segunda-feira, 13 de abril de 2009

Acervo da Teologia

* Imperador Constantino, O Grande( 285-337).


CONSTANTINO, O GRANDE (285-337)



Primeiro "imperador cristão" do Império Romano; reinou de 306-337


VISÃO GERAL:


Poucas pessoas mudaram a história tanto quanto Constantino. O Império Romano passou séculos tentando eliminar a chama do Cristianismo, prendendo e executando muitos fiéis. Então esse quase-imperador se tornou cristão e o Império mudou completamente o seu rumo.


CHEGANDO AO PODER:


Os pais de Constantino eram Constâncio Cloro, o coimperador ocidental do Império Romano, e Helena, a concubina. Quando seu pai morreu na Inglaterra em 306, Constantino foi proclamado imperador pelas tropas, mas aceito de má-vontade por Galério, o imperador oriental. O governo do império entrou em desordem e dentro de dois anos cinco homens passaram pelo cargo de imperador.


Um pouco antes de sua morte em 311, Galério, o co-imperador sênior, baixou um edital de tolerância que acabava com a perseguição aos cristãos. Com a morte de Galério, Constantino e Licínio (que se tornara seu coimperador) se aliaram contra Maxêncio e Maximino Daia. Em 312 Constantino derrotou e matou Maxêncio numa batalha numa ponte próxima a Roma. Maximino Daia derrubou Licínio no ano seguinte. Uma paz aparente entre Constantino e Licínio foi mantida até 323, quando Constantino cruzou o território de Licínio enquanto expulsava invasores góticos. No ano seguinte, batalhas em Adrianópolis e Crisópolis puseram fim à situação e Constantino se tornou o único imperador.


REALIZAÇÕES :


Uma de suas jogadas políticas mais importantes foi a fundação da cidade de Constantinopla, em 330 na localidade de Bizâncio. Sua localização no Estreito de Bósforo era ideal do ponto de vista militar uma vez que dava acesso tanto aos frontes do Reno-Danúbio como ao Persa. Constantino continuou a reorganização do governo começada por Dioclécio (reinou de 284-305) e reformou o sistema monetário. Também permitiu aos bárbaros se estabelecerem dentro do império a fim de usá-los no exército.


A RELIGIÃO DE CONSTANTINO:


Constantino é bastante lembrado por suas políticas religiosas. A natureza de suas próprias crenças religiosas tem sido discutida. Desde o início foi tolerante com cristãos em seu próprio reino. Sua preferência pelo Cristianismo foi demonstrada mesmo antes da batalha na Ponte Mulviana. Conta-se que num sonho antes da batalha, Constantino teve a visão de um monograma composto das duas primeiras letras gregas do nome de Cristo. No dia seguinte ordenou que seus soldados inscrevessem aquele monograma em seus escudos. Outra estória conta que marchando um dia com seu exército, viu a imagem da cruz aparecer na frente do sol com as palavras "A este sinal, conquiste". Durante o inverno de 312 e 313, escreveu a um oficial no norte da África instruindo-o a suprir financeiramente o bispo de Cartago para que pagasse despesas do clero.

Quando ele e Licínio se encontraram em Milão em 313, baixaram um edital garantindo a todas as pessoas liberdade para seguir a religião que quisessem. Seus sentimentos cristãos também resultaram em leis permitindo a bispos decidirem sobre processos judiciais, eliminarem qualquer marca na face (porque maculava a imagem de Deus), côrtes judiciais e oficinas aos domingos e acabarem com jogos gladiadores. Dessa maneira, favoreceu o cristianismo. Constantino também foi tolerante com o paganismo e, por volta de 324, temas pagãos foram estampados em suas moedas. Sendo os cristãos minoria no império, Constantino sentiu que não poderia ofender a maioria pagã.


Teve um papel ativo nas controvérsias da igreja. Quando Ceciliano foi desafiado como bispo de Cartago (313) pelos Donatistas (separatistas da igreja africana), Constantino instruiu os bispos de Roma a convocarem uma comissão para ouvir o caso. Uma vez que os Donatistas não se satisfizeram com os resultados daquela comissão, o próprio Constantino ouviu o caso e em 316 declarou Ceciliano como bispo. Foi ele também que convocou o Conselho de Nicéia em 325, que fez leis contra o Arianismo (uma heresia que negava que Cristo como Filho de Deus era co-eterno com o Pai).


