domingo, 6 de julho de 2014

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*Alderi Matos / Biografia & Mensagens


Alderi Matos é bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul (B.Th. 1974), Bacharel em Filosofia pela Universidade Católica do Paraná (1979) e Bacharel em Direito pela Escola de Direito de Curitiba (1983); Mestre em Teologia Sagrada no Novo Testamento pela Andover Newton Theological School, EUA (S.T.M. 1988) e Doutor em Teologia pela Boston University School of Theology, EUA (ThD. 1996). É ministro presbiteriano desde janeiro de 1975. Além do CPAJ, leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie e no Seminário Presbiteriano Reverendo José Manoel da Conceição. Apresenta o programa “Flashes da História”, da TV Mackenzie Digital.





O professor Rev. Alderi Souza de Matos, Th.D., professor de Teologia Histórica, coordenador do STM e editor de Fides Reformata; faz uma análise sobre a renúncia do Papa, traz alguns dados históricos e faz uma crítica sobre o papado em relação ao pensamento reformado.









questão de como se relacionam o calvinismo e o capitalismo tem sido objeto de enorme controvérsia, estando longe de produzir um consenso entre os estudiosos. O tema popularizou-se a partir do estudo do sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) intitulado A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, publicado em 1904-1905. Numa tese oposta à de Karl Marx, Weber concluiu que a religião exerce uma profunda influência sobre a vida econômica. Mais especificamente, ele afirmou que a teologia e a ética do calvinismo foram fatores essenciais no desenvolvimento do capitalismo do norte da Europa e dos Estados Unidos.

Weber partiu da constatação de que em certos países da Europa um número desproporcional de protestantes estavam envolvidos com ocupações ligadas ao capital, à indústria e ao comércio. Além disso, algumas regiões de fé calvinista ou reformada estavam entre aquelas onde mais floresceu o capitalismo. Na sua pesquisa, ele baseou-se principalmente nos puritanos e em grupos influenciados por eles. Ao analisar os dados, Weber concluiu que entre os puritanos surgiu um "espírito capitalista" que fez do lucro e do ganho um dever. 

 Ele argumenta que esse espírito resultou do sentido cristão de vocação dado pelos protestantes ao trabalho e do conceito de predestinação, tido como central na teologia calvinista. Isso gerou o individualismo e um novo tipo de ascetismo "no mundo" caracterizado por uma vida disciplinada, apego ao trabalho e valorização da poupança. Finalmente, a secularização do espírito protestante gerou a mentalidade burguesa e as realidades cruéis do mundo dos negócios.

Calvino de fato interessou-se vivamente por questões econômicas e existem elementos na sua teologia que certamente contribuíram para uma nova atitude em relação ao trabalho e aos bens materiais. A sua aceitação da posse de riquezas e da propriedade privada, a sua doutrina da vocação e a sua insistência no trabalho e na frugalidade foram alguns dos fatores que colaboraram para o eventual surgimento do capitalismo. Mesmo um crítico contundente da tese de Weber como André Biéler admite: "Calvino e o calvinismo de origem contribuíram, certamente, para tornar muito mais fáceis, no seio das populações reformadas, o desenvolvimento da vida econômica e o surto do capitalismo nascente" (O Pensamento Econômico e Social de Calvino, p. 661).

Todavia, esse e outros autores têm ressaltado como a ética e a teologia do reformador divergem radicalmente dos excessos do capitalismo moderno. Por causa das difíceis realidades econômicas e sociais de Genebra, Calvino escreveu amplamente sobre o assunto. Ele condenou a usura e procurou limitar as taxas de juros, insistindo que os empréstimos aos pobres fossem isentos de qualquer encargo. Ele defendeu a justa remuneração dos trabalhadores e combateu a especulação financeira e a manipulação dos preços, principalmente de alimentos. Embora considerasse a prosperidade um sinal da bondade de Deus, ele valorizou a pessoa do pobre, considerando-o um instrumento de Deus para estimular os mais afortunados à prática da generosidade. A tese de que as riquezas são sinais de eleição e a pobreza é sinal de reprovação é uma caricatura da ética calvinista. Para Calvino, a propriedade, o lucro e o trabalho deviam ser utilizados para o bem comum e para o serviço ao próximo.

Em conclusão, existe uma relação entre o calvinismo e o capitalismo, mas não necessariamente uma relação de causa e efeito. Provavelmente, mesmo sem o calvinismo teria surgido alguma forma de capitalismo. Se é verdade que a teologia e a ética reformadas se adequavam às novas realidades econômicas e as estimularam, todavia, o tipo de calvinismo que mais contribuiu para fortalecer o capitalismo foi um calvinismo secularizado, que havia perdido de vista os seus princípios básicos. Entre esses princípios está a noção de que Deus é o Senhor de toda a vida, inclusive da atividade econômica, e, portanto, esta atividade deve refletir uma ética baseada na justiça, compaixão e solidariedade social.




Entrevista com o historiador Alderi Souza de Matos

A reforma tem a ver com o resgate das convicções básicas da fé cristã, e o reavivamento, com o aprofundamento da vida cristã. Sem avivamento, a reforma pode tornar-se fria, formal e árida, reduzindo-se a uma mera preocupação com a ortodoxia. Sem reforma, o avivamento pode descambar para o emocionalismo superficial e efêmero. Os dois fenômenos nem sempre caminham juntos, mas deveriam caminhar. Este é o veredicto do historiador Alderi Souza de Matos, 52 anos, do Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. 

Com graduação em direito e filosofia, mestrado em teologia e doutorado em história, Alderi considera-se seguidor de Jesus Cristo desde pequeno. A vocação ministerial despontou em 1969, quando ele participou de um retiro no Acampamento Palavra da Vida. No ano seguinte, aos 17 anos, já era aluno do Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, SP. 


Ultimato – Qual teria sido o primeiro movimento na história da igreja cristã que pode receber o nome de reforma? 

Alderi – Em um certo sentido, o movimento monástico. É interessante que, já no segundo século, os documentos cristãos atestam a ocorrência de um declínio no nível espiritual e ético da igreja. Por isso, os chamados “pais apostólicos” (textos da primeira metade daquele século) revelam uma preocupação quase obsessiva com a moralidade como o aspecto mais importante e decisivo da vida cristã. O cristianismo passou a ser entendido prioritariamente em termos de obediência a preceitos, em contraste com a ênfase na graça encontrada nos escritos do Novo Testamento. 

 No terceiro século, muitos cristãos concluíram que não era possível viver a vida normal em sociedade e serem fiéis discípulos de Cristo. Inspirados pelas palavras do Mestre ao jovem rico (“Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me” – Mt 19.21), eles começam a retirar-se das cidades a fim de, na solidão e no isolamento, poderem se dedicar mais plenamente a Deus. Os dois mais famosos dentre esses “pais do deserto” foram Antão, no Egito, e Simeão Estilita, na Síria. Mais tarde, os monges deixaram de viver sós e passaram a reunir-se em comunidades – os cenóbios ou mosteiros. O monasticismo foi, durante muitos séculos, a principal fonte de renovação e reforma na vida da igreja. 

