terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Acervo da Teologia

* De Traficante de Escravos a Pregador / John Newton


John Newton nasceu em Londres a 24 de Julho de 1725. Visto que, durante a sua infância, o pai passava a maior parte do tempo no mar, a mãe se encarregava de educá-lo. Esta mulher temente a Deus, frágil e gentil, com frequência trazia o seu único filho para perto de si e contava-lhe histórias da Bíblia. "Ela acumulava em minha memória, muito retentiva naquela época, muitas coisas valiosas, tais como capítulos e porções das Escrituras, hinos e poemas." Dez anos antes do nascimento de Newton, Isaac Watts, depois de ter escrito os seus Hinos e Cânticos Espirituais, publicou os Cânticos Divinos para Crianças. Eram estes os cânticos que entoavam pela casa, quando ambos, mãe e filho, adoravam a Deus e oravam pelo pai ausente, no mar.

Logo surgiram os Cânticos Divinos e Morais, de Watts, com temas como "contra o escárnio e a calúnia" e "contra a vaidade no vestir". A Sra. Newton achava que tais cânticos continham um ensino moral precioso e com eles enchia a mente de seu jovem filho. Certamente, quando ele era ainda um bebé, ela lhe cantava a maravilhosa canção de ninar que Watts, um celibatário por toda a vida, incluíra em seus Cânticos Divinos e Morais. Esta paz e este calor afetuoso desapareceram com a morte da mãe, em 1732. Ela desejara ardentemente que o filho viesse a se dedicar ao ministério e, por isso, encomendara-o muitas vezes a Deus, com muitas orações e lágrimas. Foi um dia terrível o da morte da mãe e, pior ainda, o dia em que uma madrasta veio substituí-la. Era suficientemente bem tratado, mas a nova Sra. Newton nutria pouco amor pelo enteado e menos cuidado ainda pela alma dele. Não havia mais histórias da Bíblia, nem Cânticos Divinos ao redor da lareira, nem orações ao deitar. John tinha permissão para andar com crianças rudes e ímpias. Ele se tornou violento, rancoroso e rebelde. Dois anos num internato de classe inferior, em Essex, serviram unicamente para instigar a sua indiferença para com a religião, sendo esta também toda a educação escolar que teve.

Aos onze anos, John fez a sua primeira viagem marítima junto com o pai, que neste tempo era capitão da marinha mercante no Mediterrâneo. O capitão Newton exercia uma disciplina rígida sobre o filho. Embora a cabina do capitão propiciasse refúgio para a árdua vida de serviço na marinha mercante, o pai mostrava-se sempre distante do filho. A brisa do mar, as brincadeiras grosseiras e a vida livre que os marinheiros levavam fizeram que John desejasse se tornar um homem, um verdadeiro homem, tal como os marinheiros do pai. John viajou várias vezes com o pai. Aos quinze anos tornou-se aprendiz de um comerciante amigo, em Alicante, na Espanha. "Mas o meu comportamento irrequieto e a minha impaciência fizeram daquela oportunidade um malogro." Sob a disciplina inflexível e rígida do capitão Newton, o espírito do jovem sentia-se intimidado; porém, longe do pai, ele conhecia poucas restrições. 

De vez em quando, a sua impetuosidade era interrompida, e Newton manifestava um conflito de consciência, ao desejar atirar-se irrefletida e dissolutamente à vida e ao ser impedido pelo ensino que recebera de sua mãe. Dois incidentes marcaram-lhe a consciência. Não foram incidentes notáveis em si mesmos, mas sem dúvida foram usados por uma mão invisível para impedi-lo de entregar-se a uma vida totalmente desregrada. Certa vez, aos doze anos, Newton foi jogado de um cavalo, escapando de ficar espetado nas estacas de uma cerca recentemente cortada; isso aconteceu de tal maneira que, por um momento, fê-lo pensar seriamente na Providência. Em outra ocasião, por chegar cinco minutos atrasado, ele deixou de embarcar no barco que o levaria, juntamente com um amigo, para visitar um navio de guerra; o barco virou e o seu amigo morreu afogado. Newton nunca soube nadar (estranhamente, uma falta muito comum entre os marinheiros na época das embarcações à vela), e a ideia de deparar-se com a morte tão de perto levou-o, por algum tempo, a encarar a vida com mais seriedade.

