quinta-feira, 18 de julho de 2013

Acervo da Teologia

* Casamento / Artigos

Artigos editados por: Denise Campos 

PREPARANDO PARA O CASAMENTO / JOHN PIPER




  O que é o principal em um casamento? Neste emocionante vídeo, Ian e Larissa encarnam a demonstração de que o casamento é primariamente uma questão de demonstrar o amor fiel entre Cristo e Sua Igreja. Que através deste vídeo você possa repensar seu (futuro) casamento.
Re-edição: Abrange Estúdio







QUE BOM SE MEU MARIDO ORASSE COMIGO / LARRY KEEFAUVER






CASAMENTO, DIVÓRCIO & SEXO A LUZ DA BÍBLIA / ESEQUIAS SOARES






Sexo Anal

Dúvidas:Gostaria de saber qual é o capítulo da Bíblia que proíbe o sexo anal entre pessoas casadas.


Até agora já vi muitas opiniões divergente, mas sem citarem o texto bíblico.


Resposta:


Considerando que os humanos são os únicos seres vivos conhecidos que fazem sexo pelo mero prazer e não apenas pela reprodução, que a atividade sexual humana não depende de um ciclo biológico e não se limita ao instinto, o homem se difere dos animais pela suas faculdades mentais, pela sua estrutura psíquica, e por conta disso, a libido está atrelada às necessidades de ordem psíco-afetivas que se percebe através do corpo. Isso implica que, muito do que se percebe nas preferências sexuais podem ser apenas sublimações dos incômodos psíquicos do sujeito. E nesse caso, o recomendável é que se resolva o problema sem paliativos...


Além disso, é sabido de todos que o comportamento humano não é regrado apenas pelas preferências de cada, pelas carências de cada um ou por distúrbios psíquicos quaisquer.


Hoje é muito comum ouvir das pessoas que as preferências sexuais é uma questão particular de cada um, e que nós outros temos que reconhecer essas preferências aprendendo a respeitar as diferenças de cada um. E isso implica que os valores morais dependem agora da vontade de cada um.


Porém, para os que acreditam em Deus e aceitam a Sua Palavra, há de convir que, no que tange às práticas sexuais, e, em particular, o sexo anal, há implicações morais que devem ser considerados inquestionavelmente. Primeiro porque há uma explicação Fisiológica, ao se afirmar que o ânus é parte do aparelho excretor, e em segundo lugar, não por ordem de importância, a Bíblia não aprova o sexo anal.


Do ponto de vista fisiológico desrespeita a higiene, e se desrespeita a higiene, agride a saúde. Em algumas pessoas compromete a saúde até por outras razões que por não ser o objeto da nossa resposta não vamos comentar.


E quanto a Bíblia, a Palavra de Deus é clara no que segue:


1. Em Romanos 1:26-29, o Apóstolo Paulo condena o sodomismo (sodomitas é um termo bíblico para se referir aos que praticam o sexo anal), o homossexualismo e todo tipo de perversão sexual.


2. Em Hebreus 13:4, o Apóstolo chega a chamar de adúlteros os casados que vivem em leito de mácula. Na língua grega, texto original do Novo Testamento, a palavra “adúlteros” é mais esclarecedora. A palavra no Grego é a palavra “porneia”, cujo significado é o mesmo da palavra que está no 7º Mandamento. Ela não se refere apenas as práticas sexuais fora do casamento, se refere a qualquer atividade sexual proibida por Deus. Isso proíbe literaturas pornográficas, conversações pornofônicas e etc. É da palavra “porneia” que deriva no Português as palavras: “pornô”, “pornografia” e etc.


3. Em 1º Coríntios 6:9, lemos uma lista dos que estarão perdidos, e entre eles, constam os sodomitas. (1º Timóteo 1:8-10).


4. Em Gálatas 5:19-21, e em Apocalipse 22:15, aparece outra vez a mesma palavra como sinônimo de pecado.


5. Em Gênesis 18:17-22, a Bíblia se refere à Cidade de Sodoma. O pecado que tanto incomodou ao Senhor era de sexual. A Arqueologia afirma que os sodomitas tinham maior preferência pelo sexo anal e por isso essa prática ficou conhecida como sodomismo. Em Gênesis 19:5, aparece o verbo conhecer, que significa ter relações sexuais. Os homens da cidade, de todas as idades, buscavam sempre novas experiências sexuais e porque viram homens diferentes na casa de Ló desejaram estuprá-los. Não sabiam que se tratava de Anjos e em Gênesis 19:6-11, lemos que Ló, sobrinho de Abraão, chegou oferecer as suas duas filhas, ambas virgens, para que os homens não molestassem os Anjos que estavam em sua casa. Não aceitaram e os Anjos fizeram que todos ficassem cegos e naquela mesma noite todos foram destruídos.


6. Em Colossenses 3:4-6, lemos que as inclinações pecaminosas (entre elas aparece à palavra porneia , devem ser resolvidas antes da Volta de Jesus para não ter que enfrentar a ira de Deus.


7. Mas em Atos 17:30-31, afirma que Deus não leva em conta o tempo da ignorância, mas determina que todos, em todos os lugares, se arrependam antes do Juízo. Agora, em Tiago 4:17, diz que se alguém sabe fazer o bem e não faz, comete pecado. E mesmo que uma verdade não esteja tão clara para alguém, o Espírito Santo tocará na consciência dos sinceros e, no mínimo, ficará uma dúvida. Nesse caso, em Romanos 14:23, lemos que qualquer coisa que se faz com dúvida é pecado.

Analisado e Retirado da internet...



O SEXO NO CASAMENTO / PAULO JÚNIOR






O QUE DIZ A BÍBLIA A RESPEITO DO CASAMENTO INTER-RACIAL?

Pergunta: "O que diz a Bíblia a respeito do casamento inter-racial?"

Resposta:A lei do Velho Testamento ordenava aos israelitas para que não se comprometessem em casamento inter-racial (Deuteronômio 7:3-4). O motivo para isto é que os israelitas se afastariam de Deus se eles se casassem com adoradores de ídolos, pagãos ou bárbaros. Um princípio semelhante se coloca no Novo Testamento, mas em um nível muito diferente: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (II Coríntios 6:14). Assim como aos israelitas (crentes no único Deus verdadeiro) foi ordenado que não se casassem com incrédulos, também aos cristãos (crentes no único Deus verdadeiro) é ordenado que não se casem com incrédulos. Para responder com mais precisão a esta pergunta, não, a Bíblia não diz que o casamento inter-racial seja errado.