Ultimato
– Quem cunhou a célebre frase Ecclesia reformata et semper reformanda est? Ela é oportuna? 

Alderi – Não se sabe exatamente quando nem quem cunhou essa conhecida frase. Provavelmente ela surgiu após o período da Reforma, tendo se popularizado no século 19. Existem algumas versões da expressão: Ecclesia reformata et semper reformanda est (A igreja reformada está sempre se reformando) e Ecclesia reformata sed semper reformanda (A igreja é reformada, mas está sempre se reformando ou carecendo de reforma). 

 Esse lema é inteiramente oportuno porque traduz a necessidade constante de reforma, ou seja, de retorno aos fundamentos bíblicos e cristãos que devem caracterizar a igreja. A frase ficou especialmente ligada à Segunda Reforma, ou Reforma Suíça, iniciada por Ulrico Zuínglio e João Calvino, que desde o século 16 ficou conhecida como Igreja Reformada ou Tradição Reformada. Uma ironia do protestantismo é que o mesmo surgiu com uma proposta contestadora, revolucionária e libertadora, mas constantemente corre o risco de tornar-se rígido, estático e conservador. Daí a necessidade contínua de reforma. Portanto, a frase é muito oportuna: ainda que não tenha sido usada pelos reformadores, eles certamente concordariam com o seu espírito. 

Ultimato – Quando se fala em reforma, o que está em jogo: a questão teológica, a questão ética ou a questão litúrgica? 

Alderi – Todas as três. O aspecto mais básico é o teológico, ou seja, as verdades divinas que devem nortear a fé e a vida dos cristãos. Se a teologia não for correta, isso fatalmente terá conseqüências negativas para a ética e para o culto. Por exemplo, se uma teologia dá mais ênfase ao ser humano, suas necessidades, desejos e escolhas, do que a Deus e sua vontade, a ética e o culto daí resultantes também serão antropocêntricos, e não teocêntricos. Isso explica grande parte da crise de valores experimentada por tantos cristãos nos dias atuais. 

 A boa teologia, por mais que não se aprecie essa expressão, é fundamental para a saúde moral e espiritual dos cristãos. E uma boa teologia significa uma teologia bíblica, equilibrada e consistente; uma teologia que resulta de uma saudável interpretação das Escrituras, que leva em conta “todo o conselho de Deus” e não apenas alguns aspectos do mesmo; uma teologia que não é individualista e subjetiva, mas que considera o legado de reflexão bíblica cuidadosa e reverente que recebemos do passado. 

Ultimato – Reforma religiosa sempre provoca cisão na igreja? 

Alderi – Essa é uma ocorrência freqüente, em virtude das resistências que sempre se manifestam contra os movimentos reformadores por parte daqueles que desejam a manutenção do status quo, inclusive político-eclesiástico. Por outro lado, a maior parte das cisões que têm ocorrido entre os cristãos, especialmente protestantes, não decorre de anseios legítimos de reforma, mas de outros fatores, alguns muito pouco recomendáveis (personalismos, conflitos de liderança, ensinos questionáveis). Historicamente, a Igreja Católica tem demonstrado maior capacidade de absorver tentativas de reforma sem permitir divisões. Todavia, desde uma ótica protestante, as reformas católicas têm sido pouco radicais, limitando-se, na maioria das vezes, a questões administrativas. A chamada “Reforma Católica” do século 16, realizada pelo Concílio de Trento (1545-1563), foi uma reação contra o protestantismo e preocupou-se antes de tudo em reforçar, não em reconsiderar, os pontos que eram questionados pelos reformados. 

Ultimato – Reforma religiosa e unidade da igreja — uma é mais importante que a outra? 

Alderi – O Novo Testamento nunca coloca a unidade da igreja como um bem supremo, como um valor que deve ser mantido a qualquer preço. É evidente que a unidade é importante, como expressão do desejo do próprio Jesus manifesto em sua oração sacerdotal (Jo 17) e como conseqüência do conceito paulino da igreja como corpo de Cristo. A questão central é o que se entende por “igreja”: seria a instituição visível ou o conjunto dos cristãos, estejam onde estiverem? Por exemplo: dois grupos podem estar dentro da mesma instituição e ainda assim estarem profundamente separados um do outro, sem nenhuma comunhão entre si. É o que acontece, por exemplo, com os integrantes da TFP e os partidários da Teologia da Libertação. Por outro lado, no meio evangélico membros de diferentes igrejas se tratam como irmãos e participam de projetos comuns. Onde está havendo mais unidade? Os cristãos devem se preocupar tanto com a pureza quanto com a unidade da igreja, sem sacrificar uma por causa da outra. 

Ultimato – A reforma religiosa sob o ponto de vista da história costuma ser um processo vagaroso ou um acontecimento abrupto? 

Alderi – Nem uma coisa nem outra. A maior parte das reformas verificadas no cristianismo não ocorreram de modo muito rápido nem muito prolongado. Um bom exemplo é o pietismo alemão, o famoso movimento revitalizador do luteranismo no final do século 17 e início do século 18. O movimento surgiu e produziu os seus melhores frutos dentro de algumas décadas, sob a direção de dois líderes notáveis: Phillip Jacob Spener e August Hermann Francke. Outro exemplo relevante é o puritanismo inglês, um movimento de grande impacto renovador nas áreas da teologia, da espiritualidade e da pregação, que em poucas décadas afetou profundamente toda uma nação. 

Ultimato – Por que a Reforma Protestante e a Reforma Tridentina não deram o mesmo resultado? 

Alderi – Por causa dos objetivos radicalmente diferentes das duas reformas. A reforma protestante foi um movimento contestador, restaurador, de retorno ao que os reformadores entendiam serem os fundamentos bíblicos dos quais a igreja romana havia se afastado. Por sua vez, a reforma católica foi um esforço de preservação da tradição e da identidade católica frente à contestação protestante. 

Ultimato
– Qual a diferença entre reforma e reavivamento? Os dois eventos caminham juntos? 

Alderi
– A reforma tem a ver com a restauração da verdade bíblica, com o resgate das convicções básicas da fé cristã, em suma, com o aspecto teológico, doutrinário. O reavivamento está mais ligado à vida prática, à espiritualidade, à comunhão com Deus, ao aprofundamento da vida cristã. Sem avivamento, a reforma pode tornar-se fria, formal e árida, reduzindo-se a uma mera preocupação com a ortodoxia. Por outro lado, sem reforma, o avivamento pode descambar para o emocionalismo superficial e efêmero, para o individualismo que busca experiências arrebatadoras, mas sem um compromisso profundo com Deus e com a igreja. Os dois fenômenos nem sempre caminham juntos, mas deveriam caminhar. O apóstolo Paulo apresenta a fórmula ideal ao exortar os efésios: “Seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo” (Ef 4.15). 

Ultimato – Houve algum desvio significativo na história recente da igreja (século 20) que justificaria uma reforma hoje? 

