segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Portal Teologia & Missões

*Dallas Witmer / Mártires da Fé

A fé separa os dois reinos

Os cristãos sofreram grandemente sob os imperadores Diocleciano e Maximiliano, 301 A.D. Os romanos lançaram a muitos cristãos para as feras e de outras maneiras os mataram, porque como filhos de Deus, estes não se juntaram ao sistema político, social, ou espiritual deste mundo.

A doutrina dos dois reinos

Jesus é um Rei. Ele mesmo o disse. Mas também nos fez saber que o seu reino não vem “com aparência exterior”.

Nenhum humano pode ver o reino de Cristo aqui na terra, porque o seu reino está entre os crentes (Lucas 17:20–21). Se somos crentes fiéis, pertencemos (num sentido) a dois reinos. Em primeiro lugar, obedecemos a Cristo, nosso Rei imortal. Em segundo lugar, obedecemos ao governo civil que Deus colocou sobre nós. Se houver algum
desacordo entre estes dois poderes, sempre apoiaremos a Jesus. Ele é o nosso Rei. Em primeiro lugar somos cidadãos do seu reino.

Algum dia, herdaremos uma nova terra e um novo céu, onde reinaremos para sempre com Jesus. Mas enquanto estivermos neste mundo podemos esperar a perseguição. Como o mundo maltratou a Jesus Cristo o Rei, também maltratará a nós, seus súditos.

Daniel 7:21 e Apocalipse 13:7 falam de uma guerra contra os santos. Essa guerra já começou, ainda que muitos não saibam disso.

Desde a antiguidade muitos governos tem acreditado que para manter firme o poder político é necessário que todos pensem e pratiquem a mesma coisa. Durante muitos séculos, este conceito causava que a religião fosse regida em muitos países pelo governo civil. Por causa do rito do batismo os governos europeus introduziam a todas as crianças na religião estatal do país. Os cristãos verdadeiros que se recusassem a trazer seus filhos para a pia batismal, despertaram a ira feroz de seus governantes. Tremendas ondas de perseguição e terror foram lançadas sobre eles durante os séculos dezesseis e dezessete.

Estes governos se sentiram ameaçados ao ver o quão rápido crescia o “reino dos céus”. Mas o povo de Deus não são uma ameaça ao governo porque não aspiram ao poder político. Tais ambições pertencem exclusivamente ao reino mundano.

O mundo tem se mantido em estado de guerra contra os santos desde o princípio da era cristã até a atualidade.

Os dois reinos no século vinte e um

Talvez você pense que a relação entre o mundo e os cristãos tenha melhorado neste século. Graças a Deus, há muitos países que garantem a liberdade de consciência e de cultos. Mas, não se engane! Ainda que não existam tantos cristãos condenados a morrer por causa de sua fé hoje em dia, há perigos de outros tipos. “Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais” (2ª Coríntios 10:3–4).
“Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Efésios 6:12).
A guerra contra os santos continua. Em alguns países continua a perseguição aberta; em outros países nos oprimem as pressões sociais e culturais como a educação mundana e o patriotismo. Satanás anda como leão que ruge em algumas partes, e ao mesmo tempo em outras partes aparece como anjo de luz. Está disposto para o combate espiritual? Perderá a vida eterna se não andar como bom soldado no exército de Cristo, o Rei!

Temos aqui algumas maneiras em que o reino mundano
quer enredá-lo:

 O serviço militar ou policial. “Tudo pela pátria” é um lema idólatra. O cristão dá tudo por Cristo.
 O voto nas eleições políticas. A democracia e os heróis na política são ídolos do povo. O cristão não participa na política porque para ele seria um tipo de idolatria.
 O sistema educativo do país. Quando o povo de Deus começa a se preocupar com os certificados e as credenciais do governo, em vez de se preparar para uma vida útil a Deus, estará então, outra vez apanhado na idolatria.
  A preocupação com o que o governo pode nos dar (seja serviço médico grátis, um trabalho fixo, uma economia melhor, ou qualquer assistência social). O cristão não olha para o mundo nem para os governos do mundo quanto a estas coisas. Olha para Deus, pedindoas
em oração, segundo a sua vontade.

Pensemos agora em alguns exemplos de como a doutrina dos dois reinos afeta a nós, os cristãos:

 Seguimos a não resistência; não prestamos nenhum serviço armado nem fazemos dano a ninguém. Não levamos a ninguém perante um tribunal.
 Mantemos a separação colocada por Deus entre a igreja e o estado. A igreja não se mete em assuntos políticos. O cristão não faz nenhum trabalho para o estado que lhe causaria a violação de princípios bíblicos.
 Não nos conformamos ao mundo em nenhum aspecto de nossa vida, nem sequer em nossa aparência. Sujeitamo-nos as escrituras em tudo.
 Não participamos em nenhum jugo desigual: clubes, sindicatos, associações, companhias, nem cooperativas.
 Não participamos de nenhuma maneira em religiões falsas.
 Temos as nossas próprias escolas cristãs.
 Não seguimos as diversões mundanas nem nos misturamos em suas festas.                                                                                                                                     


As vezes quando os cristãos se encontravam reunidos em seus templos, o imperador Máximo mandava os seus soldados amontoar lenha ao redor dos edifícios e queimálos com os cristãos dentro. Mas antes de colocar fogo, era proclamado que qualquer um que estivesse disposto a sair para fora e sacrificar ao deus Júpiter, salvaria a sua vida. Respondiam então, desde dentro, que não conheceram a Júpiter, que Cristo era o seu Senhor e Deus, e que para ele viveriam ou morreriam. Foi um milagre da graça que dentre estes vários milhares de cristãos assim ameaçados com a morte, não saiu nem sequer um.Todos unanimemente cantaram e louvaram a Cristo enquanto a fumaça de seu sacrifício subia como uma nuvem aos céus. Isto ocorreu por volta do ano 237 A.D.


A Bíblia nunca indica que haja tal coisa como ser cristão sem ser parte de uma igreja, uma congregação de crentes. Se nos identificamos com o Senhor Jesus Cristo, também nos identificamos com os seus. Todos os cristãos verdadeiros chegam a ser nossos irmãos na família de Deus. Não podemos sobreviver sem esta irmandade. 

