ano de 1798 encontramos este testemunho:

"Dia 14 de Agosto. Comi e me apressei indo pela região de Ipswich e dali a Newburyport: aqui passei da tumba do antigo profeta, o querido Whitefield, sepultado sob o lugar onde se realizam cultos presbiterianos. Seus sermões me estabeleceram na doutrina do Evangelho mais que qualquer outra coisa que eu tivesse escutado e lido naquele tempo, de tal maneira que me encontrava excepcionalmente preparado para fazer frente à exprobração (acusação) e à perseguição." (3)

Entregou-se de cheio a uma nova expressão religiosa somente depois de assistir a outras reuniões, de falar com seus integrantes, de exercitar-se em suas leituras, de sofrer a perseguição e de ver que se fechavam as casas onde se realizavam as reuniões por medo às conseqüências. Então decidiu promover reuniões na casa de seus pais, onde exortava a gente a ser mais piedosa. Desde logo verificou que sua pregação produzia bons efeitos na vida espiritual dos ouvintes. Finalmente, entrando mais intimamente em contato com os metodistas na casa de reunião destes, seus trabalhos se intensificaram e muitos ficaram admirados com os resultados que alcançava. E assim, de modo quase natural, viu que se havia convertido num pregador local, sempre pronto a servir e acudir ao chamado que se lhe fizesse a qualquer hora do dia ou da noite, indo a todos os povoados adjacentes em busca de almas para salvar.

Em geral pregava três, quatro ou cinco vezes por semana, e ao mesmo tempo continuava em seu trabalho regular. Esse ritmo e prática ele os manteve até passados os 20 anos de idade. Diz em suas memórias:
"Penso que eu estava entre os 21 e 22 anos de idade quando me entreguei completamente a Deus e a seu trabalho, depois de servir como pregador local por espaço de cinco anos." (4)
Em sua viagem para a América pôs à dura prova sua fé e determinação. Em primeiro lugar, não tinha qualquer dinheiro para a viagem. Confessa em seu Diário:
"Quando vim a Bristol não tinha um centavo, mas o Senhor logo abriu o coração de amigos que me proporcionaram roupa e dez libras esterlinas. Assim verifiquei, por experiência, que o Senhor provê para aqueles que confiam nele." (5)

De sua viagem sobre o mar escreveu:

"Dia 13 de outubro de 1771: Muitas têm sido minhas provas no curso desta viagem por falta de cama adequada e provisões apropriadas, por causa de enfermidade e por estar cercado de homens e mulheres ignorantes de Deus e muito maus." (6)

Quando iniciou a viagem, examinou-se a si mesmo sobre a natureza dos motivos que o estavam levando à América, mesmo quando esses desejos já os tinha mesmo antes de ir apresentar-se à Conferência Anual, pois escreveu em seu Diário:

"Antes de aceitar senti, por cerca de seis meses, fortes insinuações em minha mente que eu devia ir à América, o que coloquei diante do Senhor, não querendo fazer minha própria vontade e adiantar-me antes de ser enviado." (7)

Presa, pois, desse sentir escrupuloso, é que sobre o oceano volta a consultar sua consciência:

"Para onde vou? Ao Novo Mundo. Para fazer o quê? Ganhar honra? Não! Eu conheço meu coração! Ganhar dinheiro? Não! Vou viver para Deus e induzir outros a que façam o mesmo! Parece-me que são os metodistas o povo que Deus tem na Inglaterra. As doutrinas que pregam e a disciplina que impõem, segundo creio, são as mais puras no presente entre qualquer outro grupo no mundo. O Senhor tem abençoado grandemente suas doutrinas e disciplina nos três Reinos (Inglaterra, Escócia e Irlanda): devem, portanto, agradá-lo. Se Deus não me confirmar na América, voltarei imediatamente à Inglaterra. Sei que por ora meus objetivos são justos: que nunca venham a ser outra coisa!" (8)