Uma pessoa deve ser julgada por seu caráter, não pela cor de sua pele. Todos nós devemos ter cautela a fim de não demonstrarmos favoritismo por alguns, nem termos preconceito ou racismo com outros (Tiago 2:1-10, veja especificamente os versos 1 e 9). O padrão usado pelo homem ou mulher cristã para escolher o cônjuge deverá ser sempre o de verificar se a pessoa por quem está interessada é cristã (II Coríntios 6:14), alguém que nasceu de novo pela fé em Jesus Cristo (João 3:3-5). A fé em Cristo, não a cor da pele, é o padrão bíblico para escolher um esposo ou esposa. O casamento inter-racial não é questão de certo ou errado, mas de sabedoria, discernimento e oração.

O único motivo pelo qual o casamento inter-racial deve ser considerado com cuidado é em relação aos problemas que um casal de diferentes raças poderá experimentar, causados pela dificuldade de aceitação por parte dos que os rodeiam. Muitos casais inter-raciais sofrem discriminação e são ridicularizados, às vezes até pelos próprios parentes. Alguns casais inter-raciais têm dificuldade quando seus filhos têm tons de pele diferente dos pais ou irmãos. Um casal inter-racial precisa levar todos esses fatores em consideração e estar preparado para eles, caso decidam se casar. Repetindo, a única restrição bíblica ao cristão em relação a quem vai escolher para se casar é se a outra pessoa é ou não membro do corpo de Cristo.






Casamento & Amor / John Piper, Don Carson, Tim Keller

O que sustenta o compromisso de casamento ao passar dos anos? No casamento, os homens e as mulheres mudam, mas seu compromisso não.







Lições do Casamento de um Pastor: Charles e Susannah Spurgeon / Por Dr. Gerald Bilkes