Não podemos aguentar as provas da vida cristã sem o apoio de irmãos espirituais. A Primeira Carta aos Coríntios 12:13–21 compara a igreja a um corpo. Nenhum membro desse corpo espiritual pode dizer aos outros: “Não necessito deles. Posso me cuidar muito bem sozinho.”


Na irmandade cristã floresce o amor fraternal, não fingido, de coração puro (1ª Pedro 1:22). “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor” (1ª João 4:8). Esta é uma razão pela qual necessitamos tanto da irmandade. Todos necessitamos de amor...e necessitamos
amar.


A irmandade e a admoestação mútua

Se a igreja a qual pertencemos é uma irmandade verdadeira, não estranharemos quando um irmão nos aconselhar ou nos admoestar. Paulo escreveu assim aos romanos: “Eu próprio, meus irmãos, certo estou, a respeito de vós, que vós mesmos estais cheios de bondade, cheios de todo o conhecimento, podendo admoestar-vos uns aos outros” (Romanos 15:14). Deveríamos sentir uma grande segurança quando irmãos, comovidos pelo amor, se sentem completamente livres para admoestar-nos. Não deveria ser incômodo para nós quando se interessam pela maneira como falamos, como nos conduzimos, como nos sentimos, como gastamos o dinheiro, como nos vestimos, e como nos divertimos.


Os irmãos verdadeiros agradecem a ajuda espiritual que recebem. Sempre estão dispostos a demonstrar o seu interesse no bem-estar espiritual de outros, atuando segundo a regra de Cristo em Mateus 18:15–19.


Na irmandade cristã, tanto os líderes como os outros irmãos se sujeitam ao conselho de outros irmãos fiéis.


A irmandade e a comunidade de bens

Ao ver a maneira em que os irmãos cristãos compartilhavam os seus bens entre si, seus perseguidores as vezes os acusavam de ter uma “comunidade de bens”. Os acusavam de formar uma sociedade comunista. Mas a maioria dos cristãos através da história não praticaram nem ensinaram a necessidade de uma comunidade de bens. O que na verdade ensinaram eram as seguintes verdades bíblicas quanto a posse de bens materiais:

1. O acúmulo de bens materiais por razões egoístas é pecado (Mateus 6:19).

2. Cada um deve ministrar daquilo que possui ao que padece necessidade (1ª João 3:17).

Em algumas igrejas cristãs do século dezesseis, os candidatos para o batismo tinham que responder a seguinte pergunta:

“Se a situação o exigir, estaria disposto a entregar todas as tuas posses ao serviço da irmandade, e está de acordo a jamais faltar a qualquer membro necessitado quando puder lhe ajudar?”


Ainda que por causa da perseguição havia um grande número de viúvas e órfãos nas igrejas holandesas, Menno Simons escreveu a seus perseguidores:

Nenhum paroquiano que se tenha unido a nós, nem tampouco a nenhuma criança órfã, temos deixado mendigar.... Tal misericórdia, tal amor, tal comunidade de bens, sim, ensinamos.

Alguns anabatistas, os huteritas, sim, tinham em comum todos os seus bens materiais. Para eles não foi suficiente dizer que alguém estivesse disposto a deixar tudo pela irmandade; também o fizeram. Seu testemunho brilhou bem claro durante muitos anos de perseguição e osevangelistas huteritas eram dos mais zelosos no tempo da Reforma.


A FÉ PELA QUAL VALE MORRER / Dallas Witmer 

 O MUNDO E A FÉ

 “Todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2ª Timóteo 3:12). Durante toda a história do mundo, sempre tem custado caro ser fiel a Deus (Hebreus 11:36–38). Na era do Antigo Testamento, os profetas que falaram em nome do Senhor foram perseguidos. Na era cristã muitos milhares de cristãos têm sido mortos pela sua fé. Morreram como mártires todos os apóstolos do Senhor, menos João. 

Primeiramente, os judeus perseguiram aos cristãos. Depois, os pagãos do império romano fizeram o mesmo. Quando os romanos se converteram ao catolicismo, começou uma nova perseguição, que durou mais de um milênio, dirigida pelos papas de Roma. Desde o ano de 1650, alguns países têm permitido a liberdade de consciência, mas não foi até o século dezoito que vários países começaram a incluir a liberdade de cultos em suas constituições. Mesmo havendo plena liberdade de cultos em muitos lugares do mundo hoje em dia, porém, existe países onde se proíbe o cristianismo verdadeiro.


A fé pela qual vale morrer... é uma fé que salva.

Nos dias de Noé todos eram maus. Todos eram pecadores, festejando, embriagando-se, e vivendo em luxo imoral. Ninguém fazia caso de Deus. Ninguém se preocupava com os mandamentos de Deus. Ninguém... menos Noé.

Noé era bom. Deus falou a Noé porque Noé era obediente e acreditava nele. “Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual
condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé” (Hebreus 11:7).

O mundo foi mau e cheio de escuridão. 

Mas Noé acreditou em Deus, e foi salvo. Depois do dilúvio, muitos descendentes de Noé voltaram para a idolatria. Fizeram deuses de pedra e de barro. Os idólatras se congregaram nas planícies de Sinar (o atual
Iraque), até que Deus os espalhou “sobre a face de toda a terra” (Gênesis 11:9). Mas no meio dessa idolatria em Sinar, viveu um homem reto: Abraão. Deus falou a Abraão porque Abraão era obediente e
acreditava nele. Por causa da sua fé, Abraão obedeceu a Deus. Pela fé habitou como estrangeiro na terra prometida (Hebreus 11:8–9). “Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça” (Romanos 4:3).

O mundo foi mal e cheio de escuridão. 

 Mas Abraão acreditou em Deus, e foi salvo. Os descendentes de Abraão chegaram a ser o povo de Israel. As vezes os israelitas acreditavam em Deus e andavam nos seus caminhos. Mas foram mais as vezes em que mostravam a sua incredulidade com as suas vidas pecaminosas e rebeldes. A imundice, as feitiçarias, as disputas, e a ganância, governavam as suas vidas até que o próprio Deus (na pessoa de Jesus) veio a terra para falar com eles. 

Uns poucos, os seguidores de Jesus, obedeceram a Deus. Acreditaram em Deus, e por causa da sua fé, Deus os adotou como seus filhos (Gálatas 3:26). Pela fé chegaram a ser filhos de Deus, e como filhos, também herdeiros,“herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo” (Romanos 8:16–17).

O mundo foi mal e cheio de escuridão. 

