"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17

domingo, 10 de abril de 2011

*Definição e Propósito da Adoração /Grudem

DEFINIÇÃO E PROPÓSITO DA ADORAÇÃO

. EXPLICAÇÃO E BASE BÍBLICA


O termo adoração é às vezes aplicado a tudo na vida cristã, e diz-se corretamente que tudo em nossa vida deve ser um ato de adoração e tudo o que a igreja faz deve ser considerado adoração, pois tudo o que fazemos deve glorificar a Deus. No entanto, neste estudo não estou usando a palavra nesse sentido abrangente. Ao contrário, uso adoração eu um sentido mais específico para referir-me às músicas e às palavras que os cristãos dirigem a Deus em louvor, juntamente com a atitude de coração que acompanha tal louvor, especialmente quando os cristãos se reúnem.

A- DEFINIÇÃO E PROPÓSITO DA ADORAÇÃO

Adoração é a atividade de glorificar a Deus em sua presença com nossa voz e com nosso coração. Nessa definição podemos observar que adorar é um ato que glorifica a Deus. Apesar de se esperar que todos os aspectos de nossa vida glorifiquem a Deus, essa definição especifica que adoração é algo que fazemos especialmente quando entramos na presença de Deus, quando estamos conscientes que o cultuamos de coração e quando o louvamos com a voz e dele falamos para que outros o ouçam. Paulo incentiva os cristãos de Colossos, dizendo: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com Salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração (Cl 3.16).

De fato, a principal razão por que Deus chamou-nos para fazermos parte da assembleia da igreja é que como assembleia reunida possamos adorá-lo. Edmund Clowney sabiamente afirmou:

Deus exigiu do faraó: “Deixa ir o meu povo, para que me sirva (adore) no deserto” (Êx 7.16) […] Deus os tira para fora de lá para levá-los para dentro, isto é, para a sua assembleia, para a grande multidão dos que estão diante da sua face […] A assembleia de Deus no Sinai é, portanto, o alvo imediato do êxodo. Deus traz seu povo à sua presença para que possam ouvir sua voz e também adorá-lo.

Clowney, porém, explica que a assembleia em adoração no monte Sinai não poderia permanecer reunida diante de Deus para sempre. Portanto, Deus estabeleceu outras festas nas quais toda a nação se reunia diante dele três vezes por ano. Clowney diz que “os israelitas são uma nação formada para adorar, chamada para reunir-se nos átrios do Senhor e para, juntos, louvar o nome do Altíssimo”.

No entanto, Clowney salienta que, em vez de adorar a Deus em uma assembleia santa e unida, o povo voltou-se para servir os ídolos e, em vez de reunir o povo para adorar diante dele, “em juízo Deus dispersou o povo no exílio”.

Mas Deus prometeu que seus propósitos para seu povo ainda haveriam de ser cumpridos, que algum dia haveria uma grande assembleia, não só de Israel mas de todas as nações, diante do seu trono (Is 2.2-4; 25.6-8; 49.22). Clowney observa que o cumprimento de tal promessa começou somente quando Jesus deu início à edificação de sua igreja:

O pentecostes foi a ocasião das primícias, do início da grande colheita da redenção. Pedro pregou o cumprimento da profecia de Joel. O Espírito tinha sido derramado, a adoração da nova era fora introduzida. A igreja, a assembleia reunida para adorar, estava louvando a Deus. Agora o grande ajuntamento havia começado.

O chamado do evangelho é um chamado à adoração, a voltar-se do pecado e clamar o nome do Senhor […] A figura da igreja como assembleia adoradora em nenhum outro lugar é mais poderosamente apresentada do que em Hebreus (12.18-29). Na adoração , na igreja de Cristo,aproximamo-nos do trono de Deus, o juiz de todos. Adentramos a assembleia de glória por meio de Cristo, nosso mediador, e pelo sangue de sua morte propiciatória...

A adoração reverente como corpo, portanto, não é opcional para a igreja de Deus […] Pelo contrário, dá expressão ao próprio ser da igreja. Manifesta na terra a realidade da assembleia celestial.

