quinta-feira, 20 de julho de 2017

Portal Teologia & Missões

Jesus X Religião - Augustus N. Lopes


O reverendo presbiteriano Augustus Nicodemus Lopes afirmou que em seu ponto de vista, Jesus não odeia a religião, assim como muitos tem propagado.

Para Nicodemus, que além de reverendo é chanceler na Universidade Presbiteriana Mackenzie, as teorias de que a religião é algo detestado por Deus são formadas em sua maioria por “frases de efeitos.

Augustus Nicodemus afirma que “a religião que Jesus ‘odiou’ foi o judaísmo legalista e farisaico de sua época, que era uma distorção da religião que Deus havia revelado a Israel e pela qual os profetas tanto lutaram”.

O reverendo ressalta ainda que Jesus tomou parte de certos rituais religiosos que considerava certo: “Jesus [...] foi circuncidado, aceitou ser batizado por João, foi ao templo nas festas religiosas, orou, deu esmolas, mandou gente que ele curou mostrar-se ao sacerdote”.

Ponderando a respeito do sentimento de aversão que é causado a diversas pessoas através de situações ou abordagens erradas do cristianismo, o reverendo Nicodemus afirma no texto publicado no Gospel prime que o legalismo é a razão de tanta insatisfação com a religião: 

          “É verdade que o Cristianismo através dos séculos se corrompeu em 
muitos lugares e épocas. Mas, todas as vezes em que isto ocorreu, deixou de ser a religião verdadeira para ser uma religião falsa. Portanto o correto é dizer que Jesus odeia o legalismo religioso, inclusive dentro do cristianismo. Mas é injusto e falso colocar Jesus contra toda e qualquer forma de cristianismo”.

Confira as opiniões de Augustus Nicodemus a respeito do tema Jesus x Religião:

Eu acho que frases de efeito como “Jesus é maior do que religião”, ou ainda “Jesus odeia religião”, ou mesmo “Eu sigo a Jesus; cristianismo é religião” não ajudam muito. Elas precisam de algumas definições para fazer sentido. 

(1) A religião que Jesus “odiou” foi o judaísmo legalista e farisaico de sua época, que era uma distorção da religião que Deus havia revelado a Israel e pela qual os profetas tanto lutaram. Logo, não se pode dizer que Jesus é contra a religião em si, mas contra aquelas que são legalistas, meritórias e contrárias à palavra de Deus;

(2) Jesus participou daquilo que era certo na religião de seus dias: foi circuncidado, aceitou ser batizado por João, foi ao templo nas festas religiosas, orou, deu esmolas, mandou gente que ele curou mostrar-se ao sacerdote;

(3) Seus seguidores, os apóstolos, logo se organizaram em comunidades, elegeram líderes, elaboraram declarações de fé, escreveram livros que virariam Escritura, recolhiam ofertas, tinham locais (casas) para se reunir – ou seja, tudo que uma religião tem. Logo, não devíamos dizer que o cristianismo não é uma religião; 

(4) É verdade que o Cristianismo através dos séculos se corrompeu em muitos lugares e épocas. Mas, todas as vezes em que isto ocorreu, deixou de ser a religião verdadeira para ser uma religião falsa. Portanto o correto é dizer que Jesus odeia o legalismo religioso, inclusive dentro do cristianismo. Mas é injusto e falso colocar Jesus contra toda e qualquer forma de cristianismo. 

Augustus Nicodemus é reverendo presbiteriano e Chanceler da Universidade Mackenzie e pastor da I IPB de Goiânia. 




Material recomendado
Continuar lendo
Portal Teologia & Missões

A Alma Católica dos Evangélicos no Brasil - Augustus Nicodemus Lopes



Os evangélicos no Brasil nunca conseguiram se livrar totalmente da influência do Catolicismo Romano. Por séculos, o Catolicismo formou a mentalidade brasileira, a sua maneira de ver o mundo ("cosmovisão"). O crescimento do número de evangélicos no Brasil é cada vez maior – segundo o IBGE, seremos 40 milhões esse ano de 2006 – mas há várias evidências de que boa parte dos evangélicos não tem conseguido se livrar da herança católica.

   É um fato que conversão verdadeira (arrependimento e fé) implica numa mudança espiritual e moral, mas não significa necessariamente uma mudança na maneira como a pessoa vê o mundo. Alguém pode ter sido regenerado pelo Espírito e ainda continuar, por um tempo, a enxergar as coisas com os pressupostos antigos. É o caso dos crentes de Corinto, por exemplo. Alguns deles haviam sido impuros, idólatras, adúlteros, efeminados, sodomitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes e roubadores. Todavia, haviam sido lavados, santificados e justificados "em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus" (I Co 6.9-11) sem que isso significasse que uma mudança completa de mentalidade houvesse ocorrido com eles. 

 Na primeira carta que lhes escreve, Paulo revela duas áreas em que eles continuavam a agir como pagãos: na maneira grega dicotômica de ver o mundo dividido em matéria e espírito (que dificultava a aceitação entre eles das relações sexuais no casamento e a ressurreição física dos mortos – capítulos 7 e 15) e o culto à personalidade mantido para com os filósofos gregos (que logo os levou à formar partidos na igreja em torno de Paulo, Pedro, Apolo e mesmo o próprio Cristo – capítulos 1 a 4). Eles eram cristãos, mas com a alma grega pagã.

  Da mesma forma, creio que grande parte dos evangélicos no Brasil tem a alma católica. Antes de passar às argumentações, preciso esclarecer um ponto. Todas as tendências que eu identifico entre os evangélicos como sendo herança católica, no fundo, antes de serem católicas, são realmente tendências da nossa natureza humana decaída, corrompida e manchada pelo pecado, que se manifestam em todos os lugares, em todos os sistemas e não somente no Catolicismo. Como disse o reformado R. Hooykas, famoso historiador da ciência, “no fundo, somos todos romanos” (Philosophia Liberta, 1957). Todavia, alguns sistemas são mais vulneráveis a essas tendências e as absorveram mais que outros, como penso que é o caso com o Catolicismo no Brasil. E que tendências são essas?

1) O gosto por bispos e apóstolos 

 Na Igreja Católica, o sistema papal impõe a autoridade de um único homem sobre todo o povo. A distinção entre clérigos (padres, bispos, cardeais e o papa) e leigos (o povo comum) coloca os sacerdotes católicos em um nível acima das pessoas normais, como se fossem revestidos de uma autoridade, um carisma, uma espiritualidade inacessível, que provoca a admiração e o espanto da gente comum, infundindo respeito e veneração. Há um gosto na alma brasileira por bispos, catedrais, pompas, rituais. Só assim consigo entender a aceitação generalizada por parte dos próprios evangélicos de bispos e apóstolos auto-nomeados, mesmo após Lutero ter rasgado a bula papal que o excomungava e queimá-la na fogueira. A doutrina reformada do sacerdócio universal dos crentes e a abolição da distinção entre clérigos e leigos ainda não permearam a cosmovisão dos evangélicos no Brasil, com poucas exceções.

2) A ideia que pastores são mediadores entre Deus e os homens 

 No Catolicismo, a Igreja é mediadora entre Deus e os homens e transmite a graça divina mediante os sacramentos, as indulgências, as orações. Os sacerdotes católicos são vistos como aqueles através de quem essa graça é concedida, pois são eles que, com as suas palavras, transformam, na Missa, o pão e o vinho no corpo e no sangue de Cristo; que aplicam a água benta no batismo para remissão de pecados; que ouvem a confissão do povo e pronunciam o perdão de pecados. Essa mentalidade de mediação humana passou para os evangélicos, com algumas poucas mudanças. Até nas igrejas chamadas históricas os crentes brasileiros agem como se a oração do pastor fosse mais poderosa do que a deles, e que os pastores funcionam como mediadores entre eles e os favores divinos. Esse ranço do Catolicismo vem sendo cada vez mais explorado por setores neopentecostais do evangelicalismo, a julgar por práticas já assimiladas como “a oração dos 318 homens de Deus”, “a prece poderosa do bispo tal”, “a oração da irmã fulana, que é profetisa”, etc.