Alderi
– A Igreja Católica demonstrou alguns elementos muito positivos ao longo do século 20, principalmente o despertamento para o clamor dos sofredores, a luta em prol da justiça social, a defesa da dignidade da vida humana. Outros eventos auspiciosos foram a renovação litúrgica e a abertura para o diálogo interconfessional em conseqüência do Concílio Vaticano II. Todavia, desde uma ótica protestante, essa grande e antiga igreja continua a carecer de reforma no âmbito teológico, em virtude da manutenção de convicções e práticas que não encontram respaldo escriturístico e que nunca foram aceitas pela igreja apostólica. 

O maior exemplo é o culto prestado a Maria e aos santos, que obscurece e relativiza a devoção plena e exclusiva que os cristãos devem à Trindade (“Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto” – Mt 4.10). No meio evangélico, por outro lado, ocorreram alguns desdobramentos preocupantes durante o século 20. Um deles foi o progressivo abandono das grandes verdades proclamadas pelos reformadores e seus herdeiros, as chamadas “doutrinas da graça”, em prol de uma teologia centralizada no ser humano, nas suas necessidades e nos seus desejos. 

 Uma das principais áreas em que isso se reflete é o culto. Outro problema é a crescente assimilação, por parte dos evangélicos, dos valores da sociedade de consumo, mediante o discurso pretensamente bíblico da teologia da prosperidade e do sucesso. O resultado é uma espiritualidade imatura, egocêntrica e alienada dos problemas sociais. 

Ultimato – Em 1989, o padre belga José Comblin, numa palestra pronunciada no seminário sobre Evangelização e Modernidade, promovido pela CNBB, em Brasília, disse que “a Igreja Católica vai ter que morrer para começar a falar em reforma”. Qual das três vertentes cristãs (católica romana, ortodoxa e protestante) é mais aberta a uma possível reforma? 

Alderi – Depende da natureza dessa reforma. Os católicos são mais abertos para reformas nas áreas administrativa (direito canônico), litúrgica e devocional, mas fortemente avessos a reconsiderações de suas posições no aspecto doutrinal. Os protestantes, por causa da sua própria história e mentalidade, têm maior abertura para mudanças nos aspectos teológico e comportamental. A igreja ortodoxa é a mais conservadora das grandes tradições cristãs. 

Ultimato – Como situar o fenômeno pentecostal e carismático do início do século passado e, sobretudo, o fenômeno neopentecostal, bem mais recente? Essas igrejas são filhas da Reforma Protestante? 

Alderi – O fenômeno pentecostal surgiu nos primeiros anos do século 20, mas foi fruto de eventos que ocorreram no protestantismo americano ao longo de todo o século anterior, a partir do Segundo Grande Despertamento (1800-1830). Esse avivamento resultou em um grande crescimento da Igreja Metodista, com sua tradicional ênfase na santidade, no ativismo e no “perfeccionismo cristão”. Posteriormente, na segunda metade daquele século, surgiu dentro do metodismo o movimento de santidade (“holiness”), do qual, por sua vez, derivou o pentecostalismo. Os estudiosos dizem que o movimento holiness do século 19 já possuía todos os elementos do futuro pentecostalismo, exceto o falar em línguas como evidência do batismo com o Espírito Santo. 

 Não deixa de ser significativo que o pentecostalismo teve grande aceitação em segmentos marginalizados da sociedade americana, como os negros e os imigrantes. Num segundo momento, a partir da década de 50, surgiu o movimento carismático, que foi a ocorrência de fenômenos e ênfases pentecostais na Igreja Católica e nas denominações protestantes históricas, também nos Estados Unidos. 

Já o neopentecostalismo, ou “pentecostalismo autônomo”, consiste em um fenômeno das últimas décadas do século 20. Num certo sentido, trata-se do pentecostalismo clássico levado às suas últimas implicações. Esse movimento mais recente mantém algumas características históricas do seu antecessor, mas ao mesmo tempo afasta-se dele em alguns aspectos importantes. O pentecostalismo clássico é conservador nos aspectos doutrinário e litúrgico, e estabelece forte dicotomia entre a igreja e a sociedade. O neopentecostalismo é inovador, está aberto para novas experimentações e não hesita em abraçar certos valores da cultura circundante. No Brasil, a Igreja Universal do Reino de Deus se coloca numa categoria à parte, mesmo entre os neopentecostais, por causa da sua ousadia quanto ao significado dos bens materiais, do uso de técnicas de marketing e das contínuas adaptações a elementos da religiosidade brasileira. 

Essas igrejas ainda podem ser consideradas filhas (ou netas) da Reforma Protestante, por manterem certos elementos básicos da mesma (justificação pela fé, ênfase nas Escrituras, sacramentos bíblicos etc.). Ao mesmo tempo, determinados grupos, especialmente neopentecostais, têm se afastado perigosamente de algumas ênfases centrais da Reforma ao darem destaque excessivo a experiências subjetivas e revelações especiais como norma de fé. 

 Ou seja, praticam uma interpretação bíblica alegorizante e tendenciosa, ao dão aos seus líderes um papel crescente como mediadores das bênçãos divinas e especialmente privilegiam um entendimento pouco saudável da vida cristã em termos de uma transação com Deus, e não como uma dádiva graciosa do seu amor imerecido. 

Ultimato – Na presente conjuntura histórica, o que você aconselha aos jovens que nasceram e cresceram na pós-modernidade? 

Alderi – Em primeiro lugar, a mentalidade pós-moderna é caracterizada pelo individualismo e o subjetivismo. O indivíduo se torna o centro de todas as coisas, e seus desejos, preferências e satisfação pessoal passam a ser os alvos supremos. Os jovens devem resistir a isso, procurando ir além dos projetos meramente individuais e cultivando o idealismo, a solidariedade, o envolvimento com os desafios e as oportunidades da vida comunitária. Isso pode ser desafiador, e exigir disciplina e algumas renúncias, mas é uma experiência que enriquece e aprofunda a vida. Outra característica negativa da pós-modernidade é o relativismo, a falta de referenciais seguros, de valores sólidos pelos quais vale a pena viver e morrer. Diante disso, os jovens cristãos devem cultivar uma identidade clara quanto à sua fé e procurar ter convicções firmes e consistentes, tanto doutrinárias quanto éticas. Por último, o pós-modernismo tem a tendência de supervalorizar as conquistas do presente e desprezar o passado. Os jovens moldados pela cultura pós-moderna precisam saber que o mundo não começou com eles, e que existe beleza e relevância em muitas coisas legadas pelas gerações anteriores. 

(Entrevista retirada da edição 295 de Ultimato, jul/ago de 2005)





          CONVERSA SOBRE A REFORMA PROTESTANTE

"Comemorar a Reforma não é uma questão de saudosismo ou apego à tradição, mas significa reafirmar os fundamentos bíblicos redescobertos e confessados pelos reformadores, sem os quais ficaremos à deriva no mar de incertezas que caracteriza a presente era" (Alderi Souza de Matos).

Para falar sobre a Reforma Protestante o Instituto Jetro  entrevistou Alderi Souza de Matos.

Doutor em História da Igreja pelo Boston University School of Theology e Mestre em Novo Testamento pelo Newton Centre, nos EUA. Graduado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano de Campinas, bacharel em Filosofia pela Universidade Católica do Paraná e bacharel em Direito pela Escola de Direito de Curitiba.

É historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil, pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana Paulistana de São Paulo e também professor e coordenador da área de Teologia Histórica no Mackenzie.

Alderi Souza de Matos
Instituto Jetro - Em sua opinião, qual foi a maior contribuição que a Reforma Protestante trouxe à Igreja de Cristo?

Alderi- A maior contribuição da Reforma à igreja foi a redescoberta da Escritura. Os reformadores entenderam que a Palavra de Deus havia ficado soterrada ou obscurecida por uma grande quantidade de ensinos e tradições eclesiásticas que haviam se acumulado ao longo dos séculos. Sua tarefa foi a de resgatar a relevância e supremacia da mensagem original do evangelho contida na Bíblia e, em especial, no Novo Testamento. Daí o princípio de "Sola Scriptura" (somente a Escritura).

Instituto Jetro - Poderia resumir, os pensamentos de Lutero e Calvino? 

Alderi- O ponto de partida do pensamento de Martinho Lutero foi a doutrina da justificação pela graça mediante a fé. Ele entendia que essa doutrina não só era profundamente bíblica, mas também correspondia à sua própria experiência religiosa pessoal. A compreensão do ensino de Paulo de que a justiça não é algo que Deus exige de nós, mas algo que ele nos concede gratuitamente em Cristo, teve um efeito profundamente libertador para Lutero. Essa dádiva só pode ser aceita pela fé, um dom de Deus, não podendo ser alcançada mediante quaisquer obras ou méritos humanos. O pensamento de Lutero muitas vezes trabalha com contrastes, como aquele entre lei e evangelho, ou então entre a "teologia da cruz" e a "teologia da glória". No que diz respeito à Ceia do Senhor, ele defendeu a posição conhecida como consubstanciação, ou seja, o entendimento de que o corpo de Cristo está "em, com e sob" os elementos do pão e do vinho. 

 Quanto a Calvino, seu pensamento se concentra na ação soberana de Deus como criador, sustentador e redentor. O homem é radicalmente pecador, sendo incapaz de se voltar por si mesmo para Deus. Deus elege, redime em Cristo e chama irresistivelmente os seus escolhidos, os quais nunca irão se perder. Deus toma todas as iniciativas, mas espera a resposta consciente e voluntária dos indivíduos. A lei não contrasta com o evangelho, mas o complementa. O evangelho deve ser pregado indistintamente a todos, pois é o meio escolhido por Deus para chamar à fé os eleitos. O culto deve ser reverente e teocêntrico, contendo somente aquilo que a Escritura prescreve. A pregação e o ensino da Palavra tem um lugar central, servindo de norma para a vida e o testemunho da igreja. A igreja, entendida como a comunhão dos fiéis e o corpo de Cristo, tem uma responsabilidade evangelística, social e política diante do mundo.

Instituto Jetro - O que são os 5 solas? ( somente a fé, somente as Escrituras, Somente a Cristo, Somente a Graça, Somente a Deus seja toda honra e glória)

Alderi- Numa sequência lógica, em primeiro lugar vem o princípio de Somente a Escritura, porque os demais se baseiam nele. Esse princípio afirma que somente a Escritura é a norma suprema de fé e conduta para os cristãos, e não quaisquer ensinos e tradições humanas. Somente a Graça: a graça livre e soberana de Deus é o único fundamento da salvação. Somente Cristo: a graça de Deus é mediada supremamente por Cristo; ele é o único mediador entre Deus e os seres humanos. Somente a Fé: a fé, ela mesma também uma dádiva de Deus, é o único meio pelo qual as pessoas podem receber a graça de Deus revelada em Cristo. Glória somente a Deus: por causa de seu caráter radicalmente teocêntrico, a Escritura nos ensina a atribuir toda a glória e louvor a Deus somente, e não a anjos ou seres humanos, por mais virtuosos que sejam.

Instituto Jetro - Alguns dizem que as 95 teses foram fixadas diretamente na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. No entanto, outros afirmam que elas foram enviadas primeiramente por Martinho Lutero para o Arcebispo Alberto de Mogúncia e para o bispo diocesano Jeronimo Schulz, os quais não responderam. Qual era a intenção de Lutero com estas teses?

Alderi- De fato, não há evidências seguras de que as 95 teses foram afixadas na porta da igreja do castelo. As teses eram a maneira usual de se iniciar um debate acadêmico sobre qualquer assunto naquela época. Elas certamente foram expostas em locais públicos de Wittenberg, sendo depois enviadas às autoridades eclesiásticas. Com elas, Lutero queria iniciar um debate sobre as indulgências (o perdão eclesiástico das penas temporais do pecado) e principalmente sobre a venda desse benefício.

Instituto Jetro - Lutero, ingenuamente, acreditava que poderia ter o apoio do Papa para eliminar o comércio das indulgências?

Alderi- Parece que Lutero realmente acreditava de boa fé que teria a simpatia do papa para coibir os abusos associados com a venda das indulgências. Ocorre que esse comércio estava sendo utilizado pela Santa Sé a fim de obter recursos para a construção da Catedral de São Pedro. Portanto, o pontífice dificilmente se oporia a essa prática.

Instituto Jetro - Podemos resumir que a centralidade de Cristo e da Palavra foram os grandes avanços da Reforma? As Igrejas estão fazendo um caminho de retrocesso quanto a essas bases? 

Alderi- A centralidade de Cristo e da Palavra certamente foram as duas grandes contribuições da Reforma. Infelizmente, as igrejas herdeiras da Reforma estão perdendo de vista essas ênfases essenciais. Elas o fazem sempre que colocam a experiência religiosa, os interesses pessoais e os ensinos e ações de líderes "ungidos" acima da Escritura e de Cristo.

Instituto Jetro - Quais são os seus apontamentos para a liderança cristã de hoje sobre a Reforma Protestante? 

Alderi- Se quisermos uma igreja que realmente vai impactar o mundo contemporâneo com o evangelho de Cristo, é preciso retornar aos fundamentos da Reforma. Isso inclui um compromisso inabalável com a Escritura corretamente interpretada e aplicada; um compromisso com a graça como dádiva divina e não como conquista humana; um compromisso com Cristo como o único salvador e mediador, rejeitando-se a mediação de instrumentos humanos; um compromisso com a soberania, majestade e glória de Deus, e não com as ambições deste mundo, ainda que revestidas de uma linguagem religiosa.

Instituto Jetro - Gostaria de acrescentar algo?

Alderi- Vivemos dias angustiosos e cheios de incertezas não só no cenário internacional, mas em nosso país. As igrejas evangélicas brasileiras precisam estar atentas as realidades e problemas do presente e falar às novas gerações, sem, todavia, abandonar os fundamentos seguros do passado. A Reforma Protestante tem muito a nos ensinar a esse respeito. 






               
           CARTA A UM UNIVERSITÁRIO CRISTÃO

Alderi Souza de Matos 

Caro irmão em Cristo,

Você tem o privilégio de frequentar um curso superior, algo que não está disponível para muitos brasileiros como você. Todavia, esse privilégio implica em muitas responsabilidades e em alguns desafios especiais. Um desses desafios diz respeito a como conciliar a sua fé com determinados ensinos e conceitos que lhe têm sido transmitidos na vida acadêmica.