Agora, enquanto o aspirante da marinha caminhava para Torbay tais acontecimentos pareciam-lhe insignificantes. Podia rir-se deles e contá-los em detalhes aos colegas do tombadilho. Não eram importantes; John tivera apenas sorte. Porém, não conseguia fugir do fato que, quando tais acontecimentos se deram, afetaram-no profundamente. Conseguia lembrar-se de algumas ocasiões em que se decidira por períodos de reforma pessoal e vivera como um fariseu. Em extraordinário contraste com a sua vida habitualmente extravagante, passava longas horas a ler a Bíblia, meditando e orando. Também jejuava e, certa vez, tornou-se um vegetariano, por três meses, vivendo em medo constante de pronunciar palavras impróprias. Era ascético, mas, segundo a sua confissão anos depois, "era uma religião pobre; deixava-me, em muitos sentidos, sob o poder do pecado e, naquilo em que era eficaz, tendia apenas a fazer-me melancólico, estúpido, reservado e inútil". Assim é a capacidade do homem em transformar a si mesmo! John admitia que "amava o pecado e não queria abandoná-lo". Este prazer pelo pecado, comum a todos os homens, arruinou completamente a sua vida, até que Deus mesmo o arrancou da ruína.

O jovem aspirante pensou no dia em que encontrou casualmente um livro que atingiu fortemente a sua consciência. Foi um livro que mudou profundamente a sua maneira de pensar.

O livro Características dos Homens, Costumes, Opiniões, Tempos, etc., de Lord Shaftesbury, foi publicado em 1711 e, por volta de 1733, tornara-se de tal modo popular que um prefácio à edição de bolso dizia: "Os melhores peritos são unânimes em afirmar que a língua inglesa jamais possuiu obra tão admirável, deleitosa e instrutiva". Em essência, os dois compridos e (para um leitor moderno) tediosos volumes continham uma mensagem simples. O universo é governado por uma mente amável e benévola, pelo que o homem deve viver também de modo benévolo. A natureza humana não erra: "Quando parece verdadeiramente ignorante ou perversa nas suas realizações, declaro-a, apesar disso, tão sábia e prudente como em suas melhores obras". A deformidade da alma (aquilo que John fora ensinado a chamar de "pecado") deve-se unicamente aos nossos "corpos frágeis e órgãos corruptos". A má conduta não é nada, exceto um mau discernimento daquilo que é moralmente bom. Isto, juntamente com a paródia do conde a respeito dos fanáticos religiosos, descritos como "homens orgulhosos e grosseiros", apelava ao espírito rebelde do jovem Newton. Shaftesbury teve o cuidado de não negar a fé cristã e a crença em Deus; Newton também não desejava, naquela época, ir tão longe. Ele considerava o autor "uma pessoa muito religiosa", que acreditava num Deus distante, impessoal, que não se envolvia nos assuntos do mundo; e isto estava muito mais de acordo com o gosto de John.

Shaftesbury pisoteava, com eloquência, a doutrina evangélica do pecado original e a consequente crença numa predisposição natural para pecar, inata em todos os homens; e representava o homem como essencialmente bom e virtuoso. Com isso, John podia desprender-se da teologia Puritana de sua mãe. Ele memorizara passagens inteiras da Rapsódia e, sem dúvida, podia recitá-las como justificativa de suas ações: "Não resistirei por mais tempo à paixão que cresce em mim pelas coisas naturais, que nem a arte, nem a vaidade, nem o capricho do homem espoliaram da sua ordem genuína, mediante a resistência ao seu estado primitivo". Este modo de encarar a vida abria a porta a tudo. A definição de moralidade estava a cargo de Newton mesmo; não lhe haviam dito que é o próprio homem quem deve descobrir "o que é bom e o que é mau para si mesmo"? Considerava que finalmente havia encontrado o caminho para a verdadeira felicidade. Assim, com "belas palavras e lindos discursos", deixara que o seu coração simples fosse logrado. Leu e releu a Rapsódia, como mais tarde confessou, até que o lento veneno se infiltrou em sua mente.

POR AMOR A MARY 

Quando deixou de pensar no passado para se fixar na realidade do presente, a ideia de que se encontraria com o pai, ao término da estrada para Plymouth, causou-lhe um calafrio. Tais entrevistas eram sempre desagradáveis. Eleja provara a paciência de seu pai por mais de uma vez. No final de 1742, o Capitão Newton, desesperado com o seu voluntarioso filho, arranjou a maneira de estabelecê-lo na Jamaica, onde homens ainda jovens eram urgentemente necessários para dirigir o trabalho escravo nas plantações. Um amigo, Joseph Manesty, comerciante em Liverpool, arranjou as coisas; o filho, com a perspectiva da riqueza e de uma liberdade para viver como quisesse, concordou prontamente; e o pai, com a perspectiva de se ver livre de um filho desordeiro, sentiu-se mais do que contente. A uma semana da partida para Liverpool, Newton precisava fazer uma viagem até perto de Maidstone, em Kent, para resolver negócios de seu pai; decidiu aproveitar esta viagem para visitar a família que cuidara de sua mãe nos seus últimos dias de vida. Achou que devia, pelo menos, conhecer
as pessoas que, para si, até então não passavam de nomes. Assim, a 12 de Dezembro, dirigiu-se à modesta mas confortável casa no West Borough de Chatham, onde foi recebido como um membro da família há muito ausente. 