3) O misticismo supersticioso no apego a objetos sagrados 

 O Catolicismo no Brasil, por sua vez influenciado pelas religiões afro-brasileiras, semeou misticismo e superstição durante séculos na alma brasileira: milagres de santos, uso de relíquias, aparições de Cristo e de Maria, objetos ungidos e santificados, água benta, entre outros. Hoje, há um crescimento espantoso entre setores evangélicos do uso de copo d’água, rosa ungida, sal grosso, pulseiras abençoadas, pentes santos do kit de beleza da rainha Ester, peças de roupa de entes queridos, oração no monte, no vale; óleos de oliveiras de Jerusalém, água do Jordão, sal do Vale do Sal, trombetas de Gideão (distribuídas em profusão), o cajado de Moisés... é infindável e sem limites a imaginação dos líderes e a credulidade do povo. Esse fenômeno só pode se explicado, ao meu ver, por um gosto intrínseco pelo misticismo impresso na alma católica dos evangélicos.

4) A separação entre sagrado e profano 

 No centro do pensamento católico existe a distinção entre natureza e graça idealizada e defendida por Tomás de Aquino, um dos mais importantes teólogos da Igreja Católica. Na prática, isso significou a aceitação de duas realidades co-existentes, antagônicas e freqüentemente irreconciliáveis: o sagrado, substanciado na Santa Igreja, e o profano, que é tudo o mais no mundo lá fora. Os brasileiros aprenderam durante séculos a não misturar as coisas: sagrado é aquilo que a gente vai fazer na Igreja: assistir Missa e se confessar. O profano – meu trabalho, meus estudos, as ciências – permanece intocado pelos pressupostos cristãos, separado de forma estanque. 

 É a mesma atitude dos evangélicos. Falta-nos uma mentalidade que integre a fé às demais áreas da vida, conforme a visão bíblica de que tudo é sagrado. Por exemplo, na área da educação, temos por séculos deixado que a mentalidade humanista secularizada, permeada de pressupostos anticristãos, eduque os nossos filhos, do ensino fundamental até o superior, com algumas exceções. Em outros países os evangélicos têm tido mais sucesso em manter instituições de ensino que além de serem tão competentes como as outras, oferecem uma visão de mundo, de ciência, de tecnologia e da história oriunda de pressupostos cristãos. Numa cultura permeada pela ideia de que o sagrado e profano, a religião e o mundo, são dois reinos distintos e frequentemente antagônicos, não há como uma visão integral surgir e prevalecer a não ser por uma profunda reforma de mentalidade entre os evangélicos.

5) Somente pecados sexuais são realmente graves 

A distinção entre pecados mortais e veniais feita pelo romanismo católico vem permeando a ética brasileira há séculos. Segundo essa distinção, pecados considerados mortais privam a alma da graça salvadora e condenam ao inferno, enquanto que os veniais, como o nome já indica, são mais leves e merecem somente castigos temporais. A nossa cultura se encarregou de preencher as listas dos mortais e dos veniais. Dessa forma, enquanto se pode aceitar a “mentirinha”, o jeitinho, o tirar vantagem, a maledicência, etc., o adultério se tornou imperdoável. Lula foi reeleito cercado de acusações de corrupção. 

 Mas, se tivesse ocorrido uma denúncia de escândalo sexual, tenho dúvidas de que teria sido reeleito, ou que teria sido reeleito por uma margem tão grande. Nas igrejas evangélicas – onde se sabe pela Bíblia que todo pecado é odioso e que quem guarda toda a lei de Deus e quebra um só mandamento é culpado de todos – é raro que alguém seja disciplinado, corrigido, admoestado, destituído ou despojado por pecados como mentira, preguiça, orgulho, vaidade, maledicência, entre outros. As disciplinas eclesiásticas acontecem via de regra por pecados de natureza sexual, como adultério, prostituição, fornicação, adição à pornografia, homossexualismo, etc., embora até mesmo esses estão sendo cada vez mais aceitáveis aos olhos evangélicos. Mais um resquício de catolicismo na alma dos evangélicos?

O que é mais surpreendente é que os evangélicos no Brasil estão entre os mais anti-católicos do mundo. Só para ilustrar (e sem entrar no mérito dessa polêmica) o Brasil é um dos poucos países onde convertidos do catolicismo são rebatizados nas igrejas evangélicas. O anti-catolicismo brasileiro, todavia, se concentrou apenas na questão das imagens e de Maria, e em questões éticas como não fumar, não beber e não dançar. Não foi e não é profundo o suficiente para fazer uma crítica mais completa de outros pontos que, por anos, vêm moldando a mentalidade do brasileiro, como mencionei acima. Além de uma conversão dos ídolos e de Maria a Cristo, os brasileiros evangélicos precisam de conversão na mentalidade, na maneira de ver o mundo. Temos de trazer cativo a Cristo todo pensamento e não somente os nossos pecados. Nossa cosmovisão precisa também de conversão (2 Coríntios 10.4-5).

Quando vejo o retorno de grandes massas ditas evangélicas às práticas medievais católicas de usar no culto a Deus objetos ungidos e consagrados, procurando para si bispos e apóstolos, imersas em práticas supersticiosas, me pergunto se, ao final das contas, o neopentecostalismo brasileiro não é, na verdade, um filho da Igreja Católica medieval, uma forma de neo-catolicismo tardio que surge e cresce em nosso país onde até os evangélicos têm alma católica.



Material recomendado 


Continuar lendo
Portal Teologia & Missões

Frases Cristãs - Augustus Nicodemus Lopes


"Todo tipo de favoritismo na igreja é pecado". 
                   Augustus N. Lopes 














Continuar lendo

terça-feira, 18 de julho de 2017

Portal Teologia & Missões

Apóstolos e Pastores da Atualidade! Michael Rossane


Que Contradição né?! 

Esses camaradas que se intitulam de "bispos" "pastores" "apóstolos" e "pastoras", deixando claro, que qualquer um pode ser, mas vocacionados são poucos, fazem dos seus objetos de uso pessoal como amuletos para "salvar" e curar uma pessoa obtendo por meio dessas ações o dinheiro, quanta imponência, idiotice, safadeza e malandragem por parte dessas pessoas, além de pecado contra Deus e ao próximo, isso também é um crime. 

O "engraçado" é que: As chibatadas e os açoites que Jesus levou com mais de 460 feridas abertas em seu corpo, a coroa de espinhos africanos, de cerca de 7 ou 10 cm cada um, e tão duro, que poderiam até mesmo perfurar o crânio de uma pessoa, eram utilizados pelos marceneiros da época como pregos. 

A cruz que carregou com média de 150 quilos, as 6 horas de sofrimento na cruz, o longo trecho percorrido enquanto as pessoas blasfemava, esbofeteava, apedrejava e escarrava n,Ele, além de carregar a cruz foi pregado nela com pregos de 15 a 20 cm, humilhado, zombado, braço deslocado, tendões rompidos, sede, aflição psicológica e depois furado, isso ninguém quer, mais fácil para esses manipuladores, é usar uma camiseta ensanguentada de um pecador para enganar e levar para o abismo milhares de pessoas. (Leia Marcos 15)

Michael Rossane 

Continuar lendo
Portal Teologia & Missões

O Desinteresse das Pessoas e Igrejas Locais pela Filantropia - Michael Rossane



O Desinteresse das Pessoas e Igrejas Locais pela Filantropia 

Porque cada vez menos igrejas e pessoas do nosso tempo, estão se ingressando no social, na filantropia?