Até ingressar na universidade, você viveu nos círculos protegidos do lar e da igreja. Nunca a sua fé havia sido diretamente questionada. Talvez por vezes você tenha se sentido um tanto desconfortável com certas coisas lidas em livros e revistas, com opiniões emitidas na televisão ou com alguns comentários de amigos e conhecidos. Porém, de um modo geral, você se sentia seguro quanto às suas convicções, ainda que nunca tivesse refletido sobre elas de modo mais aprofundado.

Agora, no ambiente secularizado e muitas vezes abertamente incrédulo da universidade, você tem ficado exposto a ideias e teorias que se chocam frontalmente com a sua fé até então singela, talvez ingênua, da infância e da adolescência. Os professores, os livros, as aulas e as conversas com os colegas têm mostrado outras perspectivas sobre vários assuntos, as quais parecem racionais, científicas, evoluídas. Algumas de suas crenças e valores parecem agora menos convincentes e você se sente pouco à vontade para expressá-los. No intuito de ajudá-lo a enfrentar esses desafios, eu gostaria de fazer algumas considerações e chamar a sua atenção para alguns dados importantes.

Em primeiro lugar, você não deve ficar excessivamente preocupado com as suas dúvidas e inquietações. Até certo ponto, ter dúvidas é algo que pode ser benéfico porque ajuda a pessoa a examinar melhor a sua fé, conhecer os argumentos contrários e adquirir convicções mais sólidas. O apóstolo Paulo queria que os coríntios tivessem uma fé testada, amadurecida, e por isso recomendou-lhes: "Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos" (2 Co 13.5). As dúvidas mal resolvidas realmente podem ser fatais, mas quando dão oportunidade para que a pessoa tenha uma fé mais esclarecida e consciente, resultam em crescimento espiritual e maior eficácia no testemunho. O apóstolo Pedro exortou os cristãos no sentido de estarem "sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós" (1 Pe 3.15).

Além disso, você deve colocar em perspectiva as afirmações feitas por seus professores e colegas em matéria de fé religiosa. Lembre-se que todas as pessoas são influenciadas por pressupostos, e isso certamente inclui aqueles que atuam nos meios universitários. A ideia de que professores e cientistas sempre pautam as suas ações pela mais absoluta isenção e objetividade é um mito. Por exemplo, muitos intelectuais acusam a religião de ser dogmática e autoritária, de cercear a liberdade das pessoas e desrespeitar a sua consciência. 

Isso até pode ocorrer em muitos casos, mas a questão aqui é a seguinte: Estão os intelectuais livres desse problema? A experiência mostra que os ambientes acadêmicos e científicos podem ser tão autoritários e cerceadores quanto quaisquer outras esferas da atividade humana. Existem departamentos universitários que são controlados por professores materialistas de diversos naipes - agnósticos, existencialistas e marxistas. Muitos alunos cristãos desses cursos são ridicularizados por causa de suas convicções, não têm a liberdade de expor seus pontos de vista religiosos e são tolhidos em seu desejo de apresentar perspectivas cristãs em suas monografias, teses ou dissertações. Portanto, verifica-se que certas ênfases encontradas nesses meios podem ser ditadas simplesmente por pressupostos ou preconceitos antirreligiosos e anticristãos, em contraste com o verdadeiro espírito de tolerância e liberdade acadêmica.

Você, estudante cristão que se sente ameaçado no ambiente universitário, deve lembrar que esse ambiente é constituído de pessoas imperfeitas e limitadas, que lidam com seus próprios conflitos, dúvidas e contradições, e que muitas dessas pessoas foram condicionadas por sua formação familiar e/ou educacional a sentirem uma forte aversão pela fé religiosa. Tais indivíduos, sejam eles professores ou alunos, precisam não do nosso assentimento às suas posições antirreligiosas, mas do nosso testemunho coerente, para que também possam crer no Deus revelado em Cristo e encontrem o significado maior de suas vidas.

Todavia, ao lado dessas questões mais pessoais e subjetivas, existem alegações bastante objetivas que fazem com que você se sinta abalado em suas convicções cristãs. Uma dessas alegações diz respeito ao suposto conflito entre fé e ciência. O cristianismo não vê esse impasse, entendendo que se trata de duas esferas distintas, ainda que complementares. Deus é o criador tanto do mundo espiritual quanto do mundo físico e das leis que o regem. Portanto, a ciência corretamente entendida não contradiz a fé; elas tratam de realidades distintas ou das mesmas realidades a partir de diferentes perspectivas. O problema surge quando um intelectual, influenciado por pressupostos materialistas, afirma que toda a realidade é material e que nada que não possa ser comprovado cientificamente pode existir. O verdadeiro espírito científico e acadêmico não se harmoniza com uma atitude estreita dessa natureza, que decide certas questões por exclusão ou por antecipação.

Mas vamos a alguns tópicos mais específicos. Você, universitário cristão, pode ouvir em sala de aula questionamentos de diversas modalidades: acerca da religião em geral (uma construção humana para responder aos anseios e temores humanos), de Deus (não existe ou então existe, mas é impessoal e não se relaciona com o mundo), da Bíblia (um livro meramente humano, repleto de mitos e contradições), de Jesus Cristo (nunca existiu ou foi apenas um líder carismático), da criação (é impossível, visto que a evolução explica tudo o que existe), dos milagres (invenções supersticiosas, uma vez que conflitam com os postulados da ciência), e assim por diante. Não temos aqui espaço para responder a todas essas alegações, mas perguntamos: Quem conferiu às pessoas que emitem esses julgamentos a prerrogativa de terem a última palavra sobre tais assuntos? Por que deve um universitário cristão aceitar tacitamente essas alegações, tantas vezes motivadas por preferências pessoais e subjetivas dos seus mestres, como se fossem verdades definitivas e inquestionáveis?

O fato é que, desde o início, os cristãos se defrontaram com críticas e contestações de toda espécie. Nos primeiros séculos da era cristã, muitos pagãos acusaram os cristãos de incesto, canibalismo, subversão e até mesmo ateísmo! Foram especialmente contundentes as críticas feitas por homens cultos como Porfírio e Celso, que questionaram a Escritura, as noções de encarnação e ressurreição, e outros pontos. Eles alegavam que o cristianismo era uma religião de gente ignorante e supersticiosa. Em resposta a esses ataques intelectuais surgiu um grupo de escritores e teólogos que ficaram conhecidos como os apologistas e os polemistas. Dentre eles podem ser citados Justino Mártir, Irineu de Lião, Tertuliano, Clemente de Alexandria e Orígenes, que produziram notáveis obras em defesa da fé cristã.

Em nosso tempo, também têm surgido grandes defensores da cosmovisão cristã, tais como Cornelius Van Til, C. S. Lewis, Francis Schaeffer, R. C. Sproul, John Stott e outros, que têm utilizado não somente a Bíblia, mas a teologia, a filosofia e a própria ciência para debater com os proponentes do secularismo. Além deles, outros autores têm publicado obras mais populares acerca do assunto, apresentado argumentos convincentes em resposta às alegações anticristãs. Um bom exemplo recente é o livro de Lee Strobel, Em Defesa da Fé, que possui um capítulo especialmente instrutivo sobre uma questão até hoje não aclarada pela ciência, ou seja, a origem da vida. É importante que você, universitário cristão, leia esses autores, familiarize-se com seus argumentos e reflita de maneira cuidadosa sobre a sua fé, a fim de que possa resistir à sedução dos argumentos divulgados nos meios acadêmicos.