 Mas os seguidores de Jesus (os primeiros cristãos) acreditaram em Deus, e foram salvos. Quando a igreja de Jesus ainda era nova, quase todos os seus membros abandonaram a fé e voltaram a pecar. No nome de Jesus, milhões de falsos cristãos mataram a seus inimigos, roubaram aos pobres, perseguiram os cristãos verdadeiros, blasfemaram da verdade, e por fim, inundaram a Europa nas épocas bárbaras.

Durante esse tempo obscuro, havia poucos que mantiveram a sua fé em Deus. Havia poucos que levaram a luz do evangelho de geração a geração. Mas, graças a Deus, havia alguns (talvez mais do que sabemos). Por fim, no tempo da Reforma, a igreja de Jesus floresceu e
cresceu outra vez.

Os que acreditaram em Deus durante a Reforma o obedeceram também. Viveram vidas santas, e batizaram com água aos que creram em Jesus. Por isto receberam o sobrenome de anabatistas (rebatizadores).

A fé dos anabatistas os manteve firmes no meio de grandes perseguições. Por causa da sua fé, os irmão foram degolados, queimados vivos, e esquartejados. Os inimigos da fé afogaram as irmãs anabatistas e as enterraram vivas. Mas pela fé estes mártires foram
livrados “da ira futura” (1ª Tessalonicenses 1:10). A fé abriu-lhes os olhos (Atos 26:18). A fé deu-lhes herança entre os santificados (Atos 26:18). Por causa da sua fé, nunca retrocederam para a perdição, mas obtiveram o resultado da fé, isto é, a salvação de suas almas (Hebreus
10:38–39 ; 1ª Pedro 1:9).

O mundo foi mal e cheio de escuridão.

Mas os anabatistas acreditaram em Deus, e foram salvos. Já se passaram mais de quatrocentos anos desde a Reforma. Muitos descendentes dos anabatistas junto com os descendentes dos “reformadores” chegaram a ser fracos e despreocupados quanto a sua religião. Muitos já não creem em Deus. Andam orgulhosamente nos desejos da carne, nos desejos dos olhos, e na jactância da vida.
Vivemos numa “época bárbara”, num tempo muito mal e muito pecaminoso. A nossa geração está indo rumo ao inferno. Mas Deus nos fala ainda. Cremos no que ele está dizendo? Estamos dando atenção a ele?

Não se esqueça disto:
 Noé acreditou em Deus e foi salvo.
 Abraão acreditou em Deus e foi salvo.
 Os primeiros cristãos acreditaram em Deus e foram salvos.
 Os anabatistas acreditaram em Deus e foram salvos.
“Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Marcos 16:16).

Como podemos demonstrar que cremos em Deus?

A fé pela qual vale morrer... é uma fé que opera. Abraão acreditou em Deus e a sua fé lhe imputada como justiça (Romanos 4:3). Mas Abraão não somente acreditou. Demonstrou a sua fé por suas obras (Tiago
2:21–22). Nós, se cremos em Deus, somos filhos de Abraão e herdeiros do mundo com ele (Romanos 4:13; Gálatas 3:28–29). Como Abraão, demonstramos a nossa fé pelas obras que realizamos.

Muitos pensam que quando alguém crê em Deus, pode continuar no pecado e ser salvo da mesma forma. Mas isto é uma mentira do diabo. Se cremos em Deus, já não continuamos no pecado. Deus tem falado que todos os que pecam vão para o inferno. Se cremos nisto, e com certeza cremos que existe um inferno, então não pecaremos.
A Bíblia diz que as obras que realizamos não podem nos salvar (Efésios 2:8–9). Mas diz além disso, que somos “criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2:10).
“Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? ... O nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada.... 
Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé.... Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta”(Tiago 2:14–26).

Noé demonstrou a sua fé em Deus por fazer a arca. Abraão demonstrou a sua fé em Deus por sacrificar o seu filho.

Os primeiros cristãos demonstraram a sua fé em Deus por evangelizar o mundo. Os anabatistas demonstraram a sua fé em Deus por escolher a morte antes de desobedecer a Deus. Como demonstramos a nossa fé em Deus? A fé pela qual vale morrer... é uma fé pela qual vale viver.

Hoje em dia é muito fácil alguém dizer que “crê”. Por isso há muitos falsos crentes com uma fé morta (Tiago 2:26).

Há quatro séculos, não era fácil crer em Deus. Se alguém acreditasse em Deus e o obedecesse, era bem provável que perderia a sua cabeça ou que seria queimado vivo. Naquela época ninguém dizia que “acreditava” se não fosse verdade. A fé daquela época era mais do que uma profissão. Os crentes viveram pela fé e morreram pela fé. Mesmo que o caminho dos fiéis fosse perigoso, muitos creram em Deus... e a igreja de Jesus floresceu no meio da perseguição.

Nos próximos estudos seguintes, examinaremos a fé daqueles crentes. A fé pela qual valia morrer é a fé pela qual vale viver em nossos dias. 

Cristianismo primitivo


Reconhecimentos

O irmão Dallas Witmer, trabalhando na República Dominicana, escreveu as primeiras doze lições de A fé pela qual vale morrer. Usou como fonte de informação o grande livro em inglês, Martyrs Mirror (“O espelho dos
mártires”), publicado pela primeira vez por Thieleman Jansz van Braght en 1660. Devemos, pois, os nossos agradecimentos a Dallas Witmer, como também ao finado irmão van Braght.
Todas as histórias de Martyrs Mirror usadas nesta obra, têm sido comparadas e modificadas segundo a Mennonite Encylopedia (Scottdale, Pensilvania, 1972).


A Fé de Jesus e Dos Apóstolos

O apóstoloTiago o Maior decapitado em Jerusalém em 45 d.c.

  Propósito do estudo: Notar como morreram pela fé Jesus e os apóstolos.

Versículos para memorizar: “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra de esquina” (Efésios 2:19–20).

Escritura para estudar: Hebreus capítulo 11: Escreva como os fiéis do Antigo Testamento deram as suas vidas  pela fé (vv. 36–38).