Se trata de igrejas e pessoas egoístas e insensíveis aos problemas alheios? Não, em alguns casos não. Ao meu ver e por experiência própria como voluntário de uma instituição filantrópica idônea de Anápolis, em primeiro lugar, a igreja se tornou "rica" mas sem visão para missões transculturais, missões urbanas e filantropia, com mentalidade materialista e mundanista. Uma vez que, ela só saberá dos problemas e privações diversas em que as pessoas das favelas e periferias enfrentam, somente indo até lá para se dar conta de suas obrigações e responsabilidades.

Em segundo, o que mais impede o envolvimento dessas pessoas cristãs e não cristãs com o social, com o pobre, é o preconceito já disseminado em suas mentes desde muito cedo, de que se tratam de bandidos, pessoas pedintes, mendigos sujos, viciados, fedorentos e ignorantes, pessoas que não gostam de trabalhar e estudar, lugar perigoso em que não se deve visitar.... Muita prepotência não é, mas é desse tipo aí infelizmente. E por último, apego e amor ao dinheiro, ganância aos seus bens.

Nas palavras do Pr. Antônio Carlos Costa, presidente da ONG Rio de Paz da cidade do Rio de Janeiro: É problema moral possuir muito num mundo no qual milhões possuem tão pouco.


Michael Rossane
Filantropo responsável pela Associação ACAV 

Continuar lendo
Portal Teologia & Missões

Leia, Reflita e Reaja - Michael Rossane


Leia, Reflita e Reaja 
Michael Rossane

Neste final de semana 08/15, tive uma experiência não muito agradável, que foi a falta de água, muita sede mesmo, o que me fez refletir sobre regiões do sertão que fica sem chover por até 3 anos, matando animais, plantações e pessoas. Me fez refletir do quanto precisamos da água e não vivemos sem ela, e por termos em "abundância" desperdiçamos.

 Saímos para um destino partindo de Cocalzinho de Goiás com o intuito de visitarmos a cidade de pedras e algumas cachoeiras, e aconteceu que ficamos perdidos, andando sem rumo por muitos quilômetros e informações desencontradas, até que ficamos sem água por algumas horas e aquela fraqueza que se pode imaginar, e pela graça de Deus, (e põe graça nisso), no finalzinho do dia, conseguimos encontrar um local com casas abandonadas no meio do nada e ao lado uma represa de água que não sei de onde saia no meio de algumas pedras, ufa... Até que enfim. A água não era limpa, um pouco amarelada e barrenta infestada de girinos, mas a sede era tanta que bebemos mesmo assim sem fervermos e ainda aproveitamos para tomarmos banho, sinistro, pensando a turma mais tarde diante de uma bela cachoeira com água transparente, dos perigos que corremos de bebermos aquela água, mas como não nos aconteceu nada em algumas horas, ficamos tranquilos.  Mas o desespero foi grande, em pensar que poderíamos ficar muitas horas sem água, e com muitos quilômetros ainda para caminhar e sem água para cozinhar, bem complicado.

  O que quero chamar a atenção de todos é que, quando a sede e a fome bate, tudo o que o queremos e não importa as condições que seja, é suprir essa necessidade. Quantas pessoas e cidades estão nesse momento, tendo como foco nosso país, com fome e sede, regiões secas com poços secos, águas barrentas, e famílias comendo calangos e ratos para matar a fome, e eu mesmo conheci muitas cidades e famílias com essas carências. Não espere sentir na pele o que eles vivem pra poder ajudar, apoiar, doar entre outras, enquanto você se omite, milhares morrem a espera de uma ajuda até nas periferias da sua cidade, enquanto você se acovarda, milhares estão por aí isolados e doentes precisando de um abraço e de sua misericórdia.

Apoie um projeto do Sertão, apoie um projeto social na sua cidade, mas não fique sem fazer nada...


Fim... 

Continuar lendo
Portal Teologia & Missões

Refugiados de Igrejas - Michael Rossane


Refugiados de Igrejas!?
Michael Rossane 

O ingresso de uma pessoa nova na igreja deveria ser acompanhado de perto pela liderança (e da mesma maneira para aqueles que se ausentam por muito tempo da igreja). É importante conhecer o motivo pelo qual ela está ali, até pra saber lidar com algumas situações...

O que tem acontecido hoje é uma quantidade enorme de "refugiados" de outras igrejas, que saem das suas denominações por inúmeros motivos e alguns deles estariam até cumprindo disciplina ou precisando ser disciplinados, fazem isso pensando que se ninguém na igreja sabe da sua história, tudo ficará bem e poderão até exercer normalmente atividades e ministérios, imaginando estarem livres da disciplina ou mudança de atitude...

Acontece que Deus tudo vê, não adianta mudar de denominação, o " Corpo" é um só, não adianta mudar de igreja e não mudar de vida, enganam-se achando que estarão livres da correção e livres para dar continuidade em seus delitos e pecados... Não nos enganemos, esquecendo-nos de um dos atributos de Deus: Onisciência! E para finalizar, nada fica em obscuro por muito tempo, mais cedo ou mais tarde a verdade vem a tona diante de todos.



Continuar lendo
Portal Teologia & Missões

Concupiscência da Carne, Concupiscência dos Olhos - Michael Rossane


A tendência natural de todos nós é seguir aquilo que amamos e desejar aquilo que nos agrada. Porém, se não nos precavermos, corremos o risco de cultivar em nós desejos que são desordenados e fora dos limites estabelecidos por Deus.

Tenho afirmado constantemente em meus sermões que "o excesso de coisas boas trazem resultados ruins e pecaminosos" e muitos, por não observarem este excesso, têm-se entregado aos seus desejos venenosos, traindo a si mesmos, a Deus e ao próximo. 

 O texto de 1 João 2:16 traz, com muita precisão, três destes desejos mais peçonhentos. 

A Concupiscência da Carne 

Concupiscência da carne é marcada por práticas desvirtuadas em busca de satisfação do apetite sexual. São as imoralidades e toda espécie de perversões que se possa imaginar.

Uma vida realmente desregrada, sem limites. O indivíduo passa a ser escravo de si mesmo. É como se houvesse um monstro dentro dele, mais forte do que ele, convencendo-o constantemente a continuar satisfazendo seus apetites carnais que não possuem fronteiras. Os prejuízos são enormes, além da perda da reputação, do pudor e do caráter, perde-se a salvação, a presença do Espírito Santo que deve habitar no homem. Enfim, é um pecado que conduz a alma para o inferno, Rm 8: 8; Rm 13: 14 e Ap 21: 8.

A Concupiscência dos Olhos

Concupiscência dos olhos é desejo intenso de aquisição de bens materiais, de desfrutar do gozo material. É o desejo de possuir, desejo de adquirir coisas, de acumular. Surge mediante a contemplação das vantagens terrenas, como riquezas, famas e prazeres. O indivíduo corre desenfreadamente atrás daquilo que ele não trouxe para este mundo, 1Tm 6: 7.

Este desejo é também conhecido como "avareza". O avarento se apega demasiadamente às coisas materiais, esquecendo-se de Deus. Seus olhos não veem o vertical, de onde vem sua redenção; somente veem o horizontal, o mundo e as coisas que nele há.

O primeiro grande mandamento é "Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração...", Mc 12: 30. Quem deseja possuir, adquirir desta forma os bens desta vida está incapacitado de amar a Deus. Os seus olhos estão saturados, voltados tão somente para os elementos materiais, a riqueza, a economia, de tal forma que não conseguem mais ver Deus em seu caminho, 1Tm 6: 10. 