Outra iniciativa importante que você deve tomar é aproximar-se de outros estudantes que compartilham as mesmas convicções. É muito difícil enfrentar sozinho as opiniões contrárias de um sistema ou de uma comunidade. Por isso, envolva-se com um grupo de colegas cristãos que se reúnam para conversar sobre esses temas, compartilhar experiências, apoiar-se mutuamente e cultivar a vida espiritual. Muitas universidades têm representantes da Aliança Bíblica Universitária (ABU) e de outras organizações cristãs idôneas que visam precisamente oferecer auxílio aos estudantes que se deparam com esses desafios. Não deixe também de participar de uma boa igreja, onde você possa encontrar comunhão genuína e alimento sólido para a sua vida com Deus.

Em conclusão, procure encarar de maneira construtiva os desafios com que está se defrontando. Veja-os não como incômodos, mas como oportunidades dadas por Deus para ter uma fé mais madura e consciente, para conhecer melhor as Escrituras, para inteirar-se das críticas ao cristianismo e de como responder a elas, para dar o seu testemunho diante dos seus professores e colegas, por palavras e ações. Saiba que você não está só nessa empreitada. Além de irmãos que intercedem por sua vida, você conta com a presença, a força e a sabedoria do Senhor. Muitos já passaram por isso e foram vitoriosos. Meu desejo sincero é que o mesmo aconteça com você. 

   Deus o abençoe!



Rev. Alderi Souza de Matos

Introdução

1. A Igreja Reformada

Igrejas que resultaram da obra teológica de João Calvino (1509-1564), Ulrico Zwínglio (1484-1531), João Knox (c.1513-1572) e outros reformadores, e que adotaram a forma presbiteriana de governo eclesiástico. Distinguem-se dos outros ramos da Reforma: luteranos, anglicanos e anabatistas. No continente europeu foi adotado o nome Igreja Reformada (Suíça, França, Holanda, etc.) e nas Ilhas Britânicas e América do Norte (Escócia, Irlanda, Inglaterra, Canadá e Estados Unidos), Igreja Presbiteriana.

Doutrinariamente, as Igrejas Reformadas adotam, entre outras, as definições aprovadas pelo Sínodo de Dort (1618-1619) e pela Assembléia de Westminster (1643-49). Além dos princípios aceitos pelos protestantes em geral (Escrituras, Cristo, graça, fé, sacerdócio universal ), o sistema calvinista dá ênfase à plena soberania de Deus na criação, providência e redenção.

2. O Movimento Carismático

O nome vem de chárisma (pl. charísmata) = dádiva, dom (como expressão da graça divina = cháris). O termo ocorre 17 vezes no Novo Testamento, todas, exceto uma, nas cartas de Paulo, sendo dez vezes no singular e sete no plural. Rm 1.11; 5.15,16; 6.23; 11.29; 12.6; 1 Co 1.7; 7.7; 12.4,9,28,30,31; 2 Co 1.11; 1 Tm 4.14; 2 Tm 1.6; 1 Pe 4.10. A expressão “dom espiritual” somente ocorre em Rm 1.11.

Os carismas ou dons carismáticos podem ser entendidos como dons da graça concedidos pelo Espírito de Deus para a edificação da igreja cristã. Sua enumeração é encontrada em Rm 12.6-8; 1 Co 12:8-10,28; Ef 4.11 e 1 Pe 4.10-11. Os dons carismáticos dividem-se em naturais e sobrenaturais, extraordinários ou miraculosos.

“Movimento carismático” (lato sensu): todo movimento que dá ênfase aos dons carismáticos do Espírito, principalmente os de natureza extraordinária, como profecia, curas e glossolália. Geralmente, também tem um forte componente apocalíptico (milenismo).

3. Aspectos históricos

Ao longo da história da igreja tem havido vários movimentos de natureza “carismática.” Um dos primeiros foi o montanismo, no segundo século. Montano começou a pregar sua mensagem na Frígia, por volta de 155 AD. Ele e duas mulheres, Priscila e Maximila, afirmando serem profetas, anunciaram com base no Evangelho de João o início do último e mais elevado estágio da revelação, a era do Parácleto. Daí sua ênfase aos dons espirituais (principalmente a profecia), proximidade do fim do mundo, ascetismo e exaltação do martírio. Protesto contra o formalismo e mundanismo da igreja, e contra a dependência de líderes humanos (bispos) ao invés do Espírito Santo. Rejeitado por seu fanatismo e reivindicação de possuir revelações mais altas que as do Novo Testamento. Surgiram outras manifestações dessa natureza nos séculos seguintes, muitas vezes em grupos dissidentes, minoritários. 

O termo se aplica com maior propriedade a um fenômeno do século XX composto de três estágios ou “ondas”: 

(1) Primeira onda: Movimento Pentecostal – teve início em 1900-1901 com Charles F. Parham, evangelista, pregador da cura pela fé e diretor de uma escola bíblica em Topeka, Kansas. Adquiriu maior ímpeto com o pastor negro William J. Seymour e sua famosa missão da Rua Azuza, em Los Angeles. Tanto Parham como Seymour eram ligados aos movimentos Holiness (“santidade”) que haviam surgindo dentro do metodismo norte-americano. Dentre as primeiras igrejas pentecostais estavam as Assembléias de Deus e o Evangelho Quadrangular.

(2) Segunda onda: Movimento Carismático – também conhecido como Renovação Carismática. Resultou da penetração do movimento pentecostal nas denominações históricas ou tradicionais e também na Igreja Católica, a partir dos anos 50. Uma importante organização pioneira desse movimento foi a Adhonep (Associação de Homens de Negócios do Evangelho Pleno).

(3) Terceira onda: Igrejas neopentecostais – também conhecido como Movimento de Sinais e Maravilhas. Tem ligação com Peter Wagner, John Wimber e a Vineyard Christian Fellowship. Uma expressão mais recente é a Igreja Vineyard de Toronto, com suas manifestações de riso santo, rugidos e sons de animais. No Brasil, são exemplos desse grupo a Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Igreja Deus é Amor e outras.

4. O Movimento Carismático e as Igrejas Reformadas

Curiosamente, um dos precursores do moderno movimento carismático foi o pastor presbiteriano escocês Edward Irving (1792-1834). Irving trabalhou inicialmente em Glasgow, como auxiliar do famoso Rev. Thomas Chalmers. Aos 30 anos, assumiu o pastorado de uma pequena congregação da Igreja da Escócia em Londres. Sua poderosa pregação produziu tamanho crescimento, que cinco anos depois (1827), quando o novo templo foi inaugurado, a congregação se tornara a maior igreja de Londres. As mais altas personalidades iam ouvir seus sermões, que chegavam a estender-se por duas horas. Irving participava de um grupo que se reunia para estudar escatologia. Convictos da iminente volta de Cristo, ele e seus companheiros oravam por um derramamento do Espírito Santo. 

