terça-feira, 26 de agosto de 2014

Acervo da Teologia

* 2 Epístola aos Coríntios


SEGUNDA EPÍSTOLA DE PAULO AOS CORÍNTIOS

Corinto era a capital da Acaia, situada no sul da Grécia. Por causa da sua posição perto do istmo que ligava duas partes da Grécia, era uma cidade de importância comercial, cultural e religiosa. Tinha diversos templos dedicados aos vários falsos deuses da época, incluindo um templo de Afrodite, onde os adoradores da deusa praticavam prostituição.
No tempo transcorrido entre as duas epístolas dirigidas aos coríntios, o relacionamento do apóstolo Paulo com aquela igreja teve algumas mudanças importantes.
   O risco de ruptura da comunhão, causa imediata do envio da primeira carta (ver a Introdução a 1 Coríntios), não é mais mencionada na segunda. É possível que os conselhos e as admoestações de Paulo tiveram o efeito desejado, e que por fim a ameaça de divisão ficasse superada.

Propósito

Foram, pois, outros problemas que deram origem à Segunda Epístola aos Coríntios (2 Co). Deles se sabe que eram graves e que afetaram profundamente o apóstolo, ainda que das circunstâncias em que se produziram e do curso dos acontecimentos só tenham restado uns poucos dados isolados.

O que consta é que Paulo havia resolvido permanecer uma longa temporada em Éfeso. E que, com efeito, por um espaço de três anos, residiu nessa cidade (At 20.31), onde, apesar da oposição de muitos, se havia aberto “uma porta grande e oportuna” ao anúncio do evangelho (1 Co 16.9).

É provável que de Éfeso, pouco depois de haver escrito 1 Coríntios, o apóstolo viajara pela segunda vez a Corinto, a capital da Acaia. Agora, em 2 Coríntios, manifesta: “pela terceira vez, estou pronto a ir ter convosco” (12.14; cf. 13.1).

Aquela segunda visita feita, entre as duas epístolas, consistiu em uma rápida viagem de ida e volta, que o decepcionou e o encheu de amargura (2.1-4). Paulo pôde comprovar pessoalmente que as coisas não iam bem na igreja de Corinto, onde, inclusive, se havia tentado desprestigiar o seu ministério e pôr em dúvida a sua autoridade apostólica e a dos seus colaboradores.

A “CARTA COM LÁGRIMAS

Depois do seu regresso a Éfeso, voltou a escrever aos coríntios. E o fez com o ânimo ainda dolorido, como mais tarde ele mesmo haveria de comentar: “Porque, no meio de muitos sofrimentos e angústias de coração, vos escrevi, com muitas lágrimas” (2.4). Trata-se de uma carta apropriadamente chamada “com lágrimas”, que alguns comentaristas consideram irremediavelmente perdida, embora outros creem descobri-la na seção 10.1—13.1 de 2 Coríntios. Se este fosse o caso, 2 Coríntios seria o resultado de uma fusão muito antiga de pelo menos dois textos paulinos.

A pessoa encarregada de levar a Corinto a “carta com lágrimas” foi Tito, “companheiro e cooperador” de Paulo (8.23; 12.18). Nessa ocasião, o apóstolo decidiu ficar em Éfeso, decisão que logo se viu frustrada por ter de abandonar a cidade subitamente (At 20.1), devido ao alvoroço promovido pelo ourives Demétrio (At 19.23-41).

Quando Tito voltou a se encontrar com Paulo, pôde comunicar-lhe a boa notícia de que a situação em Corinto havia melhorado. Os crentes lamentavam o que havia acontecido e, ao que parece, se sentiam sinceramente arrependidos (7.5-16).

Esta informação, no entanto, chegava acompanhada de outras menos agradáveis sobre a presença de judaizantes (talvez procedentes de Jerusalém) que não recuavam do seu empenho de destruir o prestígio de Paulo na Acaia e de menosprezar a sua autoridade moral (11.22-31; 12.11-13. Ver a Introdução a Gálatas). Apesar disso, em termos gerais, a presença de Tito levou tranquilidade ao coração do apóstolo (2.12-13; 7.6,13-14; 8.6,16).

CONTEÚDO E ESTRUTURA

A carta começa com uma introdução (1.1-11) que conduz ao corpo principal, dividido em três seções (1.12—7.16; 8.1—9.15; 10.1—13.10), e conclui com algumas palavras de despedida e uma doxologia (13.11-14).

Na primeira seção (1.12—7.16), Paulo reflete sobre o estado do seu relacionamento com a igreja de Corinto e expõe as razões que teve para desistir do seu desejo de visitá-la (1.12—2.17). Defende apaixonadamente o seu ministério apostólico, que ele chama de “ministério do Espírito” (3.8) e “da reconciliação” (5.18-20), porquanto também Deus “nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo” (5.11—6.10), e exorta os crentes a viverem limpos “de toda impureza, tanto da carne como do espírito” (7.1; ver 6.11—7.16).

A segunda seção (8.1—9.15) consiste em um chamado à solidariedade para com os cristãos de Jerusalém, que estavam atravessando uma etapa difícil de necessidades materiais (Rm 15.26). É evidente, além do mais, que o apóstolo confiava pouco na generosidade dos coríntios, os quais, entusiasmados a princípio com a ideia de auxiliar os crentes da Judéia, logo, chegado o momento de arrecadar a oferta, pareciam mostrar-se menos favoravelmente dispostos (8.1-15).

   A terceira seção da carta (10.1—13.10) surpreende pela veemência do tom empregado. O autor, voltando ao tema do ministério, defende o seu direito de ser considerado apóstolo e de ser respeitado como tal. Refere-se às suas muitas tribulações, afirmando que nelas se apraz por amor a Cristo, pois, como disse, “quando sou fraco, então, é que sou forte” (12.10). E, diante dos que ele chama de “tais apóstolos” (11.5; 12.11), manifesta que os títulos do seu próprio apostolado são uma vida consagrada inteiramente ao serviço de Jesus Cristo.

DATA E LUGAR DE REDAÇÃO

Os dados de que atualmente se dispõe não permitem precisar o momento nem o lugar de redação de 2 Coríntios. Somente a título de probabilidade, poderia ser sugerido que foi escrita entre os anos 54 e 57, em alguma cidade da Macedônia, talvez em Filipos.











ESBOÇO

Prólogo (1.1-11)
1.      O apóstolo defende o seu ministério (1.12—7.16)
a. Razões das mudanças nos planos de viagem (1.12—2.17)
b. A grandeza do ministério da nova aliança (3.1—4.6)
c. O zelo do apóstolo na condução do seu ministério (4.7—6.10)
d. Admoestação aos coríntios (6.11—7.4)
e. O relatório de Tito (7.5-16)
2.      Oferta para os santos de Jerusalém (8.1—9.15)
a. Recomendações para completar a obra de ajuda (8.1—9.5)
b. Bênçãos derivadas da oferta (9.6-15)
3.       Nova defesa do ministério apostólico (10.1—13.10)
a. Legitimidade do ministério (10.1—12.13)
b. Preparação de uma nova visita (12.14—13.10)
Epílogo (13.11-13)

Bíblia de Estudo de Genebra
Imagens retiradas da internet 

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