Dois testemunhos que consigna a respeito de seus pais valem a pena que sejam registrados aqui, porque revelam não apenas o caráter deles, mas também a estima em que o filho os tinha. Quando resolveu ir para a América, voltou à casa paterna para despedir-se deles e de suas relações. Descrevendo essa visita, comenta:

"Embora fosse penoso para a carne e o sangue, consentiram em deixar-me ir. Minha mãe é uma das mais ternas no mundo; creio, pois que ela foi abençoada na presente circunstância com a assistência divina para poder separar-se de mim." (9)

Por ocasião da morte de seu pai, em 1798, escreveu em seu Diário: "Cerca de 39 anos, meu pai teve pregação do Evangelho em casa".

Como vimos, Asbury chegou à América no dia 27 de outubro de 1771. No dia 20 de novembro já escrevia o seguinte acerca de como a obra se realizava pelos obreiros ali destacados:

"Fiquei em Nova York, embora não esteja contente porque estamos parados na cidade (o outro missionário era Ricardo Boardman). Não tenho, todavia, o que busco - um rodízio dos pregadores, para evitar parcialidade e popularidade. Em verdade me aferro ao plano metodista, e o que faço, faço-o fielmente para Deus. Tenho o presságio de dificuldades imediatas. Estas eu já esperava quando deixei a Inglaterra; estou disposto a sofrer, em verdade morrer, antes de atraiçoar uma causa tão excelente por qualquer bagatela. Será coisa dura enfrentar a oposição e permanecer firme contra ela, forte como coluna de ferro e firme como muro de bronze. Não obstante, poderei todas as coisas por Cristo que me fortalece." (10)

Em concordância com essa determinação, apesar de ser nomeado para trabalhar em Nova York, vemo-lo viajando de lugar em lugar, em busca de novos lugares e pessoas para evangelizar. Foi principalmente devido a seu exemplo que a Igreja Metodista se estendeu por todo o território da nova nação, e que a itinerância entrou a formar parte, como coisa imprescindível, do sistema eclesiástico metodista.

Na história da Igreja Metodista dos Estados Unidos ele é conhecido como "O Peregrino dos Caminhos Solitários". Quem viaja hoje por aquele país não faz ideia do que era há coisa de duzentos anos. Naquela época não havia caminhos, às vezes nem para andar a pé. Tinha de ir através de emaranhadas florestas e por vales sombrios, cruzar rios sem pontes, e pântanos, sempre sob o constante perigo de ataques de índios selvagens ou revoltados. Asbury e seus companheiros de itinerância viam-se, mui a amiúde, em necessidade inevitável de abrir picadas em muitos lugares, a fim de poder alcançar os colonos dispersos pelas regiões mais avançadas da fronteira móvel, muito além de povoados e cidades. O relato das peripécias ocorridas nessas viagens é algo tão dramático que sobrepuja a própria ficção.

Nada detinha esse homem admirável! Nem as inclemências do tempo, nem cansaço, nem perigos, nem ameaças, nem longas solidões, nem enfermidades, exceto quando estas o prostravam imóvel no leito. O peregrino solitário, muitas vezes tremendo de febre e com a garganta em chagas, seguia seu caminho levado pelo imperativo do dever, por não querer faltar ao compromisso assumido de estar presente em lugar certo, dia certo, hora certa. Convém recordar que as distâncias eram enormes e que comumente não lhe era possível visitar um mesmo ponto senão depois de algumas semanas ou meses. Perder uma oportunidade era postergar a visita por um período indeterminado. De seu Diário extraímos algumas anotações acerca dessas viagens a cavalo. Diz em um lugar:

"Viajei quase 300 milhas (perto de 500 quilômetros) para Kentucky, em seis dias, e no meu retorno perto de 500 milhas (800 quilômetros) em nove dias. Oh! que excursões para um pobre homem e seu cavalo!"
Noutra parte registra:

"Fiz os cálculos que viajei 4.900 milhas (8.000 quilômetros) desde 30 de julho de 1801 a 12 de setembro de 1802. Como poderia queixar-se um homem responsável e cristão?"
Era para ele coisa intolerável ver-se obrigado a guardar o leito (ficar acamado), pois isso o enfermava ainda mais. Quem atenderia a seus compromissos? Durante os últimos anos de sua itinerância viajava em carruagem, coisa que fez até quase ao último dia de vida. Morreu na casa de Jorge Arnoldo, amigo seu, a 20 milhas (32 quilômetros) distantes de Frederickburgo, Virgínia. Seu companheiro de viagem, João Wesley Bond, que lhe havia sido assistente nos dois últimos anos, escreveu sobre sua morte:
"Nosso querido pai deixou-nos, unindo-se à Igreja Triunfante. Morreu da mesma maneira que viveu - cheio de confiança e de amor - às quatro horas de tarde do domingo 31 de março de 1816."
No domingo anterior havia pregado pela última vez na cidade de Richmond, Virgínia. Tiveram de carregá-lo desde a carruagem ao púlpito e colocá-lo num assento especial preparado para ele, pois já não podia caminhar nem permanecer de pé. Ainda assim, obrigado a fazer de quando em quando uma pausa para recobrar alento, pregou cerca de uma hora sobre Romanos 9:28: "Porque o Senhor cumprirá a sua palavra sobre a terra, cabalmente e em breve". Este seria seu último sermão.
Como vimos no capítulo anterior, em 1784 foi eleito superintendente geral (Bispo) para a América do Norte, juntamente com o Dr. Coke. Contava nessa época 39 anos de idade. Seu ministério episcopal durou 32 anos. Até à morte foi indiscutivelmente o guia quase absoluto da obra metodista nos Estados Unidos, apesar de haver tido o Dr. Coke como companheiro nas lides episcopais e, mais tarde, outros mais jovens que ele. Foi ele mesmo que conservou unida uma obra tão extensa e dispersa, e que deu à Igreja Metodista nesse país seu sentido de coesão. Tanto ele quanto seus colegas não tinham território definido para o exercício do ministério episcopal. Eram superintendentes gerais da Igreja Metodista, e desta maneira serviam a todas as congregações como se fossem um só corpo.
Durante os 32 anos de sua superintendência, calcula-se que Francis Asbury viajou algo assim como 270.000 milhas (432.000 quilômetros) pregando umas 16.000 vezes. Ordenou 4.000 ministros e presidiu a 224 Conferências Anuais. Temos de levar em consideração que tudo isso foi cumprido em luta constante contra toda sorte de enfermidades e sob o peso constante causado pelos excessos das tarefas, vendo-se sujeito a toda sorte de desconforto e a dormir no chão, uma e outra vez com as roupas úmidas, mal nutrido, sem cuidados médicos, tomando remédios para nós inconcebíveis. Foi surpreendente que seu organismo aguentasse tanta fadiga e as infusões que era obrigado a ingerir!
Em seu Diário, quase sem exceção, encontramos referências a suas constantes enfermidades e ainda quando não se queixava, notamos que geme sob o jugo de tormentos indizíveis. Viveu uma vida de contínuos reveses e provas, sem ter jamais, por amor a Cristo e a seu Evangelho, morada certa e o calor de um lar. Em geral tinha de pousar nas aglomeradas cabanas dos colonos, que nesses tempos possuíam escassa comodidade. Às vezes, quando se achava imobilizado pelas intempéries ou enfermidades, via-se obrigado a passar horas do dia na única dependência disponível para todos os da família e onde se executavam todos os misteres do lar, entre os brinquedos e a algazarra das crianças. Para um homem habituado à solidão dos caminhos e com achaques físicos (doença ou mal-estar sem gravidade, mas em geral recorrente), tudo isso era um tormento indizível, mas inevitável.