 No início de 1830 ocorreram manifestações carismáticas na Escócia e no ano seguinte surgiram línguas e profecias na igreja de Irving. Crendo que essas eram expressões genuínas dos dons do Espírito, Irving recusou-se a proibi-las, e poucos meses depois foi afastado da igreja. Mais tarde, o grupo que o acompanhou (mais de 600 pessoas) criou a Igreja Católica Apostólica. Sua posição acerca dos dons estava ligada às suas idéias acerca de Cristo: este teria sido concebido com uma natureza humana pecaminosa, que foi plenamente santificada pelo Espírito Santo. O mesmo Espírito que santificou a Cristo também capacitaria os crentes para a obra de Deus no final dos tempos. Irving morreu com apenas 42 anos, vitimado pela tuberculose.

No Brasil, o movimento de renovação afetou as igrejas históricas em geral nas décadas de 1960 e 1970, inclusive a presbiteriana. Surgiu a Igreja Presbiteriana Renovada, que tornou-se inexpressiva. Práticas e ênfase carismáticas, no entanto, tem sido bastante aceitas em igrejas presbiterianas: estilo de culto (cânticos, instrumentos musicais, informalidade), testemunhos, batalha espiritual, crescimento da igreja. Nos Estados Unidos, existem grupos que se denominam carismáticos reformados.

5. Diferenças entre a Fé Reformada e o Movimento Carismático

a) Históricamente, apesar da experiência de Irving, não há conexão entre os dois movimentos. O movimento carismático procede do metodismo, via igrejas holiness e pentecostais.

b) Por sua teologia arminiana, o movimento carismático põe grande ênfase nas decisões humanas e na experiência pessoal. A fé reformada põe sua ênfase maior na ação soberana de Deus e na glória de Deus como o objetivo maior de tudo.

c) Essa ênfase primária em Deus, e não nos desejos ou bem-estar das pessoas, leva à preocupação com o estudo sério das Escrituras, culto solene e respeitoso, evangelismo equilibrado, harmonia entre razão e emoção, ética pessoal e social.

d) A centralidade das Escrituras como norma de fé e prática (acima da experiência individual). Tudo deve ser julgado pela Palavra. Daí, a preocupação com o preparo bíblico e teológico dos pastores. 

e) O Espírito e a Palavra andam juntos, assim como a obra do Espírito não pode ser separada da obra de Cristo. A função do Espírito Santo é exaltar a Cristo e testemunhar dele.

Contribuições positivas dos carismáticos: espiritualidade intensa e alegre, culto vibrante, fervor evangelístico, ênfase à santificação, valorização da pessoa e obra do Espírito Santo.





Por Rev. Alderi Souza de Matos


Este artigo inicia uma nova série que irá abordar os principais documentos confessionais da fé reformada. Confessar significa declarar a fé, algo que os cristãos têm feito desde o início. A Reforma Suíça caracterizou-se pela grande quantidade de declarações doutrinárias que produziu, com objetivos confessionais, apologéticos e didáticos. Num contexto de intensas controvérsias, os reformados entenderam que era necessário expor de modo claro e incisivo as suas convicções, com base nas Escrituras. As confissões reformadas são uma das principais expressões e fontes da teologia desse ramo protestante. Algumas de suas ênfases são comuns ao protestantismo em geral e outras, específicas da tradição reformada. 

 Quanto à autoria, houve uma grande variedade de situações: alguns documentos foram elaborados por indivíduos, outros por grupos e ainda outros por grandes assembleias de teólogos. Esses textos em geral assumiram duas formas: confissões de fé (divididas em capítulos e seções) e catecismos (perguntas e respostas).

Os 67 Artigos de Zuínglio são considerados não somente a primeira confissão reformada, mas a primeira confissão protestante. Ao contrário das 95 Teses de Lutero, eles não só abordaram um vasto conjunto de doutrinas e práticas, mas deram considerável atenção a alguns princípios basilares do novo movimento protestante. Seu autor, Ulrico Zuínglio (1484-1531), o fundador da tradição reformada, começou a ser impactado pela Bíblia a partir de 1516, quando pároco em Einsiedeln. Ao tornar-se o sacerdote da principal igreja de Zurique, em 1519, seus sermões e preleções alicerçados no Novo Testamento assumiram um crescente tom reformista. O contexto dos 67 Artigos foi a Primeira Disputa de Zurique, em 29 de janeiro de 1523, convocada pelo conselho municipal para resolver a controvérsia religiosa que havia surgido na cidade. O conselho aprovou as proposições de Zuínglio e determinou que os ministros daquele cantão pregassem somente o que tinha apoio nas Escrituras. Esse foi o marco inicial da Reforma Suíça.

Os artigos ou Schlussreden (“conclusões”), que tiveram 26 edições em dois anos,  dão ênfase à supremacia das Escrituras, principalmente no parágrafo introdutório: “Eu, Ulrico Zuínglio, confesso que tenho pregado na nobre cidade de Zurique estes sessenta e sete artigos ou opiniões com base na Escritura, que é chamada theopneustos (isto é, inspirada por Deus). Proponho-me a defender e vindicar esses artigos com a Escritura. Mas se não tiver entendido a Escritura corretamente, estou pronto a ser corrigido, mas somente a partir da mesma Escritura”. Outros destaques são: Cristo é o único Salvador da humanidade; a igreja é definida em categorias espirituais, não institucionais; as obras são boas só na medida em que são de Cristo, não nossas; as tradições humanas, ou seja, missa, proibição de alimentos, festivais, peregrinações, vestes especiais, ordens religiosas e celibato clerical, são inúteis para a salvação; em sua esfera, a autoridade do Estado é superior à da igreja; somente Deus absolve os pecados humanos; a Escritura não ensina o purgatório e um sacerdócio separado; a pregação está no centro do ministério da igreja.

Talvez a maior vitória de Zuínglio nesse debate tenha sido o endosso formal do princípio de sola Scriptura: a Escritura, com Cristo no seu centro, é a única autoridade capaz de dirimir todas as questões religiosas. Com esse notável documento, Zuínglio lançou os fundamentos da fé evangélica e reformada.








                         


                         


                         

       O Dizimo, Preceito Cristão? - Alderi Souza de Matos 



A prática do dízimo é um tema controvertido nas igrejas evangélicas, tendo, de um lado, defensores apaixonados e, do outro, críticos ardorosos. Para alguns, é uma espécie de legalismo judaico preservado na igreja cristã. Para outros, trata-se de uma norma divina que tem valor permanente para o povo de Deus, na antiga e na nova dispensação. Os críticos do dízimo afirmam que sua obrigatoriedade é contrária ao espírito do evangelho, pois Cristo liberta as pessoas das imposições da lei. Os defensores alegam que essa posição é interesseira, porque permite às pessoas se eximirem da responsabilidade de sustentar generosamente a igreja e suas atividades. O grande desafio nessa área é encontrar o equilíbrio entre tais posições divergentes. O que está em jogo é uma questão mais ampla — o conceito da mordomia cristã, do uso que os cristãos fazem de seus recursos e bens.