A Soberba da Vida

A soberba é o desejo de posição. É querer estar acima de todos. Tenho afirmado que este tem sido um dos piores e mais demorado de todos os males a morrer no homem: o orgulho, o egoísmo. O indivíduo torna-se "deus" de si mesmo. Tudo que faz é só para se promover, para que seu ego seja massageado através dos elogios, dos parabéns, dos cargos que possui, das funções que exerce, da formação que tem, etc. Se tudo é necessário, mas se não for bem administrado pode ser um veneno mortífero para aqueles que almejam posições.

Há quem diga que "o poder pode embriagar". De fato, isso pode ocorrer, se não for canalizado de forma correta. Uma grande virtude em nossas vidas é "quando sentimos que somos o maior de todos os pecadores e o menor de todos os santos".

Quando temos o próximo sempre superior a nós. Isto é uma bênção. Que Deus nos salve de nós mesmos e que nossos desejos sejam controlados pelo Espírito Santo.


Que Deus abençoe a todos.

Continuar lendo

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Portal Teologia & Missões

Efésios 4:6 - Estudo - Michael Rossane


Efésios 4:6

Estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos,e, juntamente com Ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus... (Ef: 4:6).

Estar assentado nos lugares celestiais em Cristo Jesus... A posição de sentar significa, descansar, tranquilizar, é interessante que no Antigo Testamento, o sacerdote permanecia de pé constantemente e todos os dias durante o tempo em que oferecia os sacrifícios pelo povo, isso porque esse sacrifício não seria capaz de apagar totalmente aqueles pecados. Ao contrário, com o Senhor Jesus a carta aos Hebreus nos afirma em seu capítulo 10, verso 12, que Jesus tendo oferecido, para sempre, único sacrifício pelos pecados (e não mais, todos os dias, ou de ano em ano), assentou-se à Destra de Deus, ou seja, cumpriu sua missão e agora está ali ao lado do Pai, para desfrutar das benesses que o sacrifício lhe trouxe.

Ao Senhor Jesus foi necessária a morte, para resgaste do povo, para trazer das regiões das trevas, nós, que outrora, andávamos errantes, desobedientes, obstinados, pecadores. Ele morreu, porém ressuscitou e se assentou nos lugares celestiais, onde nós estamos assentados com Ele. Estar assentados “em” Jesus demonstra a posição de autoridade do filho de Deus, não é apenas estar “com” Ele, estar “com” significa, “estar ao lado de”, “acompanhado de”, mas a Palavra diz que estamos “em” que significa, “dentro de”, “inserido em alguma coisa ou lugar”, estamos lá, como igreja, inseridos neste mundo espiritual, que nós já conquistamos através da morte de Jesus. 

 Isso implica em dizer que a igreja já esta lá, e que o céu não é de forma alguma o seu destino, ao contrário, o céu é lugar de origem da igreja, porque é lá que ela está, assentada em Cristo, desde o seu triunfo na cruz.

É necessário o reconhecimento dessa posição de autoridade, estamos espiritualmente lá, carnalmente aqui (por enquanto) por uma limitação física, mesmo porque ao “corpo” (Igreja) é impossível sobreviver sem a “Cabeça” (Cristo Jesus), e é por isso que estamos sim unidos, ligados a Ele de uma forma maravilhosa, misteriosa, mas real.

Analisemos então, se estamos nos lugares celestiais, lá em cima, o nosso pensamento tem que condizer com a posição que ocupamos no mundo espiritual, talvez muitas vezes as circunstâncias nos confundam, mas de forma alguma, retira de nós a posição concedida por Deus. 

 E se estou “lá” em Cristo, entendo que como igreja devo passar pelo mesmo processo: morte, ressurreição, triunfo, para ressurgir, é preciso morrer, espiritualmente falando, tenho que morrer para o mundo, para o pecado e para tudo aquilo que me afasta da vida em Cristo, então quando morremos para o pecado, ressurgimos para uma vida nova em Cristo, e nos assentamos com Ele, em triunfo, em glória, isso já está consumado no mundo espiritual, e será consumado no mundo físico, quando Jesus “levar” sua Igreja, onde não mais existirá a limitação física.

E toda essa autoridade, esse poder dado a igreja, só é possível, através do sacrifício de Jesus, onde a misericórdia não nós dá aquilo que merecemos e a graça nos dá aquilo que não merecemos, e nunca mereceremos por esforço próprio, por isso a salvação é dom de Deus, vem d'Ele, e é para todo aquele que crê em o Nome de Jesus, seu Filho, que Ele, por amor nos entregou e com Jesus nos deu graciosamente (de graça) todas as coisas. Ninguém pode nos separar desse amor, conquistado pela graça e que nos deixa em posição superior, de autoridade, reconheçamos pois nossa autoridade como igreja, e vivamos de acordo com essa posição que por Jesus foi para nós conquistada.

Michael Rossane

Continuar lendo
Portal Teologia & Missões

75% dos Paraenses Vivem em Condições Precárias


O Pará apresenta uma das piores condições de moradia do País. Isso segundo um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), baseado na avaliação de residências que possuem serviços de água tratada, esgoto e coleta de lixo, entre outros itens. 

No ranking, o Estado ocupa o antepenúltimo lugar entre no Brasil em adequação da moradia para a população, com apenas 24,8% dos domicílios das áreas urbanas adequados à habitação humana. Está muito longe de São Paulo, por exemplo, que é o primeiro colocado no ranking com 93,2% de moradias adequadas. O Pará só não está pior que Rondônia (15,46%) e Amapá (14,84%). 

Privilegiados 

Isso significa que somente 327,2 mil moradias paraenses contam com infraestrutura básica de rede geral de abastecimento de água e de esgoto ou fossa séptica, além de coleta de lixo direta. São os domicílios mais “privilegiados”, que gozam ainda da privacidade de até dois moradores por dormitório. 

Ou seja, do total de 1,3 milhão de residências paraenses, quase um milhão enfrenta precariedade de acesso a serviços básicos. Na Região Metropolitana de Belém, 41,7% dos endereços (222,2 mil) têm condição adequada para se viver, mas, entre as 36 regiões metropolitanas do País, a da capital paraense obteve o 32º lugar no ranking. 

A primeira posição ficou com a da Baixada Santista, com 91,7%. O último lugar é o do agreste alagoano, com 13,77%. O levantamento mostra que o Brasil tem 47,3 milhões de casas particulares permanentes em áreas urbanas, sendo 13,7 milhões de moradias em condições inadequadas. 

O Atlas do IBGE 

As informações estão na edição 2017 do Atlas Nacional Digital do Brasil, o primeiro em meio digital divulgado pelo IBGE. Os dados do Atlas Digital envolvem todas as pesquisas e atualizações cartográficas, inclusive o Censo 2010, e introduz temáticas sobre cidadania, habitação, sociedade e cidades sustentáveis. 

Grandes Cidades Concentram Habitações Precárias 

E se nas grandes cidades estão os maiores percentuais de coleta de lixo e saneamento básico, por exemplo, é também nesses locais em que se concentram grande quantidade de residências com infraestrutura inadequada, problema que é potencializado pelo expressivo número de habitantes que vivem em uma mesma área. 

“Em uma área de grande concentração populacional, o impacto sobre o urbano proporcionalmente é muito maior do que naqueles com menor número de habitantes, que estão mais distribuídos no espaço”, explica Maria Lúcia Vilarinhos, geógrafa do instituto. “É um fenômeno estrutural brasileiro presente em todo o território. A cidade, ao atrair população, superlota o seu entorno e gera precariedade, por não se tratar de um crescimento planejado. Essa manifestação não é tão preponderante nos municípios menores”, avalia a pesquisadora do IBGE.