Nunca desejou casar, não por ter idéias ascéticas, mas porque acreditava contribuir para a limitação de sua obra se o fizesse. Sempre lhe causava amargura o enlace de algum de seus pregadores itinerantes; figurava-se-lhe como quase a perda segura de um colaborador, dado que, com muita freqüência, depois de casar, os itinerantes se localizavam (deixavam o ministério itinerante, tornando-se fixos numa localidade). Isto se devia, em grande parte, ao sustento tão limitado e incerto que recebiam e que não dava para manter família. Aqueles que, casando-se, não se fixavam num lugar, sempre o faziam sujeitando-se a tremendas renúncias e sacrifícios, e terminavam a vida prematuramente. Quando um de seus pregadores se casava, geralmente dizia que esse "havia sido tentado pelo diabo" mudar de estado, para enfraquecer a obra. Naturalmente eram poucos aqueles que podiam aceitar seu sistema de vida itinerante e suas idéias sobre o celibato.
Admira também que ele chegasse, com tão escassa educação formal, a ocupar posto de tanta responsabilidade, alcance e transcendência. Isso foi porque, apesar de sua aversão aos estudos quando esteve sujeito a um professor inconsciente, desenvolveu depois o hábito de educar-se a si próprio, tratando de adquirir por esforço pessoal algo do que não pôde quando estudante. Portanto o encontramos, à maneira de João Wesley, estudando enquanto viajava a cavalo e nessas condições chegou a obter, não sabemos como, conhecimento regular do hebraico e do grego, tanto que fazia muitos de seus estudos bíblicos baseados nas línguas originais. Mais pôde a força de vontade que as oportunidades que teve na juventude. Os períodos de enfermidade eram ocasião para que se dedicasse à leitura e ao estudo. De outra maneira era-lhe impossível!
Ainda mais, como já devemos ter notado pelas reiteradas referências, no decorrer da existência conservou um diário. Até hoje sua leitura inspira, a quem o leia com intenção e paciência, a ambicionar uma vida consagrada e consciente para usá-la em holocausto (sacrifício de abstrair a vontade própria para satisfazer a vontade de Deus) à obra eterna de Deus. Seu ministério ainda era suplementado pela distribuição que constantemente fazia de porções bíblicas, folhetos e livros, ligando dessa maneira as famílias isoladas com o restante da Igreja e do mundo.
Poucos homens existiram na história da Igreja Cristã que houvessem tido como Francis Asbury espírito tão apostólico e zelo tão aventuroso e, ao mesmo tempo, tão isento de glória pessoal. O fragmento de uma carta que escreveu em agosto de 1775 a Tomás Rankin, o então "Superintendente Geral das Sociedades Metodistas da América", em resposta a um convite que aquele lhe fizera para abandonar o país, em vista do movimento de Independência, demonstra claramente esse temperamento:
"Não posso, de maneira alguma, concordar em abandonar um campo que se apresenta tão pródigo de colheitas de almas para Cristo, como o que temos na América. Seria uma desonra eterna para os metodistas se abandonássemos três mil almas que desejam entregar-se a nossos cuidados, e tão pouco é papel dum pastor deixar seu rebanho em época de perigo. Portanto, resolvi, pela graça de Deus, não abandoná-lo, quaisquer que sejam as conseqüências." (11)
Não teve na alma outra paixão senão Cristo. Seu lar foi o caminho aberto e interminável, e sua suprema ambição era ver muitas almas aos pés de Cristo. Talvez se possa criticar muitas de suas características peculiares, especialmente a de que foi quase despótico no uso da autoridade episcopal. Sem dúvida isso emanava da disciplina a que ele mesmo se submetia. Tinha a íntima convicção de que essa disciplina produzia benefícios inestimáveis para o Reino e, portanto, achava que seria excelente para todo bom soldado de Jesus Cristo. Esquecia-se de que são mui poucos os que têm uma fé tão profunda, capaz de fazê-los aceitar as privações e renúncias. Ao mesmo tempo este fato nos dá uma ideia da surpreendente humildade deste estupendo homem, que não se considerava superior a ninguém, antes julgava que todos podiam ser fortes, nobres e consagrados como ele.



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