“Se é verdadeiro de uma maneira geral que ‘O que acha uma esposa acha o bem e alcançou a benevolência do SENHOR’, quanto mais no caso dos ministros que são encorajados e auxiliados por suas parceiras na vida. Os membros das igrejas cristãs pouco sabem o quanto eles devem às esposas de seus pastores…”  Charles Ray, autor da biografia de Spurgeon.
Você provavelmente não precisa de muita introdução a respeito de Charles Spurgeon, um pastor inglês batista do século 19 que continua sendo influente no meio cristão até hoje e que recebeu o apelido de “ Príncipe dos Pregadores.” É difícil sumarizar como foi a vida de um homem como esse, mas aqui estão alguns rápidos fatos sobre ele:
– Ele tanto foi convertido quanto começou a pregar ainda adolescente.
– Ele era o pastor da congregação New Park Street Chapel (posteriormente chamada de Metropolitan Tabernacle) em Londres por 38 anos.
– Durante sua vida, Spurgeon pregou para aproximadamente 10 milhões de pessoas, frequentemente pregando até 10 vezes por semana em diferentes locais. A maior multidão para a qual ele pregou foi de 23,654 pessoas (isso foi antes da época dos amplificadores!).
– No ápice de seu ministério, seus sermões eram publicados diariamente em jornais tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos.
– Ele era um orador tão talentosos que encantava  multidões de ouvintes, e era um produtivo autor de diversos tipos livros- sermões, uma autobiografia, comentários, livros de oração, devocionais, revistas, poesia, hinos e outros. Seus sermões eram uma obra de arte em “pensamento penetrante e precisa exposição”. Suas mensagens têm sido consideradas dentre as melhores na literatura cristã.
– Ele foi uma pessoa importante na tradição Batista Reformada, defendendo a Igreja de acordo com a Confissão de Fé Batista de Londres de 1689, se opondo às tendências liberais e pragmáticas de sua época. Foi altamente criticado. Ele estava envolvido em diversas controvérsias com a União Batista da Grã-Bretanha, e eventualmente teve que sair da denominação.
– Ele também é lembrado pelas suas obras de caridade – por exemplo, começou com uma organização chamada “Spurgeon’s”, que atualmente é um ministério global, e também fundou a “ Universidade Spurgeon” , a qual recebeu o seu nome após a sua morte.
Mas a esposa de Spurgeon, Susannah, é menos conhecida.
Eu gostaria de começar dando a vocês um breve histórico da vida em comum deles, e depois vou preenchendo as lacunas à medida que damos uma olhada com mais atenção em diversas áreas do casamento que eu acredito que existem lições a serem aprendidas.
Uma Breve Biografia Do Casamento Deles
Em um certo domingo em Dezembro de 1853, Charles Haddon Spurgeon, que na época tinha apenas 19 anos, estava pregando na New Park Street Chapel em Londres .  Susannah Thompson não tinha comparecido ao culto da manhã, mas ouviu falar muito bem dos seus amigos sobre o pregador. Para agradá-los e por curiosidade, ela aceitou assistir ao culto vespertino. Na verdade, ela não ficou muito impressionada com o Pastor Spurgeon, achando que ele parecia um pouco fora de moda com seus cabelos longos e mal cortados, seu enorme terno preto de cetim e um lenço azul e branco. Ela comentou, “então essa é a sua famosa eloquência! Não me impressiona. Que maneiras rústicas! Será que ele algum dia vai parar de brincar com esse horrível lenço azul de seda? E o cabelo dele!…” Porém, mais tarde, eis o que ela disse sobre esse dia:
“Eu considerei comigo mesma quão pouco meus olhos contemplaram a ele que viria a ser o amado da minha vida; Quão pouco eu sonhei sobre a honra que Deus estava preparando para mim no futuro próximo! É apenas por misericórdia que nossas vidas não são deixadas para nós mesmos planejarmos, mas que o nosso Pai escolhe para nós; do contrário nós poderíamos virar as costas para as maiores bênçãos, e afastar de nós os melhores e mais amorosos dons da Sua providência… Oh, como meu coração é vão e tolo! Eu não tive uma mente suficientemente espiritual para compreender sua sincera apresentação do Evangelho e seu poderoso apelo aos pecadores.”
Spurgeon eventualmente aceitou o pastorado dessa Igreja, e Susannah o encontrou novamente. Porém nenhum dos dois lembrava-se com detalhes da primeira vez que se viram. Aparentemente Susannah logo superou seus preconceitos e frequentemente ouvia as pregações de Spurgeon. Não foi muito depois dos seus fervorosos chamados ao arrependimento que ela despertou, e atentou para o fato de que o seu próprio estado espiritual estava longe de ser o que deveria. Ela já havia se convertido antes disso, mas então ela percebeu quão relaxada ela havia se tornado. O Senhor Spurgeon deu a ela uma cópia do Peregrino para ajudá-la e também a aconselhou espiritualmente. Ela disse: “eu disse a ele do meu estado diante de Deus e ele gentilmente me guiou, pelas suas pregações, conversas, pelo poder do Espirito Santo para a Cruz de Cristo, para a paz e perdão que a minha alma tanto buscava.” A amizade entre Spurgeon e Susannah cresceu e eventualmente, em Junho de 1854, Charles lhe revelou os seus sentimentos. Em menos de dois meses ele a pediu em casamento. Eles se casaram em Janeiro de 1856 e quase no fim daquele ano vieram os gêmeos. Eles seriam os únicos filhos de Spurgeon.
Logo após o nascimento dos meninos, um dos eventos mais traumáticos do casamento deles ocorreu. Num certo domingo à noite, enquanto a Senhora Spurgeon estava em casa com as crianças, Chales saiu para pregar num casa lotada no Salão de Música. Durante o sermão, alguém gritou, ”Fogo!”. No pânico e tumulto que se seguiu, várias pessoas foram mortas. Spurgeon estava tão emocionalmente devastado com esse evento que ele ficou sem condições de pregar por um tempo. Para piorar, isso trouxe um criticismo público a Spurgeon. Ele selecionou comentários e críticas dos jornais, algo que continuou fazendo durante sua carreira. A família foi embora por um tempo até que ele se recuperasse e conseguisse voltar ao trabalho. Esse evento teve um impacto por toda a vida em Spurgeon.
Os primeiros anos de suas vidas juntos foram felizes e relativamente livres de preocupações. Susannah alegremente passava seu tempo ao lado de seu marido, o acompanhando em muitas de suas viagens para pregar. Mas após 10 anos de casamento, a senhora Spurgeon ficou cronicamente doente e acamada por boa parte do tempo. Ela estava frequentemente tão doente que não conseguia sair de casa para ouvi-lo pregar. Ela fez o melhor que pôde para encorajá-lo e suportá-lo em seu ministério apesar de sua fraqueza, e seguiu adiante criando seus filhos como uma esposa piedosa. Os dois meninos professaram conversão ainda jovens rapazes e foram batizados por seu pai na Igreja Metropolitana Tabernáculo em 1874. Esse comentário de Spugeon é certamente o sentimento de muitos de vocês, que tiveram o privilégio de ver seus filhos serem convertidos: “Nós não tivemos nem a metade da alegria com o nascimento deles quando comparamos com a alegria que tivemos com o novo nascimento deles.”
É impressionante pensar na carga de trabalho que Spurgeon tinha. Uma semana comum para ele incluía escrever, pregar e publicar um sermão semanal; tomar conta de um orfanato, um seminário para pastores, uma casa de misericórdia, nos quais ele estava envolvido em fundar; ler e responder a aproximadamente 500 cartas, e pregar até umas 10 vezes em igrejas que ele ajudou a plantar.
Charles mesmo se tornou muito doente mais tarde. Ele sofreu de gota, o que as vezes era muito doloroso, por mais de 20 anos, mais ou menos a partir dos seus 35 anos. Mais tarde ele foi afastado por semanas ou até meses todos os anos em razão de diversas doenças. E também sofreu períodos de depressão. Spurgeon faleceu relativamente cedo, aos 57 anos, em 1892, após 40 anos de pregação. Susannah ficou viúva por aproximadamente 12 anos, morrendo em 1903.
Lições da vida conjunta deles:
  1. Existia um importante aspecto espiritual no relacionamento deles
Isso era como um refrão constante na vida deles. É importante ressaltar esse aspecto antes dos demais pontos porque é a verdadeira explicação para eles conseguirem fazer tanto pelo Senhor mantendo o foco em comum.
Logo no período de corte, Charles e Susannah desenvolveram um desejo pelas coisas espirituais, e isso apenas se aprofundou durante a vida deles juntos. Esse desejo espiritual é evidente, por exemplo, no que Spurgeon escreveu para Susannah antes do casamento: “Querida, comprada pelo sangue do Salvador, você é para mim um presente Dele, e meu coração está transbordante com o pensamento de contínua bondade… o que quer que sobrevenha a nós, problemas ou adversidades, doença ou morte, nós não precisaremos temer uma separação final, seja um do outro, seja do nosso Deus.” É claro pelo escrito que Charles via o relacionamento deles como algo muito mais profundo do que uma simples conexão de sentimentos. Mesmo quando nós desconsideramos um pouco da linguagem Vitoriana romântica comum à época, é notório que Charles via Susannah como um presente de Deus para ele.
Ele procurava ver o relacionamento deles como algo firmado no passado, no sacrifício de Cristo na cruz, e que durasse muito além dessa vida. Susannah certamente contribuiu para esse foco no aspecto espiritual. Enquanto preparava capítulos para a sua autobiografia após a morte dele, ela dizia: “eu estou contemplando e aguardando para ver o meu amado novamente – não como ele era quarenta anos atrás ou até mesmo sete anos atrás, mas como ele será quando eu for chamada para me unir a ele novamente… então eu estou aguardando ansiosa por essa bendita esperança, a gloriosa volta do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo.”