(Livia Ferrari / Diário do Pará)
Denise Campos - Portal Teologia 

Continuar lendo
Portal Teologia & Missões

Missão Entre os Vulneráveis - Igor Miguel


Missão Entre os Vulneráveis 
Por: Igor Miguel 

Tenho muita dificuldade com a retórica de messianização do pobre (muito presente em determinadas tendências missiológicas). Trabalho há quase cinco anos com crianças e adolescentes em contextos de alta vulnerabilidade. Pela graça de Deus, faço parte de uma equipe e de uma ONG1 profundamente interessadas na garantia do desenvolvimento humano. Porém, jamais me deixei envenenar por qualquer ufanismo triunfalista nem, tampouco, por uma antropologia rousseauniana ingênua.

Não tenho nenhuma pretensão de transformação estrutural ou de mudanças revolucionárias. Também não acho que o pobre seja privilegiado, em termos morais, em relação ao rico, simplesmente por causa de sua condição pobre. Porém, admito que a maioria esmagadora dos eleitos de Deus são pobres materialmente: a história e as Escrituras comprovam. Logo, de forma bíblica e histórica, Deus favorece misteriosamente os mais vulneráveis, mas não acho que seja um critério soteriológico, mas uma forma particular em que Deus opera para evidenciar Sua glória.

Não acho que eu mereça – nem nenhum cristão – algum tipo de admiração por tal tarefa. Essa afirmação não se baseia em uma postura demagógica. Esse é um fato experimentado por qualquer missionário/profissional realmente interessado nos mais vulneráveis: jamais serviríamos tais indivíduos por nossa competência. Somos arrastados ao serviço e ao amor, pois o próprio Cristo os ama e quer servi-los. Raras vezes sou reconhecido por meus educandos ou seus pais por qualquer esforço em vê-los melhorando em inúmeras competências socioemocionais e cognitivas. E, de fato, não tenho nenhuma expectativa de reconhecimento. O que faço é ínfimo e, depois, não é o reconhecimento que me encoraja. Sendo assim, que Deus nos livre de um farisaísmo performático. Que Deus nos livre de uma admiração desproporcional e desnecessária.

 Somos arrastados ao serviço e ao amor, pois o próprio Cristo os ama e quer servi-los.

Um cristão se move no sentido dos mais vulneráveis por causa de dois grandes mandatos divinos: a Grande Comissão, ide (Mt 28.19), e o Grande Mandamento, amar (Jo 13.34). Para mim, cristãos precisam amar mais e dar um passo mais consistente na direção dos mais pobres e vulneráveis. Nosso país é marcado por profundas desigualdades, violência, fracasso institucional, impunidade e empobrecimento moral. Para mim, é simplesmente inquietante que cristãos fiquem indiferentes ao sofrimento alheio. Claro que não estou aqui, sustentando a tese de “encontrar Deus nos pobres” e longe de apresentar uma “abordagem ideológica” em relação à pobreza. Antes simplesmente evoco o Grande Mandamento: amar!

Cristãos precisam de um choque de realidade. Eles precisam deixar suas vidas cômodas e entrar numa cracolândia, subir o morro, visitar presídios, servir em desastres ou ter ações semelhantes. De fato, não há como continuarmos sendo cristãos da mesma forma depois de uma imersão na realidade dos que sofrem.

Sou favorável ao fortalecimento da sociedade civil. Temos que superar essa dependência estatal e, por incrível que pareça, nós todos, como comunidade cristã, deveríamos nos envolver com a tarefa de dignificar mais brasileiros empobrecidos e vulneráveis. Deveríamos assumir isso como tarefa. Não falo que a igreja local deva fazê-lo. Não acho que igrejas devam ser ONGs. Mas penso que igrejas devem ensinar sobre o amor, a compaixão e a generosidade a seus membros. Que eles se envolvam, que doem e compartilhem seus bens e suas capacidades a serviço dos que precisam.

Cristãos precisam de um choque de realidade. Eles precisam deixar suas vidas cômodas e entrar numa cracolândia, subir o morro, visitar presídios, servir em desastres ou ter ações semelhantes. De fato, não há como continuarmos sendo cristãos da mesma forma depois de uma imersão na realidade dos que sofrem.

Timothy Keller chama a atenção para outro ponto importante, “Fazer justiça está ligado de modo inseparável à pregação da graça de Deus. Isso é verdade de duas maneiras: o Evangelho produz interesse pelo pobre e as obras de justiça dão credibilidade à pregação do Evangelho. Em outras palavras, justificação pela fé nos leva a fazer justiça, e fazer justiça leva muitos a buscar a justificação pela fé.” Sustento que uma tensão entre os dois mandatos mencionados é desnecessária. Que continuemos anunciando Jesus Cristo, ensinando sobre sua obra salvadora e justificadora. Mas que igualmente amemos de maneira incondicional os mais vulneráveis, servindo-os em suas necessidades concretas. Estamos diante de uma oportunidade singular de testemunharmos um cristianismo robusto pela pregação e pelo serviço sem sobreposição nem confusão entre evangelizar e servir.

Gostaria ainda de salientar que nosso conceito de pobreza também carece de uma definição mais sofisticada. De fato, há muitos tipos de pobreza e de riqueza. Há os materialmente pobres, mas ricos em outros aspectos. Há os emocional e socialmente pobres, cativos por entorpecentes e por doenças graves, ainda que financeiramente ricos. Em Apocalipse, a Igreja de Laodiceia, mesmo com sua riqueza material, foi chamada de pobre pelo próprio Cristo. Precisamos de critérios mais elaborados sobre pobreza – uma abordagem complexa e multidimensional para mapearmos a vulnerabilidade humana. Sem tais critérios, cairemos fatalmente em uma espécie de ufanismo ideológico revolucionário ou em uma espécie de quietismo que fica esperando a caridade alheia.

Recentemente o teólogo e pensador cristão Guilherme de Carvalho dirigiu sérias e honestas críticas à chamada Teologia da Missão Integral. Uma leitura honesta evidencia que precisamos superar a tentação de abraçar qualquer ideologia secular como solução para a transformação do mundo. Devemos renunciar a qualquer pretensão de que podemos instaurar o Reino de Deus por nossas ações. Considere a seguinte afirmação de Carvalho: “As obras de fé e de justiça que realizamos no mundo hoje, incluindo os trabalhos de transformação social, econômica, política e cultural, só podem ser, por sua natureza, sinais ‘subescatológicos’ do reino. Eles não são o reino, mas a evidência da presença do reino. O reino é ‘justiça, paz, e alegria no Espírito Santo’. O reino está onde está o poder da nova criação, e ele só é presente onde há fé, esperança e amor.”

Na atual conjuntura política de polaridades entre esquerda e direita devemos nos concentrar na superação entre teoria e prática, entre ortodoxia (doutrina correta) e ortopraxia (prática correta), como sugere o amigo e filósofo Pedro Dulci: “Mostra-se urgente no contexto brasileiro que recuperemos uma teologia do reino de Deus para que nossa missão seja realmente ortodoxa e profundamente integral.” Penso que estamos precisamente nesta virada missiológica: uma missiologia que integra teologia ortodoxa e prática consistente com esse fundamento. Do contrário, seremos mais uma vez presas fáceis de ídolos seculares.

A convocação final é que amemos, que Cristo se manifeste em palavras e obras, que corações se convertam. Se não se converterem, que sejam servidos, cuidados e dignificados. E que tais obras sejam como luzeiros em um mundo cínico em relação ao compromisso de cristãos com Cristo e com as pessoas.