O casal Catlett tinha vários filhos: Jack, de onze anos, um diligente estudante no colégio de Rochester; Elizabeth, de treze, e Mary, ou Polly, como era familiarmente chamada, que faria quatorze dentro de um mês. Havia outros filhos na família, cujas idades ficavam entre a de Polly e a do bebé George. Quando o aventureiro de dezessete anos contemplou Mary, o seu coração ficou perdido. Passados mais de vinte anos, escreveu: "Praticamente no primeiro olhar que dirigi a esta moça, senti uma afeição por ela que nunca diminuiu nem perdeu a sua influência, por um momento sequer, em meu coração. Em grau, igualava-se a tudo o que os escritores de romance haviam imaginado; em duração, era inalterável".

John fora tão calorosamente recebido pelos Catletts que acabou permanecendo mais do que os três dias planejados. Mary sempre se comportava da melhor maneira e não o encorajava muito a pensar que o seu ardente amor, de algum modo, fosse correspondido. A princípio John não compreendia o que lhe sucedera: "Sentia-me agitado quando estavas ausente; no entanto, à tua presença mal ousava olhar-te". Se tentava falar, sentia-se embaraçado, mas não suportava a ideia de ter de ausentar-se dela. Pobre John! Numa carta para Mary, muitos anos depois, confessou: "O meu amor tornou-me estúpido a princípio". Todavia, ela evidentemente gostava de sua companhia, e os três dias tornaram-se três semanas, o que significa que passou o Natal com Mary. A carruagem para Londres, e de Londres para Liverpool, fora e viera muitas vezes; o navio de Liverpool para a Jamaica partira sem ele.
John decidiu que não iria; não poderia ir para as índias Ocidentais e ficar longe de "Polly" por cinco anos. Quando finalmente regressou a Londres e acalmou a ira do pai, John não se atrevia a contar a verdadeira razão da sua demora.

De fato, não podia contar a ninguém sobre o seu amor, nem sequer à pessoa em questão. "Aquele amor permaneceu como um misterioso fogo fechado em meu peito."

Mary era a única pessoa viva que ele amava, por quem tudo sofreria de bom grado. Era por causa dela que tão desesperadamente queria uma entrevista com o pai. Se Polly pudesse ser sua! Ele sofreria qualquer coisa por amor ao seu ídolo. Pensar em Mary estimulava os passos de John. Os seus pensamentos e a sua imaginação divagavam e perambulavam.

O ruído de cascos, uma imprecação, o barulho dos arreios, e o aspirante Newton viu-se obrigado a voltar para trás. Mui repentinamente, para que John tentasse evitar ser visto por eles, um grupo de soldados do exército real surgiu numa curva da estrada, e o jovem marinheiro achou-se de imprevisto a proferir uma razão pobremente arquitetada para explicar a sua presença naquele local, sem cavalo, sem mochila, sem ordens oficiais e de costas para a armada de Sua Majestade. O oficial encarregado não se deixou enganar nem persuadir, e o desertor, fatigado, apenas a duas horas de distância do seu destino, teve de caminhar de volta para Plymouth. Maltratado como um criminoso e empurrado ao longo das tavernas e por entre marinheiros embriagados que lhe arreganhavam os dentes, Newton foi levado através da cidade até à pequena prisão.

Foi deixado ali por dois dias, sozinho, para pensar. Não foram encorajadores os seus primeiros pensamentos. John Newton já estivera a bordo de um navio de guerra o tempo suficiente para saber o que o esperava. Um conselho de guerra e o enforcamento no pátio seria misericordioso; mas poucos eram deliberadamente mortos, pois o potencial humano mostrava-se insuficiente; e a guerra com a França era eminente. Seria uma "fustigação infligida por toda a armada"? Amarrado ao cabrestante, ser-lhe-iam aplicadas vinte e cinco ou trinta chicotadas nas costas nuas e, depois, seria levado aos outros navios para que lhe aplicassem o mesmo castigo, até ter percorrido toda a armada ancorada; o fato de alguns navios terem naufragado alguns dias antes, devido às severas tempestades, era apenas um pequeno conforto. Não ouvira ele que, depois de um tal castigo, "quase sempre morriam"?

Passar pelo chicote seria menos perigoso. A tripulação do navio enfileirar-se-ia à volta do convés, e Newton, despido até à cintura, seria obrigado a andar ao longo da fileira, e cada um dos marinheiros espancá-lo-ia com um chicote, com o oficial do navio andando de costas à sua frente e de espada desembainhada, para abrandar-lhe os passos. 