Quando Adão e Eva o desobedeceram, Deus se retirou aos céus e a raça humana não voltou a vê-lo. Nosso Pai Deus já não aparece para andar conosco “pela viração do dia” da mesma maneira que andava com Adão e Eva no jardim do Éden. Mas nós sabemos tão bem como o primeiro casal o sabia, que Deus existe e que o veremos depois da morte.
Como é que sabemos que existe um Deus, ainda que não o temos visto? A Bíblia diz que a fé é “o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem” (Hebreus 11:1). Pela fé, pois,
cremos em Deus: Deus o Pai, o Filho, e o Espírito Santo.

Desde a criação, os filhos de Deus têm vivido pela fé. Por meio da fé “venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos” (Hebreus 11:33–34).
Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício mais excelente do que Caim. Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte. Pela fé Noé preparou a arca. Pela fé Abraão alcançou a justiça de Deus e recebeu a promessa de um Salvador.

Muitos profetas e fiéis crentes em Deus morreram pela

sua fé antes da vinda de Jesus Cristo, o autor e consumador da fé (Hebreus 12:2). Mas nesta lição veremos somente o exemplo de Jesus e alguns dos seus primeiros seguidores.

Jesus Cristo: exemplo da fidelidade

Mesmo sendo Deus, Jesus Cristo andava no mundo como humano. Visto que suportava tentações e vitupérios aqui, necessitava de uma fé grande e firme em Deus seu Pai. Não pecou nem uma só vez. A sua própria família e o seu próprio povo o rejeitaram. Os líderes do povo judeu o perseguiram com ódio durante todo o seu ministério. Por fim, incitaram aos romanos a matá-lo e estes o cravaram na cruz.

Mas Jesus nunca desfaleceu. Pela fé tinha o seu olhar no “gozo que lhe estava proposto”. Assim ganhou para nós a salvação eterna e “assentou-se à destra do trono de Deus”(Hebreus 12:2).

   O diácono Estêvão

O primeiro mártir cristão, Estêvão, era cheio de fé e do Espírito Santo. O sua poderosa mensagem convenceu aos judeus incrédulos do pecado que havia em suas vidas. Eles se enfureceram, rangendo os dentes contra ele. Gritaram, taparam os seus ouvidos, e por fim lançaram a Estêvão para fora da cidade para apedrejá-lo. Mas Estêvão viu o
céu aberto. Viu a Cristo a direita de Deus. Como Jesus, Estêvão morreu perdoando aos seus executores (Atos 7:54–60).

O apóstolo Tiago

Pouco depois da fundação da igreja, o rei Herodes decapitou a Tiago (Atos 12:1–2).


O apóstolo Filipe recebeu o Espírito Santo no dia de Pentecostes e ajudou na igreja em Jerusalém. Depois disto o Senhor o chamou para ensinar o evangelho na Síria, Romênia e no Oriente Médio. Semeou a semente da fé em muitas cidades. Em Hierápolis (Turquía), Filipe deparou-se com uma seita anticristã, os ebionitas. Estes amarraram a sua cabeça em uma coluna e o apedrejaram no ano de 54 A.D.


Tiago, o irmão de Jesus

Este Tiago foi ancião da igreja em Jerusalém por trinta anos. Foi chamado “o justo” pelo seu caráter exemplar. Era um homem de muita oração. Sob ordem do sumo sacerdote Ananias, foi lançado do ponto mais alto do templo, apedrejado, e morto a pauladas.

Barnabé, companheiro de Paulo

Depois de ter servido fielmente com Paulo, Barnabé regressou para sua terra nativa, a ilha de Chipre, para animar a igreja ali. Por causa do seu testemunho fiel e pela

sua obra evangelizadora que realizou na ilha, foi arrastado do povoado onde viveu e queimado vivo na fogueira.


Marcos, escritor do evangelho

Marcos não somente ajudou a Paulo, mas também foi para a prisão com este apóstolo. Marcos era amigo de Pedro, e escreveu o livro de Marcos segundo o que Pedro lhe contou sobre a vida de Jesus. Pedro o enviou ao Egito onde pregou até morrer nas mãos dos pagãos. Foi amarrado com cordas e ganchos e arrastado pelas ruas de Alexandria até que morreu.

O apóstolo Paulo

Paulo era judeu educado, fariseu rigoroso, e perseguidor da igreja. Converteu-se quando viajava a Damasco para prender aos cristãos. Fundou muitas igrejas. Possivelmente foi o apóstolo mais perseguido de todos. Alguns funcionários do governo romano o decapitaram em Roma por ordem do imperador Nero.

Alguns companheiros de Paulo

Ainda que não saibamos a maneira exata em que foram mortos cada um, os seguintes companheiros de Paulo morreram mártires por causa de Cristo: Epafras, Áquila e Priscila, Andrônico, Júnias, e Silas. Aristarco foi comido por leões. Onesíforo e seu colaborador Porfírio foram amarrados a cavalos silvestres e despedaçados por eles.

O apóstolo André

André pregou em muitas partes e fez coisas notáveis. Por fim foi crucificado na cidade de Patros, Grécia. Ficou por três dias na cruz antes de morrer, durante os quais exortava aos crentes.

O apóstolo Bartolomeu

Bartolomeu levou o Evangelho de Mateus até a Índia onde ensinou aos indianos na sua língua nativa. Multidões de indianos foram convertidas da idolatria. Depois de seu fiel trabalho, Bartolomeu sofreu uma morte cruel na cruz. Os pagãos o torturaram, o açoitaram com varas, o cravaram numa cruz de cabeça para baixo, e o degolaram. No final, o decapitaram com um machado.

O apóstolo Tomé

Este apóstolo pregou no Irã, na Índia, Etiópia, e em muitos outros países. A princípio não quis ir as tribos mais selvagens da Índia Oriental, mas o Senhor o animou e, graças a Deus, muitos se converteram. Isto atraiu a ira dos sacerdotes e do rei dos pagãos. Tomé sofreu tormentos com ferro quente e por fim foi lançado num forno de fogo onde o traspassaram com lanças até que morreu.

O apóstolo Mateus (ou Levi), escritor do evangelho

Depois de escrever o seu evangelho, Mateus viajou para a Etiópia, um país da África. Ainda que fosse judeu e ter pregado primeiramente aos de sua raça, Deus o ajudou a apresentar o evangelho aos africanos também. O rei etíope, Aeglipo, protegeu a Mateus. Mas quando este rei
morreu, o tirano Hytaco subiu ao poder. Hytaco perseguiu a igreja e matou a Mateus. Cravaram-no na terra e o decapitaram.