Existia uma vulnerabilidade espiritual entre os Spurgeons. Mesmo antes do casamento, Charles escreveu isto para sua futura esposa: “Eu temo não ser tão cheio de amor a Deus como eu costumava ser. Eu lamento meu triste declínio em coisas espirituais. Você e outros podem não ter observado, mas eu agora estou consciente disso… eu te peço, junte as suas orações com as minhas.” Orar um pelo outro era algo muito importante para eles.
Havia outras evidências tangíveis dessa espiritualidade. Eles gastavam tempo lendo juntos: autores como Jonathan Edwards, Richard Baxter, e outros antigos autores Puritanos. Eles até mesmo publicaram uma coleção de Teologia Puritana juntos. Desde o início, o amor espiritual deles era o elo que fortalecia o amor terreno deles. Charles escreveu para Susannah pouco antes de falecer: “seu amor por mim não é um produto apenas da natureza, mas tem sido tão santificado pela graça que tem se tornado uma bênção espiritual para mim.”
Esse profundo tom espiritual do casamento deles é evidenciado de várias formas. Tanto os desafios como os sucessos que aguardavam por eles dificilmente seriam alcançados se a conexão entre eles fosse simplesmente pragmática ou apenas emocional. Como veremos  repetidamente em diversos aspectos mais adiante, eles eram centrados em Deus antes de serem centrados neles mesmos, e isso deu a eles uma grande estabilidade.
2. Eles apoiaram um ao outro mútuamente na obra do Senhor.
Para Susannah, no início, isso significava abrir mão de Charles devido ao seu trabalho pastoral e de pregação que tanto consumia o seu tempo. Mesmo antes de seu casamento, ela cedo teve que aprender que a obra de Deus vinha primeiro. Seus encontros “românticos” consistiam nas visitas que ele fazia a ela nas segundas-feiras, ele sentava-se e começava a editar seu sermão do dia anterior para que fosse publicado, enquanto isso, ela se sentava ao seu lado em silêncio. As vezes, ele estava tão concentrado em seu trabalho de pregação, que se Susannah entrasse na igreja, ele não iria nem mesmo reconhecê-la, apertaria-lhe a mão como se fosse uma total estranha.
Uma vez, Charles a levou para o culto onde ele iria pregar o sermão para muitas pessoas. Assim que eles chegaram, eles foram cercados por uma multidão. Susannah teve que trabalhar duro para se manter perto de Charles e para chegar até a porta. De repente, ele entrou por uma porta lateral, deixando Susannah sozinha para tentar fazer o seu caminho através da multidão. Ele já estava sentindo o peso das almas e estava preocupado com a mensagem que ele estava prestes a pregar, e tinha se esquecido dela. Susannah, confusa e irritada, voltou e foi para casa. Ela esperava que sua mãe fosse concordar com ela, mas ela lhe disse sabiamente que o marido que sua filha havia escolhido não era um homem comum, que toda sua vida era absolutamente dedicada a Deus e Seu serviço, e que ela nunca deveria impedí-lo, tentando colocar-se em primeiro lugar em seu coração. Susannah disse mais tarde que um tempo depois de ouvir os bons conselhos de sua mãe, ela começou a aprender com a experiência. Depois do culto Charles veio à procura de Susannah, sem a menor idéia de que a havia ofendido de alguma forma. Susannah diz:“Eu nunca esqueci o que aprendi naquele dia, eu tinha aprendido a minha lição. Não me recordo de nunca mais procurar afirmar o meu direito ao seu tempo e atenção quando qualquer serviço para o Senhor demandasse prioridade.” Em vez de disputar para ser o foco de atenção de Charles, ela tornou-se uma verdadeira parceira no seu ministério.
Susannah era sua guerreira de oração e incentivadora de seu trabalho. Certa vez, uma noite antes de ele pregar, Spurgeon estava trabalhando em uma passagem que ele sentia que o Senhor não havia revelado para ele ainda. Ele trabalhou, orou e estudou, mas não parecia estar chegando a lugar algum. Finalmente Susannah sugeriu que ele fosse para a cama e acordasse mais cedo no dia seguinte para terminar. Durante a noite, Charles começou a falar enquanto dormia, e ele estava falando sobre o texto que ele estava estudando. Susannah não quis acordá-lo e arriscar interromper os seus pensamentos, portanto, ela levantou e suplicou ao Senhor que a ajudasse a se lembrar de tudo que Charles tinha falado de forma tão eloquente, enquanto ele dormia. Na manhã seguinte, ela foi capaz de se lembrar de tudo, e Charles disse-lhe que, de fato, era o próprio significado do texto! Ambos louvaram ao Senhor por tal notável manifestação de Seu poder e amor.
Veja a homenagem que Charles faz à sua esposa nesta carta: “Ninguém sabe como sou grato a Deus por você. Em tudo que eu já fiz para Ele, você tem uma grande parte. Por me fazer tão feliz, você me ajudou a estar apto para o serviço. Nem sequer meio grama de poder já foi perdido para a boa causa por sua culpa. Eu servi ao Senhor muito mais e nunca menos devido à sua doce companhia”.
Charles também apoiava o serviço de sua esposa a Deus. O ministério pelo qual ela é provavelmente mais lembrada é a coleta de um fundo para compra de livros para pastores. Em um verão Charles terminou um volume de “Lições aos meus alunos”, e deu a Susannah para que ela revisasse. Quando ele perguntou o que ela havia achado, ela respondeu: “Eu gostaria de colocar esse livro nas mãos de cada ministro na Inglaterra.” “Então por que não fazê-lo? Quanto você vai dar? “, Charles encorajou. Ele a apoiou financeiramente e de outras formas tanto que, ainda que a Sra. Spurgeon fosse portadora de deficiência física, este ministério decolou e se tornou uma parte importante da sua vida. Vou dar mais alguns detalhes sobre esse projeto dela mais tarde.
3. O casamento deles foi marcado pelo cuidado mútuo e preocupação com o outro.
Susannah disse o seguinte sobre alguns de seus primeiros anos de casamento:
“Nós … nos amávamos devotamente….  todo o meu tempo e força foram gastos para proporcionar bem-estar e felicidade ao meu querido marido. Eu considerava minha alegria e privilégio estar sempre ao seu lado, acompanhando-o em suas viagens de pregação, cuidando dele em suas doenças ocasionais … sempre cuidando dele com o entusiasmo e simpatia que o meu grande amor por ele inspirada. Digo isto, não para sugerir qualquer tipo de mérito da minha parte, mas simplesmente para que eu possa aqui registrar minha profunda gratidão a Deus que me permitiu, por um certo tempo… cercá-lo com todo o cuidado, conforto e afeição que fosse possível para uma esposa proporcionar. Posteriormente Deus ordenou que fosse diferente. Ele considerou apropriado reverter a situação e, por muito tempo, o sofrimento em vez de serviço tornou-se a minha porção diária, e os cuidados de confortar a esposa doente caiu sobre meu amado.”
Depois que Susannah ficou doente Charles viajou mais sozinho. Ela diz: “Essas separações foram muito dolorosas para os corações tão ternamente unidos como eram os nossos … (nós) suavizávamos essa dor na medida do possível, por correspondências constantes.” Charles, de fato, escrevia fielmente a ela quando estava fora. Ele considerava a escrita dessas cartas mais do que um dever de amor. Mesmo quando ela lhe pedia que ele usasse o seu tempo para escrever outras correspondências, ele costumava escrever para ela diariamente, exceto quando fazia uma longa viagem de trem. Ele diz em uma nota: “Cada palavra que escrevo é um prazer para mim, muito mais do que poderá ser para você … Não se preocupe por eu escrever tantas cartas.”
Charles também tinha o hábito de, quando ele precisava deixar sua esposa, perguntar o que ele poderia trazer de volta para ela. Ela disse que raramente lhe pediu alguma coisa, mas uma vez, ela brincando respondeu: “Eu gostaria de um anel de opala e um ‘curió cantador’!” Ela escreveu que eles riram juntos sobre seu pedido bem humorado… mas numa quinta-feira a noite, não muito tempo depois, ele chegou em casa da igreja com uma pequena caixa na mão, da qual ele tirou um anel de opala. Ele estava tão surpreso com isso quanto ela. Acontece que uma senhora de idade que ele uma vez havia visitado enviou uma nota para a igreja dizendo que tinha um pequeno presente para a Sra. Spurgeon, perguntando se alguém poderia ir buscar. O secretário particular de Spurgeon foi e voltou com esta caixa. Simplesmente aconteceu de ser o anel. Não muito tempo depois, o Sr. Spurgeon foi visitar uma mulher e seu marido moribundo. A mulher disse que seu “curió” de estimação era muito barulhento para o seu marido, e que estava se perguntando se a Sra. Spurgeon gostaria de tê-lo, especialmente quando Charles tivesse viajando. Charles chegou em casa e a presenteou com o pássaro. Os dois ficaram com o coração transbordando, e Charles brincou com Susannah: “Eu acho que você é uma filha mimada do Pai Celestial, e Ele simplesmente lhe dá tudo o que você pede.”
Em um certo momento, quando Susannah estava muito doente, Charles tomou sobre si a tarefa de mobiliar e preparar sua nova casa para ela. Ele tentou fazer tudo de tal forma a agradá-la e tornar a vida mais fácil para ela. Ouça o que ele escreve a ela em uma carta: “Primeiro fui a Finsbury para comprar o guarda-roupa, uma beleza. Eu espero que você viva um longo tempo para pendurar suas roupas nele, cada fio delas é precioso para mim por sua causa, querida… Comprei também uma mesa para você, caso você queira ficar na cama. Ela sobe ou desce por um parafuso, e também rola de lado, de modo a passar por cima da cama, e então ela tem uma aba para um livro ou papel, de modo que minha querida poderá ler ou escrever confortavelmente, enquanto deitada. Eu não podia resistir ao prazer de fazer este pequeno presente …”. Mais tarde, ela escreveu sobre quando viu o que ele tinha preparado para ela: “Ele tinha pensado em tudo!”
4. A vida deles foi caracterizada pelo temor a Deus, e não aos homens.