Comparado a isto, o ser arrastado por baixo da quilha do navio, de um lado para o outro, era uma punição leve. John não encontrava conforto nas Regras de Disciplina e Bom Governo para se Observar a Bordo dos Navios de Guerra de Sua Majestade, elaboradas em 1730. É verdade que proibiam um capitão de infligir mais do que doze chicotadas; mas havia poucas punições leves, e quando, no passadiço, um marinheiro desafortunado ficava com as costas ensanguentadas e era arrastado para baixo, gemendo e contorcendo-se, quem iria denunciar o capitão? O capitão era todo-poderoso em seu navio.

John não teve muito tempo para divagar sobre tais pensamentos. Passados dois dias foi entregue ao seu comandante e posto a ferros. Naqueles alojamentos limitados, restringido pelo espaço e pelas algemas, nas profundezas do navio, onde o cheiro abominável da imundície estagnada do lastro lhe infestava por completo as narinas e os pulmões, o marinheiro recalcitrante aguardava o seu destino. Não era a primeira vez que o aspirante Newton provocava a ira do comandante, e o Capitão Carteret, da Marinha Real, determinara que aquela seria a última. Fora unicamente devido à intercessão de seu pai que Newton fora promovido. Tendo eleja abusado uma vez do tempo de licença e ofendido o capitão pela sua insolência e comportamento indecente, Philip Carteret desta vez iria quebrar-lhe a vontade, lançando ao mesmo tempo um aviso ao resto da tripulação.

Toda a tripulação foi reunida no convés principal. O delinquente, nu até à cintura, foi posto numa grade onde os pés, na posição "à vontade", foram amarrados e os braços, abertos acima da cabeça, ficaram presos pelos pulsos. Os fuzileiros organizaram-se em fila na popa, acima dos marinheiros e de frente, para impedirem qualquer intervenção por parte dos tripulantes. O cirurgião do navio e o oficial puseram-se um de cada lado, e todos esperavam em silêncio o começo do castigo. O navio baixava e levantava com a ondulação do mar, a brisa fazia-se ouvir no cordame, e as gaivotas chilravam zombeteiramente por cima das cabeças dos homens, quando o capitão Carteret, trajado cerimonialmente, surgiu do seu camarote. Leram-se o nome de Newton, a sentença e os "estatutos de guerra" apropriados, e deu-se a ordem para começar. Avançou o contramestre que, com uma forte e brutal chicotada, esfolou a carne branca das costas do prisioneiro. Quantas dúzias de chicotadas John Newton apanhou, cada uma infligida pelos ajudantes do contramestre, não foi registrado. Embora este capitão fosse, segundo os padrões da época, "geralmente muito humano, agindo com benevolência para com a tripulação do navio", a ofensa era grave, por isso o castigo devia ser adequado ao crime. Por ordem do capitão, o corpo lacerado foi desprendido, enrolado numa manta e levado para baixo. O cirurgião executou o agonizante ritual de cauterizar as feridas com vinagre, essências puras, água salgada ou alcatrão quente, e a tripulação foi dispersada para continuar com a sua rotina.

    UM MARINHEIRO RASO 

Por vários dias, Newton alternou entre o estado de consciência e o de coma, enquanto a febre lhe atormentava o corpo. Como consequência do que acontecera, foi rebaixado de oficial a marinheiro raso, e os seus amigos oficiais foram proibidos de lhe falar. Mais uma vez se encontrava só e sem amigos. Apenas a sua constituição de ferro e o forte desejo de ver Mary o habilitaram a readquirir forças. Fracassara na intenção de chegar até Mary, mas "ansiava ser ou fazer algo que me ajudasse a concretizar os meus desejos no futuro".

Num estado deplorável, por baixo do tombadilho, e antes do cirurgião declará-lo em condições de regressar ao trabalho normal, John pôde voltar a refletir sobre a sua vida, uma reflexão abruptamente interrompida por aqueles soldados do exército real, na estrada de Plymouth para Torbay! Quando John não embarcou no navio que o esperava em Liverpool com destino à Jamaica, o capitão Newton não perdeu tempo e arranjou-lhe outra alternativa e, em breve, John estava trabalhando como marinheiro a bordo de um navio comercial que operava entre a Inglaterra e o Continente. Trinta anos após Newton ter iniciado a vida do mar, o Dr. Johnson, um famoso ensaísta, historiador e lexicógrafo, disse: "Nenhum homem que não tenha sagacidade suficiente para se jogar numa prisão será um marinheiro; porque estar num navio é estar numa prisão, com o risco de morrer afogado. O homem na prisão tem mais espaço, melhor comida e, geralmente, melhor companhia". A vida a bordo no século XVIII era limitada, doentia e dissoluta, sendo quase impossível para um jovem de dezessete anos resistir às tentações e oportunidades que o rodeavam. Além disso, não havia lugar para o ascético ou para o individualista na vida comunitária do navio mercante. E, segundo a sua própria confissão, não tardou a que John Newton se deixasse corromper devido ao mau exemplo e à má companhia dos que lhe rodeavam. John fez "uns frágeis esforços a fim de parar"; porém, tudo o que conseguiu foi "avançar, a passos largos, em direção a uma apostasia total de Deus". A instrução que recebera da mãe, os hinos de Watts, as histórias da Bíblia, a visão de "Polly" e as suas primeiras tentativas de auto-reforma não impediram a sua queda.