Portanto, adorar é uma expressão direta do nosso principal propósito na vida de “glorificar a Deus e gozá-lo plena e eternamente”. Deus se refere a seus “filhos” e a suas “filhas” como “todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória, e que formei, e fiz” (Is 43.7). Paulo usa linguagem semelhante quando diz que “a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo” (Ef 1.12). As Escrituras são claras aqui e em muitos outros textos que confirmam que Deus nos criou para glorificá-lo.

Quando refletimos sobre o propósito da adoração, isso também nos lembra de que Deus é digno de adoração e de que nós não o somos. Até mesmo o apóstolo João teve de ser advertido a não adorar nenhuma criatura, nem ainda um anjo celestial poderoso. Quando ele “prostrou-se para adorá-lo” aos pés do anjo que lhe mostrou visões maravilhosas no céu, o anjo lhe disse: “Não faças isso […] Adora a Deus” (Ap 22.8-9).

É por essa razão que Deus é zeloso de sua própria honra, a qual ele corretamente busca. Ele diz: “Eu sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso” (Ex 20.5) e “Minha glória, não a dou a outrem”( Is 48.11). Devemos tremer e regozijar-nos diante desse fato no íntimo. Devemos tremer de temor para que não roubemos de Deus a sua glória. E devemos também regozijar-nos por ser correto que Deus busque sua própria honra e seja zeloso dela, pois ele, infinitamente mais do que qualquer coisa que tenha criado, é digno de honra. Os vinte e quatro anciãos no céu sentem tal reverência e alegria, pois prostram-se diante do trono de Deus e lançam suas coroas diante dele, entoando: “Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas” (Ap 4:11). Quando sentimos a absoluta perfeição disso dentro de nós, temos a atitude de coração apropriada para a adoração genuína.

Porque Deus é digno de adoração e quer ser adorado, tudo em nossos cultos de adoração deve ser planejado e feito não para chamar a atenção para nós mesmos nem para trazer-nos glória, mas sim para chamar atenção para Deus e para levar as pessoas a pensarem a respeito dele. Seria apropriado reavaliar com frequência os vários elementos de nossos cultos dominicais – a pregação, a oração pública, a direção do culto, as músicas especiais, a celebração da ceia do Senhor e até mesmo os avisos e a oferta. Será que estão realmente trazendo glória a Deus do modo como estão sendo feitos? Pedro afirma que os dons espirituais devem ser usados de modo que “seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo” (I Pe 4:11).

Quando adoramos a Deus no sentido descrito acima, verdadeiramente tributando-lhe glória no coração e com nossa voz, há diversas consequências disso:

1.ALEGRAMO-NOS EM DEUS.

Deus criou-nos não somente para glorificá-lo mas também para alegrar-nos nele e regozijar-nos em sua grandeza. Nós provavelmente experimentamos alegria em Deus mais plenamente na adoração do que em qualquer outra atividade na vida. Davi confessa que “uma coisa” que ele buscou acima de tudo foi, conforme disse: “que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo” (Sl 27.4). Ele também afirma:

“Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente” (Sl 16:11).

De maneira semelhante, Asafe sabe que somente Deus é o cumprimento de todas as suas esperanças e desejos: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra” (Sl 73.25). E os filhos de Corá dizem:

Como são amáveis as vossas moradas, Senhor dos exércitos!
Minha alma desfalecida se consome suspirando pelos átrios do Senhor. Meu coração e minha carne exultam pelo Deus vivo.

Felizes os que habitam em vossa casa, Senhor: aí eles vos louvam para sempre.
Verdadeiramente, um dia em vossos átrios vale mais que milhares fora deles. Prefiro deter-me no limiar da casa de meu Deus a morar nas tendas dos pecadores (Sl 84.1-2,4,10).

A igreja primitiva conheceu tal alegria na adoração, pois “diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia do povo” (At 2.46-47). Na verdade, imediatamente depois da ascensão de Jesus ao céu, os discípulos “voltaram para Jerusalém, tomados de grande Júbilo; e estavam sempre no templo, louvando a Deus” (Lc 24.52-53).