Charles entendia quão sagrada era a tarefa da pregação. Ele disse, em 1858, enquanto um jovem pregador, “Eu posso afirmar, e Deus é minha testemunha, que eu nunca temi a face de homem…mas eu frequentemente tremo – na verdade, eu sempre tremo – subir ao púlpito, e não pregar fielmente o evangelho a pobres pecadores perdidos… Ocupar o púlpito não é coisa de criança; aquele que acha que é deverá achar algo mais temível do que o jogo do Diabo no dia do julgamento vindouro.”
Um pouco mais tarde, em 1883, ele disse: “Eu tenho pregado o evangelho agora por mais de trinta anos e… frequentemente, quando subo ao púlpito, eu sinto meus joelhos baterem um no outro, não que eu tenha medo de qualquer um dos meus ouvintes, mas eu penso na prestação de contas que devo a Deus, se eu preguei a Sua Palavra fielmente ou não.”
Apesar de ter sido incrivelmente bem-sucedido como pastor, Charles viu que verdadeiros resultados no ministério vinham apenas de Deus, e que, de fato, ser muito amado e admirado poderia ser algo perigoso. Veja o que ele disse certa vez: “Eu não espero ver tantas conversões nesse lugar como eu vi um ano atrás, quando eu tinha bem menos ouvintes.. um anos atrás eu era insultado por todos… mas Deus me deu centenas de almas… eu não espero ver isso agora. Meu nome é de certa forma estimado… isto me faz temer, para que Deus não me esqueça enquanto o mundo me estima.”
Nos domingos à noite Susannah lia para Charles – e quando ele sentia que não tinha sido um pregador tão fiel quanto ele deveria ter sido naquele dia, ele pedia a ela para ler uma parte do livro de Richard Baxter, O Pastor Aprovado. Enquanto ela lia, dizia Susannah, ela era frequentemente interrompida pelos soluços dele, até que a sua própria voz também falhava de emoção e simpatia, e ela chorava com ele – ele estava chorando porque sua consciência estava aflita com os seus fracassos; e ela, porque o amava e queria compartilhar da tristeza dele.
Esse temor a Deus que era tão evidente na vida de Spurgeon como pastor era certamente um antídoto contra o temor a homens. Isso foi algo que alguém escreveu sobre ele após a sua morte: “Um homem tão maravilhoso, e ao mesmo tempo tão simples… ele não se preocupava com a opinião humana… nós nunca conhecemos um homem público que pensasse tão pouco sobre si mesmo, pois acima de qualquer outra coisa, sua única ambição parecia ser “Como posso exaltar meu Deus?” Eu mencionei anteriormente que Charles esteve envolvido em controvérsias e teve que lidar com muito criticismo durante sua vida de pregação. E muitos dos que o criticaram o fizeram de forma escrita. Susannah admitiu mais tarde que esses ataques foram uma grande aflição que ela teve que suportar. A fim de encorajá-lo, ela tinha os seguintes versos impressos e postos numa moldura para ele: “Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.” Eles penduraram esse texto no quarto deles, onde Spurgeon poderia lê-lo todos os dias pela manhã e ser fortalecido com isso.
Outro texto que estava no quarto deles era: “provei-te na fornalha da aflição”. Essa perspectiva bíblica certamente os ajudou a focar seus olhos não no mundo dos homens, mas no Deus a quem eles serviam.
5. Charles e Susannah viveram uma vida generosa, confiando na generosidade de Deus.
Após o casamento, Charles e Susannah estabeleceram uma casa muito modesta e viveram de forma bem econômica. Charles já queria ajudar jovens rapazes no ministério, então das suas economias eles contribuiam financeiramente para suportar e treinar tais jovens – desse pequeno começo, eventualmente surgiu a Universidade para Pastor. Susannah dizia que dividia a alegria de seu esposo em começar esse trabalho, e eles planejaram e economizaram juntos para que a obra continuasse. Ela disse que eles tiveram um tempo bem apertado financeiramente, mas depois eles viram que essa tinha sido a forma de Deus prepará-los para ajudar jovens pastores nos anos seguintes. As vezes eles mal tinham dinheiro para as coisas básicas.
Charles queria fazer mais do que ajudar jovens rapazes. Ele também amava ajudar viúvas que precisavam de proteção e crianças que precisavam de educação. Ele construiu uma casa de misericórdia e um orfanato, financiando muito do sistema de aquecimento, luz e outras despesas com seu próprio dinheiro até que o auxílio chegasse de outro local. A atitude dele era a de procurar diversas formas de servir ao próximo, e não esperar que oportunidades chegassem até ele. Ele também encorajava a sua igreja a criar novos ministérios. Eis o que ele certa vez disse à sua congregação: “Queridos amigos, nós somos uma grande igreja, e nós deveríamos estar fazendo mais pelo Senhor nessa grande cidade. Eu quero que nós, hoje, possamos pedir a Deus que ele nos envie novos trabalhos; e se nós precisamos de dinheiro para seguir adiante, oremos para que os meios também sejam enviados.”
É encorajador ver como Deus recompensou esse espírito confiante e generoso da família Spurgeon. Após alguns anos de casamento, quando eles já tinham vivido numa pequena casa por vários anos, foi decidido que eles precisavam de uma casa maior, com um espaço para um grande biblioteca. Alguns do amigos ricos de Spurgeon, que o conheciam o suficiente para saber que eles levavam uma vida muito generosa com o dinheiro, muitas vezes dando cada centavo que sobrava para uma daquelas causas que eles amavam, decidiram que não era justo que os Spurgeons assumissem o custo de uma nova casa, e concordaram em arcar com a maioria das despesas como forma de apreciação por eles.
Eu já mencionei o início do Fundo para compra de livros da senhora Spurgeon. À medida que a ideia de colocar uma cópia do livro de Charles na mão de outras pessoas veio à sua mente, ela lembrou que havia coletado pedaços de coroa por algum tempo e que eles estavam guardados numa pequena gaveta no andar de cima. Ela foi buscá-los e ao contá-los sua soma era exatamento o valor correspondente a 100 cópias do livro. Ela disse que se sentiu qualquer arrependimento de ter se desfeito de sua coleção, tal sentimento se dissipou rapidamente, e ela doou livre e agradecidamente ao Senhor – e naquele momento seu Fundo para compra de livros surgiu. Pobres ministros foram convidados a pedirem uma cópia do livro, e ela recebeu muito mais que 100 pedidos. Ela terminou doando 200 cópias. Mais tarde outros livros também foram distribuidos. Existem muitas histórias interessantes sobre doadores muito generosos que apareceram – os Spurgeons nunca pediram dinheiro, eles esperavam que o Senhor movesse corações que livremente contribuissem com a obra.
Susannah escreveu sobre esse fundo de reservas em 1877: “O Fundo para compra de livros tem sido nutrido e alimentado pelo tesouro do Rei, e eu tenho que me gloriar no senhor pois todas as coisas necessárias para a continuação da obra tem tão somente carregado a estampa do mérito divino. Eu digo isso porque eu nunca pedi a ajuda de alguém senão a Dele, nunca solicitei doações de qualquer criatura, e mesmo assim dinheiro sempre veio e provisão constantemente vem no momento e quantidade necessário.”
Ela escreveu muito sobre esse fundo, logo, você pode ler mais a respeito caso deseje – mas só para dar uma ideia do tamanho desse ministério, seu ultimo relatório anual de trabalho, dos anos de 1901 e 1902, mostraram que nos 27 anos em que ela fez isso, 199.315 valiosos livros teológicos tinham sido colocados nas mãos de pregadores que eram pobres para comprá-los. Essa foi uma obra conquistada por uma senhora inválida, e ela continuou a fazê-la mesmo após a morte de Charles.
Eventualmente um amigo deu a Susannah certo dinheiro para ajudar os pobres, e com o seu marido e outros amigos também colaborando, foi criado o Fundo de Auxilio Pastoral. Mais tarde, dois amigos deram a ela dinheiro para começar a distribuir uma revista, A espada e a pá, para ministros que não tinham condições de adquirí-la. E então seu ministério continuou, e os Spurgeons tiveram muitas oportunidades de ver a mão maravilhosa de Deus provendo recursos para os trabalhos as vezes de maneira até miraculosa.
Essa citação de Charles parece resumir a atitude que os Spurgeons tinham sobre o ministério que eles levavam com o mundo ao redor deles: “Quando você lamentar a iniquidade do mundo, não deixe as suas emoções terminarem em lágrimas; mero choro não fará nada sem ação. Fiquem de pé, vós que tendes voz e conhecimento, vá e pregue o evangelho, pregue em cada rua e canto dessa grande cidade; vós que tendes riquezas, vá e use-as com os pobres, doentes, necessitados, com os que estão à beira da morte, os analfabetos, e os ignorantes; vós que tendes poder de oração, vá e ore; vós que sabeis manusear a caneta, vá e escreva as iniquidades cometidas – cada homem no seu posto, cada um com a sua arma nesse dia de batalha; agora por Deus e por sua verdade; por Deus e pelo o que é justo; que cada um de nós que conhecemos o Senhor possamos lutar usando o Seu estandarte!”
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geraldbilkesEsse artigo é uma palestra ministrada pelo Dr. Gerald Bilkes às esposas dos estudantes do Puritan Reformed Theological Seminary, gentilmente revisada e adaptada à forma escrita pelo autor especialmente para ser publicado no blog Mulheres Piedosas. Dr. Gerald Bilkes é professor de Teologia Bíblica e Novo Testamento no Puritan Reformed Theological Seminary. Ele completou seu doutorado (2002) no Princeton Theological Seminary. Ele era beneficiário de uma bolsa para pesquisa da Agência de Informação dos Estados Unidos no Instituto Albright (ASOR) em Jerusalém durante o ano de 1997-1998. Ele tem escrito vários artigos sobre temas bíblico-teológicos e tem palestrado em várias conferências. Suas áreas de interesse especial incluem hermenêutica, a história da interpretação e conversão na Bíblia. Ele e sua esposa, Michelle, tem cinco filhos: Lauren, Seth, Zachary, Audrey, e Josué.
Fonte: 