Durante uma visita a Veneza, que, antes da descoberta da rota do Cabo para a índia, era a entrada para o Oriente, Newton recebeu um aviso que nunca duvidou ter procedido da mão de Deus; foi uma experiência única em sua vida. Teve um sonho que seria uma parábola da sua vida. O cenário era o porto de Veneza, e Newton, que estava de guarda, foi abordado por um estranho que lhe deu um anel, com a promessa de que enquanto o conservasse seria um homem afortunado e feliz. O estranho avisou-o também de que, se alguma vez se desfizesse do anel, deveria esperar unicamente tristeza e miséria. Newton, alegre com o presente, foi pouco depois abordado por um segundo estranho que fixou o olhar no anel, ridicularizando as promessas feitas acerca dele. A princípio, Newton recuou, mas depois acabou por concordar com a sugestão de que, para mostrar a sua rude indiferença quanto a promessas tão absurdas, deveria atirar o anel à água. Imediatamente, as longínquas montanhas irromperam em fogo e os Alpes transformaram-se num inferno terrível. Lembrado pelo seu tentador de que perdera o direito a todas as promessas de Deus, Newton viu aparecer o primeiro estranho que, ao tomar conhecimento da causa da sua angústia, recuperou o anel da água. O marinheiro tentou receber novamente o anel; todavia, o estranho o reteve, dizendo: "Se este anel te fosse confiado outra vez, muito em breve atrairias o mesmo infortúnio sobre ti. Não és capaz de preservá-lo, por isso guardá-lo-ei para ti. Sempre que necessitares dele, exibi-lo-ei por ti". Naquela ocasião, o sonho perturbou-o seriamente, pelo que, por dois ou três dias, mal conseguiu comer alguma coisa, dormir ou cumprir as suas obrigações. "Mas a impressão causada passou depressa, e eu o esqueci por completo. Só vários anos mais tarde, o sonho me voltou à memória". Prosseguiu então com uma vida que posteriormente descreveu como de "licenciosidade e loucura".

Se John Newton, que se debatia em dores, na maca a bordo do Harwich, e refletia sobre a sua vida, tivesse parado para considerar as muitas ocasiões em que Deus interviera em sua vida e semeara na sua mente impressões de misericórdia quanto à sua rebelião e ao seu caminhar incauto, ele não poderia ter feito outra coisa senão procurar o perdão de Deus em Cristo. Porém, ele desprezara todas as promessas e privilégios que lhe haviam sido oferecidos. A cruz, da qual a mãe lhe falara tantas vezes, não significava nada para ele. Nem o amor de um Salvador crucificado, nem as repreensões de um Deus santo lhe mudariam a vida. A Rapsódia libertara-o e liberto continuaria. Anos depois, o pródigo convertido compreendeu o verdadeiro estado da sua alma naquela época: "Achava-me desamparado e desesperado, à beira de uma eternidade aterradora. Se o meu entendimento tivesse sido aberto, teria visto o meu grande inimigo, aquele que me seduzira obstinadamente a rejeitar e a me desfazer das minhas crenças religiosas e a me envolver em delitos complexos". 

Só mais tarde ele percebeu que a sua vida pródiga, na realidade, não fora uma vida de liberdade e sim de escravidão; também viu que a mão de um Deus soberano traçara o seu caminho e preparara um lugar para o arrependimento. "Deveria, igualmente, ter visto aquele Jesus, a quem eu perseguira e desonrara, repreendendo o adversário, reclamando-me para Si mesmo, como um tição arrancado do fogo, e dizendo: 'Não o lances no abismo; eu tenho o resgate'." Mas, antes que a sua libertação chegasse, Newton se aproximaria ainda mais do abismo.

Agora, como marinheiro raso no Harwich, John pensava apenas no passado; afinal, o futuro não era animador. Para trás, ficara Mary; pela frente, havia a possibilidade de cinco anos de separação. John pensou com tristeza no último encontro que tivera com Mary e nas circunstâncias que o trouxeram ao Harwich.