Naturalmente, tal atividade de louvor contínuo não pode durar para sempre nessa era, pois viver em um mundo caído exige que também dediquemos tempo a muitas outras responsabilidades. Mas o louvor prolongado dá-nos um prelúdio da atmosfera do céu onde os quatros seres viventes “não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso, aquele que era, que é e que há de vir” (Ap 4.8), e os outros seres celestiais e os remidos já mortos juntam-se em tal adoração celestial e exaltam “o Cordeiro que foi morto”(Ap 5.12).

2.DEUS ALEGRA-SE EM NÓS.

O que Deus faz quando o adoramos? A impressionante verdade das Escrituras é que enquanto a criação glorifica a Deus, ele também alegra-se nela. Quando Deus fez o universo, no princípio, contemplou tudo com alegria e viu que “era muito bom” (Gn 1.31). Deus tem alegria especial nos seres humanos aos quais ele criou e remiu. Isaías lembrou ao povo do Senhor:

Serás uma coroa de glória na mão do Senhor
[...]mas chamar-te-ão Minha-Delícia
[...]porque o Senhor se delicia em ti
[...]como o noivo se alegra da noiva,
assim de ti se alegrará o teu Deus (Is 62.3-5).

Sofonias reflete o mesmo tema quando diz:

O Senhor, teu Deus, está no meio de ti,
poderoso para salvar-te;
ele se deleitará em ti com alegria;
renovar-te-á no seu amor,
regozijar-se-á em ti com júbilo (Sf 3.17).


Essa verdade deve trazer-nos grande incentivo, pois quando amamos a Deus e o louvamos, descobrimos que estamos trazendo alegria e prazer ao seu coração. E a maior alegria do amor é a alegria de levar prazer ao coração de quem se ama.

3.Aproximamo-nos de Deus.

A maravilhosa realidade invisível da adoração na nova aliança. Na antiga aliança era possível aproximar-se de Deus só de maneira limitada através das cerimônias do templo; na verdade,a maior parte do povo de Israel não podia entrar no próprio templo, mas tinha de permanecer no pátio. Até mesmo os sacerdotes podiam adentrar apenas o átrio externo do templo, o “Lugar Santo”, quando estavam designados para tal tarefa. Mas no recinto mais interior do templo, no “Santo dos Santos”, ninguém podia entrar exceto o sumo sacerdote, que o fazia apenas uma vez por ano (Hb 9:1-7).

Agora, sob a nova aliança, os cristãos têm o maravilhoso privilégio de poder entrar diretamente no santo dos santos no céu quando adoram. “Portanto, irmãos, visto que temos plena confiança para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus”(Hb 10.19). Já que temos confiança para entrar na presença do próprio Deus, o autor de Hebreus encoraja-nos: “Aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé” (Hb 10:22).

A adoração na igreja do Novo Testamento não é apenas ensaiar para alguma experiência celestial futura de adoração genuína, nem se trata de uma pretensa adoração nem de simples participação em alguma atividade exterior. Trata-se de genuína adoração na presença do próprio Deus, e quando adoramos colocamo-nos diante de seu trono.

Essa realidade é expressa mais plenamente pelo autor de Hebreus no capítulo 12, quando diz aos cristãos que eles não chegaram a um lugar terreno como o monte Sinai, onde o povo de Israel recebeu os Dez Mandamentos da parte de Deus, mas sim a algo muito melhor, a Jerusalém celestial:

Em verdade, não vos aproximastes de uma montanha palpável, invadida por fogo violento, nuvem, trevas, tempestade, som da trombeta e aquela voz tão terrível que os que a ouviram suplicaram que ela não lhes falasse mais.
Estavam verdadeiramente aterrados por esta ordem: Todo aquele que tocar a montanha, mesmo que seja um animal, será apedrejado (Ex 19,12).

E tão terrível era o espetáculo, que Moisés exclamou: Eu tremo de pavor (Dt 9,19).
Vós, ao contrário, vos aproximastes da montanha de Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celestial, das miríades de anjos, da assembleia festiva dos primeiros inscritos no livro dos céus, e de Deus, juiz universal, e das almas dos justos que chegaram à perfeição, enfim, de Jesus, o mediador da Nova Aliança, e do sangue da aspersão, que fala com mais eloquência que o sangue de Abel (Hb 12:18-24).