A IGREJA E O DIVÓRCIO

“De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” Mt 19:6

I- O Divórcio no AT, Dt 24:1-4

O divórcio era admitido no A.T sempre que o marido encontrasse alguma coisa indecente ou vergonhosa na mulher. A expressão “coisa indecente” significava que, se o homem visse no corpo e no comportamento de sua esposa algo comprometedor, ou existisse falta de respeito, expressões grosseiras, irresponsabilidade, inaptidão aos deveres domésticos, poderia divorciar-se dela. O adultério não era motivo para o divórcio, pois a lei, em Lv 20:10 e em Dt 22:22, determinava que todo adúltero, homem ou mulher, tinha de ser apedrejado até a morte.


A maioria das igrejas define sua posição acerca do divórcio baseada mais em estatutos e normas do que naquilo que a Bíblia realmente diz. Assim, cometem erros contínuos ao longo dos anos.

Moisés e o divórcio:

É importante ressaltar que a lei de Moisés não foi a criadora do divórcio. Ele já era praticado pelas nações de Canaã bem antes de Israel chegar àquela terra. O que Moisés fez foi regulamentar um costume já existente. Portanto, não há contradição entre ele e Malaquias.

Na Lei, somente em duas situações o homem era impedido de conceder carta de divórcio à esposa:

1- Quando a esposa fosse acusada falsamente de pecado sexual pré-marital pelo marido, Dt 22:13-19;

2- Quando o homem tirasse a virgindade de uma jovem e o pai dela o compelisse a desposá-la, Êx 22:16,17; Dt 22:28,29.

Em nenhum lugar, o Antigo Testamento ordena ou encoraja o divórcio. O profeta Malaquias diz que Deus “odeia o repúdio”, Ml 2:16.