Em dezembro de 1743, John regressou uma vez mais à sua terra, vindo do mar, e trilhou apressadamente o caminho para Chatham. Infelizmente apresentava uma perspectiva menos atraente para Mary. Talvez poderia emocionar o Jack, contando-lhe histórias do mar, e impressionar as duas moças com a sua "vasta" experiência e sua força máscula, mas com o Sr. Catlett seria diferente. John era um rapaz indeciso e desobediente, que desperdiçara a oportunidade de um posto lucrativo nas índias Ocidentais, não passando agora de um marinheiro raso. Se fosse um oficial, seu salário seria bastante pequeno, mas como marinheiro não tinha valor algum. Visto que o desajeitado adolescente
ainda não havia proposto casamento a Mary, era melhor nem sequer pensar nisso. Newton prolongou outra vez a sua estadia em Chatham, irritou o pai e veio desta vez a pagar caro pela sua indolência.

Em princípios de 1744, a armada francesa tornava-se cada vez mais agressiva no Canal da Mancha, e George II ficou alarmado. A vergonhosa derrota de 1667, em que os holandeses silenciaram os defensores de Sheerness, invadiram Medway e atacaram a armada em Chatham, não
deveria repetir-se jamais. O novo e enérgico ministro do rei, o Lorde Carteret, ordenou uma imediata proposta de lei para as esquadras britânicas. O recrutamento era sempre um problema, visto que não havia uma marinha de guerra permanente e as perdas devido às doenças eram imensas. A lei autorizava os capitães a enviar "destacamentos de recrutadores" para ajudar a recrutar, sendo o marinheiro mercante o primeiro alvo (a lei protegia apenas o capitão mercante, o primeiro imediato e o piloto). As pernas arqueadas, o modo de andar e a má linguagem de marinheiro traíam-no, más o jovem nunca se juntaria à marinha de livre vontade. O salário de marinheiro, num navio de guerra, era de vinte e quatro xelins mensais, enquanto no serviço mercante montava a cinquenta. E, como Daniel Defoe singularmente observou, em 1697: "Quem serviria ao seu rei e ao seu país, lutaria e morreria" por uma quantia como esta?

Os recrutamentos eram sempre dispendiosos. Em 1756, o custo do recrutamento de um homem, depois de todos os subsídios pagos, podia elevar-se a cento e catorze libras; era também cruel, e os destacamentos brigavam frequentemente uns com os outros pela posse de uma vítima infeliz. Em 1796, um navio que comerciava com a índia e que acabara de completar uma viagem mercante de muitos anos, ancorou no Tamisa; um capitão naval, do H.M.S. Britannia, abordou o navio e à vista de esposas e noivas recrutou toda a tripulação. Somente os navios que estavam de viagem para o exterior ficavam livres do "recrutamento". O recrutamento compulsório era um dos costumes mais cruéis e bárbaros já impostos, e, para evitá-lo, os homens iam ao ponto de cortar os próprios dedos, fingir paralisia ou esfregar urtigas no corpo para simular uma terrível brotoeja.

Numa quarta-feira, 8 de fevereiro de 1744, o primeiro-tenente do H.M.S. Harwich fez uma breve anotação no seu diário de bordo: "Eu e 31 soldados embarcamos no Betsy Tender com o propósito de recrutar". Eles também tinham ordens para obter provisões para a viagem seguinte. O Betsy Tender partiu do porto de Harwich e ancorou em frente a Sheerness, em Kent, no domingo da mesma semana. Oito dias depois, o tenente Ruffin registrou ter levado para bordo "15 homens do Hospital de Chatham, 3 homens dispostos a serem recrutas e 2 homens do Hospital de Sheerness".

No dia 25, um sábado em que, segundo o diário do capitão, houve fortes vendavais e neve, John Newton foi um dos oito homens recrutados e levados a bordo do H.M.S. Harwich, juntamente com o pão, a aguardente, a carne de vaca, a manteiga, a carne de porco, o sebo, as ervilhas, a farinha de aveia, o queijo e o vinagre, não enumerando as armas de fogo, a cordame, e os duzentos e vinte barris de pólvora que o primeiro-tenente entregou ao seu capitão. O H.M.S. Harwich era um navio de guerra de quarta ordem, de novecentos e setenta e seis toneladas e de cinquenta canhões. O navio, construído em Harwich em 1742, chamou-se primeiramente Tiger; porém, em Novembro de 1743, mudaram-lhe o nome. O seu capitão necessitava desesperadamente de mais gente para completar a tripulação, e, num navio em que o convés dos canhões media quarenta e dois metros e a maior largura era apenas de doze metros, as limitadas condições de vida de uma tripulação de trezentos e cinquenta homens não são difíceis de imaginar. Newton comentou, em poucas palavras, a sua nova experiência: "Sofri muito cerca de um mês".