Foi o edital do imperador que deu força legal à decisão do Conselho de Nicéia.
Um escândalo sério manchou o reinado de Constantino. Em 326 seu filho Crispo e sua própria esposa, Fausta, foram executados por adultério. Constantino foi sucedido por seus outros três filhos, depois de ser batizado como cristão no seu leito de morte (de acordo com a lenda).


O IMPÉRIO E A IGREJA


A grande perseguição, decretada por Diocleciano em 303 e continuada por Galério, faliu. Os dois imperadores partiam do princípio de que a unidade do Império seria garantida pela unidade religiosa, pelo retorno ao paganismo.

O cristianismo era visto como um estado dentro do estado, formando comunidades com costumes e espírito diferentes. Por isso devia ser banido.


Não conseguindo destruir os cristãos, em 311 Galério publica um decreto de tolerância, admitindo o fracasso diante da Igreja que continuava crescendo em número de fiéis. A angústia do imperador pode ser medida quando pede que “em troca de nosso ato de clemência, os cristãos devem rezar ao seu Deus pelo nosso bem-estar, do Estado e deles”.


A força moral do cristianismo, afinal, era visível e invencível. Sobrava apenas um caminho: usar dessa força para reconstituir a unidade imperial. E isso foi feito por Constantino, imperador de 312 a 337.


UMA IGREJA LIVRE E PRIVILEGIADA



Constantino não era um santo, sendo responsável por uma sistemática eliminação de possíveis concorrentes, especialmente familiares. Mas era um homem profundamente religioso e atraído pelo monoteísmo, primeiramente adorando o Sol Invencível, chegando depois ao Deus dos cristãos. A força dos cristãos na perseguição foi por ele atribuída à força de seu Deus e Constantino quis também a proteção dessa divindade poderosa para o Império.


A respeito desse imperador, podemos dizer que foi levado a preferir e privilegiar a Igreja católica tanto por esperteza política (o cristianismo era uma força que se impunha tanto em número como pela retidão moral de seus membros) como por sinceridade religiosa. Apoiando a Igreja, o Império romano adquiriu força e o imperador satisfez seus impulsos religiosos, mesmo que pedindo o batismo apenas no leito de morte.


A política religiosa de Constantino se impôs em 313, quando derrotou seu rival Licínio e tornou-se imperador do Oriente e do Ocidente.


Pouco antes, em janeiro, decretou a liberdade para os cristãos, a restituição dos lugares de culto e outras propriedades, no ato conhecido como Edito de Milão.
Tem assim início a chamada “era constantiniana”, que leva a Igreja de uma posição de inferioridade a uma posição de liberdade, poder e privilégio. Significativo da mudança de mentalidade dos dois lados foi a oferta do palácio imperial de Latrão para residência do bispo de Roma.


A POLÍTICA CRISTÃ DE CONSTANTINO


Rapidamente, o cristianismo vai influenciar positivamente a legislação imperial, colocando um novo espírito fraterno e humano no tratamento das pessoas.


Principais medidas tomadas por Constantino entre 313 e 330:


1. O divórcio dificultado (ano 313).
2. Pena de morte apenas quando o crime for provado ou confessado (313).
3. Aplicação das leis segundo a justiça e a equidade (314).
4. Não se pode marcar com ferro quente a fronte dos condenados a trabalhos forçados (315).
5. Auxílio aos pobres para evitar o abandono dos recém-nascidos (315).
6. Subvenção da caixa privada do imperador para as igrejas católicas (315).
7. Proibição de conversão ao judaísmo (315).
8. O filho de pai livre não pode se tornar escravo (315).
9. Proibição da magia (318).
10. Efeito civil para as decisões dos tribunais episcopais (318).
11. Proibição de matar os próprios escravos e restrição à tortura (319).
12. Abolida a taxa sobre o celibato (320).
13. Os prisioneiros são protegidos contra os maus-tratos (320).
14. O domingo torna-se dia de repouso (321).
15. Facilitada a emancipação dos escravos (321).
16. Os tribunais permanecem fecha dos aos domingos (321).
17. A Igreja pode receber doações e legados (321).
18. Proibida a venda de filhos (322).
19. Restituição aos cristãos dos bens pessoais confiscados por Galério (324).
20. Financiamento público para a construção de igrejas (324).
21. Proteção aos pobres (325).
22. Proibição de dividir uma família de escravos por ocasião da venda de terrenos (325).
23. Proibição da luta de gladiadores (325).
24. A Igreja passa a ser herdeira dos bens dos hereges (326).
25. Construção da igreja da Ressurreição em Jerusalém (328).
26. O Estado passa a ajudar os filhos de pais pobres (329).

27. Os bispos e sacerdotes ficam isentos dos deveres civis públicos (330), etc.


Constantino, porém, enfraquece a liberdade dos bispos, garantindo-lhes postos de honra nas cerimonias, palácios e dinheiro, e oferecendo-lhes gratuitamente transporte e alojamento por ocasião dos sínodos e Concílios.


O principal motivo dessa última disposição era exercer influência nas decisões doutrinais e disciplinares, com isso garantindo a unidade do Império, sua grande obsessão.


Essa “bondade” inclui o reconhecimento da influência da fé cristã em todos os níveis da sociedade do Império.
Constantino, em 330, passa a residir em Bizâncio, no Oriente, inaugurando-a com o nome de Constantinopla. Surge a Nova Roma, cujo patriarca passa a concorrer em poder e prestígio com o bispo da Antiga Roma.Começa assim a separação entre o Oriente e o Ocidente, que empobrecerá a catolicidade da Igreja.


A CAMINHO DE UMA TEOLOGIA IMPERIAL:


Devemos ter em conta o significado, para os cristãos, de terem um imperador cristão após três séculos de perseguição. Os símbolos imperiais passam a ser cristãos, as moedas trazem imagens cristãs, a cruz torna-se o grande símbolo do Império.


Os cargos mais altos do governo são confiados somente a cristãos. Os bispos são os principais conselheiros e se desenvolve uma cultura cristã.


A Igreja, livre para a sua missão, se expande pelo Império, multiplica as dioceses, constrói ricas e belas igrejas, embeleza o culto cristão, que também sai empobrecido pela multiplicação de cerimônias e ornamentos como imitação da corte imperial.


Desenvolve-se também uma teologia da pessoa do imperador: assim como Cristo venceu os demônios, o imperador vence os inimigos da verdade; Cristo introduz os homens no reino do Pai e o imperador os introduz na Igreja.
O imperador é o vigário de Deus, Pai na terra, do mesmo modo que Cristo o é no paraíso. Numa palavra, o imperador faz parte do plano de salvação e é instrumento de salvação!


Constantino transfere para o âmbito cristão a ideologia imperial pagã: o imperador pagão “divino” agora passa a ser um representante divino na terra. Julgava-se bispo “exterior”, responsável pela unidade cristã. Ergueu seu túmulo numa igreja em Constantinopla, repousando no meio das estátuas dos doze apóstolos e considerando-se isapóstolos (semelhante aos apóstolos).


O serviço militar, antes problemático para os cristãos, tornou-se permitido. Uma guerra do imperador cristão já pode ser uma guerra justa. Sinal dessa reviravolta: em 404 os judeus e samaritanos foram excluídos do exército e os pagãos em 416. Houve um retrocesso em 361-363, quando o imperador Juliano tentou levar o Império a retornar ao paganismo.


A Igreja recebeu a justa liberdade, mas também caiu no erro da intolerância, que condenava quando estava em minoria: os cultos pagãos foram proibidos, os templos destruídos, os hereges perseguidos.


O imperador Teodósio, no dia 28 de Fevereiro de 380, faz uma escolha dogmática: o paganismo é abolido e os cristãos devem acolher a fé professada pelo bispo de Roma Dâmaso e por Pedro de Alexandria.


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