Essa é a realidade da adoração na nova aliança: ela é de fato adoração na presença de Deus, embora não possamos vê-lo agora com os nossos olhos físicos, nem os anjos reunidos à volta do seu trono nem os espíritos dos salvos que já se foram e estão agora adorando na presença de Deus. Mas está tudo lá, tudo é real, mais real e mais permanente do que a criação física à nossa volta, a qual será um dia destruída no juízo final. E se cremos que as Escrituras são verdadeiras, precisamos também crer que é de fato verdade que nós mesmos chegamos a tal lugar e unimos nossa voz à dos que já estão adorando no céu, sempre que nos dirigimos a Deus em adoração. Nossa única resposta adequada é a a seguinte: “... adorar a Deus de modo aceitável, com reverência e temor, pois o nosso Deus é um fogo consumidor” ( Hb 12.28,29).

4.DEUS APROXIMA-SE DE NÓS.

Tiago diz-nos: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós” (Tg 4.8). Esse tem sido o padrão com que Deus trata o seu povo em toda a Bíblia, e devemos estar confiantes que isso também é verdade hoje.
No Antigo Testamento, quando o povo de Deus começou a louvá-lo na ocasião da dedicação do templo, Deus desceu e manifestou-se no meio deles:

... no momento em que os tocadores de trombeta, e os cantores se uniam para celebrar numa mesma sinfonia o louvor do Senhor, no momento em que faziam ressoar o som das trombetas, dos címbalos e de outros instrumentos de música com este hino: Louvor ao Senhor porque ele é bom, porque sua misericórdia é eterna, nesse momento o templo, o templo do Senhor, encheu-se de uma nuvem tão espessa; que os sacerdotes não puderam permanecer ali para exercer sua função. A glória do Senhor enchia a casa de Deus (II Cr 5.13,14).

Ainda que o texto fale apenas de um incidente específico, não me parece incorreto supor que Deus também fará conhecida sua presença em outras ocasiões entre o seu povo, sempre que ele se agradar do louvor que eles oferecem (mesmo que não surja em forma de nuvem visível). Davi afirma: “ Contudo, tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel” (Sl 22.3).

5.DEUS MINISTRA A NÓS.

Embora o propósito principal da adoração seja glorificar a Deus, as Escrituras ensinam que também acontece algo conosco na adoração: nós mesmos somos edificados. Até certo ponto, isso acontece, naturalmente, quando aprendemos dos ensinos bíblicos ministrados ou das palavras de incentivo dirigidas a nós; Paulo afirma:

“Seja tudo feito para edificação” (I Co 14.26), e diz “instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria” (Cl 3.16), e também “falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais” (Ef 5.19; Hb 10.24-25).

Mas além da edificação resultante do crescimento na compreensão da Bíblia e da atenção dada às palavras de incentivo dos outros, há outra espécie de edificação que ocorre na adoração: quando adoramos a Deus, ele se encontra conosco e ministra diretamente a nós, fortalecendo-nos a fé, aumentando a consciência de sua presença e concedendo refrigério ao nosso espírito. Pedro afirma que enquanto os cristãos estão continuamente indo a Cristo (em adoração, oração e fé), eles estão sendo “edificados casa espiritual para serem sacerdócio santo, a fim de oferecerem sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo” (I Pe 2.5).

Quando vamos adorar entramos na presença de Deus de maneira especial e podemos esperar que ele se encontrará conosco ali e ministrará a nós: quando nos “achegamos ao trono da graça” recebemos “misericórdia e acharemos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb 4.16). Durante a adoração genuína com frequência experimentaremos um aumento da obra santificadora do Espírito santo, que trabalha continuamente transformando-nos à semelhança de Cristo “de glória em glória” (II Co 3.18).

6.OS INIMIGOS DO SENHOR FOGEM.

Quando o povo de Israel começava a adorar, Deus, em certas ocasiões, lutava por eles contra os seus inimigos. Por exemplo, quando os moabitas, os edomitas e os sírios atacaram Judá, o rei Josafá colocou os cantores em frente do exército louvando a Deus:

Aconselhou-se com o povo e ordenou cantores para o Senhor, que, vestidos de ornamentos sagrados e marchando à frente do exército, louvassem a Deus […] Tendo eles começado a cantar e dar louvores, pôs o Senhor emboscadas contra os filhos de Amom e de Moabe e os do monte Seir que vieram contra Judá, e foram desbaratados (2 Cr 20.21-22).