Se a vida era árdua no serviço mercante, na marinha o era ainda mais. No primeiro mês, Newton participou da dieta dos outros marinheiros: biscoitos (feitos de farinha e água convertidas numa pasta dura, geralmente repletos de bichos, após algumas semanas no mar) e carne de vaca ou de porco salgada que acabava por não ter o sabor "nem de peixe, nem de carne, mas de ambos". A carne era com frequência tão negra e dura que os marinheiros desperdiçavam as suas poucas horas livres gravando figuras nela e polindo-as. Sabia-se que os queijos haviam sido usados como borlas para o mastro da bandeira do navio e que haviam aguentado os elementos tão valentemente quanto a mais forte madeira; muitas vezes os marinheiros faziam do queijo botões para os blusões e para as calças. Uma descrição do próprio Newton, a respeito dos biscoitos do navio, dizia: "Eram tão leves que, se batêssemos com eles de leve em cima da mesa, desfaziam-se praticamente em pó, surgindo então numerosos insetos conhecidos pelo nome de gorgulhos; estes eram desagradáveis ao paladar e indício certo de que o biscoito perdera as suas partículas nutritivas. Se, em lugar desses gorgulhos, aparecessem grandes gusanos com cabeças negras, podíamos considerar que o biscoito estava apenas na sua primeira fase de deterioração — os rusanos eram gordos e sem sabor, mas não desagradáveis". A água mostrava-se invariavelmente verde e fervilhante; ninguém compreendia os efeitos das bactérias. Dizia-se do marinheiro: "Ele tem um estômago invencível, que, à semelhança do avestruz, quase pode digerir ferro". Muitas vezes tinha mesmo de fazê-lo. Sopa de ervilhas era praticamente a única comida que o cozinheiro não conseguia estragar. O escorbuto, originado pela carência de vitamina C, e a disenteria, devido à imundície do porão sobre o qual os marinheiros viviam e dormiam, eram causas de um grande número de vítimas. Passar-se-iam ainda cinquenta e um anos antes que o Estado Maior da Armada ordenasse a ingestão de hortaliças, fruta fresca e suco de limão como preventivos contra o escorbuto. Estimou-se que, durante a Guerra dos Sete Anos, de 1756 a 1763, dos cento e oitenta e cinco mil homens levados para serviço no mar, mais de dois terços morreram por motivo de doença. Segundo o Lorde Nelson, a vida útil do marinheiro findava aos quarenta e cinco anos; se continuasse vivo depois dessa idade, seria atormentado por malárias, deformado pelo reumatismo e ficaria aleijado devido às hérnias.

Felizmente, para Newton, o seu pai interveio e, embora incapaz de conseguir a isenção do filho num período de estado de alerta, obteve a sua promoção ao tombadilho superior, através da qual, como aspirante da marinha, lhe era concedida alguma autoridade, "a qual, como insolente e vaidoso que era, não hesitei pôr em prática". Agora podia oprimir, dar ordens e tratar com desacato aqueles com quem roera os biscoitos e o queijo incomestíveis. O amigo mais íntimo de Newton, entre os oficiais, era um jovem de "talentos naturais muitíssimo bons"; era um livre pensador, pelo que não lhe foi difícil encorajar o recém-chegado a completar o processo "libertador" iniciado por Shaftesbury. John idolatrava o amigo e ficou amargamente triste quando, alguns meses mais tarde, uma tempestade bastante violenta o lançou fora do navio, levando-o para a eternidade. Havia escutado os argumentos do amigo e bebido as suas palavras de "sabedoria", até que por fim "renunciei as esperanças e os confortos do Evangelho, precisamente na altura em que todos os outros confortos estavam prestes a abandonar-me".

Assim que John se converteu a este livre pensar, transformou-se em um apóstolo desta causa e encontrou um excelente ouvinte na pessoa de um impressionável jovem chamado Job Lewis. Job idolatrou John quase tanto quanto este idolatrara o seu velho amigo. Em meio às longas horas de trabalho, Newton gostava de transmitir a Job Lewis as preciosidades proferidas pelos lábios eloquentes de seu velho amigo, fazendo-o com uma aparência de sábia autoridade, implicando que tais palavras eram suas. Newton iniciou Lewis no caminho escorregadio em que ele próprio havia embarcado. Os três amigos riam da Bíblia, zombavam da religião verdadeira e vendiam as suas almas ao mundo. Anos depois, quando Newton tentou desesperadamente impedir a queda de Job Lewis e reverter tudo o que lhe gravara na mente, descobriu quão desregrado e humanamente irreversível é o caminho pelo qual haviam enveredado.