Os apóstolos Simão o Zelote e seu irmão Judas

Simão o Zelote viajou e pregou no Egito, Líbia, Mauritânia, e alguns crêem até as ilhas da Grã Bretanha. Por fim, foi crucificado de maneira bárbara pelo governador da Síria.

Judas escreveu a epístola de Judas na qual consola e adverte aos crentes. Ele viajou e pregou na Mesopotâmia, Síria, Arábia, e Turquia  Na Pérsia (o atual Irã), depois de ter condenado o culto pagão, foi morto a pancadas pelos sacerdotes idólatras.


Matias, o apóstolo que tomou o lugar de Judas o traidor

Depois de um tempo na Judéia, Matias viajou para as partes interiores da África, onde muitos se converteram para a verdade. Voltou para pregar na Judéia, Samaria e Galiléia. Ali foi crucificado, apedrejado e decapitado.

Lucas, escritor de Lucas e de Atos

Lucas era um médico, nativo da Síria, e um companheiro fiel de Paulo. Sofreu as mesmas perseguições que Paulo. Finalmente, depois de ter pregado muitos anos na Grécia, os ímpios o enforcaram numa oliveira verde.


Antipas

Cristo deu um bom testemunho de Antipas quando disse ao anjo da igreja em Pérgamo “Conheço as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita” (Apocalipse 2:13).

Alguns dizem que os pagãos lançaram a Antipas em um touro de bronze quente, onde morreu com grande dor.


O apóstolo João

João aguentou muitas provas nas províncias romanas. Uma vez o lançaram num caldeirão de azeite fervente, mas o Senhor preservou-lhe a vida. Abandonaram-no na ilha de Patmos, mas não morreu ali. Depois de ser resgatado de Patmos, João foi obrigado a tomar veneno, o qual não lhe fez dano. Morreu pacificamente em Éfeso na idade de mais de oitenta anos.

Fim...



A Fé Paga Bem Por Mal

O fiel irmão e seguidor de Jesus Cristo, Dirk Willemsz, demonstrou na sua vida o grande valor do mandamento: “Amai a vossos inimigos, ... fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que ... vos perseguem” (Mateus 5:44). 

 As autoridades holandesas mandaram capturar a este irmão anabatista em 1569. Ao ver ao caçador de ladrões aproximando-se, o irmão Dirk fugiu e escapou cruzando um rio congelado. Seguindo-o, o caçador de ladrões procurou cruzar o mesmo rio, mas o gelo se quebrou e ele caiu na água gelada. Vendo que o seu perseguidor iria se afogar, Dirk voltou e o resgatou. O caçador de ladrões, profundamente comovido por esta demonstração de amor, quis libertar ao irmão, mas o seu chefe, gritando para ele desde a outra margem, não permitiu que o fizesse.


Várias semanas depois, quando chegou o dia da morte do irmão Dirk, ventava muito nas planícies holandesas. Por causa do vento, as chamas do fogo não alcançaram a parte superior do corpo do irmão (que estava atado com correntes a uma estaca para ser queimado vivo).

Por isto, passou um longo tempo sofrendo enquanto as suas pernas se queimavam. No povoado próximo de Leerdam, ouviram-no exclamar mais de setenta vezes:
      “Oh, Senhor, meu Deus!”


O juiz, montado a cavalo, disse por fim:

      — Dê a esse homem o golpe final.


Não sabemos, pois, a maneira exata como morreu, mas sabemos que suportou com grande firmeza esta última prova da sua vida, e certamente recebeu a coroa da glória eterna.


   Propósito do estudo: Notar que a fé no coração do
crente o faz amar até mesmo aos seus inimigos.

Versículos de memoria: “Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos 12:20 –21).

  Escrituras para estudar:

1. Mateus 5:38 – 48 Como devemos tratar os nossos inimigos?
2. Romanos 12:14, 17–21 Em vez de odiar, o cristão agora __________ a todos.
3. 1ª Pedro 2:21–25 Cristo é o nosso exemplo perfeito quanto a como responder a perseguição. Como ele respondeu? 


Amor do coração

O irmão Dirk possuía a fé pela qual vale morrer. Esta fé o ensinava a amar até mesmo aos seus inimigos. Ao perceber o acidente de seu inimigo, Dirk fez o que Jesus teria feito. Na melhor das hipóteses, nem pensou em fazer outra coisa. Ele sabia que depois de ter feito o bem, que gozaria para sempre na glória vindoura (Romanos 8:18).

Além da fé, o irmão Dirk Willemsz tinha em seu coração o amor de Cristo. Viu o seu inimigo afundando nas águas frias do rio e sabia que dentro de poucos minutos a alma deste pecador estaria afundada nas chamas do inferno. Por causa do seu amor Dirk não pôde deixá-lo morrer desta maneira. Mesmo enquanto estava sofrendo a dor horrível da fogueira, o irmão Dirk não se arrependeu de ter salvado a vida daquele que o trouxe a essa morte.

O amor, produto da fé no coração do crente, é o fundamento da não resistência cristã. Somente quando temos o amor de Cristo podemos perdoar e amar como ele nos perdoa e ama (1ª João 4:19).


Os cristãos e a não resistência

É muito fácil dizer que amamos aos nossos inimigos, e quando vivemos em tempos de paz não custa muito dizer que estaríamos dispostos a morrer antes de defender-nos. Mas os crentes do século dezesseis não somente o disseram. Muitos deles, como o irmão Dirk, demonstraram a não resistência mesmo no meio de grande prova de sua fé. Temos no registro dos mártires as histórias de muitos que morreram porque não resistiram a seus captores.

Se os cristãos daquela época tivessem sido uma pequena minoria, poderíamos pensar que não resistiram por falta de força. Mas não era assim. Tantos se converteram em certos distritos dos Países Baixos, Alemanha, e Suíça que os anabatistas evangélicos tornaram-se a maioria. Em algumas zonas as autoridades temeram uma revolução. Mas quando chegaram a conhecê-los bem, entenderam que esses cristãos não tinham idéias subversivas. Até muitos de seus perseguidores confessaram que os anabatistas não eram nenhum perigo para o bem-estar do país.

