sábado, 19 de setembro de 2015

Acervo da Teologia

* Mary Jones / História e o Início das Sociedades Bíblicas

A história de Mary Jones - o início das Sociedades Bíblicas


A Bíblia de Mary Jones     Levar a bíblia a todos os povos, numa língua que possam entender e a um preço que possam pagar - teria sido inspirado na humildade, determinação e coragem de Mary Jones.

     A admirável determinação de uma menina Galesa em conseguir um exemplar da Bíblia inspirou a fundação da primeira Sociedade Bíblica. Conta-se que as Sociedades Bíblicas, entidades dedicadas à produção e distribuição do Livro Sagrado, em atividades no mundo todo, tiveram a sua origem na bela história de uma menina.

     O lema das Sociedades Bíblicas - levar a bíblia a todos os povos, numa língua que possam entender e a um preço que possam pagar - teria sido inspirado na humildade, determinação e coragem de Mary Jones, que viveu no Pais de Gales (Grã-bretanha), durante o século XVIII.

     Em 1792, aos 8 anos de idade, Mary Jones começou a acalentar um sonho: ter a sua própria Bíblia. Ela queria poder ler, em sua casa, aquelas histórias tão bonitas que costumava ouvir na igreja. Esse desejo, no entanto, parecia impossível de ser realizado. Mary, que morava numa pequena vila chamada Alan, ainda não sabia ler - e, infelizmente, não havia escolas nas redondezas. Além disso, naquele tempo, as Bíblias - assim como os demais livros - eram muito raras e caras. Só poucos privilegiados podiam ter um exemplar das Escrituras Sagradas. E este não era o caso da menina, cuja família era muito pobre. Mesmo assim, Mary Jones fez uma promessa a si mesma: um dia, terei a minha própria Bíblia.


Primeiro Passo


     Ao completar 10 anos, a menina viu surgir uma oportunidade de aprender a ler. O seu pai foi vender tecidos numa vila próxima, chamada Aber, e soube que ali seria aberta uma escola primária. Tempos depois, quando a escola começou a funcionar, Mary foi uma das primeiras crianças a matricular-se. Muito motivada, ela tornou-se logo numa das primeiras alunas da sua classe. Em pouco tempo, aprendeu a ler.

     Enquanto isso, a menina continuava firme em seu propósito de conseguir a sua Bíblia. Agora que já sabia ler, a grande dificuldade era conseguir a quantia necessária para comprá-la. Para isso, fazia pequenos trabalhos, com os quais ganhava alguns trocados. Apanhava lenha na mata para pessoas idosas e cuidava de crianças. Depois, com a intenção de ganhar um pouco mais, a menina comprou algumas galinhas e passou a vender ovos.

     Passado o primeiro ano fazendo economias, Mary abriu o cofre para conferir quanto havia guardado. Mas chegou a uma triste conclusão: havia conseguido economizar apenas o equivalente a pouco mais de uma libra. Uma soma ridícula, em relação ao preço de uma Bíblia completa em língua inglesa. Durante o segundo ano em que estava a juntar dinheiro, Mary aprendeu a costurar. Com isso, conseguiu guardar um valor maior - embora não o suficiente, ainda para concretizar o seu sonho.





Mais um ano

     Depois, no correr do terceiro ano, Mary teve de enfrentar uma acontecimento imprevisto – o seu pai, ficou doente e deixou de trabalhar. Por isso, ela teve que dar à sua família tudo o que havia economizado durante aquele ano. E, desta vez, Mary não pôde colocar nada no cofre. Mas continuou a trabalhar e, no final do quarto ano, conseguiu completar a quantia de que precisava para comprar a Bíblia. Nessa altura, Mary tinha 15 anos de idade.

     Ela já podia, então, comprar a sua tão sonhada Bíblia. Mas onde iria encontrá-la? O pastor da sua igreja informou-a que não era possível comprar Bíblias em Alan, nem nas vilas vizinhas. Ela só conseguiria encontrar um exemplar na cidade de Bala, que ficava a 40 quilómetros dali. Naquela cidade, morava o pastor Thomas Charles, que costumava ter em sua casa alguns exemplares das Escrituras Sagradas, para vendê-los às pessoas da região.

     Com esta informação, Mary foi para casa e pediu aos pais que a deixassem ir à cidade de Bala. No início, eles não queriam que ela fosse sozinha. Mas a mocinha insistiu tanto, que os pais acabaram por concordar.


Sem sapatos

     A longa viagem de Mary Jones foi feita a pé. Pensando em poupar os seus sapatos da dura caminhada, a fim de poder usá-los na cidade, ela resolveu ir descalça. Depois de caminhar o dia todo, por fim, ao início da noite, Mary chegou a casa do pastor Thomas Charles. Ali, no entanto, mais uma dificuldade a esperava: o pastor Thomas havia vendido todas as suas Bíblias. Ele ainda tinha alguns poucos exemplares, mas esses já estavam todos encomendados. Além disto, a modestíssima soma que Mary podia oferecer era insuficiente.

     Ao receber essa notícia, Mary começou a chorar. Diante de tão terrível decepção, depois de anos de privações e de esperanças, a meninas desfaleceu. Em seguida, mais calma, ela contou toda a sua longa história ao pastor Thomas Charles. Então o pastor, comovido, dirigiu-se a um armário, retirou de lá uma das Bíblias vendidas e entregou-a a Mary. O pastor Charles fez o que em tais momentos qualquer um faria: passou por cima de promessas e ajustes e ofereceu à pequena Mary a Bíblia.

     Impressionado com a história daquela menina, o pastor Thomas resolveu contar o que tinha ouvido aos diretores da Sociedade de Folhetos Religiosos, uma entidade Cristã local. Profundamente tocados com a luta de Mary Jones para conseguir o seu exemplar da Bíblia, os directores daquela organização chegaram à conclusão de que experiências como a dela não deveriam mais se repetir.

     Fez ainda mais o pastor Charles: na reunião da Sociedade de Assuntos Religiosos, em Londres, ele contou o acontecimento.

     - "Precisamos de achar um meio de imprimir Bíblias ao alcance também do povo pobre de Gales".

     No mesmo instante saltou o pregador baptista Hughes e exclamou:

     – Por que só para Gales? Por que não para todo o império? Por que não para o mundo inteiro?"

     A sugestão foi aceite.  Decidiram, então, fazer alguma coisa para tornar a Palavra de Deus acessível a todos. E, depois de muito estudo e oração, resolveram organizar uma nova sociedade, com a finalidade de traduzir, imprimir e distribuir a Bíblia. Foi assim que, no dia 7 de Dezembro de 1802, foi fundada a primeira sociedade Bíblica, que recebeu o nome de Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira.

      O alcance do trabalho dos ingleses foi fenomenal. Todo o Império Britânico foi alcançado. Na época dizia-se que, os ingleses dominavam o mundo, e o seu Império tinha tanto alcance, que o "sol nunca se punha, nas terras dominadas pela coroa inglesa".

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