Em Dezembro de 1744, Newton obteve licença para passar um dia em terra e se dirigiu, a cavalo, para Chatham. Não foi um encontro inteiramente bem sucedido e Mary não o encorajou muito. Só voltou ao navio no dia de Ano Novo e ficou feliz quando o capitão mandou-o embora do camarote apenas com um severo aviso. Desta vez o espírito de John ficara deveras abatido. Possuía pouco nesta vida; também estava convencido de que não havia nada a esperar depois da morte. O amor ardente que nutria por Mary era a única coisa que mantinha uma centelha de esperança viva em seu coração. Uma carta dirigida a Mary, escrita do Harwich a 24 de janeiro de 1745, revela o estado em que então se encontrava: "Não fora por ti, e eu continuaria uma pessoa difícil, desagradável e insociável. Tiraste-me da melancolia depressiva em que eu caíra e que me empurrara para o mundo. Já se passaram mais de dois anos; no entanto, continuo decepcionado com tudo o que empreendo..." Sem Deus, John encontrava-se sem esperança neste mundo.

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A contribuição de William Cowper incluía "Jesus! Onde Quer que o teu Povo se Reúna", "Ouve, Minha Alma! É o Senhor", "Há uma Fonte Carmesim", e "Algumas Vezes uma Luz surpreende o Cristão, enquanto Canta".

Este último hino exprimia as muitas ocasiões em que o poeta assentava-se em seu banco de madeira, de encosto alto, na igreja, e sentia a profunda tristeza do seu coração transformasse em louvor, ao ouvir o pastor dirigir o culto e pregar entusiasticamente a Palavra de Deus:

Algumas vezes uma luz surpreende,
Enquanto canta o cristão;
É o Senhor que surge:
Traz em suas asas a salvação!

Estes hinos confirmaram, para a posteridade, a sua profunda e sincera fé evangélica, por mais provada que ainda seria.


Entre as contribuições de Newton, achava-se o seu mais famoso hino, A Graça Eterna. É um hino baseado em 1 Crônicas 17.16-17, passagem em que o rei David rememora a misericórdia de Deus para com um homem tão insignificante e pecador como ele. John Newton relembrou a sua própria vida:

A Graça eterna de Jesus
Que veio me libertar,
A mim tão grande pecador,
Oh, Graça singular.
Tal graça o medo me levou
Desde o dia em que eu cri,
E bem feliz me transformou,
Tal nunca mereci.

"Graça", para John Newton, era a misericórdia imerecida de Deus para com a sua vida pecadora e rebelde. Assim, ele continuou na terceira estrofe:

Perigos e horrores passarei
Na peregrinação,
Mas pela Graça alcançarei
Celestial mansão.

É triste verificar que poucos são os hinários que atualmente incluem essa estrofe final deste grande hino de Newton.

E quando no lar celestial
Por tempos sem cessar,
Louvor daremos, eternal,
A quem nos quis salvar.

Outros hinos revelavam a sua velha vida de marinheiro, como por exemplo, "Ainda que as Dificuldades Ataquem e os Perigos Assustem". Escrito em Fevereiro de 1773, este hino originalmente continha uma terceira estrofe:

Podemos, como os navios,
Por tempestades ser sacudidos
Mas, nas profundezas do mal
Não ficaremos perdidos.
Ainda que Satanás enfureça
O vento e o mar,
Temos a promessa fiel
De que o Senhor proverá.

Newton possuía uma longa experiência quanto à verdade deste hino! Também havia outro que principiava com uma estrofe, cujas palavras devem ter feito a sua memória retroceder aos muitos dias violentos, passados no mar, e que devem tê-lo feito recordar, em especial, a terrível tempestade de 1748:

Vai-te, incredulidade,
Pois, está perto o meu Salvador;
E para meu auxílio
Certamente dará seu favor.
Pela oração, combaterei
E Ele usará de bondade
Com Cristo no barco,
Zombarei da tempestade.

John Newton tornou-se peculiarmente conhecido devido ao hino que escreveu sobre a igreja cristã:

Coisas gloriosas se falam de ti,
Sião, cidade do nosso Deus!

As linhas finais ecoam a sua própria experiência: 

Toda ostentação e pompa orgulhosa
Dos prazeres mundanos se desvanecem;
Alegrias verdadeiras e um eterno tesouro
Só os filhos de Sião os conhecem.

Outro hino calorosamente sincero começa da seguinte forma:

Quão doce soa o nome de Jesus 
Ao ouvido do crente!

Por algum tempo, Newton escreveu um hino novo para cada reunião semanal de oração, e geralmente o explicava antes que a congregação o cantasse pela primeira vez. Muitos dos seus hinos refletiam os acontecimentos relacionados à vida simples de Olney. O inverno, a primavera, o verão, o tempo da ceifa, a tempestade violenta, a forte geada, o terremoto de Setembro de 1775, o incêndio de Olney em 1777, um eclipse da lua, no dia 30 de julho de 1776, e mesmo a visita de um leão a Olney — tudo proporcionava temas ocasionais para os hinos, que se tornaram uma herança da nação.

O Hino Amazing Grace (HCC 314) está na sua origem ligado à luta pela abolição da escravatura. 




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