Os dados bíblicos

O dízimo (do latim “decimu”) pode ser definido como a prática de dar a décima parte de todos os frutos e rendimentos para o sustento das instituições religiosas e dos seus ministros. Trata-se de um costume antigo e generalizado, sendo encontrado tanto no judaísmo como nas culturas vizinhas do Oriente Médio. Essa prática é claramente estabelecida no Antigo Testamento, sendo até mesmo anterior à lei de Moisés (Gn 14.20; 28.22). O dízimo era devido primariamente a Deus, como expressão de gratidão por suas bênçãos e consagração a ele. Mais tarde, tornou-se um preceito formal na vida religiosa dos hebreus (Lv 27.30-32), sendo destinado especificamente para o sustento dos levitas (Nm 18.21-24). Em Deuteronômio, está associado a uma refeição comunitária festiva e ao auxílio aos necessitados (12.17-19; 14.22-29; 26.12-14). Às vezes era dado liberalmente (2Cr 31.5-6; Ne 10.37-39; 12.44) e em outras ocasiões retido fraudulentamente (Ml 3.8-10).

Nos escritos do Novo Testamento, o dízimo é mencionado explicitamente apenas nos Evangelhos e na epístola aos Hebreus, sempre em relação aos judeus. Jesus aprovou a prática, mas a censurou quando se tornava uma expressão de frio legalismo (Mt 23.23; Lc 11.42; 18.12; ver Am 4.4). Em Hebreus, é mencionado em conexão com Melquisedeque, uma figura do sacerdócio de Cristo (7.1-10). As epístolas paulinas falam muito sobre ofertas para a comunidade, mas sua ênfase maior é sobre as contribuições voluntárias (2Co 9.6-7). O Novo Testamento não fornece muitas informações sobre o sustento do trabalho regular da igreja. Todavia, as informações disponíveis destacam atitudes como gratidão, fé, amor e generosidade como motivações centrais da mordomia cristã.

O dízimo na história


No início da igreja, a informalidade e a simplicidade das estruturas não exigiam muitos recursos para sua manutenção. Não havia templos nem ministério em tempo integral (muitos líderes eram “fazedores de tendas”, como Paulo). A maior carência estava na área social ou beneficente. Daí a grande ênfase nas ofertas, principalmente em situações de particular necessidade (ver 1Co 16.1-4; 2Co 8.1–9.15). No entanto, o princípio de que a contribuição devia ser marcada pelo desprendimento e liberalidade se manteve, como se pode ver na “Didaquê”, um manual eclesiástico do 2º século: “Tome uma parte do seu dinheiro, da sua roupa e de todas as suas posses, segundo lhe parecer oportuno, e os dê conforme o preceito” (13.7). No final do mesmo século, Irineu de Lião se referiu aos cristãos como aqueles que “separam todas as suas posses para os propósitos do Senhor, entregando de modo alegre e espontâneo as porções não menos valiosas de sua propriedade” (“Contra as heresias” IV.18).


Com o passar do tempo e a crescente institucionalização da igreja, houve a necessidade de uma forma padronizada de contribuição. Com isso, recorreu-se ao precedente bíblico já conhecido e testado por muito tempo — o dízimo. Ao longo dos séculos, ele se tornou obrigatório — uma espécie de imposto eclesiástico — e na época de Carlos Magno passou a integrar a lei civil. No final da Idade Média surgiram abusos quando os dízimos, em certos casos, se tornaram um instrumento para a compra de cargos eclesiásticos (simonia). Houve controvérsias quando as pessoas buscavam fugir ao pagamento dos dízimos enquanto outras tentavam se apropriar desses rendimentos para si mesmas. Os países que tinham igrejas estatais recolhiam os dízimos dos fiéis em troca do sustento da igreja e do pagamento dos salários dos ministros (côngrua). No Brasil colonial, em virtude do sistema conhecido como “padroado”, o dízimo se tornou o principal tributo arrecadado pelo estado português.

Validade atual


A questão que se coloca é a seguinte — o dízimo é valido hoje em dia para os cristãos? É uma forma legítima de contribuição cristã? São muitos os fatores a serem considerados na busca de uma resposta. Em primeiro lugar, é preciso atentar para o ensino bíblico global sobre o lugar que os bens devem ter na vida do crente. Deus é o senhor e proprietário supremo de todas as coisas. Os seres humanos são mordomos, ou seja, administradores dos recursos e dádivas de Deus. Aqueles que realmente o amam, são gratos por suas bênçãos e querem servi-lo, se sentirão movidos intimamente a contribuir para causas que engrandecem o seu nome. A segunda consideração é pragmática. A igreja é uma associação voluntária. Ela não tem outra fonte estável de sustento a não ser as contribuições dos seus membros. As ofertas ocasionais comprovadamente são insuficientes para atender a todas as necessidades financeiras da comunidade cristã. Torna-se necessário um método de contribuição que seja regular, generoso e proporcional aos recursos dos fiéis.

Outro argumento se baseia numa comparação entre Israel e a igreja. Os cristãos entendem que têm recebido bênçãos muito maiores que a antiga nação judaica. O que para esta estava na forma de promessas, para os cristãos são realidades concretas, presentes. A vinda do Messias, sua obra de redenção, seus ensinos e os de seus apóstolos (o Novo Testamento), a dádiva do Espírito Santo e a revelação mais plena da vida futura são exemplos desses grandes benefícios usufruídos plenamente na nova aliança. Daí decorre o seguinte raciocínio: se Deus prescreveu o dízimo para o antigo povo de Israel, seria de se esperar que ele requeresse menos dos cristãos, detentores de maiores dádivas? Portanto, muitos estudiosos concluem que o dízimo deve ser, não o teto da contribuição cristã, mas o piso, o mínimo, o ponto de partida.

Conclusão


A questão do dízimo é tão difícil para muitos cristãos porque toca numa parte sensível da sua vida — o bolso. Parece excessivo entregar um décimo dos rendimentos para Deus, para a causa de Cristo. Nem todos têm o desprendimento e a generosidade da pobre viúva elogiada por Jesus (Mc 12.41-44). Todavia, o dízimo pode ser uma bênção na experiência do cristão em dois sentidos. Primeiro, como um desafio para a sua vida espiritual. Dar o dízimo pressupõe uma relação de amor, gratidão e compromisso com Deus e com as pessoas que serão beneficiadas com essa contribuição. Em segundo lugar, é também um desafio para a melhor administração da vida financeira. Muitas pessoas têm dificuldade em contribuir para a igreja e suas causas porque são desorganizadas em suas finanças, gastam mais do que podem, não têm um senso de prioridades em seu orçamento. 

 A prática do dízimo produz uma disciplina que beneficia outras áreas da vida. Para aqueles que querem trilhar esse caminho, a sugestão é que comecem a aumentar gradativamente a sua contribuição, até atingir o padrão do Antigo Testamento… e então ir além dele.




1- ASPECTOS ESSENCIAIS DA IDENTIDADE REFORMADA 
3- A CAMINHADA CRISTÃ NA HISTÓRIA 

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