quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Acervo da Teologia

* Profetas na Bíblia e nas Nações Pagãs


AMÓS 7 

  A profecia era comum no mundo do AT. Homens e mulheres foram chamados por Deus para falar em seu nome e eram conhecidos por vários termos hebraicos, que podem ser traduzidos de diversas formas, como "profeta / profetisa", "vidente", "visionário" e "homem de Deus'. Como não existiam diferenças significativas entre esses termos, a Septuaginta muitas vezes traduz "profeta", "vidente" e "visionário" usando a única palavra grega para "profeta".

  Os profetas mais antigos de Israel pareciam ter ligação com um grupo profético ("os discípulos dos profetas" que seguiam Eliseu; 2 Rs 2.3), enquanto os profetas posteriores parecem ter sido mais independentes. Algumas confirmações arqueológicas da atividade profética em Israel são vistas nos óstracos de Láquis, que mencionam uma pessoa chamada "o profeta". 


Óstraco ou óstracon (em grego: όστρακον, ostrakon, plural όστρακα, ostraka) é um fragmento de cerâmica (ou pedra), normalmente quebrado de um vaso. Essas peças eram usadas para documentar procedimentos oficiais, mensagens, curtas, notas e avisos principalmente por serem um material mais barato do que papiro ou couro, graças à sua durabilidade um grande número de peças foram preservadas.
Na Grécia Antiga, em Atenas o fragmento de cerâmica era usado para votar se uma pessoa deveria ser punida com o ostracismo

Mesmo assim, a profecia não era um fenômeno exclusivo de Israel, como a própria Bíblia comprova (cf. "os profetas de Baal" e "os profetas de Aserá", em 1 Rs 18.19). Alguns textos antigos contêm numerosos exemplos de profetas pagãos:

 * O arquivo da cidade de Mari, no médio Eufrates, datado da metade do século XVIII a.C., menciona vários homens e mulheres que se dirigiram ao rei em nome dos deuses. Assim como os termos bíblicos para "profetas", múltiplos títulos eram dados a esses indivíduos em Mari, até mesmo, em certa ocasião, o termo nabu, o equivalente acádio do hebraico navi (profeta). Alguns profetas de Mari estavam ligados a locais religiosos como sacerdotes ou servos de algum templo, porém muitos parecem ter sido pessoas comuns, de vários ramos de atividade. O comportamento extático, visto entre os profetas bíblicos nos dias de Samuel (1 Sm 18.24) e depois em Ezequiel 4.4, também era evidente em Mari.

Mari (atualmente Tell Hariri) foi uma cidade amorita e suméria localizada a 11 km a noroeste da atual cidade de Abu Kamal.
Uma cidade mesopotâmica proeminente durante o fim do terceiro milénio e primeira metade do segundo milénio a.C. Situava-se no Eufrates do Meio, cerca de 370 km a noroeste da Babilónia. O local situa-se agora dentro da Síria, perto da fronteira com o Iraque. Depois de ter sido conquistada por reis tão ilustres como Enato, de Lagás e Sargon, de Acade e de ter mudado repetidamente de mãos, por volta de 1800 AC caiu nas mãos dos amoritas que a governaram até ser conquistada por Hamurabi, da Babilónia e incorporada no seu reino. Pouco depois, Mari perdeu importância e entrou em decadência. Mari foi redescoberta por acaso em 1933 e a partir daí foram efectuadas escavações, que só foram interrompidas por problemas políticos e guerras. As escavações foram efectuadas sob a direcção de A. Parrot, que conduziu 21 campanhas arqueológicas em Mari até 1974. Para além de outros edifícios, ele escavou dois templos, a torre do templo da cidade e o grande palácio real que continha 300 quartos. A descoberta do arquivo real com cerca de 20.000 tabuinhas cuneiformes foi o ponto mais alto desta expedição. Estes textos datam, na sua maioria, do último século da existência da Mari, quando a cidade ainda era governada pelos amoritas. A maior parte dos documentos era de natureza administrativa mas o arquivo também continha muitos textos judiciais e cartas de Estado. Até 1978 já tinham sido publicadas 5.000 tabuinhas.
Embora os textos não tenham relação direta com a história bíblica, são muito importantes para os eruditos que estudam a Bíblia porque fornecem material de apoio relativo ao período patriarcal, tornando conhecidas a cultura e a religião dos amoritas, um povo com quem os patriarcas mantiveram relações comerciais (ver Gn 14:13; Gn 15:16). Os eruditos mostraram-se particularmente intrigados com as atividades dos profetas tanto Mari como em Alepo, tal como é confirmado por cartas recebidas em Mari, vindas de Alepo.

 * Um vidente extático chamado "homem de deus" é comprovado numa das orações hititas de Mursilis, do século XIV a.C. 


Os hititas eram um povo indo-europeu que, no II milênio a.C., fundou um poderoso império na Anatólia central (atual Turquia), cuja queda data dos séculos XIII-XII a.C. Em sua extensão máxima, o Império Hitita compreendia a Anatólia, o norte e o oeste da Mesopotâmia até à Palestina.

* A história egípcia de Wen Amon, do século XI a.C., conta a história de um jovem que compareceu no tribunal do rei de Biblos aparentemente possesso por um deus, durante um ritual de ofertório, como evidência de seu comportamento extático.

* Uma inscrição do século VIII a.C. do Estado sírio de Hamate, conta a história de um homem chamado Zakir que orava a Baal por sua cidade sitiada e recebeu a promessa de ajuda divina por meio de videntes e outras pessoas inspiradas. 

* Alguns textos em gesso de Deir Allah, datados do final do século VIII a.C., mencionam alguém chamado Balaão, de quem se diz ser "um vidente dos deuses" e que mais tarde teve uma visão do deus El. 

 Como porta-voz de Deus, Amós evitou qualquer título profético, talvez por causa das associações indesejadas com o termo em seus dias (7.14). Como visto em tantas outras passagens das Escrituras, as palavras de Amós reforçam a realidade de que Deus usa pessoas comuns para cumprir seus propósitos. 

Bíblia de Estudo Arqueológica 

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