II- O Divórcio no Novo Testamento, MT 19:3-9


1) O ENSINO DE JESUS. A pergunta feita pelos fariseus a Jesus não questionava o divórcio em si, mas se ele era lícito por qualquer motivo. Ao tempo de Jesus, duas correntes fortíssimas dividiam os judeus quanto ao divórcio. Eram elas as correntes de dois grandes rabinos: Shamai, que admitia o divórcio somente nos casos de infidelidade conjugal, e Hillel, que o admitia por qualquer motivo.

Jesus confirmou o pensamento do rabino Shamai, de que o homem só podia divorciar-se legitimamente se sua esposa tivesse comprovadamente cometido atos sexuais ilícitos ( adultério e imoralidade sexual) com outra pessoa, que não o cônjuge. Para Jesus o divórcio não pode ser por qualquer motivo.

2) O ensino de Paulo.

a) Lei conjugal, Rm 7:2


Nesse texto, o apóstolo não está tratando de divórcio, mas dos deveres relacionados à união conjugal. Aqui, portanto, não se comenta a exceção determinada pelo próprio Jesus em Mt 19.

b) Aos casais crentes, 1 Co 7:10,11


 Nessa passagem, Paulo refere-se à mulher que obteve o divórcio de acordo com a Lei grega, fácil de ser conseguido. O apóstolo recusa reconhecer a validade desse divórcio, pois a mulher ainda estava casada. Veja a frase “volte para o marido”. Não tinha havido adultério como motivo para o divórcio.

c) Aos casais mistos, 1 Co 7:12-15


Quando os coríntios convertiam-se, em alguns casos o marido ou a esposa incrédula abandonava o crente por causa de sua fé em Cristo. Nesse caso o divórcio era permitido. A palavra “apartar”, do v. 15, significa divorciar-se, como no versículo 11. Quando o NT foi escrito em grego e enviado às cidades do império Romano, a carta de divórcio era universalmente aceita como tendo um sentido de dissolução.

III- A Igreja, o Divórcio E O Novo Casamento


O que a Igreja pode fazer para que o número de divórcio diminua? Como a igreja pode ajudar os lares?

a) Dar ênfase aos ensinamentos bíblicos.


O abandono da Bíblia e de seus ensinamentos sobre casamento, família é a razão principal do alto índice de divórcio entre os crentes. O casamento entre crentes e não-crentes celebrado em muitas igrejas gera graves problemas conjugais, 2 Co 6:14-15.

b) Combater os valores apresentados pela mídia.


Principalmente pela televisão, que tem um poder incalculável de persuasão. A TV tem explorado sem piedade o adultério, a prostituição, a degradação da família, muitas vezes corrompendo crianças e adultos.

c) Criar programas que ensinem a importância do casamento durar para sempre.


Cursos para noivos, classes de Escola Bíblica Dominical para casais, encontros de casais e outros eventos. Isso ajudará muito na prevenção de problemas matrimoniais.

d) Criar laços com os divorciados.

Quando o casal se separa perde seu estado civil, perde o sentido da unidade familiar, afinal as pessoas se casam para ficar juntas e a separação põe fim a esse projeto de vida. Há uma mudança radical na vida dos divorciados. Mudam de casa, de nível sócio-econômico, ficam longe dos filhos. Até essas pessoas se reorganizarem emocionalmente a Igreja deve auxiliá-las em amor.

CARTA DE DIVÓRCIO


Em Dt 24, há referência à carta de divórcio. Era um documento legal, fornecido pelo marido à mulher repudiada.

A respeito deste documento escreveu Flávio Josefo, historiador que viveu pouco depois da época de Jesus: “Aquele que se divorciar de sua esposa, por qualquer motivo, deve registrar por escrito. Portanto, ela terá a liberdade de casar com outro homem. Entretanto enquanto essa carta não lhe foi dada, não poderá fazê-lo”. E o marido não podia tomar outra esposa sem dar carta de divórcio à primeira. Outro detalhe do texto é que se ela casar de novo e o seu marido novo lhe der também carta de divórcio ou morrer, ela não podia voltar para o seu primeiro marido. Esta lei servia também para proteger a mulher.

UNIÃO INDISSOLÚVEL

A Lei de Moisés sobre o divórcio é citada no Novo Testamento e Jesus a explicou como sendo uma “concessão”, por causa da dureza dos corações. Pois a vontade de Deus para o casamento “desde” o princípio, é que ele seja uma união indissolúvel.

VERDADES SOBRE O DIVÓRCIO

1. O divórcio não tem a aprovação de Deus. Portanto é possível sim o casal por mais difícil que seja a convivência a dois, viverem bem para o resto de suas vidas juntos, pois quando a base do casamento é o amor, a atenção etc... E em primeiro lugar a coluna que é Deus, pois tenho presenciado Deus transformar muitos casais e lares.

2. O casamento deve ser realizado sempre sob a expectativa do “até que a morte separe o casal”.

3. A igreja deve ajudar a salvar os casamentos em perigo e desestimular o divórcio.

4. Não há divórcio indolor. Ele dói porque era uma só carne e com a separação essa carne única é rasgada em dois pedaços.

5. A Igreja não deve pregar a favor do divórcio, mas deve amar os divorciados.

6. Não podemos deixar que nossa tradição eclesiástica e teológica tenha maior peso do que as Escrituras sobre o assunto.

7. A igreja não pode se esquecer de que o divórcio não é o único erro que o crente comete nem é o pecado imperdoável de que fala a Bíblia.

Que Deus abençoe a sua vida e sua família, e para que Deus seja o Centro em todas as coisas na sua vida conjugal.

Quando deixamos Deus trabalhar e “O” buscamos para entrar em nossos lares, em nossas vidas conjugais, a Paz de Cristo reina, e quando falo sobre a paz de Cristo, digo que vocês casais enfrentarão muitos problemas e dificuldades, pois todos estão sujeitos a algum tipo de dificuldade no casamento, mas com Jesus reinando vocês enfrentarão unidos todos os problemas e isso inclui finanças, uns dos motivos que tem separado famílias. Por isso perseverem diante dos ataques do inimigo, das lutas e dificuldades, vocês vencerão. Pois o maior desejo e planos do Diabo é destruir a família. Tenho muitos testemunhos nesta área conjugal, passamos por muitos problemas, muitas crises em questão de finanças, e isto em 5 anos e meio, mas o importante é que Deus tem cuidado do meu lar, da minha esposa, e tem me ajudado a ser um marido nos padrões Bíblicos , de Jesus. Deus quer usar você e sua família, dispõe-te na presença de Deus. Amém

Por: Michael Rossane
Ministração na EBD, da Revista Aleluia. Gráfica e Editora Aleluia.






01 - Mentira: Casamento é um contrato.
Verdade: Casamento é uma aliança criada por Deus.