De igual modo, quando o povo de Deus oferece-lhe adoração hoje, podemos esperar que o Senhor lutará contra as forças demoníacas que se opõem ao evangelho, fazendo-as bater em retirada.

7.OS DESCRENTES SABEM QUE ESTÃO NA PRESENÇA DE DEUS.

Ainda que as Escrituras não enfatizem a evangelização como propósito principal quando a igreja se reúne para adorar, Paulo ordena aos coríntios que se preocupem com os descrentes e com os de fora que comparecerem aos cultos, para que eles tenham certeza de que os cristãos falam de maneira que se pode entender (I Co 14.23).

Ele também lhes diz que se o dom de profecia estiver sendo usado adequadamente, os descrentes terão eventualmente os segredos do seu coração descobertos, e se prostrarão sobre o rosto e “adorarão a Deus, testemunhando que, Deus está, de fato, no meio de vós” (I Co 14.25; At 2.11).

Mas a evangelização não é vista como propósito fundamental quando a igreja se reúne para adorar, e não seria correto ter a única reunião semanal de cristãos com um propósito fundamentalmente evangelístico. A preocupação de Paulo é antes que os visitantes entendam o que está acontecendo (e não pensem que os cristãos estão “loucos”, I Co 14.23) e que reconheçam que “Deus está, de fato, no meio de vós” (I Co 14.25).

C.O VALOR ETERNO DA ADORAÇÃO

Pelo fato de glorificar a Deus e cumprir o propósito para o qual ele nos criou, a adoração é uma atividade de significado eterno e de grande valor. Quando Paulo adverte os efésios de que não desperdicem o tempo, mas que o usem bem, ele o faz no contexto do viver como os sábios: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus” (Ef 5.15-16).
Paulo explica então o que é ser sábio e o que é remir o tempo:

Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças a Deus e Pai, em nome do nosso Senhor Jesus Cristo (Ef 5.17-20).

Portanto, no contexto onde fala de usar o tempo sabiamente e de remir o tempo, Paulo inclui tanto o cantar salmos espirituais uns aos outros como o cantar ao Senhor de coração.

Isso significa que adorar é fazer a vontade de Deus! A adoração é a consequência de compreender “qual a vontade do Senhor”. É “remir o tempo”. Além disso, já que Deus é eterno e onisciente, o louvor que lhe tributamos nunca desvanece de sua consciência, mas continuará a trazer regozijo ao seu coração por toda a eternidade (Jd 25: “Ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém!”)
O fato de que adorar é uma atividade de grande significado e de valor eterno também é evidente por ser a principal atividade dos que já estão nos céus (Ap 4.8-11; 5.11-14).

D.COMO PODEMOS ENTRAR EM ADORAÇÃO GENUÍNA?

Finalmente, a adoração é uma atividade espiritual e precisa ser efetuada pelo poder do Espírito Santo em nós. Isso quer dizer que devemos orar para que o Espírito Santo capacite-nos a adorar corretamente.

O fato de que a adoração genuína deve ser levada a efeito no reino espiritual, invisível, fica claro nas palavras de Jesus:

Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade (Jo 4.23-24).

Adorar “em espírito e em verdade” é mais bem compreendido não como significando “no Espírito Santo”, mas sim “no reino espiritual, no reino da atividade espiritual.” Isso significa que a verdadeira adoração envolve não somente o nosso campo físico, mas também o nosso espírito, o aspecto imaterial de nossa existência que basicamente atua no reino invisível. Maria sabia que estava adorando daquela forma, pois exclamou: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador” (Lc 1.46-47).

Fonte de Pesquisa

Teologia Sistemática Wayne Grudem

OUTROS RESUMOS


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagens populares

OREMOS IGREJA

OREMOS IGREJA
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

LER E ESTUDAR A BÍBLIA É UMA PRÁTICA DAS MAIS GRATIFICANTES E EDIFICANTE PARA QUEM AMA O DEUS ETERNO E DESEJA CONHECÊ-LO MELHOR.

MISSÕES & TEOLOGIA

BÍBLIA ON LINE