Continuar lendo
Portal Teologia & Missões

Pastoreio de Ovelhas no Mundo Antigo - Ezequiel 34 - Michael Rossane


Ezequiel 34

Será se de fato hoje o pastoreio está de certa forma descaracterizado dos ensinamentos das Escrituras Sagrada? Suas atitudes, motivações, desejos e responsabilidade, sendo que, de certa forma sim, hà algumas diferenças entre o pastoreio ensinado e vivido pelos pastores do AT e do pastoreio de Jesus no NT.

  O pastoreio de ovelhas era muito difundido no mundo antigo, desde os tempos mais remotos, praticado desde a Mesopotâmia até o mundo romano. As ovelhas proporcionavam carne, lã, leite e queijo. Os pastores, às vezes, praticavam a transumância (movimento sazonal de rebanhos entre as pastagens das terras baixas e a das montanhas) e viviam como nômades, mas não era comum. 

Os pastores levavam suas ovelhas para pastar e beber água, protegiam-nas dos animais selvagens, mantinham um registro cuidadoso de seu número e davam atenção especial às que precisavam de cuidados, como as fêmeas prestes a dar à luz. À noite, o pastor ficava com as ovelhas, às vezes reunindo-as numa simples área cercada ou mesmo em cavernas. Numa família de pastores, os meninos e as meninas ajudavam a cuidar do rebanho (Gn 29.6; Davi, 1 Sm 16.11). A vida do pastor era difícil, obrigando-o a ficar longas horas ao ar livre.

 No entanto, o pastoreio de ovelhas era muitas vezes idealizado, como na poesia pastoril da Grécia e de Roma (e.g., as dez écoglas, de Virgílio – poemas em que uma ovelha conversa com a outra). Os pastores aparentemente passavam boa parte do tempo vago criando música e poesia, enquanto observavam as ovelhas pastarem. O escudo de Aquiles traz a imagem de dois pastores tocando instrumentos de sopro, e a carreira de Davi como salmista de Israel começou entre as ovelhas e com outros pastores. 

No mundo antigo, o pastor era uma metáfora padrão para os governantes. Os legisladores mesopotâmios Lipit-Istar, de Isin, e Hamurabi, da Babilônia, foram chamados “pastores”, e o cetro do faraó talvez imitasse a forma do cajado de um pastor. Na mitologia babilônia, dizia-se que Marduque era o pastor dos deuses, enquanto no AT Deus é o Pastor de Israel (Sl 80.1) e dos crentes fiéis (Sl 23). Ao mesmo tempo, Deus esperava que os reis de Israel agissem como pastores de seu povo (2 Sm 5.2) e condenava os que abusavam dessa autoridade (Ez 34). Jesus, em cumprimento dos versículos de 11 a 16, proclamou-se “o bom pastor” (Jo 10.1-18).

  Ezequiel 34. 1-31: Os pastores de Israel são denunciados

    A imagem do povo de Deus como um rebanho de ovelhas ocorre inúmeras vezes em toda a Bíblia, isto é fato. Neste oráculo, os então pastores, isto é, os governantes de Israel, são repreendidos por se preocuparem apenas com seus próprios interesses e pela falta de cuidado para com o seu rebanho. Além disso, algumas ovelhas engordaram à custa de outras, isto é, algumas pessoas adquiriram poder e fortuna por meio da opressão dos mais pobres e fracos. Ezequiel adverte que a justiça será restaurada.

  A advertência se torna uma promessa para o futuro (21-24). O Senhor não apenas salvará suas ovelhas, mas também nomeará Davi com seu pastor, e estabelecerá com elas uma aliança de paz. Como em outros oráculos, o nome é simbólico. A referência a Davi não significa que o antigo rei Davi será literalmente ressuscitado e entronizado como rei. Sua força se encontra no fato de que o próximo governante terá os atributos exemplares de Davi – alguém em quem o Senhor se compraz e que triunfou sobre os inimigos de Israel. Uma referência a Davi também pode ser encontrada em 37.24-26, em que o seu governo é descrito como eterno. A mesma passagem também se refere à eterna aliança de paz que o Senhor estabelecerá com o seu povo, um tema quase idêntico ao de 34.25-30.

   As duas passagens não apontam somente para o futuro imediato de Israel, mas também para um futuro de longo prazo. Deus estabelecerá a paz com o seu povo, e apontará um pastor para dirigi-los.

  O oráculo traz uma promessa de esperança. Mesmo que o povo de Deus seja espalhado e oprimido, um dia terá justiça. Os leitores do NT testemunharão esse dia com a volta de Jesus Cristo, uma promessa selada com a sua primeira vinda, morte e ressurreição.

   1-31 Ezequiel deve proclamar aos pastores de Israel: “Ai de vós pastores de Israel. Não cuidastes do rebanho. Ele se espalhou pelas terras. Vós vos preocupastes somente convosco mesmos (2,5-8). Eis que me levanto contra os pastores. Eles serão responsabilizados pelo rebanho, porei fim ao seu pastoreio. Eles já não se alimentarão de meu rebanho (10). Eu buscarei e ajuntarei minhas ovelhas. Eu as ajuntarei de todas as nações e as trarei para uma terra de boa pastagem, a terra de Israel. Eu mesmo cuidarei delas e serei para elas um bom pastor (11-15). Eis que julgarei entre ovelhas e ovelhas. Algumas engordaram à custa de outras. O rebanho já não servirá de rapina (17-22). Apontarei meu servo Davi como seu único pastor. Eu serei o seu Deus e Davi o seu príncipe (23,24). Eu celebrarei com elas uma aliança de paz. Elas habitarão em uma terra fértil e segura. Elas serão resgatadas da escravidão. Saberão, porém, que eu, o seu Deus, estou com elas, e que elas são o meu povo” (25-31).

 Notas. 13 “Tirá-las-ei [...] e as congregarei”: a promessa da restauração recebe ênfase especial nos cap. 34-48. Entretanto, isso também acontece em oráculos anteriores: 11.17; 16.60; 20.34,42; 28.25.

  25 “Aliança de paz”: a nova aliança prometida (Jr 31.31-34). 

Michael Rossane 


Fonte de Pesquisas: Bíblia de Estudo Arqueológica; 
Comentário Bíblico Vida Nova.

Continuar lendo
Portal Teologia & Missões

Estilo de Vida e Conduta Cristã - Michael Rossane


Bom dia amados irmãos! É imprescindível para uma pessoa que afirma ser cristão há muito tempo, e não ter lido ainda pelo menos uma vez toda a Bíblia, sendo ela a nossa única regra de fé e prática, nosso manual. Milhares de cristãos veem se queimando espiritualmente durante anos, meses e dias, porque fora do contexto da igreja, não há consigo, as essenciais práticas diárias de nosso relacionamento com ele, sendo elas, o jejum, a oração e a leitura da Bíblia.

Impossível é ficar sem elas e manter uma saudável espiritualidade e vida com Deus, e não adianta querer burlar tais obrigações como muitos fazem, de que não é preciso aplicar sobre sua vida tais práticas. O resultado pela abstinência dessas três principais práticas, é a queima espiritual e desistência por parte de muitos, desvios doutrinários entre outras... Portanto devamos entender que não somente estar na igreja, fará de nós um cristão, como uma fábula (magica), se não há em nós disciplina Bíblica fora da igreja, vida com Deus aqui fora.
"Examinais as Escrituras, porque pensais ter nelas a vida eterna. São estas mesmas Escrituras que testificam de mim, contudo não quereis vir a mim para terdes vida". Jo 5.39,40.