Naquela época quase todos os homens levavam consigo uma espada curta, mas os irmãos anabatistas não levavam consigo mais do que um bastão. Por isto, os Taeuferjaeger (caçadores de anabatistas) facilmente identificavam as suas vítimas. Se levavam um bastão em vez de uma espada, era muito provável que era um anabatista. Os irmãos poderiam pensar: Bem, não vamos matar a ninguém, mas vamos levar as espadinhas para que não nos reconheçam. Não fizeram isto. Para os anabatistas evangélicos, proteger a fé verdadeira era mais importante do que proteger a própria vida.


Durante a guerra civil norte americana, os exércitos do norte e os do sul invadiram terras uns dos outros. Havia cristãos não resistentes tanto no sul como no norte que não participavam em nenhum dos exércitos. Isto lhes trouxe o ódio dos dois lados. Alguns cristãos sofreram perseguição por não ajudar na guerra. Mas quando qualquer soldado chegava nas casas desses cristãos, sempre encontrava quem lhe desse comida e provisões — como diz a Bíblia: “Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber” (Romanos 12:20).

Da mesma forma a fé não resistente de muitos irmãos de hoje em dia está sendo provada. Em alguns países há guerras civis e revolução. Mas os irmãos fiéis não tomam partido. Isto lhes têm trazido a suspeita de muitos, e seus governantes as vezes os acusam de apoiar aos subversivos.


Contudo, todos os que conhecem bem aos crentes bíblicos sabem que são bons cidadãos. Sabem que os cristãos estão dispostos a morrer por uma causa também — a da fé verdadeira.

Oremos, pois, para que os cristãos não falhem na prova da sua fé (Tiago 1:3), e também aqueles que vivem em países onde o serviço militar é obrigatório. E oremos para que Deus nos conceda a coragem de estar dispostos a morrer pelos nossos inimigos, se for necessário, como o fez o nosso irmão Dirk Willemsz do século dezesseis.


RECONHECIMENTOS

O irmão Dallas Witmer, trabalhando na República Dominicana, escreveu as primeiras doze lições de A fé pela qual vale morrer. Usou como fonte de informação o grande livro em inglês, Martyrs Mirror (“O espelho dos mártires”), publicado pela primeira vez por Thieleman Jansz van Braght en 1660. Devemos, pois, os nossos agradecimentos a Dallas Witmer, como também ao finado irmão van Braght.
Hans Bret trabalhava em uma padaria. Era filho de um senhor inglês, Thomas Bret, e dava aulas bíblicas aos recém convertidos na cidade onde vivia: Amberes, Bélgica.

Em 6 de maio de 1576, as autoridades católicas o prenderam e o lançaram na masmorra do castelo de Amberes. Ali o interrogaram muitas vezes. 

Hans era um jovem educado. Sabia o latim. Pela graça de Deus pôde defender-se bem diante dos monges que vinham para convertê-lo para a religião católica. Era jovem, mas permaneceu firme.


Durante os oito meses em que esteve na prisão, Hans Bret escreveu cartas a sua família, para a igreja de Amberes, e a seu irmão inconverso, David, que vivia na Inglaterra. Hans gostava de ler, e havia possuído vários livros. Mas na prisão não lhe permitiram ler. Os prisioneiros anabatistas que estavam ali com ele não tinham sequer o privilégio de cantar hinos. Hans disse em suas cartas que era difícil para ele achar papel para escrever.


Chegado o dia da sua execução, o carrasco se aproximou de Hans e lhe mandou que colocasse a língua para fora. Hans a colocou. O carrasco agarrou-a e traspassou-a com um parafuso. Depois, queimou a sua língua com um ferro quente para que a língua inchasse e para que o parafuso não saísse.

Depois de torturá-lo dessa maneira, as autoridades católicas o amarraram a uma estaca e o queimaram vivo na cidade de Amberes, em 4 de janeiro de 1577.

  “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Romanos 8:18).


Alguns historiadores dizem que os mártires no século dezesseis receberam uma força sobrenatural e extraordinária para resistir com tanta calma o que sofreram. Isto é certo. Mas a verdade é que a mesma
“força sobrenatural” está operando na igreja de Jesus hoje em dia. É o poder do Espírito Santo que opera naqueles que tem uma fé viva em Jesus.


Se a nossa fé nos tem justificado e salvado, se Deus nos tem feito pessoas novas, e se andamos em Espírito, temos a mesma capacidade de sofrer o martírio que teve o jovem Hans e muitos outros.


Quando os mártires, com a língua inchada por causa das queimaduras e presa com parafusos ao céu da boca, sorriam e davam sinais da sua alegria espiritual, demonstravam assim que tinham a fé verdadeira. Quando os carrascos ofereciam-lhes a liberdade em vez do martírio, escolhiam o martírio.


O que tem feito a tua fé para você? Estaria disposto a fazer o mesmo? Estaria disposto a deixar a teus irmãos, a teus pais, a tua mulher, a teus filhos, a tua casa e a tua terra pelo nome do Senhor? Se pela fé fizer isto quando Deus o exigir, receberá cem vezes mais depois, e herdará a vida eterna!


Sejamos, pois, discípulos fiéis em nossos lares, no trabalho, e na irmandade de crentes. E se nos chegar de repente a perseguição, Deus nos dará forças para vencer, sim, até mesmo o martírio. Pode ser que como Jesus no horto nos sintamos fracos ao pensar no sofrimento. Mas sabemos que se Deus é por nós, nada nos separará do amor de Cristo: nem tribulação, nem angústia, nem perseguição, nem fome, nem nudez, nem perigo, nem espada. “Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores por aquele que nos amou” (Romanos 8:37).


Por que nós não sofremos mais perseguição?

Hoje em dia a maioria dos cristãos sofrem muito pouco pela sua fé. Alguns se tem separado de famílias mundanas. Outros tiveram que deixar um bom trabalho por causa de suas crenças bíblicas. Mas a maioria de nós temos sofrido muito pouco por Jesus, aquele que nos comprou com o seu sangue (1ª Coríntios 6:20).   


A perseguição sempre tem atingido a cristãos ativos. Por que decapitaram a João o Batista? Era porque se escondeu caladamente no deserto? Não. João o Batista havia repreendido ao rei pelo seu adultério. Por que sofreram perseguição os apóstolos e os mártires do século dezesseis? Porque pregaram sem pena a salvação. Pregaram nas cidades, na selva, na prisão, no campo, onde quer que Deus os levasse.


 "O mundo trata bem aos “cristãos” que se calam e se escondem. O que o mundo não aguenta é que o cristão o desafie com a verdade".