02 - 
Mentira: Eu amo você, não sua família!
Verdade: Você não casou somente com seu cônjuge; ganhou o pacote completo.

03 - 
Mentira: Eu posso trocar meu cônjuge.
Verdade: Você pode trocar de parceiro somente na dança.

04 - Mentira: Nós somos diferentes demais.
Verdade: Incompatibilidade ou diferenças não matam um relacionamento. Como você lida com as diferenças do outro é o que conta.

05 - 
Mentira: Eu perdi aquele amor por você, e assim vai...
Verdade: Aquele amor por você pode ser restaurado.

06 - 
Mentira: Um casamento mais tradicional poderá salvar-nos.
Verdade: A intenção de Deus é gerar a unidade de uma só carne.

07 - 
Mentira: Não posso mudar – sou assim mesmo; é pegar ou largar.
Verdade: Eu posso mudar, mas isso requer desejo, obediência e força.

08 - 
Mentira: Tem sido apenas um caso. Vamos nos divorciar.
Verdade: Casos são sérios e prejudiciais, mas nada além da restauração e da reconciliação.

09 - Mentira: Não importa o que eu faço; Deus me perdoa.
Verdade: Receba a graça de Deus com o coração arrependido.

10 - 
Mentira: Está tudo acabado. Nada pode mudar esse relacionamento.
Verdade: Nunca é tarde demais, porque para Deus tudo é possível.

Extraído e adaptado com permissão de Divorce Proofing Your Marriage.
Pesquisa: http://www.mmibrasil.com.br


O QUE DIZ A BÍBLIA A RESPEITO DO DIVÓRCIO E SEGUNDO CASAMENTO?

Pergunta: "O que diz a Bíblia a respeito do divórcio e segundo casamento?"

Resposta:Em primeiro lugar, independentemente do ponto de vista que se tem a respeito do divórcio, é importante lembrar as palavras da Bíblia em Malaquias 2:16a: “Pois eu detesto o divórcio, diz o Senhor Deus de Israel.” De acordo com a Bíblia, o plano de Deus é que o casamento seja um compromisso para toda a vida. “Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6). Entretanto, Deus bem sabe que o casamento envolve dois seres humanos pecadores, e por isto o divórcio vai ocorrer. No Antigo Testamento, Ele estabeleceu algumas leis com o objetivo de proteger os direitos dos divorciados, em particular das mulheres (Deuteronômio 24:1-4). Jesus mostrou que estas leis foram dadas por causa da dureza do coração das pessoas, não por desejo de Deus (Mateus 19:8).

A polêmica a respeito do divórcio e do segundo casamento, se são ou não permitidos de acordo com a Bíblia, gira basicamente em torno das palavras de Jesus em Mateus 5:32 e 19:9. A frase “a não ser por causa de infidelidade” é a única coisa nas Escrituras que possivelmente dá a permissão de Deus para o divórcio e segundo casamento. Muitos intérpretes compreendem esta “cláusula de exceção” como se referindo à “infidelidade matrimonial” durante o período de “compromisso pré-nupcial”. Segundo o costume judeu, um homem e uma mulher eram considerados casados mesmo durante o período em que estavam ainda “prometidos” um ao outro. A imoralidade durante este período em que estavam “prometidos” seria a única razão válida para um divórcio.

Entretanto, a palavra grega traduzida “infidelidade conjugal” é uma palavra que pode significar qualquer forma de imoralidade sexual. Pode significar fornicação, prostituição, adultério, etc. Jesus está possivelmente dizendo que o divórcio é permitido se é cometida imoralidade sexual. As relações sexuais são uma parte muito importante do laço matrimonial: “e serão dois uma só carne” (Gênesis 2:24; Mateus 19:5; Efésios 5:31). Por este motivo, uma quebra neste laço por relações sexuais fora do casamento pode ser razão para que seja permitido o divórcio. Se assim for, Jesus também tem em mente o segundo casamento nesta passagem. A expressão “e casar com outra” (Mateus 19:9) indica que o divórcio e o segundo casamento são permitidos se ocorrer a cláusula de exceção, qualquer que seja sua interpretação. É importante notar que somente a parte inocente tem a permissão de se casar uma segunda vez. Apesar disto não estar claramente colocado no texto, a permissão para o segundo casamento após um divórcio é demonstração da misericórdia de Deus para com aquele que sofreu com o pecado do outro, não para com aquele que cometeu a imoralidade sexual. Pode haver casos onde a “parte culpada” tem a permissão de se casar mais uma vez, mas tal conceito não é ensinado neste texto.

Alguns compreendem I Coríntios 7:15 como uma outra “exceção”, permitindo o segundo casamento se um cônjuge não crente se divorciar do crente. Entretanto, o contexto não menciona o segundo casamento, mas apenas diz que um crente não está amarrado a um casamento se um cônjuge não crente quiser partir. Outros afirmam que o abuso matrimonial e infantil são razões válidas para o divórcio, mesmo que não estejam listadas como tal na Bíblia. Mesmo sendo este o caso, não é sábio fazer suposições com a Palavra de Deus.

Às vezes, perdido no meio deste debate a respeito da cláusula de exceção, está o fato de que qualquer que seja o significado da “infidelidade conjugal” , esta é uma permissão para o divórcio, não um requisito para ele. Mesmo quando se comete adultério, um casal pode, através da graça de Deus, aprender a perdoar e começar a reconstruir o casamento. Deus nos perdoou de tão mais. Certamente podemos seguir Seu exemplo e perdoar até mesmo o pecado do adultério (Efésios 4:32). Entretanto, em muitos casos, o cônjuge não se arrepende e nem se corrige, e continua na imoralidade sexual. É aí que Mateus 19:9 pode possivelmente ser aplicado. Muitos também se apressam a fazer um segundo casamento depois de um divórcio, quando Deus pode estar querendo que continuem solteiros. Deus às vezes chama alguém para ser solteiro a fim de que sua atenção não seja dividida (I Coríntios 7:32-35). O segundo casamento após um divórcio pode ser uma opção em alguns casos, mas não significa que seja a única opção.

Causa perturbação que o índice de divórcio entre os que se declaram cristãos seja quase tão alto quanto no mundo não crente. A Bíblia deixa muitíssimo claro que Deus odeia o divórcio (Malaquias 2:16) e que a reconciliação e perdão deveriam ser atributos presentes na vida de um crente (Lucas 11:4; Efésios 4:32). Entretanto, Deus reconhece que divórcios poderão ocorrer, mesmo entre Seus filhos. Um crente divorciado e/ou que tenha se casado novamente não deve se sentir menos amado por Deus, mesmo que seu divórcio e/ou segundo casamento não esteja sob a possível cláusula de exceção de Mateus 19:9. Freqüentemente Deus usa até a desobediência pecaminosa dos cristãos para executar um bem maior.





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