Continuar lendo
Portal Teologia & Missões

O Fruto do Espírito - Michael Rossane


O Fruto do Espírito
Michael Rossane 


Muitas passagens do Novo Testamento ensinam que os seguidores de Cristo precisam remover o mal de suas vidas. Temos que crucificar a carne ". . . com as suas paixões e concupiscências" (Gálatas 5:24). Algumas vezes, as pessoas não entendem tais instruções e pensam que a vida de um cristão é vazia, despojada de todo o prazer. Mas Deus não tem intenção de deixar um vazio, de tornar nossas vidas vácuos sem significado. Quando ele nos diz que precisamos remover o pecado, ele também nos mostra outras coisas ­ que são muito melhores ­ para encher nossas vidas e fazê-las mais ricas. Por exemplo, quando Paulo disse a Timóteo: “Foge, outrossim, das paixões da mocidade”, ele imediatamente acrescentou esta instrução positiva para encher o vazio: "Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor" (2 Timóteo 2:22). Ele tinha que remover o mal, mas imediatamente lhe foi dito que pusesse o bem no seu lugar.

Gálatas 5 torna esta distinção muito clara. Precisamos crucificar a carne, removendo suas obras de nossas vidas (versículos 19-21). Mas Paulo não parou aí. Ele continua essa lista de obras proibidas com uma descrição do "fruto do Espírito" (versículos 22-23). Aqueles que vivem no Espírito devem andar no Espírito. Portanto,devemos desenvolver cada uma destas qualidades como uma parte de nossa personalidade e caráter. O fruto do Espírito tem que ser produzido na vida de cada seguidor de Cristo. Consideremos as nove características do fruto do Espírito, para ajudar-nos a desenvolver estas atitudes quando procuramos viver e andar no Espírito. 

O Fruto do Espírito 

1. É uma obra sobrenatural de Deus. Alguns têm a equivocada noção de que a santificação consiste meramente em induzir a nova vida implantada na alma pela regeneração, de maneira persuasiva, mediante a apresentação de motivos à vontade. Mas isto não está certo.

Ela consiste, fundamental e primariamente, de uma operação divina na alma pela qual a santa disposição nascida na regeneração é fortalecida e os seus santos exercícios são aumentados. É essencialmente uma obra de Deus, embora, na medida em que Deus emprega meios, possamos esperar que o homem coopere, pelo uso adequado desses meios. A Escritura mostra claramente o caráter sobrenatural da santificação de diversas maneiras. Descreve-a como obra de Deus, 1 Ts 5.23; Hb 13.20,21, como fruto da união vital com Jesus Cristo, Jo 15.4; Gl 2.20; 4.19, como uma obra que é realizada no homem por dentro e que, por essa mesma razão, não pode ser obra do homem, Ef 3.16; Cl 1.11, e fala da sua manifestação nas virtudes cristãs como sendo obra do Espírito,
Gl 5.22. Jamais deverá ser descrita como um processo meramente natural de desenvolvimento espiritual do homem, nem tampouco deverá ser rebaixada ao nível de uma simples realização humana, como se faz em grande parte da teologia “liberal” moderna.
(1.Louis Berkhof)

Gl 5.22-23: mas o fruto do Espírito é:

Amor: 

(é impossível amar sem receber este amor), como pode existir esta quantidade de ódio entre os irmão se o Amor faz parte do fruto do Espirito, e se de fato somos cheio do Espirito Santo então devemos ser obedientes. amor: Defendida pela primeira vez por Pedro Abelardo (1079-1142), teólogo francês, a teoria da influência moral da expiação sustenta que Deus não exige o pagamento de um castigo pelo pecado, mas que a morte de Cristo era simplesmente um modo pelo qual Deus mostrou o quanto amava os seres humanos ao identificar-se, até a morte, com os sofrimentos deles. A morte de Cristo, portanto, torna-se um grande exemplo didático que mostra o amor de Deus por nós, amor que nos extrai uma resposta agradecida, de modo que somos perdoados ao amá-lo.

 Alegria: 

Quanto mais crescemos à semelhança de Cristo, tanto mais experimentamos a “alegria” e a “paz” que são parte do fruto do Espírito Santo (Gl 5.22) e tanto mais nos aproximamos do tipo de vida que teremos no céu. Paulo diz que à medida que nos tornamos cada vez mais obedientes a Deus, temos o nosso “fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna” (Rm 6.22).  Lc 10.21 Naquela mesma hora, se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve. Rm 14.17 Porque o reino de Deus não é comida, nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.                                                                                                  
(alegria: Wayne Grudem)

Paz: 

Não seria correto terminar nossa discussão sem observar que a santificação nos traz alegria. Quanto mais crescemos à semelhança de Cristo, tanto mais experimentamos a “alegria” e a “paz” que são parte do fruto do Espírito Santo (Gl 5.22) e tanto mais nos aproximamos do tipo de vida que teremos no céu. Paulo diz que à medida que nos tornamos cada vez mais obedientes a Deus, temos o nosso “fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna” (Rm 6.22).            
  (Paz: Wayne Grudem)

Longanimidade: 

É ainda outro aspecto da Sua grande bondade ou amor. O hebraico emprega a expressão ‘erek ‘aph, que significa literalmente “grande de rosto” e daí também “lento para a ira”, enquanto que o grego expressa a mesma ideia com a palavra makrothymia. É o aspecto da bondade ou amor de Deus em virtude do qual Ele tolera os rebeldes e maus, a despeito da sua prolongada desobediência. No exercício deste atributo o pecador é visto como permanecendo em pecado, não obstante as admoestações e advertências que lhe vêm. Revela-se no adiantamento do merecido julgamento. A Escritura fala da longanimidade de Deus em Êx 34.6; Sl 86.15; Rm 2.4; 1 Pe 3.20; 2 Pe 3.15. Um termo sinônimo, com uma conotação ligeiramente diversa, é a palavra “paciência”.                                          
(Longanimidade .Louis Berkhof)

Benignidade: 

Amor leal, favor de Deus. No Antigo Testamento a palavra traduzida por benignidade refere-se ao amor paciente de Deus (Dt 7,12; Os 2,14-23; Sl 51,5). No Novo Testamento, a palavra grega traduzida como Graça representa a ideia de benignidade de Deus (Lc 6,35). A benignidade de Deus pode demonstrar o seu projeto de salvação (Os 2,16-17; Rm2,4).                             
 (Dicionário Bíblico João Batista)

Bondade: 

Qualidade de quem é bom; caráter digno de louvor, excelência moral e ética. A Bíblia menciona varias vezes a bondade de Deus (Êx33,19. Rm 2,4). A bondade de Deus consiste de justiça, santidade, retidão, graça, misericórdia e amor. Bondade é um dos frutos do Espírito Santo, que ao caracterizar os cristãos, testemunha a comunhão com Deus(MT 5,48; Gl 5,22).                                      (Dicionário Bíblico João Batista)

Fidelidade: 

Lealdade, especialmente em relação a Deus. A fidelidade de Deus é um dos principais temas da Bíblia. No livro do Deuteronômio 7.9 está escrito: “Javé teu Deus é o único Deus, o Deus fiel, que mantém a aliança e o amor por mil gerações, em favor daqueles que o amam e observam os seus mandamentos”. Acerca de Jesus Cristo, a carta dos Hebreus afirma: “sumo sacerdote misericordioso e fiel”. O detalhe é que há um testemunho mútuo entre a fidelidade e o amor.

            A fidelidade de Deus propicia ao crente: força para suportar a provação (1 Co 10.13); esperança no cumprimento das promessas bíblicas (Hb 10.23); o perdão dos pecados (1 Jo 1.9).