Os mundanos podem tolerar as nossas igrejas ao pensarem que não somos mais do que uma minoria estranha e que a nossa religião consiste em vestir-nos como monjas e velhos. Mas se começamos a espalhar vigorosamente a mensagem completa do evangelho, pensarão de outro modo.


Será possível, irmãos, que estamos pregando um evangelho fraco para escapar assim da perseguição? “Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo” (2ª Timóteo 2:3).

Dallas Witmer


A fé produz evangelistas zelosos


Maeyken Wens, a esposa de um pregador evangélico do século dezesseis, foi queimada viva na fogueira. Sua língua havia sido fixada ao céu da boca com um parafuso para que não pudesse cantar nem testemunhar durante a sua execução.

Adriaen, filho de Maeyken e um jovem de quinze anos, presenciou a morte de sua mãe. Com o seu irmãozinho Juan no braço, Adriaen permaneceu ao lado da multidão de espectadores. Ao ver os sofrimentos terríveis de sua mãe, desmaiou e permaneceu inconsciente até depois da execução. Então procurou nas cinzas o parafuso que Maeyken teve na língua. Ele guardou este parafuso como uma recordação do testemunho fiel e piedoso de sua mãe martirizada em Amberes, Bélgica, em 1573.


Propósito do estudo: 

Notar que a fé e o Espírito nos cristãos verdadeiros lhes dá força para evangelizar o mundo, mesmo em tempos de perseguição.

Versículo para memorizar: 

 “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (Atos 1:8).


O zelo espiritual

Muitas vezes, a caminho para a sua execução, os mártires anabatistas cantavam e louvavam a Deus e falavam da salvação para as multidões que vinham para ver o espetáculo da sua morte. O testemunho destes valentes cristãos operou de tal maneira que as autoridades exclamavam por fim: “Veja! Quanto mais matamos, tanto mais se multiplicam”.

Para impedir o testemunho dos mártires, os carrascos às vezes fixavam suas línguas ao céu da boca com parafusos. Mas os mártires ainda puderam sorrir e fazer sinais com as mãos de que estavam felizes e constantes na fé. Que zelo, que entusiasmo, que ardor! O que obrigou os mártires a testemunhar da sua fé mesmo diante da morte?

 O cristão salvo pela sua fé em Deus, recebe o Espírito Santo. Com o Espírito por dentro, o cristão não pode calar quanto a verdade. O Espírito o enche e o motiva a ir pregando o evangelho a todas as pessoas (Marcos 16:15–16).


Assim como os mártires, podemos testificar da nossa fé tanto com as nossas palavras como com as nossas obras.


A igreja evangelizadora

Jesus outorgou a sua igreja o privilégio de evangelizar a todo o mundo. A igreja de Jesus sempre tem sido caracterizada pelo seu zelo em realizar esta obra. Assim que os irmãos suíços fundaram congregações bíblicas em 1525, comissionaram a muitos evangelistas. Estes, andavam pelos povoados da Europa, estabelecendo congregações de crentes em muitas partes.


Em uma ocasião os anabatistas evangélicos convocaram uma assembléia de dirigentes para dividir a terra entre eles, a fim de evangelizá-la totalmente. Segundo a história, os apóstolos do primeiro século depois de Jesus Cristo fizeram o mesmo.


Tanto os anabatistas como os primeiros apóstolos eram destituídos  perseguidos, e muitas vezes não tinham casa e nem lar. Mas o Espírito de Deus os levou a testemunhar da fé.

Temos a mesma fé e o mesmo Espírito hoje em dia?


“Recebereis a virtude”

  A última coisa que Jesus disse antes de regressar ao céu foi: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (Atos 1:8).


 Menno Simons, um líder anabatista do século dezesseis, escreveu o seguinte:


Com corações ardentes desejamos, mesmo que nos custar a vida, que o evangelho de Cristo seja ensinado por todo o mundo como o Senhor Jesus Cristo mandou aos seus discípulos na sua última admoestação na terra.

O desejo do meu coração é: estender o reino de Deus, revelar a verdade, repreender o pecado, ensinar a justiça, alimentar almas famintas com a palavra do Senhor, guiar as ovelhas errantes no caminho reto, e ganhar muitas almas para o Senhor por meio de seu Espírito, poder, e graça....


Por isso, pregamos quando podemos, tanto de dia como de noite, nas casas e nos campos, nos bosques e nos desertos, aqui e aí; em casa e no estrangeiro, nas prisões e nos calabouços, desde a forca e sob torturas, na água e no fogo, diante de senhores e de príncipes, pela boca e pela pena, com posses e com sangue, com vida e morte. Isto temos feito já por muitos anos, e não nos envergonhamos do evangelho da glória de Cristo.


Os reformadores protestantes no tempo de Menno Simons resistiram a estes missionários “vagabundos”. Visto que eram reformadores das igrejas estatais, limitaram os seus ensinos a seus territórios nacionais. Não compreenderam aos anabatistas porque estes vagavam por todo o mundo, sem reconhecer fronteiras, pregando o evangelho em qualquer parte.


O zelo missionário hoje

Nos nossos dias temos visto que quando as congregações cristãs se avivam espiritualmente, sentem um grande anseio de evangelizar. Os cristãos com a fé verdadeira em seus corações sentem-se comovidos a ganhar para Cristo as almas de seus vizinhos.

Não podemos explicar nesta lição exatamente como se deve realizar a evangelização em nossos dias. Diremos somente como Cristo disse: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo [direção e os dons necessários], que há de vir sobre vós” (Atos 1:8). Para que venha o Espírito, temos que ser completamente entregues e submetidos a sua vontade. Devemos estar orando por um avivamento
em nós e em nossas congregações. E devemos estar trabalhando naquilo que o Senhor já nos tenha mandado. Entregues a Jesus, orando e trabalhando, a igreja evangelizará o mundo ainda em nossos dias. 

Dallas Witmer


A Irmandade

As vezes quando os cristãos se encontravam reunidos em seus templos, o Imperador Máximo mandava os seus soldados amontoar lenha ao redor dos edifícios e queimá-los com os cristãos dentro. Mas antes de colocar fogo, era proclamado que qualquer um que estivesse disposto a sair para fora e sacrificar ao deus Júpiter, salvaria a sua vida.

