sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Acervo da Teologia

* Interpretação Bíblica em Qumran e Entre os Antigos Rabinos


Mateus 23

   Qumran é o local em que os manuscritos do mar Morto foram descobertos. A comunidade antiga ali estabelecida produziu uma biblioteca com mais de 800 manuscritos, a maioria relacionada à interpretação bíblica. Essa coleção inclui uma grande variedade de documentos:

·       Paráfrases – Alguns textos “reescrevem” porções das narrativas bíblicas com paráfrases interpretativas e expansivas (e.g., O Gênesis apócrifo e o rolo do templo).

·       Comentários – Ou pesharim, anotações sobre os livros proféticos e os Salmos, buscando interpretar ou explicar os textos bíblicos.

·       Antologias – Textos que alinham várias passagens bíblicas em torno de um tema – algo como uma “Bíblia temática” moderna.

·       Escritos originais compostos em estilo bíblico. Esses documentos usam expressões, estilo e vocabulário bíblicos para evocar a autoridade das escrituras. O mestre da justiça, o líder maior da comunidade de Qumran, acreditava que Deus lhe havia revelado todos os mistérios dos escritos proféticos. A interpretação bíblica em Qumran refletia sua compreensão de que as Escrituras estavam repletas de referências ocultas à sua comunidade e aos seus conflitos com outros líderes judaicos e com o mundo exterior.  
   Alguns documentos de Qumran dão a entender que a comunidade se considerava não apenas autorizada a fazer interpretações inspiradas das Escrituras, mas também a dar à luz novas obras com inspiração idêntica à das Escrituras.

    A interpretação em Qumran concentrava-se nas regras que governavam a comunidade e nas interpretações proféticas que apoiavam seus ideais e esperanças.

 A interpretação bíblica rabínica antiga estava relacionada principalmente à Halaká – as regras que governavam a vida diária e a prática religiosa. A procura da aplicação precisa da lei bíblica entre os judeus significava que a Halaká tinha de proporcionar orientações sobre o que uma pessoa podia comer ou vestir ou que ação era permitida em determinadas circunstâncias. Como os tempos e as situações mudavam, novas perguntas surgiam sobre o que era permissível ou exigido. Assim, a interpretação era uma tarefa contínua, resultando num processo ininterrupto de refinamentos aos pareceres legais anteriores.

 Esses refinamentos aconteciam na forma dialógica, na qual os rabinos debatiam a aplicação apropriada de textos bíblicos e princípios legais. Em suas deliberações, tendiam a citar ou enfileirar versículos na base de alguma semelhança, como o fato que cada versículo ter uma palavra em comum. Por exemplo, os rabinos podiam citar ou associar vários versículos de partes diferentes da Bíblia que continham a palavra “uvas” – até mesmo quando não havia relação alguma entre eles – e usavam a palavra em contextos radicalmente diferentes.

   Essa estratégia tratava a Bíblia como um “hipertexto” (uma rede complexa de associações que permitia saltar de uma passagem para outra). Essa interpretação era uma espécie de quebra-cabeça, cujas peças precisavam ser constantemente viradas, giradas e rearranjadas. O resultado desejado e ideal: quando a combinação certa de passagens bíblicas era posta lado a lado, revelava o significado difícil de entender do texto que estava sob consideração.

   O processo não era de todo arbitrário. A interpretação era controlada por um conjunto de princípios. Os primeiros sete princípios são atribuídos a Hillel, rabino famoso do século I d.C. Os dois princípios mais importantes eram o argumento a fortiori (significando que um princípio que trabalha num caso menos importante também deveria ser aplicado a um caso de maior importância) e o princípio da analogia verbal (significando que duas passagens diferentes que apresentam palavras em comum podem ser usadas para interpretar uma a outra). 

Em Mateus 23, Jesus repreende os escribas e fariseus por estabelecerem regras elaboradas e meticulosas para tratar de assuntos menos importantes, mas ignorarem questões mais significativas. Jesus rejeitava principalmente a tendência de se concentrarem em assuntos que envolviam a pureza externa e ritual, enquanto ignoravam algo mais importante: a contaminação interna do coração. 


Bíblia de Estudo Arqueológica 

                                                     HISTÓRIA BÍBLICA

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