 Daqueles que creem é requerido fidelidade, como tiveram o patriarca Abraão (Ne 9.8), o profeta e legislador Moisés (Hb 3.5), o apostolo Paulo (1Co 7.25).a fidelidade é claramente vista no cumprimento de uma promessa, de um cuidado ou tarefa. Portanto a fidelidade pode ser provada (1Co 4.2; Tt 2.10).                                                          
(Dicionário Bíblico João Batista) 

 Mansidão: 

A segunda afirmação básica das bem-aventuranças é que o reino de Deus não se entrega aos "poderosos", que procuram tomá-lo pela força, mas é facilmente acessível aos "fracos" que, pacientemente, entregam sua causa a Deus e abandonam seus próprios direitos em favor dos outros. O mundo no qual as bem-aventuranças foram ditas pela primeira vez não era um lugar hospitaleiro para tal ideia. Sêneca, um filósofo estoico proeminente do primeiro século e irmão de Gálio (Atos 18:12), deu expressão ao sentimento do seu tempo nas seguintes palavras: "Piedade é uma doença mental, induzida pelo espetáculo da miséria alheia . . . O sábio não sucumbe a doenças mentais dessa espécie" (Arnold Toinbee, Uma Abordagem da Religião por um Historiador, pag. 68). Totalmente fora do espírito do seu tempo, Jesus anunciou a bem-aventurança do manso, do misericordioso, dos pacificadores e dos perseguidos. Não era uma ideia "cujo tempo tivesse chegado." E ainda não é.

"Bem-aventurados os mansos" (Mateus 5:5). Num mundo de aspereza e crueldade, a mansidão pareceria uma maneira rápida de cometer suicídio. Os violentos e os teimosos prevalecem. Os mansos são sumariamente atropelados. A verdade é que, a curto prazo, isto poderá ser assim mesmo. As pessoas que são recolhidas para o reino de Deus têm que enfrentar isso. A gentileza de Jesus não o salvou da cruz. Mas, no final, Jesus nos ensina que é somente a mansidão que sobreviver. O desafio para nós é entender o que é a verdadeira mansidão.

Mansidão não é uma disposição natural. Não é um temperamento suave inato. Não é o comportamento obsequioso do escravo, cujo estado de impotência força-o a adotar um modo servil, que ele despreza e que abandonaria na primeira oportunidade. Mansidão é uma atitude para com Deus e os outros que é produto da escolha. É a disposição mantida por uma resolução moral férrea, ao mesmo tempo em que se pode ter o poder e a inclinação para se comportar diferentemente.

Mansidão não é indiferença ao mal. Jesus suportou com muita paciência os ataques que lhe fizeram, mas foi forte para defender o nome e a vontade do seu Pai. Ele odiava a iniquidade tanto quanto amava a justiça (Hebreus 1:9). Moisés era o mais manso dos homens quando se tratava de injúrias contra ele (Números 12:3), mas sua ira queimava como fogo contra a irreverência para com Deus (Êxodo 32:19). O homem manso pode suportar maus tratos pacientemente (ele não é interessado em auto-defesa), mas não é passível referente ao mal (Romanos 12:9). Há nele um ódio ardente a todos os caminhos da falsidade (Gálatas 1:8-9; Salmo 119:104).

Mansidão não é fraqueza. Não há frouxidão nela. Aquele que tinha 72.000 anjos sob seu comando (Mateus 26:53) descreveu-se como "manso e humilde de coração" (Mateus 11:29). A profundidade da mansidão em um homem pode na verdade ser medida em proporção direta com sua capacidade para esmagar seus adversários. Jesus não era manso porque ele fosse impotente. Ele era manso porque tinha seu imenso poder sob controle de grandes princípios: Seu amor por seu Pai (João 14:31) e seu amor pelos homens perdidos (Efésios 5:2). Teria sido muito mais fácil para ele ter simplesmente aniquilado seus antagonistas do que suportar pacientemente suas ofensas. Ele seguiu a estrada difícil.

A mansidão do Filho de Deus é poderosamente demonstrada pela sua atitude quanto aos privilégios de seu estado ("pois ele subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou," Filipenses 2:6-7), e em sua submissão a seu Pai ("embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas cousas que sofreu," Hebreus 5:8). Ele veio ao mundo como um servo. Ele esvaziou-se pelo benefício dos outros.

Ainda que a mansidão do reino derive de uma nova visão de si mesmo na presença de Deus ("pobre de espírito") sua ênfase primária está na visão de um homem na presença de outros. "Mansidão" (Grego, praus) é encontrada na companhia constante de palavras tais como "humildade," "benignidade," "paciência," "cortesia" e "brandura" (Efésios 4:2; Colossenses 3:12-13; 2 Timóteo 2:24-25; Tito 3:2; 2 Coríntios 10:1). Mesmo quando aplicada a nosso Salvador, a palavra parece falar de seu relacionamento com os homens antes que com seu Pai (Mateus 11:28-30; 2 Coríntios 10:1). "Mansidão (praus) tinha um uso especial no mundo grego antigo. Ela era aplicada ao animal que havia sido amansado" (Barclay, Palavras do Novo Testamento, pag. 241). O homem manso é o que foi amansado para o jugo de Cristo (Mateus 11:29), e, conseqüentemente, tomou sobre si os fardos dos outros homens (Gálatas 6:2). Ele não mais tenta tomar pela força nem mesmo aquilo que é seu por direito, nem tenta vingar as injustiças feitas a ele, não porque ele seja impotente para fazer isto, mas porque ele submeteu sua causa a um tribunal superior (Romanos 12:19). Em vez disso, ele está preocupado em ser uma bênção, não só para seus irmãos (Romanos 15:3), mas até mesmo para seus inimigos (Lucas 6:27-28).

O homem manso já se cansou de si mesmo. Ele sentiu sua máxima vacuidade espiritual e anseia por um correto relacionamento com Deus. Justiça própria tornou-se um desastre e vontade própria uma doença. As próprias idéias de auto-confiança e auto-determinação se tornaram um fedor para suas narinas. Ele esvaziou seu coração de si mesmo e o preencheu com Deus e os outros. Como seu Mestre, ele se tornou o servo dos servos. E por esta própria razão o futuro lhe pertence.


Domínio Próprio: 

Controle e moderação nas atitudes, palavras e emoções, talvez uns dos mais difíceis para o homem, se controlar se dominar, talvez também por este motivo Paulo coloca o domínio próprio por ultima na lista do fruto do Espírito.
  (Paz: Wayne Grudem) 

Conclusão

As obras da carne (Gálatas 5:19-21) são todas contra a vontade de Cristo, o fruto do espírito é inteiramente lícito:"Contra estas cousas não ha lei" (23). Paulo encerra esta parte relembrando-nos que aqueles que pertencem a Cristo crucificaram as paixões da carne. Seus servos vivem e andam no Espírito, demonstrando as qualidades reveladas nas Escrituras como características piedosas de verdadeiros cristãos. Procuremos todos entender estas qualidades para que possamos viver e andar com Jesus, agora e eternamente!

O ensino final de Paulo sobre o fruto do Espírito é que não há qualquer restrição quanto ao modo de viver aqui indicado. O crente pode, e realmente deve praticar essas virtudes continuamente. Nunca haverá uma lei que lhes impeça de viver segundo os princípios aqui descritos.

Nenhum trecho da Bíblia apresenta um mais nítido contraste entre o modo de vida do crente cheio do Espírito e aquele controlado pela natureza humana pecaminosa do que 5.16-26. Paulo não somente examina a diferença geral do modo de vida desses dois tipos de crentes, ao enfatizar que o Espírito e a carne estão em conflito entre si, mas também inclui uma lista específica tanto das obras da carne, como do fruto do Espírito.


Que Deus abençoe a todos

Continuar lendo