Respondiam então, desde dentro, que não conheceram a Júpiter, que Cristo era o seu Senhor e Deus, e que para ele viveriam ou morreriam. Foi um milagre da graça que dentre estes vários milhares de cristãos assim ameaçados com a morte, não saiu nem sequer um. Todos unanimemente cantaram e louvaram a Cristo enquanto a
fumaça de seu sacrifício subia como uma nuvem aos céus. Isto ocorreu por volta do ano 237 A.D.


É necessária a irmandade?

A Bíblia nunca indica que haja tal coisa como ser cristão sem ser parte de uma igreja, uma congregação de crentes. Se nos identificamos com o Senhor Jesus Cristo, também nos identificamos com os seus. Todos os cristãos verdadeiros chegam a ser nossos irmãos na família de Deus. Não podemos sobreviver sem esta irmandade. Não podemos aguentar as provas da vida cristã sem o apoio de irmãos espirituais. A Primeira Carta aos Coríntios 12:13–21 compara a igreja a um corpo. Nenhum membro desse corpo espiritual pode dizer aos outros: “Não necessito deles. Posso me cuidar muito bem sozinho.” 


Na irmandade cristã floresce o amor fraternal, não fingido, de coração puro (1ª Pedro 1:22). “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor” (1ª João 4:8). Esta é uma razão pela qual necessitamos tanto da irmandade. Todos necessitamos de amor...e necessitamos amar.

A irmandade e a admoestação mútua

Se a igreja a qual pertencemos é uma irmandade verdadeira, não estranharemos quando um irmão nos aconselhar ou nos admoestar. Paulo escreveu assim aos romanos: “Eu próprio, meus irmãos, certo estou, a respeito de vós, que vós mesmos estais cheios de bondade, cheios de todo o conhecimento, podendo admoestar-vos uns aos outros” (Romanos 15:14). Deveríamos sentir uma grande segurança quando irmãos, comovidos pelo amor, se sentem completamente livres para admoestar-nos. Não deveria ser incômodo para nós quando se interessam pela maneira como falamos, como nos conduzimos, como nos sentimos, como gastamos o dinheiro, como nos vestimos, e como nos divertimos.


Os irmãos verdadeiros agradecem a ajuda espiritual que recebem. Sempre estão dispostos a demonstrar o seu interesse no bem-estar espiritual de outros, atuando segundo a regra de Cristo em Mateus 18:15–19. Na irmandade cristã, tanto os líderes como os outros irmãos se sujeitam ao conselho de outros irmãos fiéis.

A irmandade e a comunidade de bens


Ao ver a maneira em que os irmãos cristãos compartilhavam os seus bens entre si, seus perseguidores as vezes os acusavam de ter uma “comunidade de bens”. Os acusavam de formar uma sociedade comunista.


Mas a maioria dos cristãos através da história não praticaram nem ensinaram a necessidade de uma comunidade de bens. O que na verdade ensinaram eram as seguintes verdades bíblicas quanto a posse de bens materiais: 


1. O acúmulo de bens materiais por razões egoístas é pecado (Mateus 6:19).
2. Cada um deve ministrar daquilo que possui ao que padece necessidade (1ª João 3:17).


Em algumas igrejas cristãs do século dezesseis, os candidatos para o batismo tinham que responder a seguinte pergunta: “Se a situação o exigir, estaria disposto a entregar todas as tuas posses ao serviço da irmandade, e está de acordo a jamais faltar a qualquer membro necessitado quando puder lhe ajudar?”


Ainda que por causa da perseguição havia um grande número de viúvas e órfãos nas igrejas holandesas, Menno Simons escreveu a seus perseguidores:
"Nenhum paroquiano que se tenha unido a nós, nem tampouco a nenhuma criança órfã, temos deixado mendigar.... Tal misericórdia, tal amor, tal comunidade de bens, sim, ensinamos".

 Aos seus acusadores católicos, Menno Simons acrescentou:
   "Envergonhem-se ... vocês que com o seu evangelho e seus sacramentos não têm podido tirar os seus necessitados da suas ruas, ainda que as escrituras dizem bem claro: “Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas,como estará nele o amor de Deus?” (1ª João 3:17).
Alguns anabatistas, os huteritas, sim, tinham em comum todos os seus bens materiais. Para eles não foi suficiente dizer que alguém estivesse disposto a deixar tudo pela irmandade; também o fizeram. Seu testemunho brilhou bem claro durante muitos anos de perseguição e os evangelistas huteritas eram dos mais zelosos no tempo da Reforma.

Reconhecimentos:
        O irmão Dallas Witmer, trabalhando na República    Dominicana, escreveu as primeiras doze lições de A fé pela qual vale morrer. Usou como fonte de informação o grande livro em inglês, Martyrs Mirror (“O espelho dos  mártires”), publicado pela primeira vez por Thieleman  Jansz van Braght en 1660. Devemos, pois, os nossos agradecimentos a Dallas Witmer, como também ao finado    irmão van Braght.

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2 comentários

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11 de setembro de 2012 13:18 delete

Desculpe filho, mas não posso concordar em um ponto de seu comentário. Sou Pastor de uma denominação conhecida em todo o país, e sou policial militar no Rio Grande do Sul. Por que um cristão não pode ser militar? Qual a sua base bíblica para esta afirmação?
Pois te digo: já fiz muitos trabalhos evangelísticos dentro de unidades militares, com ótimos resultados e, ação do meu Senhor nestes lugares. Já vi muitos soldados e oficiais converterem-se ao Mestre.
Lanças tu estes pequeninos fora por preconceito?
Por falar nisso: "A politica é uma sujeira total" - mas por falta de homens honestos, cristãos, muitas leis que prejudicam o Evangelho do Reino e, o povo desamparado (preocupação primeira do meu Senhor), tem sido votadas e aprovadas por homens manipulados por satanás. Ex: casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Pense nisso meu amado... e: eu e meu Senhor te amamos.
Paz do Senhor Jesus!

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Michael
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19 de setembro de 2012 14:40 delete

Nesse tempo havia muitos massacres a estes povos Anabatistas, podemos entender o contexto da época, tanto militar como política, bem diferente dos tempos de hoje. Concordo com a sua colocação meu querido Taíso Adriano, e também trabalho na área de segurança sendo ela particular, nos tempos de hoje, não há problema nenhum, isso em relação a ser militar, mas em relação a política aí é outro contexto. Realmente não dá.... Abraços

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